Questões de Concurso Público PC-PI 2008 para Agente de Polícia, Civil

Foram encontradas 16 questões

Q195309 Português
Estação Carandiru, o filme

A história começa quando o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior
presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo. Ali, toma contato com o que, aqui fora, temos até medo
de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O
Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo
percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele
testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco, e é o suficiente
para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. O oncologista famoso, habituado à mais sofisticada
tecnologia médica, vai praticar medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

Seu trabalho dá resultado e o Médico logo ganha o respeito da coletividade. Com o respeito, vêm os segredos.
As consultas vão além das doenças e desdobram-se em narrativas cheias de vitalidade. Em nosso filme, os encontros
na enfermaria são uma janela para o mundo da malandragem.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime; a necessária ginga do
bígamo Majestade entre mulheres e assaltos; o velho Chico, Mestre Zen cultivado na masmorra e prestes a ganhar a
liberdade; o Diretor Pires, funcionário obrigado a pisar em ovos para administrar a cadeia; a conversão do matador
Peixeira; ascensão e queda do surfista Ezequiel; o filósofo existencialista Sem Chance e seu romance com a divina Lady
Di. A narrativa do filme arma-se como em um quebra-cabeça: uma história se encaixa na outra para formar um painel
dessa trágica realidade brasileira.

Com o Médico, o espectador deste filme dirigido por Luis Padilha acompanha os movimentos dessa gente.
Acompanha também quando um movimento maior vem e a destrói. Como naquele 2 de outubro de 1992, um dos dias
mais negros da história do Carandiru e, quem sabe, do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a
pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Foi o ponto final de algumas de nossas histórias. Mas não de
todas. Para o bem e para o mal, os malandros do Brasil teimam em sobreviver.

(Fonte: http://www.webcine.com.br/filmessi/estacara.htm)

Observe o período extraído do texto.

O Carandiru merece fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas.

Qual das alternativas abaixo mantém a relação de sentido estabelecida pelo termo sublinhado, sem alterar o sentido da frase?
Alternativas
Q195310 Português
Estação Carandiru, o filme

A história começa quando o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior
presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo. Ali, toma contato com o que, aqui fora, temos até medo
de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O
Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo
percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele
testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco, e é o suficiente
para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. O oncologista famoso, habituado à mais sofisticada
tecnologia médica, vai praticar medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

Seu trabalho dá resultado e o Médico logo ganha o respeito da coletividade. Com o respeito, vêm os segredos.
As consultas vão além das doenças e desdobram-se em narrativas cheias de vitalidade. Em nosso filme, os encontros
na enfermaria são uma janela para o mundo da malandragem.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime; a necessária ginga do
bígamo Majestade entre mulheres e assaltos; o velho Chico, Mestre Zen cultivado na masmorra e prestes a ganhar a
liberdade; o Diretor Pires, funcionário obrigado a pisar em ovos para administrar a cadeia; a conversão do matador
Peixeira; ascensão e queda do surfista Ezequiel; o filósofo existencialista Sem Chance e seu romance com a divina Lady
Di. A narrativa do filme arma-se como em um quebra-cabeça: uma história se encaixa na outra para formar um painel
dessa trágica realidade brasileira.

Com o Médico, o espectador deste filme dirigido por Luis Padilha acompanha os movimentos dessa gente.
Acompanha também quando um movimento maior vem e a destrói. Como naquele 2 de outubro de 1992, um dos dias
mais negros da história do Carandiru e, quem sabe, do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a
pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Foi o ponto final de algumas de nossas histórias. Mas não de
todas. Para o bem e para o mal, os malandros do Brasil teimam em sobreviver.

