Questões de Concurso Sobre português para cespe / cebraspe

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Q3994172 Português

Texto CG3A1-I


Os impactos ambientais gerados pelo crescimento urbano aumentaram consideravelmente, com a redução da qualidade da água segura para a população. Isso ocorreu, também, em Aracaju, que teve seu processo de urbanização pautado em métodos conservadores de traçado urbano.


Em pleno século XXI, a sociedade brasileira encontra-se, ainda, na concepção higienista de cidades, pois busca garantir a infraestrutura básica local, mas deixa para o meio ambiente o maior ônus, ao transferir à jusante os impactos relacionados à drenagem, o que faz ampliar as cheias naturais, degradar os corpos hídricos e desequilibrar os ciclos naturais (hidrológicos, biológicos e ecológicos).


Recentemente, as políticas públicas do estado passaram a reconhecer a necessidade de equilíbrio entre o meio ambiente e as questões de drenagem urbana, ao identificarem a importância de manutenção local das águas pluviais, política específica sobre drenagem, gestão integrada das águas urbanas, vegetação e paisagem como elementos complementares às estratégias de drenagem e medidas estruturais extensivas de menor impacto ambiental (como as que visam modificar os processos de chuva-vazão na bacia hidrográfica ou em zona urbanizada, implementadas ao longo de sua extensão, e que incluem o controle da cobertura vegetal e da erosão do solo).


Entretanto, mesmo com a implementação dessas diretrizes, percebe-se que a prática e a execução delas têm sido realizadas de forma muito lenta. As medidas de controle à urbanização dependem de uma política urbana municipal rígida. A atualização do plano diretor de Aracaju é fundamental para a execução de boas práticas, para a manutenção e o equilíbrio da cidade e de seus bairros, no que se refere à preservação do meio natural, ao controle das construções nesse meio, bem como ao equilíbrio da oferta de serviços de saneamento.


Yuri Augusto Dorea de Carvalho Silva, Rebeca Pereira de Souza Diniz e Lina Martins de Carvalho. Drenagem urbana e espaços livres: reflexões preliminares sobre o caso do Jabotiana em Aracaju/SE. XIII Encontro de Recursos Hídricos em Sergipe. Associação Brasileira de Recursos Hídricos. Internet: (com adaptações). 

