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Q2389360 Português
          “[...] Antes de atravessar o Mar Vermelho, livrando seu povo do cativeiro do Egito, Moisés decidiu ouvir os marqueteiros de seu tempo, gente entendida na política neoliberal de resultados. Juntou os melhores profissionais da classe, que já naquele tempo achava que política é promoção. Disse que precisava atravessar o mar Vermelho e iria, à frente de seu povo, construir uma enorme ponte que ligasse as duas margens.

           Os entendidos fizeram cara feia. Nada de ponte, não haveria a tal criatividade (...) Moisés concordou. Além de rotineira, a ideia da ponte era cara e demorada. Mas tinha uma alternativa; construir barcos que o levariam o seu povo à Terra prometida. Mais uma vez o pessoal do marketing torceu a cara. Barcos era pior do que ponte, coisa velha. Além de não ser uma ideia criativa, era solução pouco moderna, desde os fenícios que os barcos eram veículos superados.

       Moisés ia perdendo a paciência e perdeu mesmo. Deu um murro na mesa e perguntou: ‘Afinal, o que vocês querem que eu faça? Que eu mande as águas se separarem, formarem muralhas líquidas e fazer meu povo atravessar a pé enxuto o mar Vermelho?’

          O pessoal delirou. O mais categorizado dos marqueteiros, considerado o gênio da classe, exultou: ‘Isso, Moisés! Isso, sim, é uma solução criativa! Vai ser um estouro! Se você faz o seu pessoal atravessar a pé enxuto o mar Vermelho, eu lhe garanto duas páginas na Bíblia!’ [...]” 
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna
O texto apresentado pode ser classificado predominantemente como______.
Alternativas
Q2389359 Português
          “[...] Antes de atravessar o Mar Vermelho, livrando seu povo do cativeiro do Egito, Moisés decidiu ouvir os marqueteiros de seu tempo, gente entendida na política neoliberal de resultados. Juntou os melhores profissionais da classe, que já naquele tempo achava que política é promoção. Disse que precisava atravessar o mar Vermelho e iria, à frente de seu povo, construir uma enorme ponte que ligasse as duas margens.

           Os entendidos fizeram cara feia. Nada de ponte, não haveria a tal criatividade (...) Moisés concordou. Além de rotineira, a ideia da ponte era cara e demorada. Mas tinha uma alternativa; construir barcos que o levariam o seu povo à Terra prometida. Mais uma vez o pessoal do marketing torceu a cara. Barcos era pior do que ponte, coisa velha. Além de não ser uma ideia criativa, era solução pouco moderna, desde os fenícios que os barcos eram veículos superados.

       Moisés ia perdendo a paciência e perdeu mesmo. Deu um murro na mesa e perguntou: ‘Afinal, o que vocês querem que eu faça? Que eu mande as águas se separarem, formarem muralhas líquidas e fazer meu povo atravessar a pé enxuto o mar Vermelho?’

          O pessoal delirou. O mais categorizado dos marqueteiros, considerado o gênio da classe, exultou: ‘Isso, Moisés! Isso, sim, é uma solução criativa! Vai ser um estouro! Se você faz o seu pessoal atravessar a pé enxuto o mar Vermelho, eu lhe garanto duas páginas na Bíblia!’ [...]” 
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
A terceira alternativa proposta por Moisés a fim de atravessar o mar Vermelho foi recebida pelos marqueteiros com euforia porque______. 
Alternativas
Q2389358 Português
          “[...] Antes de atravessar o Mar Vermelho, livrando seu povo do cativeiro do Egito, Moisés decidiu ouvir os marqueteiros de seu tempo, gente entendida na política neoliberal de resultados. Juntou os melhores profissionais da classe, que já naquele tempo achava que política é promoção. Disse que precisava atravessar o mar Vermelho e iria, à frente de seu povo, construir uma enorme ponte que ligasse as duas margens.