(Fonte: http://www.webcine.com.br/filmessi/estacara.htm)

Qual dos termos ou expressões sublinhados abaixo NÃO designa o elemento indicado logo a seguir, em itálico?
Alternativas
Q195311 Português
Estação Carandiru, o filme

A história começa quando o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior
presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo. Ali, toma contato com o que, aqui fora, temos até medo
de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O
Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo
percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele
testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco, e é o suficiente
para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. O oncologista famoso, habituado à mais sofisticada
tecnologia médica, vai praticar medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

Seu trabalho dá resultado e o Médico logo ganha o respeito da coletividade. Com o respeito, vêm os segredos.
As consultas vão além das doenças e desdobram-se em narrativas cheias de vitalidade. Em nosso filme, os encontros
na enfermaria são uma janela para o mundo da malandragem.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime; a necessária ginga do
bígamo Majestade entre mulheres e assaltos; o velho Chico, Mestre Zen cultivado na masmorra e prestes a ganhar a
liberdade; o Diretor Pires, funcionário obrigado a pisar em ovos para administrar a cadeia; a conversão do matador
Peixeira; ascensão e queda do surfista Ezequiel; o filósofo existencialista Sem Chance e seu romance com a divina Lady
Di. A narrativa do filme arma-se como em um quebra-cabeça: uma história se encaixa na outra para formar um painel
dessa trágica realidade brasileira.

Com o Médico, o espectador deste filme dirigido por Luis Padilha acompanha os movimentos dessa gente.
Acompanha também quando um movimento maior vem e a destrói. Como naquele 2 de outubro de 1992, um dos dias
mais negros da história do Carandiru e, quem sabe, do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a
pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Foi o ponto final de algumas de nossas histórias. Mas não de
todas. Para o bem e para o mal, os malandros do Brasil teimam em sobreviver.

(Fonte: http://www.webcine.com.br/filmessi/estacara.htm)

Qual das expressões sublinhadas abaixo NÃO recorre ao uso metafórico das palavras?
Alternativas
Q195312 Português
Estação Carandiru, o filme

A história começa quando o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior
presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo. Ali, toma contato com o que, aqui fora, temos até medo
de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O
Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo
percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele
testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco, e é o suficiente
para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. O oncologista famoso, habituado à mais sofisticada
tecnologia médica, vai praticar medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

Seu trabalho dá resultado e o Médico logo ganha o respeito da coletividade. Com o respeito, vêm os segredos.
As consultas vão além das doenças e desdobram-se em narrativas cheias de vitalidade. Em nosso filme, os encontros
na enfermaria são uma janela para o mundo da malandragem.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime; a necessária ginga do
bígamo Majestade entre mulheres e assaltos; o velho Chico, Mestre Zen cultivado na masmorra e prestes a ganhar a
liberdade; o Diretor Pires, funcionário obrigado a pisar em ovos para administrar a cadeia; a conversão do matador
Peixeira; ascensão e queda do surfista Ezequiel; o filósofo existencialista Sem Chance e seu romance com a divina Lady
Di. A narrativa do filme arma-se como em um quebra-cabeça: uma história se encaixa na outra para formar um painel
dessa trágica realidade brasileira.

Com o Médico, o espectador deste filme dirigido por Luis Padilha acompanha os movimentos dessa gente.
Acompanha também quando um movimento maior vem e a destrói. Como naquele 2 de outubro de 1992, um dos dias
mais negros da história do Carandiru e, quem sabe, do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a
pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Foi o ponto final de algumas de nossas histórias. Mas não de
todas. Para o bem e para o mal, os malandros do Brasil teimam em sobreviver.

(Fonte: http://www.webcine.com.br/filmessi/estacara.htm)

Observe o seguinte período extraído do texto.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime.

O processo de formação de palavras que dá origem aos termos em negrito é:
Alternativas
Q195313 Português
Estação Carandiru, o filme

A história começa quando o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho de prevenção à AIDS no maior
presídio da América Latina: a Casa de Detenção de São Paulo. Ali, toma contato com o que, aqui fora, temos até medo
de imaginar: violência, superlotação, instalações precárias, falta de assistência médica e jurídica, falta de tudo. O
Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, merece sua fama de “inferno na terra”. Porém, nosso personagem logo
percebe que, mesmo vivendo numa situação limite, os internos não representam figuras demoníacas. Ao contrário, ele
testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver. Não é pouco, e é o suficiente
para que ele, fascinado, resolva iniciar um trabalho voluntário. O oncologista famoso, habituado à mais sofisticada
tecnologia médica, vai praticar medicina como os antigos: com estetoscópio, olhar sensível e muita conversa.