Depreende-se do texto CG3A1-I que
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Q3992803 Português
Texto 15A2-I
    Espero um tempo. Ela não diz nada. Parece olhar fixamente as minhas meias. Tiro devagar os cigarros do bolso esquerdo do paletó, apanho um com a ponta dos dedos, sem tirar o maço do bolso, e fico batendo o filtro no braço da poltrona enquanto procuro o isqueiro no bolso pequeno da calça. Antes de acendê-lo, penso mais uma vez que não deveria usar esses isqueiros plásticos descartáveis. Alguém me disse que não-sãodegradáveis-e-que-eu-deveria-ter-uma-atitude-um-pouco-maisecológica. Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê. Rodo o isqueiro maligno entre os dedos, depois acendo o cigarro. Então ela diz:
    — Desculpe, mas acho que você está com as meias trocadas.
Caio Fernando de Abreu. Morangos mofados. 9.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 102. 
No trecho “não-são-degradáveis-e-que-eu-deveria-ter-umaatitude-um-pouco-mais-ecológica” do texto 15A2-I, o emprego do hífen entre os vocábulos tem a finalidade de 
Alternativas
Q3992802 Português
Texto 15A2-I
    Espero um tempo. Ela não diz nada. Parece olhar fixamente as minhas meias. Tiro devagar os cigarros do bolso esquerdo do paletó, apanho um com a ponta dos dedos, sem tirar o maço do bolso, e fico batendo o filtro no braço da poltrona enquanto procuro o isqueiro no bolso pequeno da calça. Antes de acendê-lo, penso mais uma vez que não deveria usar esses isqueiros plásticos descartáveis. Alguém me disse que não-sãodegradáveis-e-que-eu-deveria-ter-uma-atitude-um-pouco-maisecológica. Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê. Rodo o isqueiro maligno entre os dedos, depois acendo o cigarro. Então ela diz:
    — Desculpe, mas acho que você está com as meias trocadas.
Caio Fernando de Abreu. Morangos mofados. 9.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 102. 
No trecho “Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê” do texto 15A2-I, a forma “por quê” consiste em 
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Q3992799 Português
    Cronologicamente a situação era a seguinte: um homem e uma mulher estavam casados. Esse homem e essa mulher começaram — sem nenhum objetivo de ir longe demais, e não se sabe levados por que necessidade que pessoas têm — começaram a tentar viver mais intensamente. A tentativa de viver mais intensamente levou-os, por sua vez, numa espécie de constante verificação de receita e despesa, a tentar pesar o que era e o que não era importante. Isso eles o faziam a modo deles: com falta de jeito e de experiência, com modéstia. Eles tateavam. Mas de nada adiantava o vago esforço quase constrangido que faziam: a trama lhes escapava diariamente. Isso tudo não chegava a formar uma situação para o casal. Quer dizer, algo que cada um pudesse contar mesmo a si próprio na hora em que cada um se virava na cama para um lado e, por um segundo antes de dormir, ficava de olhos abertos. E pessoas precisam tanto poder contar a história delas mesmas. Eles não tinham o que contar. Com um suspiro de conforto, fechavam os olhos e dormiam agitados. E quando faziam o balanço de suas vidas, nem ao menos podiam nele incluir essa tentativa de viver mais intensamente, e descontá-la, como em imposto de renda. Balanço que pouco a pouco começavam a fazer com maior frequência, mesmo sem o equipamento técnico de uma terminologia adequada a pensamentos. Se se tratava de uma situação, não chegava a ser uma situação de que viver ostensivamente. Mas não era apenas assim que sucedia. Na verdade também estavam calmos porque "não conduzir", "não inventar", "não errar" lhes era, muito mais que um hábito, um ponto de honra assumido tacitamente. Eles nunca se lembrariam de desobedecer.
Clarice Lispector. Os obedientes. In: Felicidade Clandestina. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).
Infere-se que, no fragmento de conto apresentado, é narrada a história de um casamento problematizado como contrato institucionalizado que opera como um dispositivo pautado  
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Q3990719 Português

Texto CG4A2-I


Pindaíba: do tupi pindá (“anzol”) e íua (“haste”). É o nome de várias árvores e arbustos brasileiros usados por indígenas para fabricar a vara do anzol. Uma dessas árvores dá um fruto parecido com uma pinha.

Pindá também era o nome, na língua tupi, dado por indígenas ao ouriço-do-mar, um bicho muito espinhento.

No Brasil, emprega-se a expressão “estar na pindaíba” ou “andar na pindaíba” para falar de uma pessoa que está sem dinheiro ou com dificuldade financeira. A origem da expressão até hoje divide os estudiosos. Para alguns, ela tem a ver com a situação azarada de quem só tem uma vara de pescar para conseguir comida. Para outros, como o indígena dependia de sua vara de pescar para comer, quando o anzol era ruim e não apanhava nada, a pessoa ficava com fome e na miséria. Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer. A pessoa que só come o ouriço-do-mar, portanto, estaria na pindaíba. Seja qual for a origem, a verdade é que ninguém gosta de estar na pindaíba!



Marcos Bagno e Orlene Carvalho. Pororoca, pipoca, paca e outras palavras do tupi. São Paulo: Parábola, 2014, p. 101-102 (com adaptações).

No texto CG4A2-I, é um adjetivo a palavra 
Alternativas
Q3990718 Português

Texto CG4A2-I


Pindaíba: do tupi pindá (“anzol”) e íua (“haste”). É o nome de várias árvores e arbustos brasileiros usados por indígenas para fabricar a vara do anzol. Uma dessas árvores dá um fruto parecido com uma pinha.

Pindá também era o nome, na língua tupi, dado por indígenas ao ouriço-do-mar, um bicho muito espinhento.

No Brasil, emprega-se a expressão “estar na pindaíba” ou “andar na pindaíba” para falar de uma pessoa que está sem dinheiro ou com dificuldade financeira. A origem da expressão até hoje divide os estudiosos. Para alguns, ela tem a ver com a situação azarada de quem só tem uma vara de pescar para conseguir comida. Para outros, como o indígena dependia de sua vara de pescar para comer, quando o anzol era ruim e não apanhava nada, a pessoa ficava com fome e na miséria. Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer. A pessoa que só come o ouriço-do-mar, portanto, estaria na pindaíba. Seja qual for a origem, a verdade é que ninguém gosta de estar na pindaíba!



