Questões de Concurso Sobre português para psicólogo

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Q4146644 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
A narradora lista os elementos de sua rotina universitária — sonhos, atividades, compromissos — e acrescenta: “Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era.” O operador argumentativo “Assim como”, nesse contexto, na construção do parágrafo, produz um efeito de sentido preciso que: 
Alternativas
Q4146643 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Sobre os processos de coordenação e subordinação presentes no período: “Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua”, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4146642 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Assinale a alternativa que apresenta a reescrita adequada, conforme a norma-padrão, e preservação do sentido original do trecho: “a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro”.
Alternativas
Q4146641 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
No trecho “O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo”, o pronome relativo “que” (em “que sempre mandava cartões postais”):
Alternativas
Q4146640 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Considerando o movimento argumentativo e os exemplos literários acionados pela autora, assinale a alternativa que representa o eixo central da construção de sentido do texto.
Alternativas
Q4136880 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
 No trecho retirado do texto “‘Então, a nogueira, se tiver espaço e nutrientes, ela se garante’, relata Arlindo”, qual é a figura de linguagem presente na expressão sublinhada? 
Alternativas
Q4136879 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
 Assinale a alternativa que apresenta a oração subordinada adjetiva explicativa do trecho a seguir, retirado do texto:
“O clima favorável e a maturidade das árvores, que já completaram 15 anos em algumas propriedades, ajudam a explicar o desempenho dos pomares”.
Alternativas
Q4136878 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os mecanismos de coesão textual às respectivas palavras sublinhadas nos trechos a seguir, retirados do texto.

Coluna 1 1. Conector adversativo. 2. Anáfora pronominal. 3. Marcador de coesão temporal.
Coluna 2 ( ) “No ano passado, o volume chegou a 4,9 mil toneladas”. ( ) “O bom desempenho de 2026, segundo ele, se deve muito ___ manejo das plantas”. ( ) “Demora para começar, mas depois o ciclo é longo para receber”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4136877 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
No trecho retirado do texto “Quando o pomar fica muito sombreado, a árvore não produz”, o emprego da vírgula tem a função específica de:
Alternativas
Q4136876 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre alguns vocábulos presentes no texto, analise as assertivas a seguir:

I. O vocábulo “noz-pecã” é uma palavra oxítona na qual o til marca a nasalização da letra “a”.
II. Em “colheita”, o grupo “lh” constitui um dígrafo consonantal, representando um único fonema na estrutura da palavra.
III. O vocábulo “produção” apresenta um ditongo nasal que ocorre na sílaba tônica da palavra.


Quais estão corretas?
Alternativas
Q4136875 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Em relação a trechos retirados do texto e seus aspectos gramaticais, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4136874 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Nos trechos a seguir, retirados do texto, as palavras “períodos”, “plantio” e “expressiva” poderiam ser substituídas, respectivamente e sem alteração do sentido original do trecho em que ocorrem, por: 

• “A nogueira por natureza é uma planta que produz bastante, salvo em períodos de intempéries”. • “quem investiu no plantio precisou lidar com a enchente de 2024”. • “a colheita deste ano será ___ mais expressiva do pomar”.
Alternativas
Q4136873 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Em relação à regência nominal e verbal e ao acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto.

• “Arlindo Maróstica tem já colhidas e em estoque ___ espera da venda grande parte das 14 toneladas que estimava colher”.
• “O bom desempenho de 2026, segundo ele, se deve muito ___ manejo das plantas”.
• “Ainda em Nova Pádua, a colheita deste ano será ___ mais expressiva do pomar”. 
Alternativas
Q4136872 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise as assertivas a seguir a respeito do texto e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) O texto articula diferentes elementos explicativos do desempenho recente da produção de noz-pecã no Rio Grande do Sul, envolvendo condições naturais, decisões referentes ao manejo e maturidade dos pomares.
( ) A partir das informações apresentadas, é possível compreender que pode haver baixa previsibilidade anual no cultivo da noz-pecã, com oscilações significativas entre safras em razão de fatores climáticos e de manejo das lavouras.
( ) A forma como são apresentados os relatos dos produtores contribui para a construção de uma ideia de cultivo de retorno tardio, dependente de planejamento de longo prazo e sujeito a variações climáticas relevantes.
( ) O texto evidencia uma perspectiva valorativa explícita do autor, que orienta o leitor a considerar que a expansão da cultura da noz-pecã deve ser uma alternativa prioritária para o desenvolvimento agrícola regional.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4136871 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o gênero textual e a situação comunicativa apresentada no texto, assinale a alternativa INCORRETA sobre as características predominantes da linguagem do texto.
Alternativas
Q4132204 Português
Observe o trecho abaixo:

“Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida.”
Mario Quintana

Com base nas regras de acentuação gráfica e nos aspectos fonológicos da língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir.

