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Q3002675 Português

Texto IV


CAPÍTULO PRIMEIRO


Rubião fitava a enseada — eram oito horas da

manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no

cordão do chambre, à janela de uma grande casa de

Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de

5 água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava

em outra coisa. Cotejava o passado com o presente.

Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capita-

lista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de

Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para

10 a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e

para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo

entra na mesma sensação de propriedade.

“Vejam como Deus escreve direito por linhas

tortas”, pensa ele. “Se mana Piedade tem casado com

15 Quincas Borba, apenas me daria uma esperança

colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo

comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...”


CAPÍTULO II


Que abismo que há entre o espírito e o coração!

20 O espírito do ex-professor, vexado daquele pensamento,

arrepiou caminho, buscou outro assunto, uma canoa

que ia passando; o coração, porém, deixou-se estar a

bater de alegria. Que lhe importa a canoa nem o

canoeiro, que os olhos de Rubião acompanham,

25 arregalados? Ele, coração, vai dizendo que, uma vez

que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não

casasse; podia vir um filho ou uma filha... — Bonita

canoa! — Antes assim! — Como obedece bem aos

remos do homem! — O certo é que eles estão no Céu!



ASSIS, Machado de. Quincas Borba. In: Obra completa.

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, v. 1, p. 761-762.

No fragmento “Ele, coração, vai dizendo que, uma vez que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não casasse; podia vir um filho ou uma filha...” (. 25-27), o emprego das reticências indica a

Alternativas
Q3002671 Português

Texto IV


CAPÍTULO PRIMEIRO


Rubião fitava a enseada — eram oito horas da

manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no

cordão do chambre, à janela de uma grande casa de

Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de

5 água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava

em outra coisa. Cotejava o passado com o presente.

Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capita-

lista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de

Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para

10 a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e

para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo

entra na mesma sensação de propriedade.

“Vejam como Deus escreve direito por linhas

tortas”, pensa ele. “Se mana Piedade tem casado com

15 Quincas Borba, apenas me daria uma esperança

colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo

comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...”


CAPÍTULO II


Que abismo que há entre o espírito e o coração!

20 O espírito do ex-professor, vexado daquele pensamento,

arrepiou caminho, buscou outro assunto, uma canoa

que ia passando; o coração, porém, deixou-se estar a

bater de alegria. Que lhe importa a canoa nem o

canoeiro, que os olhos de Rubião acompanham,

25 arregalados? Ele, coração, vai dizendo que, uma vez

que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não

casasse; podia vir um filho ou uma filha... — Bonita

canoa! — Antes assim! — Como obedece bem aos

remos do homem! — O certo é que eles estão no Céu!



ASSIS, Machado de. Quincas Borba. In: Obra completa.

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, v. 1, p. 761-762.

No Capítulo II, o narrador declara o abismo que há entre o espírito e o coração, no qual se encontram os valores morais e os sentimentos. Atribui-se ao espírito a seguinte declaração:

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Q3002670 Português

Texto III


Poesia Pau-Brasília: Receita


Ingredientes


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas

3 litros de sangue fervido

5 5 sonhos eróticos

2 canções dos Beatles


Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos

Nos dois litros de sangue fervido

10 E deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo

Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos

15 E repita com a canção dos Beatles

O mesmo processo usado com os sonhos eróticos

Mas dessa vez deixe ferver um pouco mais

E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser substituída

20 Por suco de groselha

Mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples

Ou com ilusões


BEHR, Nicolas, 7 fev. 2008. Disponível em: alldementedforever /

http://www.nicolas-behr.com.br (Acessado em abr. de 2009).

O processo de coesão textual pode realizar-se por meio de anáfora, quando se retomam termos e significados anteriormente expressos. Em qual das passagens abaixo NÃO se verifica a ocorrência de vocábulo em função anafórica?

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Q3002669 Português

Texto III


Poesia Pau-Brasília: Receita


Ingredientes


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas

3 litros de sangue fervido

5 5 sonhos eróticos

2 canções dos Beatles


Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos

Nos dois litros de sangue fervido

10 E deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo

Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos

15 E repita com a canção dos Beatles

O mesmo processo usado com os sonhos eróticos

Mas dessa vez deixe ferver um pouco mais

E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser substituída

20 Por suco de groselha

Mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples

Ou com ilusões


BEHR, Nicolas, 7 fev. 2008. Disponível em: alldementedforever /

http://www.nicolas-behr.com.br (Acessado em abr. de 2009).