Marcos Bagno e Orlene Carvalho. Pororoca, pipoca, paca e outras palavras do tupi. São Paulo: Parábola, 2014, p. 101-102 (com adaptações).

A correção gramatical do último parágrafo do texto CG4A2-I seria mantida se 
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Q3990717 Português

Texto CG4A2-I


Pindaíba: do tupi pindá (“anzol”) e íua (“haste”). É o nome de várias árvores e arbustos brasileiros usados por indígenas para fabricar a vara do anzol. Uma dessas árvores dá um fruto parecido com uma pinha.

Pindá também era o nome, na língua tupi, dado por indígenas ao ouriço-do-mar, um bicho muito espinhento.

No Brasil, emprega-se a expressão “estar na pindaíba” ou “andar na pindaíba” para falar de uma pessoa que está sem dinheiro ou com dificuldade financeira. A origem da expressão até hoje divide os estudiosos. Para alguns, ela tem a ver com a situação azarada de quem só tem uma vara de pescar para conseguir comida. Para outros, como o indígena dependia de sua vara de pescar para comer, quando o anzol era ruim e não apanhava nada, a pessoa ficava com fome e na miséria. Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer. A pessoa que só come o ouriço-do-mar, portanto, estaria na pindaíba. Seja qual for a origem, a verdade é que ninguém gosta de estar na pindaíba!



Marcos Bagno e Orlene Carvalho. Pororoca, pipoca, paca e outras palavras do tupi. São Paulo: Parábola, 2014, p. 101-102 (com adaptações).

No trecho “Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer”, do último parágrafo do texto CG4A2-I, o adjetivo “arrancados” se refere ao termo 
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Q3990716 Português

Texto CG4A2-I


Pindaíba: do tupi pindá (“anzol”) e íua (“haste”). É o nome de várias árvores e arbustos brasileiros usados por indígenas para fabricar a vara do anzol. Uma dessas árvores dá um fruto parecido com uma pinha.

Pindá também era o nome, na língua tupi, dado por indígenas ao ouriço-do-mar, um bicho muito espinhento.

No Brasil, emprega-se a expressão “estar na pindaíba” ou “andar na pindaíba” para falar de uma pessoa que está sem dinheiro ou com dificuldade financeira. A origem da expressão até hoje divide os estudiosos. Para alguns, ela tem a ver com a situação azarada de quem só tem uma vara de pescar para conseguir comida. Para outros, como o indígena dependia de sua vara de pescar para comer, quando o anzol era ruim e não apanhava nada, a pessoa ficava com fome e na miséria. Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer. A pessoa que só come o ouriço-do-mar, portanto, estaria na pindaíba. Seja qual for a origem, a verdade é que ninguém gosta de estar na pindaíba!



Marcos Bagno e Orlene Carvalho. Pororoca, pipoca, paca e outras palavras do tupi. São Paulo: Parábola, 2014, p. 101-102 (com adaptações).

Assinale a opção correta, de acordo com as ideias do texto CG4A2-I.  
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Q3990715 Português

Texto CG4A1


 As enchentes podem ser controladas a partir de mecanismos que reduzam o excesso de escoamento pluvial e(ou) amorteçam as ondas de cheias em rios urbanos.

As medidas de controle de inundações em áreas urbanas podem ser classificadas em estruturais, quando o homem modifica o rio, mediante a construção de obras hidráulicas, como barragens, diques e canalizações, e em não estruturais, preventivas, quando o homem convive com o rio, efetivadas por meio de zoneamento de áreas de inundação, de sistema de alerta ligado à defesa civil e de seguros.

No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observa são ações isoladas por parte de algumas cidades.


Carlos Eduardo Morelli Tucci. Água no meio urbano. In: Água Doce. Porto Alegre: IPH/UFRGS, 1997, p. 12-13. Internet: (com adaptações)

Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita do trecho “No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos.”, do texto CG4A1. Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém a correção gramatical e os sentidos originais do texto.  
Alternativas
Q3990714 Português

Texto CG4A1


 As enchentes podem ser controladas a partir de mecanismos que reduzam o excesso de escoamento pluvial e(ou) amorteçam as ondas de cheias em rios urbanos.

