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Questões de Concurso Público UFJ 2022 para Técnico em Enfermagem

Questões Discursivas

Foram encontradas 50 questões

Q4248898 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
Na oração ”Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina.”, o elemento destacado tem valor de: 
Alternativas
Q4248899 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
A função das aspas duplas no parágrafo abaixo é, respectivamente:
Nessas “chegadas” forçadas, conjectura-se que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. 
Alternativas
Q4248900 Não definido
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
A função do sinal de dois-pontos no parágrafo abaixo é de:
Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem.
Alternativas
Q4248901 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
De acordo com a autora,
Alternativas
Q4248902 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
"Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina.” Pode-se encontrar o mesmo uso da vírgula do período acima em: 
Alternativas
Q4248903 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


CATHARINA MINA: UMA LIBERTA AFRICANA EM SÃO LUÍS NO SÉC. XIX

Iraneide Soares da Silva


Nesta segunda década do século XXI, em que as memórias negras precisam ser (e vem sendo) cada vez mais evidenciadas, fomos buscar nas histórias de mulheres negras que viveram no Brasil dos séculos XVIII e XIX. Mulheres essas que só aparecem de relance na historiografia e que nunca, ou quase nunca, chegaram às salas de aula da Educação Básica ou do Ensino Superior. Nossos achados históricos perpassam seis importantes mulheres negras: Esperança Garcia (1751), Maria Firmina dos Reis (1825), Catharina Rosa Ferreira de Jesus (séc. XIX), Mariana Gonçalves da Luz (1871) e Laura Rosa (1884). Para este artigo, destacamos Catharina Rosa Ferreira de Jesus, ou apenas Catharina Mina.

A cidade de São Luís, entre rios e dentro do mar, forma a ilha de São Luís, território de grande disputa por franceses e portugueses no período colonial, e que se tornou a capital do Maranhão. Como no resto do Brasil, era uma cidade escravista e estava vinculada ao continente africano pelo tráfico atlântico, sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, com a criação e atuação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão (1755). A capital maranhense era um território de estrangeiros, com forte presença de trabalhadores escravizados africanos que chegavam continuamente ao porto, como os do “grupo de procedência” da Costa da Mina, nos atuais Togo, Benim e Nigéria.

Nessas “chegadas” forçadas, conjecturase que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX. Sua memória continua presente no centro histórico ludovicense onde há, por exemplo, uma placa que indica o “Beco da Catharina Mina” e, nas proximidades da rua, existe também um empreendimento comercial em sua homenagem, o “Bar da Catharina Mina”, fundado em 1989. Mas quem foi essa mulher? Qual foi sua marca de distinção numa multidão de homens escravizados em província do extremo norte do Império brasileiro?

Representação de Catharina Rosa Ferreira de Jesus. Beco da Catharina Mina, São Luís-MA, 31 de outubro de 2020. Fonte: site da TV Mirante.

No tempo presente, ela é caracterizada como uma africana liberta e quituteira. Ressaltase, ainda, a sua beleza e a capacidade de resistir contra o sistema escravista, pois além de sua liberdade, comprou as alforrias de outros escravizados em razão de seus trabalhos e das relações estabelecidas com indivíduos da elite maranhense. Ela também conseguiu ser uma pessoa de influência naquela sociedade. Entretanto, a sua trajetória de vida tem sido pouco divulgada pela historiografia. Com o acesso a documentos sobre sua vida, depositados no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão (APTJMA), ampliaram-se um pouco mais as informações sobre sua experiência e suas redes de sociabilidade. 

Fragmento do Testamento de Catharina Rosa Ferreira de Jesus – Catharina Mina. Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Maranhão – APTJMA, São Luís-MA, documento de 29 de junho de 1886. Fonte: acervo do APTJMA.