No segmento


“Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas” (v. 12-13),


a ocorrência de crase deve-se à(ao)

Alternativas
Q3002668 Português

Texto III


Poesia Pau-Brasília: Receita


Ingredientes


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas

3 litros de sangue fervido

5 5 sonhos eróticos

2 canções dos Beatles


Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos

Nos dois litros de sangue fervido

10 E deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo

Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos

15 E repita com a canção dos Beatles

O mesmo processo usado com os sonhos eróticos

Mas dessa vez deixe ferver um pouco mais

E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser substituída

20 Por suco de groselha

Mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples

Ou com ilusões


BEHR, Nicolas, 7 fev. 2008. Disponível em: alldementedforever /

http://www.nicolas-behr.com.br (Acessado em abr. de 2009).

As formas verbais ocorrentes na segunda parte da receita cumprem uma estratégia argumentativa cuja força está no emprego do imperativo. Esse emprego persuasivo direciona a ação para a(o)

Alternativas
Q3002667 Português

Texto III


Poesia Pau-Brasília: Receita


Ingredientes


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas

3 litros de sangue fervido

5 5 sonhos eróticos

2 canções dos Beatles


Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos

Nos dois litros de sangue fervido

10 E deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo

Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos

15 E repita com a canção dos Beatles

O mesmo processo usado com os sonhos eróticos

Mas dessa vez deixe ferver um pouco mais

E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser substituída

20 Por suco de groselha

Mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples

Ou com ilusões


BEHR, Nicolas, 7 fev. 2008. Disponível em: alldementedforever /

http://www.nicolas-behr.com.br (Acessado em abr. de 2009).

Na segunda parte da receita, os ingredientes mencionados na primeira estão precedidos de artigos definidos porque

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Q3002664 Português

Texto III


Poesia Pau-Brasília: Receita


Ingredientes


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas

3 litros de sangue fervido

5 5 sonhos eróticos

2 canções dos Beatles


Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos

Nos dois litros de sangue fervido

10 E deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo

Adicionando dois conflitos de geração

Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos

15 E repita com a canção dos Beatles

O mesmo processo usado com os sonhos eróticos

Mas dessa vez deixe ferver um pouco mais

E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser substituída

20 Por suco de groselha

Mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples

Ou com ilusões


BEHR, Nicolas, 7 fev. 2008. Disponível em: alldementedforever /

http://www.nicolas-behr.com.br (Acessado em abr. de 2009).

Em geral, o gênero textual “receita” se apresenta segmentado em duas partes: em uma, tem-se os ingredientes necessários à feitura do prato; em outra, explica-se como fazer a iguaria.

No texto ora enfocado, o mecanismo coesivo que liga as duas partes mencionadas é o seguinte:

Alternativas
Q3002663 Português

Texto II



Grande sertão: veredas


Olhe: conto ao senhor. Se diz que, no bando de

Antônio Dó, tinha um grado jagunço, bem remediado

de posses – Davidão era o nome dele. Vai, um dia,

coisas dessas que às vezes acontecem, esse Davidão

5 pegou a ter medo de morrer. Safado, pensou, propôs

este trato a um outro, pobre dos mais pobres, chamado

Faustino: o Davidão dava a ele dez contos de réis, mas,

em lei de caborje – invisível no sobrenatural – chegasse

primeiro o destino de Davidão morrer em combate,

10 então era o Faustino quem morria, em vez dele.

E o Faustino aceitou, recebeu, fechou. Parece que,

com efeito, no poder de feitiço ele muito não acreditava.

Então, pelo seguinte, deram um grande fogo, contra os

soldados do Major Alcides do Amaral, sitiado forte em

15 São Francisco. Combate quando findou, todos os

dois estavam vivos, o Davidão e o Faustino. A de ver?

Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.

Ah, e assim e assim foram, durante os meses, escapos,

alteração nenhuma não havendo; nem feridos eles não

20 saíam... Que tal, o que o senhor acha? Pois, mire e

veja: isto mesmo narrei a um rapaz de cidade grande,

muito inteligente, vindo com outros num caminhão,

para pescarem no Rio. Sabe o que o moço me disse?

Que era assunto de valor, para se compor uma estória

25 em livro. Mas que precisava de um final sustante,

caprichado. O final que ele daí imaginou foi um: que,

um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria

revogar o ajuste! Devolvia o dinheiro. Mas o Davidão

não aceitava, não queria, por forma nenhuma.

30 Do discutir, ferveram nisso, ferraram numa luta

corporal. A fino, o Faustino se provia na faca, investia,

os dois rolavam no chão, embolados. Mas, no confuso,

por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do

Faustino, que falecia...