As medidas de controle de inundações em áreas urbanas podem ser classificadas em estruturais, quando o homem modifica o rio, mediante a construção de obras hidráulicas, como barragens, diques e canalizações, e em não estruturais, preventivas, quando o homem convive com o rio, efetivadas por meio de zoneamento de áreas de inundação, de sistema de alerta ligado à defesa civil e de seguros.

No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observa são ações isoladas por parte de algumas cidades.


Carlos Eduardo Morelli Tucci. Água no meio urbano. In: Água Doce. Porto Alegre: IPH/UFRGS, 1997, p. 12-13. Internet: (com adaptações)

A correção gramatical do segundo parágrafo do texto CG4A1 seria preservada caso a palavra "inundações" fosse substituída por 
Alternativas
Q3990713 Português

Texto CG4A1


 As enchentes podem ser controladas a partir de mecanismos que reduzam o excesso de escoamento pluvial e(ou) amorteçam as ondas de cheias em rios urbanos.

As medidas de controle de inundações em áreas urbanas podem ser classificadas em estruturais, quando o homem modifica o rio, mediante a construção de obras hidráulicas, como barragens, diques e canalizações, e em não estruturais, preventivas, quando o homem convive com o rio, efetivadas por meio de zoneamento de áreas de inundação, de sistema de alerta ligado à defesa civil e de seguros.

No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observa são ações isoladas por parte de algumas cidades.


Carlos Eduardo Morelli Tucci. Água no meio urbano. In: Água Doce. Porto Alegre: IPH/UFRGS, 1997, p. 12-13. Internet: (com adaptações)

Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do trecho “As enchentes podem ser controladas a partir de mecanismos que reduzam o excesso de escoamento pluvial e(ou) amorteçam as ondas de cheias em rios urbanos”, do texto CG4A1, a palavra “amorteçam” poderia ser substituída por 
Alternativas
Q3990712 Português

Texto CG4A1


 As enchentes podem ser controladas a partir de mecanismos que reduzam o excesso de escoamento pluvial e(ou) amorteçam as ondas de cheias em rios urbanos.

As medidas de controle de inundações em áreas urbanas podem ser classificadas em estruturais, quando o homem modifica o rio, mediante a construção de obras hidráulicas, como barragens, diques e canalizações, e em não estruturais, preventivas, quando o homem convive com o rio, efetivadas por meio de zoneamento de áreas de inundação, de sistema de alerta ligado à defesa civil e de seguros.

No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observa são ações isoladas por parte de algumas cidades.


Carlos Eduardo Morelli Tucci. Água no meio urbano. In: Água Doce. Porto Alegre: IPH/UFRGS, 1997, p. 12-13. Internet: (com adaptações)

O texto CG4A1 apresenta como tema central 
Alternativas
Q3990241 Português

Aula

 

Fala de vendedor ambulante

é signo em rotação. A gente

lança no ar o que tem de ser

dito e colhe — nem sempre —

o fruto de algo vendido.

Repetimos as falas aceitas

para garantir a venda, mas

o risco do improviso é o que

há. Três por dois, duas por

uma — essa sintaxe apraz.

A gente lança no ar. Se der

ritmo ganhamos a feira, se

não, fazemos finta de baile.

 

Edimilson de Almeida Pereira. Aula. In: Poesia +: antologia 1984-2019. São Paulo: Editora 34, 2019, p. 187 (com adaptações).

 

No poema, a aproximação entre as imagens do poeta e do vendedor ambulante é disparada primeiramente pelo uso da expressão

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Q3990240 Português

Com o correr das décadas, a prática da literatura no Brasil foi-se revestindo duma capa, ou seja, duma dupla meta ideológica. Ao explorar os meandros da observação direta dos acontecimentos cotidianos ou históricos e ao incentivar a reflexão sobre os observadores privilegiados, nossa literatura tanto configura a carência socioeconômica e educacional do país quanto define, pelo exercício impiedoso da autocrítica, o grupo reduzido e singular que tem exercido de uma forma ou de outra as formas clássicas de mando e governabilidade nas nações da América Latina.