Seu trabalho dá resultado e o Médico logo ganha o respeito da coletividade. Com o respeito, vêm os segredos.
As consultas vão além das doenças e desdobram-se em narrativas cheias de vitalidade. Em nosso filme, os encontros
na enfermaria são uma janela para o mundo da malandragem.

Conhecemos o destino do estuprador Gilson, julgado e condenado pela Lei do Crime; a necessária ginga do
bígamo Majestade entre mulheres e assaltos; o velho Chico, Mestre Zen cultivado na masmorra e prestes a ganhar a
liberdade; o Diretor Pires, funcionário obrigado a pisar em ovos para administrar a cadeia; a conversão do matador
Peixeira; ascensão e queda do surfista Ezequiel; o filósofo existencialista Sem Chance e seu romance com a divina Lady
Di. A narrativa do filme arma-se como em um quebra-cabeça: uma história se encaixa na outra para formar um painel
dessa trágica realidade brasileira.

Com o Médico, o espectador deste filme dirigido por Luis Padilha acompanha os movimentos dessa gente.
Acompanha também quando um movimento maior vem e a destrói. Como naquele 2 de outubro de 1992, um dos dias
mais negros da história do Carandiru e, quem sabe, do Brasil, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a
pretexto de manter a lei e a ordem, fuzilou 111 pessoas. Foi o ponto final de algumas de nossas histórias. Mas não de
todas. Para o bem e para o mal, os malandros do Brasil teimam em sobreviver.

(Fonte: http://www.webcine.com.br/filmessi/estacara.htm)

Com o respeito, vêm os segredos.” Em que outra frase a palavra sublinhada é forma correta do verbo “vir”, empregada adequadamente?
Alternativas
Q195316 Português
Pensar nas criminalizações históricas

Vera Malaguti Batista, professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes e membro do Conselho Superior do
Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito (ILANUD), respondeu às seguintes perguntas
da revista IHU-Online, em março de 2008
.
IHU On-Line - Na sua opinião, quais são as origens da violência no Brasil?
Vera Malaguti Batista - A história do Brasil é uma história de violências. O genocídio colonizador, a destruição das
civilizações indígenas e a violência fundacional da escravidão são marcas históricas. Cada vez que o povo brasileiro
tenta ser o protagonista de sua história ele é criminalizado e brutalizado.
IHU On-Line - A senhora acredita que existe um descompasso entre crescimento econômico e a segurança
pública no país?
Vera Malaguti Batista - Neste momento, eu acredito estarmos vivendo uma situação singular. Nós já sabemos, pelos
fatos e estatísticas, que o neoliberalismo (que creio estar, com o fim da Era Bush, em fase descendente) produziu um
colossal encarceramento de pobres no mundo e também políticas de segurança pública truculentas nas margens pobres
do mundo. Só assim os mais ricos poderiam tentar concentrar tanto poder e riqueza. O Brasil seguiu essa tendência. O
interessante é que já estamos vivendo um momento diferente, com avanços significativos no desenvolvimento
econômico e melhora inegável nos níveis de renda, trabalho e oportunidades. No entanto, continuamos com um sistema
penitenciário perversamente superlotado e com um Estado policial em curso. A transformação dos conflitos sociais em
casos de polícia, o aumento desmedido do sistema penal e, principalmente, a inculcação de uma cultura punitiva
continuam a todo vapor, com o auxílio luxuoso da grande mídia, que perpetua, assim, nossas tradições de truculência e
barbarização dos pobres.
IHU On-Line - Quais são os maiores problemas do sistema penitenciário e como resolvê-los?
Vera Malaguti Batista - O maior problema do sistema penitenciário é que ele nunca poderá ser um bom sistema. A pena
e a prisão são produtoras de dor e apartação, ou seja, nada de bom pode vir delas. Precisamos pensar num projeto de
desencarceramento. O grande jurista argentino Raúl Zaffaroni denuncia que, na América Latina, cerca de 70% dos
presos são provisórios. No Brasil, existem estudos indicando que 40% dos nossos presos estão na cadeia sem
condenação. Estão lá como a menina do Pará, jogada numa cela por uma pequena transgressão juvenil, sem acesso à
defesa. Depois, ao contrário do senso comum, precisamos aumentar a comunicação com os presos. É necessário
aumentar as pontes, abrir portas, quebrar o maniqueísmo do “nós e eles”. Além disso, é necessário diminuir o sofrimento
dos familiares de presos, que acabam cumprindo pena junto com seus entes queridos e passam por toda sorte de
constrangimento e estigmatização.