35 Apreciei demais essa continuação inventada.

A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta

instrução não concebe! No real da vida as coisas

acabam com menos formato, nem acabam. Melhor

assim. Pelejar, por exato, dá erro contra a gente. Não

40 se queira. Viver é muito perigoso...



GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Edição comemorativa dos 50 anos de publicação da obra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 75-76. (Fragmento)

No trecho “O final que ele daí imaginou foi um: que, um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria revogar o ajuste!” (A. 26-28), a palavra que desempenha nas orações, respectivamente, quanto à sintaxe, os valores de

Alternativas
Q3002662 Português

Texto II



Grande sertão: veredas


Olhe: conto ao senhor. Se diz que, no bando de

Antônio Dó, tinha um grado jagunço, bem remediado

de posses – Davidão era o nome dele. Vai, um dia,

coisas dessas que às vezes acontecem, esse Davidão

5 pegou a ter medo de morrer. Safado, pensou, propôs

este trato a um outro, pobre dos mais pobres, chamado

Faustino: o Davidão dava a ele dez contos de réis, mas,

em lei de caborje – invisível no sobrenatural – chegasse

primeiro o destino de Davidão morrer em combate,

10 então era o Faustino quem morria, em vez dele.

E o Faustino aceitou, recebeu, fechou. Parece que,

com efeito, no poder de feitiço ele muito não acreditava.

Então, pelo seguinte, deram um grande fogo, contra os

soldados do Major Alcides do Amaral, sitiado forte em

15 São Francisco. Combate quando findou, todos os

dois estavam vivos, o Davidão e o Faustino. A de ver?

Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.

Ah, e assim e assim foram, durante os meses, escapos,

alteração nenhuma não havendo; nem feridos eles não

20 saíam... Que tal, o que o senhor acha? Pois, mire e

veja: isto mesmo narrei a um rapaz de cidade grande,

muito inteligente, vindo com outros num caminhão,

para pescarem no Rio. Sabe o que o moço me disse?

Que era assunto de valor, para se compor uma estória

25 em livro. Mas que precisava de um final sustante,

caprichado. O final que ele daí imaginou foi um: que,

um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria

revogar o ajuste! Devolvia o dinheiro. Mas o Davidão

não aceitava, não queria, por forma nenhuma.

30 Do discutir, ferveram nisso, ferraram numa luta

corporal. A fino, o Faustino se provia na faca, investia,

os dois rolavam no chão, embolados. Mas, no confuso,

por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do

Faustino, que falecia...

35 Apreciei demais essa continuação inventada.

A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta

instrução não concebe! No real da vida as coisas

acabam com menos formato, nem acabam. Melhor

assim. Pelejar, por exato, dá erro contra a gente. Não

40 se queira. Viver é muito perigoso...



GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Edição comemorativa dos 50 anos de publicação da obra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 75-76. (Fragmento)

Na frase “Mas, no confuso, por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do Faustino, que falecia...” (. 32-34), ocorre a substantivação do adjetivo “confuso”. O efeito expressivo decorrente do emprego desse termo

Alternativas
Q3002659 Português

Texto II



Grande sertão: veredas


Olhe: conto ao senhor. Se diz que, no bando de

Antônio Dó, tinha um grado jagunço, bem remediado

de posses – Davidão era o nome dele. Vai, um dia,

coisas dessas que às vezes acontecem, esse Davidão

5 pegou a ter medo de morrer. Safado, pensou, propôs

este trato a um outro, pobre dos mais pobres, chamado

Faustino: o Davidão dava a ele dez contos de réis, mas,

em lei de caborje – invisível no sobrenatural – chegasse

primeiro o destino de Davidão morrer em combate,

10 então era o Faustino quem morria, em vez dele.

E o Faustino aceitou, recebeu, fechou. Parece que,

com efeito, no poder de feitiço ele muito não acreditava.

Então, pelo seguinte, deram um grande fogo, contra os

soldados do Major Alcides do Amaral, sitiado forte em

15 São Francisco. Combate quando findou, todos os

dois estavam vivos, o Davidão e o Faustino. A de ver?

Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.

Ah, e assim e assim foram, durante os meses, escapos,

alteração nenhuma não havendo; nem feridos eles não

20 saíam... Que tal, o que o senhor acha? Pois, mire e

veja: isto mesmo narrei a um rapaz de cidade grande,

muito inteligente, vindo com outros num caminhão,

para pescarem no Rio. Sabe o que o moço me disse?

Que era assunto de valor, para se compor uma estória

25 em livro. Mas que precisava de um final sustante,

caprichado. O final que ele daí imaginou foi um: que,

um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria

revogar o ajuste! Devolvia o dinheiro. Mas o Davidão

não aceitava, não queria, por forma nenhuma.