Por um lado, o trabalho literário busca dramatizar objetivamente a necessidade do resgate dos miseráveis a fim de elevá-los à condição de seres humanos (já não digo à condição de cidadãos) e, por outro lado, procura avançar — pela escolha para personagens da literatura de pessoas do círculo social dos autores — uma análise da burguesia econômica nos seus desacertos e injustiças seculares. Dessa dupla e antípoda tônica ideológica — de que os escritores não conseguem desvencilhar-se em virtude do papel que eles ainda ocupam na esfera pública da sociedade brasileira — advém o caráter anfíbio da nossa produção artística.

No século XX, os nossos melhores livros apontam para a Arte, ao observar os princípios individualizantes, libertadores e rigorosos da vanguarda estética europeia, e, ao mesmo tempo, apontam para a Política, ao querer denunciar pelos recursos literários não só as mazelas oriundas do passado colonial e escravocrata da sociedade brasileira, mas também os regimes ditatoriais que assolam a vida republicana. A atividade artística do escritor não se descola da sua influência política; a influência da política sobre o cidadão não se descola da sua atividade artística. O todo se completa numa forma meio que manca na aparência, apenas na aparência. Ao dramatizar os graves problemas da sociedade brasileira no contexto global e os impasses que a nação atravessou e atravessa no plano nacional, a literatura quer, em evidente paradoxo, falar em particular ao cidadão brasileiro responsável. Não são muitos, infelizmente.

 

Silviano Santiago. Uma literatura anfíbia. In: O cosmopolitismo do pobre. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004, p. 66 (com adaptações).

 

De acordo com as observações de Silviano Santiago no texto precedente, a literatura brasileira do século XX é anfíbia, pois contempla, ao mesmo tempo, a Arte e a Política, buscando abranger os princípios da liberdade, do individualismo e do rigor estético e, ao mesmo tempo, a preocupação com as mazelas sociais. Ao elaborar seu conceito de literatura anfíbia, o autor utiliza método que

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Q3990239 Português

O programa Mulheres Inspiradoras implementa projetos de leitura e escrita baseados em autores ou personagens históricas femininas do país e do mundo, abordando as diferentes narrativas de mulheres negras, indígenas e periféricas, entre outras. Dessa forma, o programa visa estimular o desenvolvimento de uma pedagogia comprometida com o aprendizado integral dos estudantes, centrada na educação para os direitos humanos e para a diversidade.

A professora Gina Vieira Ponte explica que o programa foi desenvolvido pela primeira vez em 2014, no Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia, a 30 quilômetros de Brasília, com cinco turmas do 9.º ano. Segundo Gina, as estudantes tiveram a oportunidade de ler obras literárias produzidas por mulheres, estudar a biografia de personagens ou autoras inspiradoras para que pudessem vislumbrar oportunidades de identidade que transcendam os estereótipos de gênero, e os meninos pudessem questionar a masculinidade tóxica.

A iniciativa também permitiu aos estudantes entrevistar uma mulher inspiradora em sua vida. A maioria escolheu a mãe, a avó ou a bisavó. A partir das entrevistas que realizaram, eles produziram textos em que apresentaram as histórias de luta e de determinação e a revolução silenciosa que essas mulheres realizam em suas comunidades. As histórias foram transformadas no livro Mulheres Inspiradoras, publicado em 2016.

 

Agência Brasil. Programa promove valorização do legado de mulheres em escolas do DF. Internet: <agenciabrasil.ebc.com.br> (com adaptações).

 

A partir do texto precedente, é correto afirmar que os resultados alcançados com o programa Mulheres Inspiradoras situam-se, segundo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular, predominantemente no contexto da habilidade que prevê

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Q3990238 Português

As práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir. As novas ferramentas de edição de textos, áudios, fotos e vídeos tornam acessíveis a qualquer um a produção e a disponibilização de textos multissemióticos nas redes sociais e em outros ambientes da Web. Não só é possível acessar conteúdos variados em diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográficos, enciclopédias colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um filme, pode-se postar comentários em redes sociais específicas, seguir diretores, autores e escritores e acompanhar de perto seu trabalho; pode-se produzir playlists, vlogs e vídeos-minuto, escrever fanfics, produzir e-zines, tornar-se um booktuber, entre outras muitas possibilidades. Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas, se esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma forma, considerá-lo?