(Revista IHU-Online, n. 152, mar. 2008, p. 20-21)

“O Brasil seguiu essa tendência.” A frase, na segunda resposta de Vera Malaguti Batista, quer dizer:
Alternativas
Q195318 Português
Pensar nas criminalizações históricas

Vera Malaguti Batista, professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes e membro do Conselho Superior do
Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito (ILANUD), respondeu às seguintes perguntas
da revista IHU-Online, em março de 2008
.
IHU On-Line - Na sua opinião, quais são as origens da violência no Brasil?
Vera Malaguti Batista - A história do Brasil é uma história de violências. O genocídio colonizador, a destruição das
civilizações indígenas e a violência fundacional da escravidão são marcas históricas. Cada vez que o povo brasileiro
tenta ser o protagonista de sua história ele é criminalizado e brutalizado.
IHU On-Line - A senhora acredita que existe um descompasso entre crescimento econômico e a segurança
pública no país?
Vera Malaguti Batista - Neste momento, eu acredito estarmos vivendo uma situação singular. Nós já sabemos, pelos
fatos e estatísticas, que o neoliberalismo (que creio estar, com o fim da Era Bush, em fase descendente) produziu um
colossal encarceramento de pobres no mundo e também políticas de segurança pública truculentas nas margens pobres
do mundo. Só assim os mais ricos poderiam tentar concentrar tanto poder e riqueza. O Brasil seguiu essa tendência. O
interessante é que já estamos vivendo um momento diferente, com avanços significativos no desenvolvimento
econômico e melhora inegável nos níveis de renda, trabalho e oportunidades. No entanto, continuamos com um sistema
penitenciário perversamente superlotado e com um Estado policial em curso. A transformação dos conflitos sociais em
casos de polícia, o aumento desmedido do sistema penal e, principalmente, a inculcação de uma cultura punitiva
continuam a todo vapor, com o auxílio luxuoso da grande mídia, que perpetua, assim, nossas tradições de truculência e
barbarização dos pobres.
IHU On-Line - Quais são os maiores problemas do sistema penitenciário e como resolvê-los?
Vera Malaguti Batista - O maior problema do sistema penitenciário é que ele nunca poderá ser um bom sistema. A pena
e a prisão são produtoras de dor e apartação, ou seja, nada de bom pode vir delas. Precisamos pensar num projeto de
desencarceramento. O grande jurista argentino Raúl Zaffaroni denuncia que, na América Latina, cerca de 70% dos
presos são provisórios. No Brasil, existem estudos indicando que 40% dos nossos presos estão na cadeia sem
condenação. Estão lá como a menina do Pará, jogada numa cela por uma pequena transgressão juvenil, sem acesso à
defesa. Depois, ao contrário do senso comum, precisamos aumentar a comunicação com os presos. É necessário
aumentar as pontes, abrir portas, quebrar o maniqueísmo do “nós e eles”. Além disso, é necessário diminuir o sofrimento
dos familiares de presos, que acabam cumprindo pena junto com seus entes queridos e passam por toda sorte de
constrangimento e estigmatização.