Ao analisar as fontes que tratam dessa personagem, encontrou-se a Catharina mulher, não somente a rica ou a boa cozinheira, mas a “Catharina Rosa Pereira de Jesus” que se dizia de “nação Mina”. A escrita do seu testamento, como era comum na época, ficou sob a responsabilidade de alguém da sua confiança. Assim começa a narrativa descrita desse registro: “Eu, Catharina Rosa Ferreira de Jesus achando-me adoentada, mas no meu perfeito juízo e entendimento, tenho resolvido fazer as minhas últimas disposições testamentárias, pelo modo seguinte: Declaro que sou christã e cathólica apostólica romana, da nação Mina”.

Catharina se apresenta como uma mulher africana, de nação Mina, católica, inserida nos padrões da sociedade vigente do final do século XIX, mas com bens, razão pela qual houve a produção do testamento. A narrativa existente é de que ela trabalhou como quituteira desde muito jovem nas ruas de São Luís do Maranhão. Desse comércio urbano, juntou pecúlio para a compra de sua alforria e conseguiu, ao longo do tempo, adquirir alguma riqueza.

Catharina declarou também ser solteira e “sem herdeiro algum necessário, sendo-me, portanto, livre dispor de todos os bens que possuo”. Seguindo a leitura do documento disponível no APTJMA, verifica-se que ela foi mãe e que seu rebento havia falecido. As declarações do testamento, além de revelarem sua vivência na maternidade, estabelecem o desejo de conectarse com seu descendente, pois orientam para que seu corpo fosse enterrado “em catacumba e que findo o prazo de três anos, sejam os meus restos mortais trasladados para o jazido que tenho na igreja de Santo Antônio desta cidade, onde estão os do meu filho Pedro”.

Catharina solicitava um enterro simples e discreto: “[…] quero que o meu enterro e sufrágios se façam a vontade de meus testamenteiros, todavia lhes recomendo que sejam com decência, mas sem pompa, e que no sétimo dia do meu falecimento quero que se diga por minha alma, se distribua a quantia de cinquenta mil reis (50$000) em esmolas e quinhentos reis pelos pobres que comparecerem…”. Catharina não deixou de registrar sua estreita relação com a Igreja Católica e anunciou a distribuição de “esmolas” aos pobres, praticando a caridade, conforme os princípios cristãos. Também conferiu a “plena liberdade a todos os meus escravos sem condição alguma servindo-lhes esta verba de título”.

Com relação aos seus herdeiros e herdeiras, ela disse ter como afilhada “Dona Esmeralda Jaufret, filha do Doutor José Ricardo Jaufret, falecido” e “Meu afilhado Doutor Alfredo Rapozo Barradas, filho do Doutor Desembargador Joaquim da Costa Barradas”. Esses afilhados, pessoas brancas e abastadas, faziam parte das redes de sociabilidade e amizade de Catharina Mina. Ademais, além desses, outros, como amigos e pessoas escravizadas sob sua posse, foram beneficiados com os bens obtidos por seu trabalho como pequena comerciante nas ruas são-luisenses.

Com a análise do testamento de Catharina Mina, compreende-se sua importância na memória da cidade de São Luís, sobretudo por se tratar de uma mulher negra que viveu nos espaços urbanos da capital maranhense em tempos de escravidão, no século XIX, um período marcado por adversidades sociais: pelo racismo, sexismo e discriminações de toda a ordem. Ademais, a história e a memória de Catharina Mina nos faz perceber a dimensão que muitos homens negros e mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras nas mais diversas condições jurídicas, tinham de articulação e, de certa forma, domínio no sentido de conhecimento da dinâmica histórica, cultural e social das cidades escravistas brasileiras.