Ser familiarizado e usar não significa necessariamente levar em conta as dimensões ética, estética e política desse uso, tampouco lidar de forma crítica com os conteúdos que circulam na Web. A contrapartida do fato de que todos podem postar quase tudo é que os critérios editoriais e de seleção do que é adequado, bom e fidedigno não estão “garantidos” de início. Passamos a depender de curadores ou de uma curadoria própria, que supõe o desenvolvimento de diferentes habilidades.

 

Brasil. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Fundamental. Ministério da Educação, p. 68 (com adaptações).

 

Considerando-se o texto precedente como referência inicial, é correto afirmar que, na perspectiva dos multiletramentos, com o objetivo de desenvolver habilidades para a leitura crítica e a redação de textos que circulem nos meios digitais, a metodologia utilizada pelo professor de Língua Portuguesa deve levar em consideração a

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Q3990237 Português

Ao “amigo do escravo”

 

Cativo um povo, gemendo

Da vergasta o açoite vil,

Estende os braços convulsos

Vertendo prantos a mil...

 

Vós despertastes ao grito

Da infeliz escravidão;

Somos amigos, dissestes,

Dos míseros que não têm pão.

 

Quanta doçura, Deus grande,

Quanta fé e quanto amor,

Nesta esperança que brilha

Do cativeiro no horror!

 

Remir no mundo os escravos

É curar de Cristo as chagas;

Marchai! Que o suor da luta

Vos doure a fronte em bagas.

 

Quando um dia o sol brasíleo

Surgir, mimoso de amor,

Aquecendo as faces frias

Do escravo ao seu calor.

 

Estátuas de luz e vida,

mil renascido à toa,

Tentarão roubar seus raios

Para tecer-vos uma croa!

 

Ide, librai vossas asas

Da fé no dorso possante!

Acordai Deus, que aniquile

A hidra negra, infamante.

 

Etelvina Amália de Siqueira. Ao “amigo do escravo”. Internet: <academialiterariadevida.blogspot.com> (com adaptações).

 

A poetisa Etelvina Amália de Siqueira (1862–1935) notabilizou-se pelo engajamento na causa abolicionista, tematizada no fragmento do poema apresentado, em que o posicionamento do sujeito lírico em relação à população negra escravizada é

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Q3990236 Português
    Para a Linguística, tanto textos orais quanto textos escritos constituem seu objeto de estudo. No entanto, atualmente, ainda não é óbvio, para a maioria das pessoas, que estudar a língua é estudar também a fala. (...) A língua é um sistema estruturado. A gramática de uma língua não é apenas um conjunto de regras soltas, mas um conjunto estruturado, de maneira que cada elemento se relaciona, de certo modo, com todos os outros do sistema. (...) Como ciência, o trabalho da Linguística é explicar de que maneira funciona a linguagem humana. Muitos dos conhecimentos produzidos pela Linguística podem beneficiar outras ciências e artes. (...) Por esse motivo, o ensino de português e a alfabetização (a aquisição da língua escrita) são também interesse dos linguistas. Assim, pode-se dizer que a interação entre profissionais da Linguística e profissionais que estão na sala de aula é uma via de “mão dupla”, no sentido de que não só muitos dos conhecimentos construídos pela Linguística podem ser úteis na sala de aula, mas também muitos dos fatos que ocorrem na sala de aula podem servir para elucidar questões a respeito da estrutura da língua.
Gladis Massini-Cagliari. O texto na alfabetização. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001, p. 13-14 (com adaptações).
    O texto é considerado a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo. (...) Os conhecimentos sobre os gêneros, sobre os textos, sobre a língua, sobre a norma padrão, sobre as diferentes linguagens (semioses) devem ser mobilizados em favor do desenvolvimento das capacidades de leitura, produção e tratamento das linguagens, que, por sua vez, devem estar a serviço da ampliação das possibilidades de participação em práticas de diferentes esferas/campos de atividades humanas.
Base Nacional Curricular Comum. Língua Portuguesa, p. 67 (com adaptações).
Tendo como referência os textos anteriores, julgue os itens seguintes.
I A Linguística investiga a fala e a escrita das línguas do mundo, a fim de estabelecer as regras de cada sistema linguístico a serem ensinadas, com o objetivo de difundir o uso da norma padrão no desenvolvimento da leitura e da escrita, o que possibilita a ampliação da participação dos estudantes nas diferentes esferas das práticas sociais e das atividades humanas.
II As línguas do mundo são formadas de elementos que se relacionam em um conjunto estruturado de regras, cujo estudo interessa não somente aos linguistas, mas também aos profissionais da educação, uma vez que os conhecimentos obtidos na pesquisa sobre a estrutura das línguas podem ser direcionados ao desenvolvimento da capacidade de leitura e de produção textual.
III Sendo tarefa da Linguística investigar o funcionamento das línguas humanas, essa ciência tem como objeto de estudo tanto os textos orais quanto os textos escritos, o que propicia uma relação recíproca entre linguistas e professores: a pesquisa contribui para o desenvolvimento da leitura e da escrita, e a produção gerada no ambiente educacional beneficia o desenvolvimento da pesquisa.
Assinale a opção correta. 
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Q3990235 Português