           Os entendidos fizeram cara feia. Nada de ponte, não haveria a tal criatividade (...) Moisés concordou. Além de rotineira, a ideia da ponte era cara e demorada. Mas tinha uma alternativa; construir barcos que o levariam o seu povo à Terra prometida. Mais uma vez o pessoal do marketing torceu a cara. Barcos era pior do que ponte, coisa velha. Além de não ser uma ideia criativa, era solução pouco moderna, desde os fenícios que os barcos eram veículos superados.

       Moisés ia perdendo a paciência e perdeu mesmo. Deu um murro na mesa e perguntou: ‘Afinal, o que vocês querem que eu faça? Que eu mande as águas se separarem, formarem muralhas líquidas e fazer meu povo atravessar a pé enxuto o mar Vermelho?’

          O pessoal delirou. O mais categorizado dos marqueteiros, considerado o gênio da classe, exultou: ‘Isso, Moisés! Isso, sim, é uma solução criativa! Vai ser um estouro! Se você faz o seu pessoal atravessar a pé enxuto o mar Vermelho, eu lhe garanto duas páginas na Bíblia!’ [...]” 
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
De acordo com o texto. A segunda alternativa proposta por Moisés, a fim de atravessar o mar Vermelho foi refutada pelos marqueteiros porque______. 
Alternativas
Q2389357 Português
          “[...] Antes de atravessar o Mar Vermelho, livrando seu povo do cativeiro do Egito, Moisés decidiu ouvir os marqueteiros de seu tempo, gente entendida na política neoliberal de resultados. Juntou os melhores profissionais da classe, que já naquele tempo achava que política é promoção. Disse que precisava atravessar o mar Vermelho e iria, à frente de seu povo, construir uma enorme ponte que ligasse as duas margens.

           Os entendidos fizeram cara feia. Nada de ponte, não haveria a tal criatividade (...) Moisés concordou. Além de rotineira, a ideia da ponte era cara e demorada. Mas tinha uma alternativa; construir barcos que o levariam o seu povo à Terra prometida. Mais uma vez o pessoal do marketing torceu a cara. Barcos era pior do que ponte, coisa velha. Além de não ser uma ideia criativa, era solução pouco moderna, desde os fenícios que os barcos eram veículos superados.

       Moisés ia perdendo a paciência e perdeu mesmo. Deu um murro na mesa e perguntou: ‘Afinal, o que vocês querem que eu faça? Que eu mande as águas se separarem, formarem muralhas líquidas e fazer meu povo atravessar a pé enxuto o mar Vermelho?’

          O pessoal delirou. O mais categorizado dos marqueteiros, considerado o gênio da classe, exultou: ‘Isso, Moisés! Isso, sim, é uma solução criativa! Vai ser um estouro! Se você faz o seu pessoal atravessar a pé enxuto o mar Vermelho, eu lhe garanto duas páginas na Bíblia!’ [...]” 
Assinale a alternativa correta em relação à tese central do texto.
Alternativas
Q2389301 Português
Virtudes da Preguiça (por Catherine Halpern)


          A questão do lugar do trabalho na sociedade é hoje mais viva do que nunca. O desenvolvimento das tecnologias permitiu um aumento significativo da produtividade e aliviou os homens de muitas tarefas ingratas. Entretanto, o trabalho ainda ocupa um lugar muito importante em nossas vidas.

          Embora seja ainda sobre ele que repousa a distribuição da riqueza, esta não é igualmente distribuída. Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista. Para o economista Jeremy Rifkin, cujo livro The End of

        Labor (O fim do Trabalho,1996) suscita um amplo debate, o trabalho está em um inexorável declínio. Por causa da automatização e da informatização, uma grande parte dos empregos em todos os setores de atividade está prestes a desaparecer e inutilizar grande parte da população trabalhadora ativa.
         