(Revista IHU-Online, n. 152, mar. 2008, p. 20-21)

“Quais são os maiores problemas do sistema penitenciário e como resolvê-los?” A última pergunta da entrevista, para evitar repetição desnecessária, recorre à pronominalização da expressão sublinhada em “resolvê-los”. Em qual das perguntas abaixo a pronominalização da expressão sublinhada foi feita corretamente?
Alternativas
Q195319 Português
O Pólo Norte

Nada como um crime 100% monstruoso, desses que elevam para um novo patamar os piores padrões que se
podem atingir em matéria de crueldade e selvageria, para descobrir quanta gente fica comovida, no Brasil de hoje, com a
sorte dos acusados – e horrorizada com a hipótese de que possa ocorrer alguma falha, por mais duvidosa que seja, na
proteção a seus direitos. É o que se está vendo no momento, mais uma vez, com o assassinato da menina Isabella
Nardoni, em São Paulo. Para muitos dos mais renomados sábios da nossa ciência jurídica, sobretudo os que se dedicam
à advocacia criminal, intelectuais de todas as variedades e até o presidente da República, o foco deixou de estar no
crime que foi cometido. O que realmente os preocupa é a “condenação antecipada” dos suspeitos, algo que, a seu ver,
estaria ocorrendo no caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente, se mostra angustiado com a
possibilidade de que inocentes tenham suas vidas “destruídas”. A única vida realmente destruída, até agora, foi a de
Isabella, mas isso parece ser apenas um detalhe menor na história. O verdadeiro problema, nesse modo de ver as
coisas, estaria no que os campeões do direito de defesa imaginam ser a condenação “sem julgamento” ou “sem provas”
dos acusados – fruto do desejo de “vingança” e de “linchamento” que a exposição intensa do caso na imprensa faz
nascer junto a uma população boçal e incapaz de entender os fundamentos do direito penal.
(...)
A verdadeira dificuldade para o casal Nardoni não está na violação de seus direitos. Está, isso sim, no fato de que
não surgiu até agora, após quarenta dias de investigação, feita com todos os recursos da polícia e sob o intenso holofote
da imprensa, o mais remoto indício de que o crime possa ter sido praticado por alguma outra pessoa. A verdadeira
revolta popular, ao mesmo tempo, é contra a impunidade; o temor é que o pai e a madrasta de Isabella, caso culpados,
fiquem livres. Trata-se de uma expectativa mais do que justificada pelos fatos. Se homicidas confessos, condenados em
júri popular, estão soltos, por que não seria assim outra vez? Por que não, se está solto o médico que esquartejou uma
mulher submetida a anestesia e alegou ter agido em legítima defesa? São questões que não entram no debate. Os
defensores do casal, quando de boa-fé, argumentam que nada é mais importante do que colocar a lei acima da paixão.
Mas pregar de maneira automática e em qualquer circunstância, sejam lá quais forem os fatos, a favor dos direitos dos
acusados não contribui para a genuína proteção dos direitos do cidadão; contribui, na prática, para dar conforto aos
criminosos.
O problema da Justiça brasileira, hoje, não é a escassez de direitos de defesa; o real problema é o excesso de
obstáculos para a punição e o excesso de proteção para os acusados. O Brasil é possivelmente um caso único, em todo
o mundo, onde se recomenda, diante do aumento da criminalidade, a redução das penas e o aumento dos benefícios
para os criminosos. É algo que talvez faça sentido em lugares como o Pólo Norte, por exemplo, onde não há crime
algum; no Brasil atual é simplesmente incompreensível. Não passa pela cabeça dos patronos dessas idéias a existência
de alguma relação entre o agravamento da criminalidade e a ausência de punição efetiva para os culpados. Parecem, ao
contrário, convencidos de que a saída é punir ainda menos. É muito bom, sem dúvida, para o interesse profissional dos
advogados criminalistas e para o bem-estar de seus clientes. Para todos os demais é uma tragédia.

(GUZZO, J. R. Veja, 14 maio 2008.)

