Questões de Concurso
Sobre português para fundatec
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Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Desumanizado mundo novo
- Vivemos em um mundo repleto de ironias, de contradições, de paradoxos, em um mundo
- confuso e confusamente percebido, como escreveu Milton Santos. Vemos, de um lado, a
- tecnologia se desenvolver em uma velocidade cada vez maior, enquanto nós parecemos ir no
- sentido contrário, em um processo contínuo e acelerado de desumanização. É óbvio que o
- desenvolvimento tecnológico em si não é o causador do problema, mas o progresso humano
- está paulatinamente mais distante do progresso da máquina e das grandes cidades. É como se,
- para que um exista, o outro tenha que ceder espaço de si mesmo, adaptar-se, abnegar-se,
- transformar-se no que não é.
- Por mais que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia seja importante e traga
- benefícios para a vida individual e coletiva, é preciso considerar que um mundo de coisas não é
- um mundo de pessoas. Todo “progresso” conseguido através da tecnologia deve servir como
- instrumento para que haja uma melhora na condição humana. Desse modo, caso não seja
- percebido um progresso similar entre o mundo das máquinas e o mundo dos homens, é
- necessário repensar e reorganizar as bases em que tal “desenvolvimento” tem ocorrido.
- Se analisarmos os altos índices (com projeções ainda maiores) de doenças psicológicas,
- perceberemos que as áreas com maior incidência são as grandes cidades, onde a modernidade,
- com todo o seu “progresso” material, consegue se “desenvolver” com maior êxito. Além disso,
- os jovens são o grupo mais afetado, o que não significa que outras pessoas não possam sofrer
- com os mesmos problemas. Esses dados separados podem não ter muito nexo. Contudo, se
- analisados juntos, fazem todo o sentido, já que há uma pressão muito maior sobre as atuais
- gerações para que elas consigam se afirmar e obter sucesso dentro dos parâmetros
- estabelecidos pela sociedade, pautada, evidentemente, pelo consumismo e espetacularização
- de bens que afirmam a magnificência do mundo líquido moderno.
- Com isso, na medida em que o “sucesso” não é atingido, uma vez que nem todos possuem
- os “pré-requisitos” necessários para adentrar no oásis de prazer da sociedade de consumo, nem
- os “talentos” necessários para agradar à plateia do espetáculo permanente, que é a nossa
- sociedade, passa-se a ter sujeitos frustrados, insatisfeitos e desindividualizados, que ao mesmo
- tempo em que não conseguem se encaixar no mundo, não conseguem reconhecer a si próprios.
- Em outras palavras, não há espaço para todos brilharem e/ou nem todos querem, de fato,
- “brilhar”. Logo, muitos acabam ficando no meio do caminho, entre ser um sujeito individual,
- mas desencaixado; ou ser um sujeito despersonalizado, porém ajustado. O preço cobrado por
- sair __ um lugar, mas não chegar __ outro, é ficar perdido da sociedade e, sobretudo, de si
- mesmo.
- Apesar desses casos serem, aparentemente, mais graves, não se deve entender que
- renunciar à própria individualidade em favor do cumprimento de protocolos sociais seja algo
- saudável ou normal. Pelo contrário, é no enquadramento, na subserviência às regras de uma
- sociedade que se apresenta em um temível estado patológico que reside o âmago do problema,
- pois é por meio da conversão de novas ovelhas que a “igreja” expande o seu rebanho e,
- consequentemente, o seu poder.
- É urgente repensar o nosso mundo e declarar a ironia de uma sociedade que transverte o
- fracasso em uma roupa de sucesso e que, ao criar a ilusão de uma sociedade de indivíduos,
- criou uma sociedade de massa, uniforme e prisioneira em um reino de ignorância, indiferença,
- egoísmo e apatia, em que todos, em alguma medida, vivem de forma mecânica, anônima,
- invisível e solitária, distantes de si, distantes do mundo, chorando as lágrimas escassas de
- quem não acredita mais no choro. Estamos todos doentes e precisamos nos curar. Entretanto, a
- cura não está na sanidade de um mundo aparentemente são, mas completamente adoecido, e
- sim na lou(cura) de ser a si mesmo e permitir que os outros também sejam, pois qualquer
- caminho que tomemos deve ter como destino o nosso ser.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/desumanizado-mundo-novo/. Acesso em 14 mar. 2019.