        Diante desse problema social, o autor defende a redução do tempo de trabalho, de repensar a distribuição da riqueza de uma outra maneira que não seja baseada na produção e de desenvolver ainda mais o que chama de "terceiro setor", ou seja, a economia social e a esfera associativa que trabalham para o bemestar do outro. [...] A vida humana não se resume à produção.



(Texto adaptado para este concurso- tradução nossa. O texto original em
Siences humaines, Mensal N° 196 - agosto-setembro de 2008, está
disponível em https://www.scienceshumaines.com/des-vertus-de-laparesse_fr_22454.html acesso em 22 jan-24)
‘Paul Lafargue, genro de Karl Marx, denuncia um produtivismo insano e doentio: “Uma estranha loucura possui as classes ______ das nações onde reina a civilização ______. Esta loucura ______ consigo misérias individuais e sociais que, durante dois séculos, ______ a triste humanidade. Essa loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda pelo trabalho, levada ao esgotamento das ______ vitais do indivíduo e de sua prole.”
Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
Alternativas
Q2389300 Português
Virtudes da Preguiça (por Catherine Halpern)


          A questão do lugar do trabalho na sociedade é hoje mais viva do que nunca. O desenvolvimento das tecnologias permitiu um aumento significativo da produtividade e aliviou os homens de muitas tarefas ingratas. Entretanto, o trabalho ainda ocupa um lugar muito importante em nossas vidas.

          Embora seja ainda sobre ele que repousa a distribuição da riqueza, esta não é igualmente distribuída. Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista. Para o economista Jeremy Rifkin, cujo livro The End of

        Labor (O fim do Trabalho,1996) suscita um amplo debate, o trabalho está em um inexorável declínio. Por causa da automatização e da informatização, uma grande parte dos empregos em todos os setores de atividade está prestes a desaparecer e inutilizar grande parte da população trabalhadora ativa.
         
        Diante desse problema social, o autor defende a redução do tempo de trabalho, de repensar a distribuição da riqueza de uma outra maneira que não seja baseada na produção e de desenvolver ainda mais o que chama de "terceiro setor", ou seja, a economia social e a esfera associativa que trabalham para o bemestar do outro. [...] A vida humana não se resume à produção.



(Texto adaptado para este concurso- tradução nossa. O texto original em
Siences humaines, Mensal N° 196 - agosto-setembro de 2008, está
disponível em https://www.scienceshumaines.com/des-vertus-de-laparesse_fr_22454.html acesso em 22 jan-24)
Quanto à tipologia textual, o texto pode ser classificado predominantemente como ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. 
Alternativas
Q2389299 Português
Virtudes da Preguiça (por Catherine Halpern)


          A questão do lugar do trabalho na sociedade é hoje mais viva do que nunca. O desenvolvimento das tecnologias permitiu um aumento significativo da produtividade e aliviou os homens de muitas tarefas ingratas. Entretanto, o trabalho ainda ocupa um lugar muito importante em nossas vidas.

          Embora seja ainda sobre ele que repousa a distribuição da riqueza, esta não é igualmente distribuída. Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista. Para o economista Jeremy Rifkin, cujo livro The End of

        Labor (O fim do Trabalho,1996) suscita um amplo debate, o trabalho está em um inexorável declínio. Por causa da automatização e da informatização, uma grande parte dos empregos em todos os setores de atividade está prestes a desaparecer e inutilizar grande parte da população trabalhadora ativa.
         
        Diante desse problema social, o autor defende a redução do tempo de trabalho, de repensar a distribuição da riqueza de uma outra maneira que não seja baseada na produção e de desenvolver ainda mais o que chama de "terceiro setor", ou seja, a economia social e a esfera associativa que trabalham para o bemestar do outro. [...] A vida humana não se resume à produção.



