Questões de Concurso
Sobre português para ibfc
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I. Infere-se que a personagem Mafalda não aprova a atitude passiva das pessoas diante da vida.
II. O terceiro quadrinho, sem falas, não acrescenta sentido ao texto.
Está correto o que se afirma em
I. Os bombeiros assistiram os desabrigados.
II. O motorista não obedeceu a sinalização.
A regência está correta em
I. É necessário _______ o muro.
II. O rapaz ________ o professor.
I. Quando o gerente propor um novo projeto, pediremos um aumento de salário.
II. O guarda interveio na discussão entre o motorista do carro e o ciclista.
De acordo com a norma culta,
Não sei _______ disse ____ ela aquelas palavras horríveis.
Eu desejei aos noivos muita felicidade!
I. Aluga-se quartos para moças.
II. Necessita-se de funcionários experientes.
A concordância está correta em
Fernando Sabino
- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
- Sei dizer não, senhor: não tomo café.
- Você é dono do café, não sabe dizer?
- Ninguém tem reclamado dele, não, senhor.
- Então me dá café com leite, pão e manteiga.
- Café com leite só se for sem leite.
- Não tem leite?
- Hoje não, senhor.
- Por que hoje não?
- Porque hoje o leiteiro não veio.
- Ontem ele veio?
- Ontem não.
- Quando é que ele vem?
- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só
que no dia que devia vir, em geral, não vem.
- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
- Ah, isso está, sim, senhor.
- Quando é que tem leite?
- Quando o leiteiro vem.
- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a
coalhada?
- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite.
Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua
cidade?
- Sei dizer não, senhor: eu não sou daqui.
- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza:
um pouco mais, um pouco menos.
- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
- Para que Partido?
- Para todos os Partidos, parece.
- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.
- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro.
Nessa mexida...
- E o Prefeito?
- Que é que tem o Prefeito?
Que tal o Prefeito daqui?
- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
- Que é que falam dele?
- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
- Você, certamente, já tem candidato.
- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede,
que história é essa?
- Aonde, ali? Ué, gente: penduraram isso aí...
I. O texto brinca com o estereótipo do mineiro que não quer se comprometer em suas declarações.
II. O diálogo é incoerente porque não tem um assunto definido.
Está correto o que se afirma em
Fernando Sabino
- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
- Sei dizer não, senhor: não tomo café.
- Você é dono do café, não sabe dizer?
- Ninguém tem reclamado dele, não, senhor.
- Então me dá café com leite, pão e manteiga.
- Café com leite só se for sem leite.
- Não tem leite?
- Hoje não, senhor.
- Por que hoje não?
- Porque hoje o leiteiro não veio.
- Ontem ele veio?
- Ontem não.
- Quando é que ele vem?
- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só
que no dia que devia vir, em geral, não vem.
- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
- Ah, isso está, sim, senhor.
- Quando é que tem leite?
- Quando o leiteiro vem.
- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a
coalhada?
- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite.
Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua
cidade?
- Sei dizer não, senhor: eu não sou daqui.
- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza:
um pouco mais, um pouco menos.
- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
- Para que Partido?
- Para todos os Partidos, parece.
- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.
- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro.
Nessa mexida...
- E o Prefeito?
- Que é que tem o Prefeito?
Que tal o Prefeito daqui?
- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
- Que é que falam dele?
- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
- Você, certamente, já tem candidato.
- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede,
que história é essa?
- Aonde, ali? Ué, gente: penduraram isso aí...
I. As respostas do dono do estabelecimento são evasivas.
II. O cliente aceita, sem questionamentos, as explicações do dono da lanchonete.
Está correto o que se afirma em
I. Ele _____________ muitos imóveis na Bahia.
II. Ela não me ____________ falar
I. Há um problema de pontuação.
II. Há um problema de regência verbal.
Está correto o que se afirma em
I. Se ___________ algum problema, ligue para mim.
II. Se você ________ aquela blusa, sentirá frio
I. Isso não é coisa para _____ fazer!
II. Não quero ir _______ shopping
Ele é um ___________ bem qualificado e mereceu a ___________.
Pedi-o um favor muito especial mas ele se negou.
I. O pronome está empregado incorretamente.
II. A pontuação está correta.
Está correto o que se afirma em
Moacyr Scliar
Havia um casal que tinha uma inveja terrível dos amigos turistas – especialmente dos que faziam turismo no exterior. Ele, pequeno funcionário de uma grande firma, ela, professora primária, jamais tinham conseguido juntar o suficiente para viajar. Quando dava para as prestações das passagens, não chegava para os dólares, e vice-versa; e assim, ano após ano, acabavam ficando em casa. Economizavam, compravam menos roupa, andavam só de ônibus, comiam menos – mas não conseguiam viajar para o exterior. Às vezes passavam uns dias na praia. E era tudo.
Contudo, tamanha era a vontade que tinham de contar para os amigos sobre as maravilhas da Europa, que acabaram bolando um plano. Todos os anos, no fim de janeiro, telefonavam aos amigos: estavam se despedindo, viajavam para o Velho Mundo. De fato, alguns dias depois começavam a chegar postais de cidades europeias, Roma, Veneza, Florença; e ao fim de um mês eles estavam de volta, convidando os amigos para verem os 'slides' da viagem. E as coisas interessantes que contavam! Até dividiam os assuntos: a ele cabia comentar os hotéis, os serviços aéreos, a cotação das moedas, e também o lado pitoresco das viagens; a ela tocava o lado erudito: comentários sobre os museus e locais históricos, peças teatrais que tinham visto. O filho, de dez anos, não contava nada, mas confirmava tudo; e suspirava quando os pais diziam:
- Como fomos felizes em Florença!