Texto 14A1-I

 

No dia em que vim ao mundo, num bairro pobrezinho de marré, marré, marré, a luz elétrica chegou à primeira casa de nossa rua. (...) Sozinha, em casa, minha mãe se contorcia com as dores do parto e gritava por ajuda, mas sua voz era abafada pelos acordes da banda de música que saíam do palacete. Pegando-se com Nossa Senhora do Bom Parto e com São Raimundo Nonato, ela mesma tomou as providências, encheu várias panelas com água, colocou-as no fogão e assoprou as brasas. O esforço foi benéfico para o parto: a bolsa arrebentou, e eu comecei a nascer. (...) Bem, quando a parteira chegou, eu já tinha nascido. D. Tomásia só teve de cortar o cordão umbilical. E no alto do céu, a lua cheia imperava toda branca, na toalha negra furada de estrelinhas. Eu nasci empelicada, o que era bom presságio. Teria sorte na vida. (...) Quando, meio desconfiada abri os olhinhos, titia afirmou que eu sorri:

— As crianças demoravam uma semana para abrir os olhos. Você, na mesma noite, já observava tudo. Até sorriu. Parecia trazer esperança para nós todos. Nunca vi uma criança tão especulativa.

 

Tina Correia. Essa menina. In: De Paris a Paripiranga. Aracaju: Afaguara, 2016.

Acerca do trecho “Eu nasci empelicada, o que era bom presságio. Teria sorte na vida” do texto 14A1-I, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3990234 Português

Texto 14A1-I

 

No dia em que vim ao mundo, num bairro pobrezinho de marré, marré, marré, a luz elétrica chegou à primeira casa de nossa rua. (...) Sozinha, em casa, minha mãe se contorcia com as dores do parto e gritava por ajuda, mas sua voz era abafada pelos acordes da banda de música que saíam do palacete. Pegando-se com Nossa Senhora do Bom Parto e com São Raimundo Nonato, ela mesma tomou as providências, encheu várias panelas com água, colocou-as no fogão e assoprou as brasas. O esforço foi benéfico para o parto: a bolsa arrebentou, e eu comecei a nascer. (...) Bem, quando a parteira chegou, eu já tinha nascido. D. Tomásia só teve de cortar o cordão umbilical. E no alto do céu, a lua cheia imperava toda branca, na toalha negra furada de estrelinhas. Eu nasci empelicada, o que era bom presságio. Teria sorte na vida. (...) Quando, meio desconfiada abri os olhinhos, titia afirmou que eu sorri:

— As crianças demoravam uma semana para abrir os olhos. Você, na mesma noite, já observava tudo. Até sorriu. Parecia trazer esperança para nós todos. Nunca vi uma criança tão especulativa.

 

Tina Correia. Essa menina. In: De Paris a Paripiranga. Aracaju: Afaguara, 2016.

Acerca do trecho “Pegando-se com Nossa Senhora do Bom Parto e com São Raimundo Nonato, ela mesma tomou as providências, encheu várias panelas com água, colocou-as no fogão e assoprou as brasas” do texto 14A1-I, é correto afirmar que 
Alternativas
Respostas
3361: C
3362: D
3363: B
3364: A
3365: B
3366: A
3367: D
3368: B
3369: A
3370: A
3371: C
3372: D
3373: A
3374: A
3375: C
3376: A
3377: A
3378: C
3379: B
3380: C