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    1 questão encontrada
    Ano: 2013
    Banca: FCC
    Órgão: HEMOBRÁS
    Os dentes na medicina popular e nas crenças brasileiras

    Daniel Korytnicki

    Quem não tem informações corretas sobre as causas das doenças às vezes imagina que elas são provocadas por espíritos malignos. A medicina popular é rica em receitas feitas com elementos naturais e práticas mágicas que muitos acreditam serem capazes de proteger a saúde e curar. No Brasil, há várias dessas práticas relacionadas aos dentes, típicas de cada região:

    • Na Paraíba e em Minas Gerais, prepara-se um chá com o botão floral dessecado do cravo-da-índia para fazer bochechos e acalmar a dor de dente.

    • No Norte e no Nordeste, costuma-se deixar a casca de um arbusto de molho numa vasilha com água e sal por uma noite e, no dia seguinte, bochechar três vezes com aquela água. Ou retirar a pólvora de três palitos de fósforo usados e colocar sobre a cárie. Ou enrolar um dente de alho num chumaço de algodão e colocar dentro do ouvido do lado contrário ao dente que dói.

    • Em São Paulo, é costume cozinhar uma folha de pé de batata em água com sal e bochechar o mais quente que se possa suportar. Para branquear os dentes, recomenda-se esfregar um quarto de limão uma vez por semana nos dentes e na gengiva.

    Também são comuns as benzeduras (rezas supersticiosas) e fórmulas mágicas, que passam de geração para geração, às vezes como segredos de família. O uso de dentes humanos e de animais como amuletos e talismãs, que era frequente em tempos antigos, ainda tem seus adeptos...

    Achar que os sonhos trazem mensagens sobrenaturais é mais uma crendice popular que faz parte da cultura brasileira - e não só dela: a adivinhação e interpretação dos sonhos estão presentes no teatro grego da Antiguidade, na história de Buda, em relatos da Bíblia... No Brasil, diversos sonhos em que aparecem dentes são interpretados como mensagens. Por exemplo, sonhar com dente que cai é mau presságio e indica a morte de um familiar muito próximo; dente que nasce é bom presságio e indica o nascimento de um filho; escovação dos dentes é um aviso de que uma situação vai se modificar; dentista significa insatisfação!

    Por tudo isso, embora as pesquisas indiquem que já não existem tantas cáries como antigamente, as pessoas que têm mais informações, sejam dentistas ou não, devem batalhar para divulgá-las entre a população mais carente. Neste país tão cheio de disparidades, cada um deve fazer a sua parte, para exercer de fato a cidadania.

    (Adaptado de: Korytnicki, Daniel. O livro do dentista. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004. p. 84-88)

    Sobre o conteúdo e o tratamento temático do texto, apresentam-se as seguintes afirmações:

    I. Os exemplos selecionados ilustram a perspectiva crítica do autor; ao mobilizar no texto casos brasileiros de uso de plantas e de práticas mágicas como instrumentos com poder curativo, ele não reconhece o valor científico e a eficácia da medicina natural, aproximando-a da mera crendice.

    II. Contrariando a expectativa gerada pelo título do texto, o autor refere-se não somente ao Brasil, mas a outros países e épocas históricas, nos quais o vínculo direto entre medicina popular e superstição também se verifica, mencionando, inclusive, informações registradas em textos bíblicos e budistas como fontes de suas pesquisas.

    III. Um dos objetivos centrais do texto é realizar na prática exatamente aquilo que o autor sugere no último parágrafo: divulgar entre os leitores, sejam dentistas ou não, fórmulas mágicas capazes de curar e de proteger a saúde dos dentes.

    Está correto o que se afirma APENAS em

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