O que os amigos não conseguiam descobrir é de onde saíra o dinheiro para a viagem; um, mais indiscreto, chegou a perguntar. Os dois sorriram, misteriosos, falaram numa herança e desconversaram.
Depois é que ficou se sabendo.
Não viajavam coisa nenhuma. Nem saíam da cidade. Ficavam trancados em casa durante todo o mês de férias. Ela ficava estudando os folhetos das companhias de turismo, sobre – por exemplo – a cidade de Florença: a história de Florença, os museus de Florença, os monumentos de Florença. Ele, num pequeno laboratório fotográfico, montava 'slides' em que as imagens deles estavam superpostas a imagens de Florença. Escrevia os cartões-postais, colava neles selos usados com carimbos falsificados. Quanto ao menino, decorava as histórias contadas pelos pais para confirmá-las se necessário.
Só saíam de casa tarde da noite. O menino, para fazer um pouco de exercício; ela, para fazer compras num supermercado distante; e ele, para depositar nas caixas de correspondência dos amigos os postais.
Poderia ter durado muitos e muitos anos, esta história. Foi ela quem estragou tudo. Lá pelas tantas, cansou de ter um marido pobre, que só lhe proporcionava excursões fingidas. Apaixonou-se por um piloto, que lhe prometeu muitas viagens, para os lugares mais exóticos. E acabou pedindo o divórcio.
Beijaram-se pela última vez ao sair do escritório do advogado.
- A verdade – disse ele – é que me diverti muito com a história toda.
- Eu também me diverti muito – ela disse.
- Fomos muito felizes em Florença - – suspirou ele.
- É verdade – ela disse, com lágrimas nos olhos. E prometeu- se que nunca mais iria a Florença.
Quanto ao menino, decorava as histórias contadas pelos pais para confirmá-las se necessário.
I. Há apenas uma oração no período.
II. O pronome oblíquo “as" refere-se às histórias.
Está correto o que se afirma em
Moacyr Scliar
Havia um casal que tinha uma inveja terrível dos amigos turistas – especialmente dos que faziam turismo no exterior. Ele, pequeno funcionário de uma grande firma, ela, professora primária, jamais tinham conseguido juntar o suficiente para viajar. Quando dava para as prestações das passagens, não chegava para os dólares, e vice-versa; e assim, ano após ano, acabavam ficando em casa. Economizavam, compravam menos roupa, andavam só de ônibus, comiam menos – mas não conseguiam viajar para o exterior. Às vezes passavam uns dias na praia. E era tudo.
Contudo, tamanha era a vontade que tinham de contar para os amigos sobre as maravilhas da Europa, que acabaram bolando um plano. Todos os anos, no fim de janeiro, telefonavam aos amigos: estavam se despedindo, viajavam para o Velho Mundo. De fato, alguns dias depois começavam a chegar postais de cidades europeias, Roma, Veneza, Florença; e ao fim de um mês eles estavam de volta, convidando os amigos para verem os 'slides' da viagem. E as coisas interessantes que contavam! Até dividiam os assuntos: a ele cabia comentar os hotéis, os serviços aéreos, a cotação das moedas, e também o lado pitoresco das viagens; a ela tocava o lado erudito: comentários sobre os museus e locais históricos, peças teatrais que tinham visto. O filho, de dez anos, não contava nada, mas confirmava tudo; e suspirava quando os pais diziam:
- Como fomos felizes em Florença!
O que os amigos não conseguiam descobrir é de onde saíra o dinheiro para a viagem; um, mais indiscreto, chegou a perguntar. Os dois sorriram, misteriosos, falaram numa herança e desconversaram.
Depois é que ficou se sabendo.
Não viajavam coisa nenhuma. Nem saíam da cidade. Ficavam trancados em casa durante todo o mês de férias. Ela ficava estudando os folhetos das companhias de turismo, sobre – por exemplo – a cidade de Florença: a história de Florença, os museus de Florença, os monumentos de Florença. Ele, num pequeno laboratório fotográfico, montava 'slides' em que as imagens deles estavam superpostas a imagens de Florença. Escrevia os cartões-postais, colava neles selos usados com carimbos falsificados. Quanto ao menino, decorava as histórias contadas pelos pais para confirmá-las se necessário.
Só saíam de casa tarde da noite. O menino, para fazer um pouco de exercício; ela, para fazer compras num supermercado distante; e ele, para depositar nas caixas de correspondência dos amigos os postais.
Poderia ter durado muitos e muitos anos, esta história. Foi ela quem estragou tudo. Lá pelas tantas, cansou de ter um marido pobre, que só lhe proporcionava excursões fingidas. Apaixonou-se por um piloto, que lhe prometeu muitas viagens, para os lugares mais exóticos. E acabou pedindo o divórcio.
Beijaram-se pela última vez ao sair do escritório do advogado.
- A verdade – disse ele – é que me diverti muito com a história toda.
- Eu também me diverti muito – ela disse.
- Fomos muito felizes em Florença - – suspirou ele.
- É verdade – ela disse, com lágrimas nos olhos. E prometeu- se que nunca mais iria a Florença.
I. Os amigos descobriram a farsa porque viram o casal à noite nas ruas da cidade.
II. A mulher arrependeu-se da mentira e resolveu se separar.
Está correto o que se afirma em