(Texto adaptado para este concurso- tradução nossa. O texto original em
Siences humaines, Mensal N° 196 - agosto-setembro de 2008, está
disponível em https://www.scienceshumaines.com/des-vertus-de-laparesse_fr_22454.html acesso em 22 jan-24)
Segundo Jeremy Rifkin, podemos ‘repensar a distribuição de riquezas’ de outra forma que não sobre a base de produção. Identifique a alternativa que completa corretamente o trecho apresentado.
Alternativas
Q2389298 Português
Virtudes da Preguiça (por Catherine Halpern)


          A questão do lugar do trabalho na sociedade é hoje mais viva do que nunca. O desenvolvimento das tecnologias permitiu um aumento significativo da produtividade e aliviou os homens de muitas tarefas ingratas. Entretanto, o trabalho ainda ocupa um lugar muito importante em nossas vidas.

          Embora seja ainda sobre ele que repousa a distribuição da riqueza, esta não é igualmente distribuída. Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista. Para o economista Jeremy Rifkin, cujo livro The End of

        Labor (O fim do Trabalho,1996) suscita um amplo debate, o trabalho está em um inexorável declínio. Por causa da automatização e da informatização, uma grande parte dos empregos em todos os setores de atividade está prestes a desaparecer e inutilizar grande parte da população trabalhadora ativa.
         
        Diante desse problema social, o autor defende a redução do tempo de trabalho, de repensar a distribuição da riqueza de uma outra maneira que não seja baseada na produção e de desenvolver ainda mais o que chama de "terceiro setor", ou seja, a economia social e a esfera associativa que trabalham para o bemestar do outro. [...] A vida humana não se resume à produção.



(Texto adaptado para este concurso- tradução nossa. O texto original em
Siences humaines, Mensal N° 196 - agosto-setembro de 2008, está
disponível em https://www.scienceshumaines.com/des-vertus-de-laparesse_fr_22454.html acesso em 22 jan-24)
No fragmento: “Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista.” Assinale a alternativa correta em relação às palavras em destaque. 
Alternativas
Q2389297 Português
Virtudes da Preguiça (por Catherine Halpern)


          A questão do lugar do trabalho na sociedade é hoje mais viva do que nunca. O desenvolvimento das tecnologias permitiu um aumento significativo da produtividade e aliviou os homens de muitas tarefas ingratas. Entretanto, o trabalho ainda ocupa um lugar muito importante em nossas vidas.

          Embora seja ainda sobre ele que repousa a distribuição da riqueza, esta não é igualmente distribuída. Uma parte da população se encontra excluída e sofre tanto pelas condições materiais à que está reduzida como pela forma como é vista. Para o economista Jeremy Rifkin, cujo livro The End of

        Labor (O fim do Trabalho,1996) suscita um amplo debate, o trabalho está em um inexorável declínio. Por causa da automatização e da informatização, uma grande parte dos empregos em todos os setores de atividade está prestes a desaparecer e inutilizar grande parte da população trabalhadora ativa.
         
        Diante desse problema social, o autor defende a redução do tempo de trabalho, de repensar a distribuição da riqueza de uma outra maneira que não seja baseada na produção e de desenvolver ainda mais o que chama de "terceiro setor", ou seja, a economia social e a esfera associativa que trabalham para o bemestar do outro. [...] A vida humana não se resume à produção.