Qual das seguintes alternativas apresenta duas palavras extraídas do texto que são sinônimos?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Na frase “Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar”, retirada do texto, ocorre a próclise com o pronome oblíquo “me” por haver uma palavra capaz de atraí-lo para antes do verbo “ajudar”. Tal palavra corresponde a:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
O vocábulo “desfuncionasse” (l. 21) é formado pelo prefixo de origem latina “des”, que, por sua vez, é indicativo de:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Sobre a acentuação de termos retirados do texto, analise as seguintes afirmações:
I. A palavra “céu” é acentuada por corresponder a um monossílabo tônico que encerra com ditongo aberto “éu”.
II. A palavra “urgência” é acentuada por representar uma proparoxítona.
III. A palavra “papéis” é acentuada por constituir uma paroxítona terminada em ditongo aberto “éi”.
Quais estão corretas?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Na frase “A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de amarelo-torrado, um azul de céu ou verde”, retirada do texto, as duas primeiras vírgulas estão sendo empregadas para separar:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Com base exclusivamente no que o texto explicita, é correto afirmar que:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Qual das seguintes conjunções ou locuções conjuntivas extraída do texto expressa a ideia de finalidade?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Na frase “Eu daria todos os melhores presentes à minha mãe”, retirada do texto, o verbo “dar”, devidamente conjugado no futuro do pretérito do indicativo, é classificado como:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Na frase “E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos”, retirada do texto, se a palavra “pessoas” fosse flexionada no singular, quantas outras palavras precisariam ser modificadas para garantir a correta concordância verbo-nominal?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Cuidar dos pais
01 A minha mãe é a minha filha. Preciso dizer-lhe que chega de bolo de chocolate, chega de
02 café ou de andar às pressas. Vai engordar, vai ficar elétrica, vai começar a doer-lhe a perna
03 esquerda. Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita
04 atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie
05 de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas. Zango-me
06 com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas
07 convenções que enlutam os mais velhos.
08 A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de vê-la de
09 amarelo-torrado, um azul de céu ou verde. Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as
10 novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou
11 Natal, a Primavera ou só um fim de semana fora, servem para que me lembre de trazer-lhe um
12 presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à
13 minha mãe.
14 Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos
15 mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo
16 seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si
17 com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos. Aos pais e aos
18 filhos tendemos a amar incondicionalmente, mas com medo. Um amigo dizia que entendeu o
19 pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar,
20 pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que
21 desfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.
22 Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que
23 amam sem esta fatura não amam ainda. Passeiam nos afetos. É outra coisa.
24 Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as
25 minhas irmãs dizerem: “Não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas”. Se a luz
26 está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns
27 homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do
28 que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas. Quem não casa deixa de ter
29 irmãos, logo, só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos
30 ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência
31 e responsabilizar-nos mais ainda. Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de
32 flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado,
33 pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz
34 uma sopa, no mês passado, até fomos de carro ao Porto, jantamos em modo fino e tudo.
35 Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por
36 tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o
37 corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefônicas aflitas.
38 Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aquecem os dias, para
39 descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só
40 gostamos de quem tem cães pequenos. Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres
41 delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que
42 as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao
43 peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia.
44 Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos. Passeamos estranhos com os
45 cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de
46 tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima! E
47 isso compensa. Recompensa. Comemos ao sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem
48 ao sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/conheca-o-texto-que-o-escritor-valter-hugo-mae-escreveu-inspirado-nos-cuidados-que-dedica-a-sua-mae/. Acesso em 31 Jan 2019.
Qual das seguintes locuções adverbiais apresenta corretamente o uso do acento indicativo de crase, assim como se nota em “às pressas” no texto?
“Nada menos do que 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejados nos oceanos por ano(...)” (l. 17 e 18).
I. A substituição de “apoiam” para sua forma no singular manteria a concordância do fragmento. II. O pronome “eles” tem função anafórica nesse contexto. III. A palavra “que”, nas duas ocorrências, tem a mesma classe gramatical.
Quais estão corretas?
I. Os dois-pontos da linha 02 poderiam ser substituídos por “pois” entre vírgulas. II. As duas vírgulas que isolam “atual campeã mundial na época” (l. 03 e 04) marcam umaposto. III. As vírgulas das linhas 05 e 06 poderiam ser suprimidas sem que isso alterasse o sentido dafrase ou acarretasse algum tipo de erro. IV. O travessão da linha 09 tem a função de marcar uma ênfase na frase; por isso, pode sersuprimido sem acarretar erro estrutural na frase.
Quais estão corretas?