30 Do discutir, ferveram nisso, ferraram numa luta

corporal. A fino, o Faustino se provia na faca, investia,

os dois rolavam no chão, embolados. Mas, no confuso,

por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do

Faustino, que falecia...

35 Apreciei demais essa continuação inventada.

A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta

instrução não concebe! No real da vida as coisas

acabam com menos formato, nem acabam. Melhor

assim. Pelejar, por exato, dá erro contra a gente. Não

40 se queira. Viver é muito perigoso...



GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Edição comemorativa dos 50 anos de publicação da obra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 75-76. (Fragmento)

Guimarães Rosa compõe seus textos literários com histórias colhidas no sertão mineiro, mantidas fiéis aos traços da linguagem em que essas narrativas são divulgadas.


Em: “alteração nenhuma não havendo;” ( 19) e “Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.” (17), há duas negativas antes do verbo. Essa dupla negativa pré-verbal é marca de variação linguística própria da(o)

Alternativas
Q3002654 Português

Texto II



Grande sertão: veredas


Olhe: conto ao senhor. Se diz que, no bando de

Antônio Dó, tinha um grado jagunço, bem remediado

de posses – Davidão era o nome dele. Vai, um dia,

coisas dessas que às vezes acontecem, esse Davidão

5 pegou a ter medo de morrer. Safado, pensou, propôs

este trato a um outro, pobre dos mais pobres, chamado

Faustino: o Davidão dava a ele dez contos de réis, mas,

em lei de caborje – invisível no sobrenatural – chegasse

primeiro o destino de Davidão morrer em combate,

10 então era o Faustino quem morria, em vez dele.

E o Faustino aceitou, recebeu, fechou. Parece que,

com efeito, no poder de feitiço ele muito não acreditava.

Então, pelo seguinte, deram um grande fogo, contra os

soldados do Major Alcides do Amaral, sitiado forte em

15 São Francisco. Combate quando findou, todos os

dois estavam vivos, o Davidão e o Faustino. A de ver?

Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.

Ah, e assim e assim foram, durante os meses, escapos,

alteração nenhuma não havendo; nem feridos eles não

20 saíam... Que tal, o que o senhor acha? Pois, mire e

veja: isto mesmo narrei a um rapaz de cidade grande,

muito inteligente, vindo com outros num caminhão,

para pescarem no Rio. Sabe o que o moço me disse?

Que era assunto de valor, para se compor uma estória

25 em livro. Mas que precisava de um final sustante,

caprichado. O final que ele daí imaginou foi um: que,

um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria

revogar o ajuste! Devolvia o dinheiro. Mas o Davidão

não aceitava, não queria, por forma nenhuma.

30 Do discutir, ferveram nisso, ferraram numa luta

corporal. A fino, o Faustino se provia na faca, investia,

os dois rolavam no chão, embolados. Mas, no confuso,

por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do

Faustino, que falecia...

35 Apreciei demais essa continuação inventada.

A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta

instrução não concebe! No real da vida as coisas

acabam com menos formato, nem acabam. Melhor

assim. Pelejar, por exato, dá erro contra a gente. Não

40 se queira. Viver é muito perigoso...



GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Edição comemorativa dos 50 anos de publicação da obra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 75-76. (Fragmento)

A análise do texto, que narra um trato entre jagunços rudes do sertão, conduz à inequívoca conclusão de que a(o)

Alternativas
Q3002154 Português

Texto II



Grande sertão: veredas


Olhe: conto ao senhor. Se diz que, no bando de

Antônio Dó, tinha um grado jagunço, bem remediado

de posses – Davidão era o nome dele. Vai, um dia,

coisas dessas que às vezes acontecem, esse Davidão

5 pegou a ter medo de morrer. Safado, pensou, propôs

este trato a um outro, pobre dos mais pobres, chamado

Faustino: o Davidão dava a ele dez contos de réis, mas,

em lei de caborje – invisível no sobrenatural – chegasse

primeiro o destino de Davidão morrer em combate,

10 então era o Faustino quem morria, em vez dele.

E o Faustino aceitou, recebeu, fechou. Parece que,

com efeito, no poder de feitiço ele muito não acreditava.

Então, pelo seguinte, deram um grande fogo, contra os

soldados do Major Alcides do Amaral, sitiado forte em

15 São Francisco. Combate quando findou, todos os

dois estavam vivos, o Davidão e o Faustino. A de ver?

Para nenhum deles não tinha chegado a hora-e-dia.