I. A palavra “convivência” recebe acento gráfico por ser uma paroxítona terminada em ditongo.
II. A palavra “minuto” é acentuada pela mesma regra aplicada à palavra “convivência”.
III. A palavra “é” recebe acento gráfico por ser um monossílabo tônico terminado em “e”.
IV. Na palavra “não”, o til exerce função de marcação de nasalidade em um monossílabo tônico formado por ditongo nasal.
V. A palavra “hora” deveria receber acento gráfico por ser uma palavra dissílaba terminada em “a”.

Após análise, conclui-se que estão corretas: 
Alternativas
Q4132203 Português
Com base nas regras do Acordo Ortográfico vigente, analise as afirmativas a seguir e julgueas como verdadeiras (V) ou falsas (F).

( ) A grafia correta é "multissemiótico", com "ss", pois o prefixo multi- termina em vogal e a base "semiótico" começa com "s", exigindo duplicação da consoante.
( ) A forma correta é "inter-relação", com hífen, pois o prefixo inter- termina em "r" e a base começa com "r", caso em que o Acordo Ortográfico determina o uso do hífen.
( ) A palavra "autorreferente" deve ser escrita sem hífen e com "rr", pois o prefixo auto- termina em vogal e a base começa com "r", resultando em duplicação da consoante sem hífen.
( ) A forma “presuposição” está grafada corretamente segundo a norma-padrão.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4132202 Português
Observe a imagem a seguir.

Captura_de tela 2026-06-24 114828.png (351×307)

Fonte:https://www.instagram.com/p/DQl2PxigMro/?igsh=MW91aWcz ZHhrdXNybQ==. Acesso em 8/05/2026.

Sobre a escrita da expressão “Falar pelo audio”, produzida por um estudante em contexto de comunicação informal, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4132201 Português
Leia a letra da canção “É preciso saber viver” para responder à questão.


É preciso saber viver
Canção de Titãs ‧ 1998

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinho
Você pode se arranhar
Se o bem e o bem existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Você pode escolher
É preciso saber viver
Saber viver
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
[...]
Considere o excerto da canção É Preciso Saber Viver:

“Toda pedra no caminho
Você pode retirar”

A respeito dos sentidos construídos no fragmento e dos recursos expressivos empregados na canção, analise as afirmativas a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).

( ) O termo “pedra” assume valor metafórico, representando entraves e adversidades da experiência humana.
( ) O uso do verbo modal “pode” sugere possibilidade e autonomia do sujeito diante das dificuldades.
( ) O fragmento constrói uma visão determinista da existência, defendendo a impossibilidade de transformação da realidade.
( ) O deslocamento sintático de “Toda pedra no caminho” contribui para a ênfase semântica do obstáculo apresentado.
( ) A simplicidade estrutural da linguagem reduz a densidade reflexiva do texto poético.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4132200 Português
Leia a letra da canção “É preciso saber viver” para responder à questão.


É preciso saber viver
Canção de Titãs ‧ 1998

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinho
Você pode se arranhar
Se o bem e o bem existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Você pode escolher
É preciso saber viver
Saber viver
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
[...]
Considere o excerto a seguir.

“Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar”

Com base na análise sintática, morfológica e semântica do trecho, avalie as afirmativas a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F). 

( ) O verbo “tem” estabelece concordância verbal com o núcleo do sujeito da oração em que está inserido.
( ) A inserção de vírgula entre os versos “Numa flor que tem espinhos” e “Você pode se arranhar” provocaria separação indevida entre estruturas sintaticamente articuladas no contexto do período.
( ) O pronome “se”, em “se arranhar”, indica que a ação verbal recai sobre o próprio sujeito da oração.
( ) O fragmento é constituído por mais de uma oração, não podendo ser classificado como período simples.
( ) A ausência de sinais de pontuação entre os versos contribui para a continuidade rítmica e para a fluidez característica do gênero canção.

Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Respostas
21: D
22: B
23: D
24: B
25: A
26: A
27: B
28: C
29: D
30: D
31: A
32: C
33: D
34: B
35: A
36: D
37: B
38: A
39: E
40: C