(Texto adaptado para este concurso- tradução nossa. O texto original em
Siences humaines, Mensal N° 196 - agosto-setembro de 2008, está
disponível em https://www.scienceshumaines.com/des-vertus-de-laparesse_fr_22454.html acesso em 22 jan-24)
Assinale a alternativa que justifica a ideia do título do texto apresentado.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389276 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
“O amor é uma ______. O ______ senta-se sobre um penedo, à beira do mar. Tem ao lado uma cesta com ______; vai pondo uma por uma no ______ e atira às águas a pérfida linha. Assim gasta horas e dias até que o descuidado ______ agarra no anzol, ou não agarra (...)” (Machado de Assis). Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389275 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
No fragmento: “(...) Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe.” - Em – “à (espera)”, temos o acento indicador de crase. Assinale a única alternativa em que o referido acento está correto. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389274 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
Em: (...) Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos (...)”. Nesse fragmento do texto, a palavra – folgados – é adjetivo. Assinale a alternativa que apresenta apenas adjetivos.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389273 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
No fragmento: “Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.” a palavra – “executivos” - é escrita com X. Assinale abaixo a alternativa em que todas as palavras devem ser escritas com X.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389272 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão acentuadas corretamente.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389271 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
Em: “Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante”. Esse trecho do texto pode ser considerado______.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389270 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
No texto, há um momento em que a intenção do escritor é surpreender o leitor. Assinale a alternativa abaixo responsável por essa situação inesperada e surpreendente. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389269 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
O texto apresenta um momento culminante do conflito na narrativa – o ‘clímax’ – assinale a alternativa que apresenta esse momento no texto:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389268 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
Nas alternativas abaixo, assinale aquela que representa o fato que marca o início da trama no texto.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IBFC Órgão: MGS Prova: IBFC - 2024 - MGS - Cargos de Nível Médio |
Q2389267 Português
Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)


      Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens executivos sonhavam com um programa diferente.

– Se a gente desse uma de pescador?

– Falou.

         Muniram-se do necessário, desde o caniço até o sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais deserta, mais piscosa, mais sensacional.

          Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe. Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os domingos serem iguais, também tinham variado de programa – e não se deixavam fisgar.

– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De qualquer modo, estamos curtindo.

– É.

         Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi, lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:

– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem aproveitando a folga num programa legal. Saúde. Esporte. Alegria.

– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no escritório, lidando com problemas.

– Ótimo.

– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos filmando aspectos do domingo carioca. Podem colaborar?

– Que programa é esse?

– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos que vocês fossem filmados como exemplo do que se pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da mente.

– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.

– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente comprou para uma caldeirada logo mais.

        Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina. Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV ficou radiante:

– Um barato*. Vocês estavam ótimos.

– Quando é que passa o programa?

– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.

      Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de um deles – o que tivera a ideia da pescaria. – Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em plena ação.

       O programa, badaladíssimo, começou. Eram cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no batente ou correndo para.

 O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:

“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto nacional bruto...”

– Canalhas!

– Pai, você é um barato*!

– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!

– Se eu pego aqueles safados mato eles.

– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!

– Não admito gozação!

– Que é que vão dizer amanhã no escritório!

– Desliga! Desliga logo essa porcaria!

Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.



(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
Assinale a alternativa que retrata a rotina na vida dos personagens:
Alternativas
Q2389256 Português
Texto – Detalhes:


O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo. Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado. Mas dessa vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo gole da bebida, pelo gargalo.

– Helmuth, o que foi?

– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.

Toma outro gole de aguardente.

– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu alguma coisa no baile?

– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho. Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite que quer me levar na conversa. De repente, chega a maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos. Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para barrar a entrada dela porque mulher desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu não digo nada e deixo ela entrar.

– Bom, Helmuth. Até aí...

– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um sapato. E o príncipe atrás dela.

– O príncipe?

– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’ acompanhado de um clarão. Me viro e...

- E o quê, meu Deus?

O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.

– Você não vai acreditar.

– Conta!

– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado numa abóbora.

– Numa o quê?!

– Eu disse que você não ia acreditar.

– Uma abóbora?

– E os cavalos em ratos. – Helmuth...

– Não tem mais aguardente?

– Acho que você já bebeu demais por hoje.

– Juro que não bebi nada!

– Esse trabalho no palácio está acabando com você, Helmuth. Pede para ser transferido para o almoxarifado.



(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do Brasil, nº. 117). 
Em: “(...) Conta, homem! O que houve com você?” Assinale a alternativa que apresente os sinais de pontuação usados corretamente. 
Alternativas
Respostas
281: A
282: C
283: B
284: C
285: A
286: C
287: D
288: A
289: B
290: B
291: A
292: D
293: C
294: C
295: B
296: D
297: B
298: C
299: A
300: C