Ah, e assim e assim foram, durante os meses, escapos,

alteração nenhuma não havendo; nem feridos eles não

20 saíam... Que tal, o que o senhor acha? Pois, mire e

veja: isto mesmo narrei a um rapaz de cidade grande,

muito inteligente, vindo com outros num caminhão,

para pescarem no Rio. Sabe o que o moço me disse?

Que era assunto de valor, para se compor uma estória

25 em livro. Mas que precisava de um final sustante,

caprichado. O final que ele daí imaginou foi um: que,

um dia, o Faustino pegava também a ter medo, queria

revogar o ajuste! Devolvia o dinheiro. Mas o Davidão

não aceitava, não queria, por forma nenhuma.

30 Do discutir, ferveram nisso, ferraram numa luta

corporal. A fino, o Faustino se provia na faca, investia,

os dois rolavam no chão, embolados. Mas, no confuso,

por sua própria mão dele, a faca cravava no coração do

Faustino, que falecia...

35 Apreciei demais essa continuação inventada.

A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta

instrução não concebe! No real da vida as coisas

acabam com menos formato, nem acabam. Melhor

assim. Pelejar, por exato, dá erro contra a gente. Não

40 se queira. Viver é muito perigoso...



GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Edição comemorativa dos 50 anos de publicação da obra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 75-76. (Fragmento)

Guimarães Rosa costumava construir seus textos com personagens reais, como é o caso de Antônio Dó, e com histórias ouvidas no sertão mineiro, em que realidade e ficção se confundem.

O fragmento de Grande sertão: veredas, ora transcrito, é um exemplo disso, pois, na história dos jagunços, o narrador-personagem toma por base

Alternativas
Q3002137 Português

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

Assinale a opção em que todas as palavras contêm dígrafos.

Alternativas
Q3002040 Português

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

Entre os versos


“fui dar descarga

disparei um autoclismo”, (v. 9-10)


está implícita a noção de

Alternativas
Q3002017 Português

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

Os infinitivos das formas verbais presentes nos versos


“subi num bonde

desci de um elétrico” (v. 3-4)

Alternativas
Q3002016 Português

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

Diz-se que há intertextualidade quando um texto interfere ou se faz presente em outro. É o que acontece no último verso do poema “Lisboa: aventuras”, em que o autor incorpora um trecho da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. No poema de José Paulo Paes,

Alternativas
Q3002011 Português

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

O poema de José Paulo Paes apresenta diferenças linguísticas entre o Português

Alternativas
Q2950259 Português

TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO



Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

para um compromisso com hora marcada e ver o

cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

— combustível e desgaste de peças. Os congestio-

20 namentos trazem danos também para os governos.

Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

sito.

Quando motivado por acidente, o engarrafamento

25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

munidade científica que a queima de combustíveis fó-

sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

dores do aquecimento global.

A maior cidade do Brasil tem também os maiores

engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

50 quilométricos congestionamentos da cidade.


CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

Observe a sentença abaixo.


É preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário, as cidades vão parar.

Marque a opção em que a reescritura causa ALTERAÇÃO de significado.

Alternativas
Q2950258 Português

TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO



Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

para um compromisso com hora marcada e ver o

cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

— combustível e desgaste de peças. Os congestio-

20 namentos trazem danos também para os governos.

Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

sito.

Quando motivado por acidente, o engarrafamento

25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

munidade científica que a queima de combustíveis fó-

sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

dores do aquecimento global.

A maior cidade do Brasil tem também os maiores

engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

50 quilométricos congestionamentos da cidade.


CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

Observe o período.


A meta do governo é fazer com que as pessoas usem mais transportes coletivos.


Os verbos destacados no período acima podem ser substituídos, respectivamente, mantendo a correção gramatical, por

Alternativas
Q2950256 Português

TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO



Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

para um compromisso com hora marcada e ver o

cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

— combustível e desgaste de peças. Os congestio-

20 namentos trazem danos também para os governos.

Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

sito.

Quando motivado por acidente, o engarrafamento

25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

munidade científica que a queima de combustíveis fó-

sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

dores do aquecimento global.

A maior cidade do Brasil tem também os maiores

engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

50 quilométricos congestionamentos da cidade.


CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

As palavras em destaque NÃO podem ser substituídas pelos pronomes à direita em:

Alternativas
Respostas
2521: E
2522: D
2523: E
2524: D
2525: B
2526: A
2527: C
2528: C
2529: D
2530: B
2531: E
2532: C
2533: E
2534: A
2535: B
2536: A
2537: D
2538: B
2539: B
2540: E