Assinale a alternativa que mais se aproxima do argumento central do texto:
Alternativas
Q195320 Português
O Pólo Norte

Nada como um crime 100% monstruoso, desses que elevam para um novo patamar os piores padrões que se
podem atingir em matéria de crueldade e selvageria, para descobrir quanta gente fica comovida, no Brasil de hoje, com a
sorte dos acusados – e horrorizada com a hipótese de que possa ocorrer alguma falha, por mais duvidosa que seja, na
proteção a seus direitos. É o que se está vendo no momento, mais uma vez, com o assassinato da menina Isabella
Nardoni, em São Paulo. Para muitos dos mais renomados sábios da nossa ciência jurídica, sobretudo os que se dedicam
à advocacia criminal, intelectuais de todas as variedades e até o presidente da República, o foco deixou de estar no
crime que foi cometido. O que realmente os preocupa é a “condenação antecipada” dos suspeitos, algo que, a seu ver,
estaria ocorrendo no caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente, se mostra angustiado com a
possibilidade de que inocentes tenham suas vidas “destruídas”. A única vida realmente destruída, até agora, foi a de
Isabella, mas isso parece ser apenas um detalhe menor na história. O verdadeiro problema, nesse modo de ver as
coisas, estaria no que os campeões do direito de defesa imaginam ser a condenação “sem julgamento” ou “sem provas”
dos acusados – fruto do desejo de “vingança” e de “linchamento” que a exposição intensa do caso na imprensa faz
nascer junto a uma população boçal e incapaz de entender os fundamentos do direito penal.
(...)
A verdadeira dificuldade para o casal Nardoni não está na violação de seus direitos. Está, isso sim, no fato de que
não surgiu até agora, após quarenta dias de investigação, feita com todos os recursos da polícia e sob o intenso holofote
da imprensa, o mais remoto indício de que o crime possa ter sido praticado por alguma outra pessoa. A verdadeira
revolta popular, ao mesmo tempo, é contra a impunidade; o temor é que o pai e a madrasta de Isabella, caso culpados,
fiquem livres. Trata-se de uma expectativa mais do que justificada pelos fatos. Se homicidas confessos, condenados em
júri popular, estão soltos, por que não seria assim outra vez? Por que não, se está solto o médico que esquartejou uma
mulher submetida a anestesia e alegou ter agido em legítima defesa? São questões que não entram no debate. Os
defensores do casal, quando de boa-fé, argumentam que nada é mais importante do que colocar a lei acima da paixão.
Mas pregar de maneira automática e em qualquer circunstância, sejam lá quais forem os fatos, a favor dos direitos dos
acusados não contribui para a genuína proteção dos direitos do cidadão; contribui, na prática, para dar conforto aos
criminosos.
O problema da Justiça brasileira, hoje, não é a escassez de direitos de defesa; o real problema é o excesso de
obstáculos para a punição e o excesso de proteção para os acusados. O Brasil é possivelmente um caso único, em todo
o mundo, onde se recomenda, diante do aumento da criminalidade, a redução das penas e o aumento dos benefícios
para os criminosos. É algo que talvez faça sentido em lugares como o Pólo Norte, por exemplo, onde não há crime
algum; no Brasil atual é simplesmente incompreensível. Não passa pela cabeça dos patronos dessas idéias a existência
de alguma relação entre o agravamento da criminalidade e a ausência de punição efetiva para os culpados. Parecem, ao
contrário, convencidos de que a saída é punir ainda menos. É muito bom, sem dúvida, para o interesse profissional dos
advogados criminalistas e para o bem-estar de seus clientes. Para todos os demais é uma tragédia.

(GUZZO, J. R. Veja, 14 maio 2008.)

