Questões de Concurso Público SEED-PR 2026 para Língua Portuguesa / Infraestrutura

Foram encontradas 7 questões

Q4430134 Literatura

O texto a seguir é referência para a questão.



Adeus à crônica: sobre o fim silencioso e tímido de um gênero literário


Julián Fuks


    Não, não me despeço, o leitor não se verá livre desta minha verborragia semanal, não ainda. Não sou eu que abandono a crônica, é a crônica que vai abandonando o mundo, a passo lento. Pouco a pouco ela definha, incapaz de seduzir algoritmos, vai sendo esquecida entre páginas bem mais urgentes, entre novidades eufóricas, entre ruidosas notícias. Vai calando a irrelevância que lhe é própria entre tantas palavras imprescindíveis. Acho que é isso: décadas depois de terem decretado sua crise, eis que a crônica se aproxima do fim, sem desespero nem cólera nem alarde, na timidez que lhe é característica.  


    Quanto mais horas passo lendo crônicas do passado, como fiz numa longa tarde de compromisso com a ineficácia, sob o sol cálido de um dia supostamente útil, quanto mais horas passo lendo crônicas do passado, eu dizia, mais percebo que não existe crônica no presente, que nosso mundo em estado crônico não a comporta. Seu tempo é outro, há um descompasso de ritmos. Devota da lentidão, apreciadora da indolência e da preguiça, a crônica já não resiste à velocidade, aos imperativos da produtividade, seja no trabalho, na diversão ou no vício. A crônica não sabe existir neste mundo alucinado que já não alucina. Sinto, sinto muito anunciar algo assim sobre um ente tão querido, mas é isso, a crônica está quase morta, contam-se os seus dias. 


    A morte da crônica é a morte da literatura em sua face cotidiana, da literatura mansa desprovida de ambições e ganâncias e cobiças. É a morte de um olhar discreto e franco sobre a vida, agora bem mais pálida, insossa, ignóbil, triste. O fim da crônica nos deixa quase reféns dos assuntos sérios e dos risos histriônicos, sem mais meios sorrisos, sem graças furtivas, e sem tampouco a melancolia vaga das palavras ainda não tão trágicas, só levemente infelizes. A agonia da crônica nos aparta dos acontecimentos mínimos, nos priva da imaginação e do devaneio tão bem nutridos pelos assuntos esquálidos. Nos deixa apenas na presunçosa companhia da ideia, ou, pior ainda, na extravagante presença da polêmica. […]


    Eu sei, o ressentimento que estou declarando é por um leitor que já não está aí. Restamos agora só nós, os ociosos, os folgazões, os vagais. Não sei se é nosso fim ou nosso triunfo definitivo: a entrega dos ociosos ao ócio, dos folgazões à folga, dos vagais ao vácuo. A crônica se aproxima do fim, em todo caso, e não quero que você que durou até aqui acabe saindo de mãos vazias. A você e a mim deixo um pequeno consolo, na forma de uma certeza especulativa. Que tudo aquilo que definha encontra sua estranha maneira de permanecer. Que todas as formas que morrem, o soneto, a pintura, o romance, ainda podem ser praticadas com liberdade e leveza, em absoluta paz, pelos sonhadores e os distraídos. 


Disponível em: https://www.uol.com.br. 

A metalinguagem está presente no texto pelo fato de: 
Alternativas
Q4430147 Literatura

Leia o poema a seguir para responder a questão.



Aviso aos náufragos


Esta página, por exemplo,

não nasceu para ser lida. 

Nasceu para ser pálida,

um mero plágio da Ilíada, 

alguma coisa que cala,

folha que volta pro galho,

muito depois de caída.

Nasceu para ser praia, 

quem sabe Andrômeda, Antártida,

Himalaia, sílaba sentida, 

nasceu para ser última

a que não nasceu ainda. 

Palavras trazidas de longe

pelas águas do Nilo, 

um dia, esta página, papiro,

vai ter que ser traduzida, para o símbolo, para o sânscrito,

para todos os dialetos da Índia,

vai ter que dizer bom-dia

ao que só se diz ao pé do ouvido,

vai ter que ser a brusca pedra

onde alguém deixou cair o vidro.

Não é assim que é a vida?


Leminski, Paulo. Toda Poesia. Companhia das Letras, 2013, p. 117.  

A respeito da construção estilística do poema, é correto afirmar: 
Alternativas
Q4430149 Literatura
Assinale a alternativa que apresenta nomes de autoras brasileiras que estão construindo a literatura contemporânea nos últimos 20 anos. 
Alternativas
Q4430151 Literatura
O trecho a seguir é o início do conto “A sauna”, de Lygia Fagundes Telles, extraído da obra Seminário dos Ratos, e é referência para a questão.

Eucalipto – era esse, sim, era esse o perfume de Rosa e do seu mundo de infusões de plantas silvestres, filtros verdolengos e boiões de vidro estagnados nas prateleiras. Esse o perfume verde-úmido que senti quando se debruçou na janela para posar. Tinha chovido e um vapor morno subiu do jardim com o sol. É o primeiro retrato que faço, preciso acertar, avisei e ela se retraiu na janela. Então beijei-lhe a testa, Vamos, relaxa, não pense no que eu disse mas pense nesta laranja que você vai segurar, assim, pode falar se quiser mas não se mexa, quietinha segurando a laranja. Quando esbocei o oval do seu rosto, estava tão séria que parecia posar para uma foto frente-perfil datada. Rosa Retratada, eu disse e ela aproveitou o sorriso para molhar os lábios com a ponta da língua. Continuaram sem brilho os lábios anêmicos. Minha Rosa Anêmica, você precisa parar com essas verduras, coma bifes sangrentos, você precisa de carne! O melhor retrato que já fiz. Mas o que foi feito dele? perguntou Marina. Deve estar com ela, respondi. Por onde andam o modelo e o retrato é o que eu gostaria de saber, não foi há mais de trinta anos? 
O fluxo de consciência, uma das marcas da obra da autora, é caracterizado pela:
Alternativas
Q4430152 Literatura
No contexto das escolas literárias brasileiras, assinale a alternativa que marca corretamente a distinção entre o Realismo e o Naturalismo. 
Alternativas
Q4430153 Literatura
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas com as respectivas escolas literárias.
Enquanto o __________ valoriza a poética da novidade tanto no plano das ideias (conceptismo) como no das palavras (cultismo) e o __________ apresenta um estilo de pensamento voltado para o racional, o claro, o regular, o verossímil, no __________ poetas aceitam a própria impotência em face da sociedade e exilam-se numa atmosfera de penumbra para ocultar a intimidade de suas vidas frustradas.  
Bosi, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015. Adaptado.
Alternativas
Respostas
1: A
2: B
3: B
4: C
5: D
6: A
7: B