Segundo o texto, é INCORRETO afirmar:
Alternativas
Q195321 Português
O Pólo Norte

Nada como um crime 100% monstruoso, desses que elevam para um novo patamar os piores padrões que se
podem atingir em matéria de crueldade e selvageria, para descobrir quanta gente fica comovida, no Brasil de hoje, com a
sorte dos acusados – e horrorizada com a hipótese de que possa ocorrer alguma falha, por mais duvidosa que seja, na
proteção a seus direitos. É o que se está vendo no momento, mais uma vez, com o assassinato da menina Isabella
Nardoni, em São Paulo. Para muitos dos mais renomados sábios da nossa ciência jurídica, sobretudo os que se dedicam
à advocacia criminal, intelectuais de todas as variedades e até o presidente da República, o foco deixou de estar no
crime que foi cometido. O que realmente os preocupa é a “condenação antecipada” dos suspeitos, algo que, a seu ver,
estaria ocorrendo no caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente, se mostra angustiado com a
possibilidade de que inocentes tenham suas vidas “destruídas”. A única vida realmente destruída, até agora, foi a de
Isabella, mas isso parece ser apenas um detalhe menor na história. O verdadeiro problema, nesse modo de ver as
coisas, estaria no que os campeões do direito de defesa imaginam ser a condenação “sem julgamento” ou “sem provas”
dos acusados – fruto do desejo de “vingança” e de “linchamento” que a exposição intensa do caso na imprensa faz
nascer junto a uma população boçal e incapaz de entender os fundamentos do direito penal.
(...)
A verdadeira dificuldade para o casal Nardoni não está na violação de seus direitos. Está, isso sim, no fato de que
não surgiu até agora, após quarenta dias de investigação, feita com todos os recursos da polícia e sob o intenso holofote
da imprensa, o mais remoto indício de que o crime possa ter sido praticado por alguma outra pessoa. A verdadeira
revolta popular, ao mesmo tempo, é contra a impunidade; o temor é que o pai e a madrasta de Isabella, caso culpados,
fiquem livres. Trata-se de uma expectativa mais do que justificada pelos fatos. Se homicidas confessos, condenados em
júri popular, estão soltos, por que não seria assim outra vez? Por que não, se está solto o médico que esquartejou uma
mulher submetida a anestesia e alegou ter agido em legítima defesa? São questões que não entram no debate. Os
defensores do casal, quando de boa-fé, argumentam que nada é mais importante do que colocar a lei acima da paixão.
Mas pregar de maneira automática e em qualquer circunstância, sejam lá quais forem os fatos, a favor dos direitos dos
acusados não contribui para a genuína proteção dos direitos do cidadão; contribui, na prática, para dar conforto aos
criminosos.
O problema da Justiça brasileira, hoje, não é a escassez de direitos de defesa; o real problema é o excesso de
obstáculos para a punição e o excesso de proteção para os acusados. O Brasil é possivelmente um caso único, em todo
o mundo, onde se recomenda, diante do aumento da criminalidade, a redução das penas e o aumento dos benefícios
para os criminosos. É algo que talvez faça sentido em lugares como o Pólo Norte, por exemplo, onde não há crime
algum; no Brasil atual é simplesmente incompreensível. Não passa pela cabeça dos patronos dessas idéias a existência
de alguma relação entre o agravamento da criminalidade e a ausência de punição efetiva para os culpados. Parecem, ao
contrário, convencidos de que a saída é punir ainda menos. É muito bom, sem dúvida, para o interesse profissional dos
advogados criminalistas e para o bem-estar de seus clientes. Para todos os demais é uma tragédia.

(GUZZO, J. R. Veja, 14 maio 2008.)

Em qual das alternativas abaixo está correta a concordância verbal?
Alternativas
Q195322 Português
Leia o texto a seguir.

Elas são para sempre

Um artigo publicado na revista científica Nature traz a mais fascinante explicação para um dos maiores tormentos das pessoas – a dificuldade de emagrecer e de manter o novo peso. Pesquisadores do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, revelaram que o número de células adiposas (adipócitos) é definido até os 20 anos. Depois dessa idade nada é capaz de diminuir essa quantidade – nem a mais espartana das dietas. Quando uma pessoa emagrece, os adipócitos apenas perdem o volume, mas continuam lá. Não é só isso. Todos os anos, 10% das células adiposas são renovadas. E as novas têm uma incrível propensão para aumentar de tamanho. Eis aí uma explicação de por que, depois de um período de privações à mesa, é fácil recuperar os quilos perdidos.

(Veja, 14 maio 2008.)

Segundo o texto, são corretas as alternativas abaixo, EXCETO:
Alternativas
Q195323 Português
Das palavras abaixo apenas uma não segue a mesma regra de acentuação. Qual é?
Alternativas
Q195324 Português
Leia o texto a seguir.

A Coca Light não pára de emagrecer

A Coca-Cola Light continua seu processo de emagrecimento. Em abril, chegou a seu ponto mais baixo de participação no mercado desde que foi lançada, há onze anos: 1,2%, ante o 1,3% de março. A culpada por essa perda é a Coca-Cola Zero, que passou de 4% para 4,1% entre março e abril. Desde que a Coca Zero foi lançada, catorze meses atrás, a Coca Light perde consumidores para a irmã mais nova. Há um ano, a Light era dona de 3,5% do mercado.

(Veja, 21 maio 2008, p. 47.)

Que quer dizer o título “Coca-Cola Light não pára de emagrecer”?
Alternativas
Q195344 Português
Leia atentamente o texto abaixo:

O clima tropical explica por que o Rio de Janeiro tem sido o foco principal das epidemias brasileiras. Mas está longe de ser a única justificativa. Falta entender por que outras cidades de mesmo clima têm índices menos alarmantes de dengue. É que o Aedes aegypti faz mais vítimas nas regiões mais densamente povoadas. E nesse quesito, o Rio de Janeiro só perde para o Distrito Federal. No Rio, nada menos que 314,4 habitantes (dados de 1999) se apertam em cada quilômetro quadrado.

Por isso, não basta torcer para que as altas temperaturas digam "até breve". Em grandes concentrações urbanas, os problemas que favorecem a dengue são os de sempre, não só os do verão. São as deficiências na rede de água encanada e na coleta de lixo. Quanto mais comuns são os cortes no abastecimento de água, mais a população é obrigada a ter reservas em latas e baldes. É justamente aí que o mosquito se reproduz. Se o entulho não é recolhido, o Aedes aegypti põe ovos na água que se acumula em objetos de plástico ou vidro deixados ao deus- dará.

Está redondamente enganado quem pensa que a dengue é problema apenas das favelas. Ao contrário das doenças que proliferam nas periferias onde o esgoto corre a céu aberto, o mosquito da dengue odeia água suja. Ele prefere pôr seus ovos na água parada dos pratos de plantas do quintal, em objetos jogados no terreno baldio ao lado da sua casa ou que foram largados nas ruas e calçadas. Uma boa maneira de combater a dengue é respeitar o meio ambiente, dar a destinação correta ao lixo e não deixar o jardim só aos cuidados da chuva
.”

(TODOS CONTRA A DENGUE.)
(Disponível em: http://www.educacional.com.br/reportagens/dengue/rio.asp . Acesso em: 03/03/2008.)

Sobre o tema, assinale a única alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q195347 Português
“A água potável é um recurso finito, que se reparte desigualmente pela superfície terrestre. Se, pelo ângulo de seu ciclo natural, a água é um recurso renovável, suas reservas não são ilimitadas... E parte significativa da humanidade já sofre, diretamente, do fenômeno da carência de água.”

(Mundo – Geografia e Política internacional. Agosto de 1988)

De acordo com esse texto, é INCORRETO dizer que:
Alternativas
Q195350 Português
Os japoneses que moram aqui no Brasil comemoram o Dia dos Imigrantes em 18 de junho, pois foi nessa data que, em 1908, chegaram ao porto de Santos, em São Paulo, os primeiros imigrantes japoneses. A vinda dessas pessoas ao Brasil só foi possível porque nosso país e o Japão fizeram um acordo diplomático. Atualmente, ocorre o contrário: muitos brasileiros descendentes de japoneses vão morar no Japão, onde são chamados de decasséguis.

Atentando para esse contexto, assinale a única alternativa INCORRETA:
Alternativas
Respostas
1: B
2: B
3: A
4: E
5: C
6: B
7: C
8: E
9: A
10: B
11: C
12: E
13: C
14: A
15: C
16: E