Enfim, Catharina Mina ultrapassou alguns limites do escravismo, contrariando o pensamento e a cultura da passividade feminina. Nas muitas dinâmicas desses mundos urbanos escravistas nas Américas, mulheres como Catharina Mina abriram brechas e fortaleceram laços a partir de suas vivências socioculturais como trabalhadoras, escravizadas e libertas, nos espaços públicos da cidade, fazendo história e tornando-se referência em uma memória de resistência e luta para as gerações futuras. Nesses espaços, elas fincaram presenças e (re)invenções culturais que atravessaram o tempo. No caso de Catharina Mina, sua trajetória como exescravizada continua sendo relembrada em São Luís, inclusive em decorrência de sua resistência e coragem, fatores que a mantêm viva na memória cotidiana da capital maranhense no século XXI.

Adaptado de: https://www.geledes.org.br/catharina-mina-uma-libertaafricana-em-sao-luis-no-sec-xix/ Acessado em 20/09/2022
Pode-se afirmar que o principal objetivo comunicativo do texto é:
Alternativas
Q4248904 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


DA PRÓXIMA VEZ, SÓ CASO SE FOR COM MULHER

Iana Villela


Eu ando cansada do discurso "próxima vez, só caso se for com mulher", comum nas mesas de bares ou conversas de WhatsApp entre amigas, quando as reclamações sobre os comportamentos dos maridos e namorados viram coro em dó maior.

Se relacionar com mulheres não é reabilitação para corações traumatizados, para parcerias domésticas, de carga mental. O único motivo para casar com uma mulher deve ser sentir tesão e se apaixonar por outra mulher.

Esse discurso, com ares progressista, é reprodução homossexual dos relacionamentos hétero-patriarcais: esperar cuidado e compreensão somente das mulheres.

A desvalorização crassa da paixão que mulheres bis e gays sentem umas pelas outras também bate com o pé na quina da ideia de “prêmio de consolação”, do relacionamento existir por não ter aparecido nada melhor. Esse discurso, inclusive, é alicerce da invisibilização desse tipo de amor, muitas vezes chamado de fase. Ou de crimes como o estupro corretivo, a ideia que uma mulher sente desejo por outra porque não teve o devido contato com um pênis competente.


É compreensível a decepção que mulheres hétero e bissexuais vivem na maioria dos relacionamentos com homens. Cada louça na pia, data importante negligenciada ou inabilidade emocional é um post-it imaginário colado em nossa testa, lembrando a solidão na vida familiar.

A instituição casamento, como existe hoje, é comprovadamente mais vantajosa para eles. O Instituto de Estudos da Família, nos EUA, publicou uma pesquisa apontando que homens casados têm salários maiores e vivem até 10 anos mais que os solteiros. A conclusão dizia que o preconceito com casamento, a história do game over repetida à exaustão em bares masculinos, precisava acabar.

Em nenhum momento é iluminada a gaveta escura onde se agita a sobrecarga feminina. Nossa insatisfação, embora pouco visível, é bem fundamentada, afinal, quem marca os médicos, lembra de exames, cuida da alimentação e filhos desses homens longevos e bem-sucedidos? É aceitável querer viver uma experiência igualitária, ainda assim, o nosso descanso não está na troca de gênero, até porque não estamos falando de escolhas. O que precisamos é de modelos novos de relacionamento.

Se relacionar é caminhar junto em busca constante pelo equilíbrio, ora pendendo para um lado, ora para o outro. Parceira nenhuma merece o peso de ser um divã sentimental para outra pessoa se deitar confortavelmente. Nem as casadas com homens, nem com mulheres.

Adaptado de: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/da-proxima-vez-socaso-se-for-com-mulher Acessado em 27/09/2022
A função dos dois-pontos no período abaixo é de:
"Esse discurso, com ares progressista, é reprodução homossexual dos relacionamentos hétero-patriarcais: esperar cuidado e compreensão somente das mulheres.”
Alternativas
Q4248905 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


DA PRÓXIMA VEZ, SÓ CASO SE FOR COM MULHER

Iana Villela


Eu ando cansada do discurso "próxima vez, só caso se for com mulher", comum nas mesas de bares ou conversas de WhatsApp entre amigas, quando as reclamações sobre os comportamentos dos maridos e namorados viram coro em dó maior.

Se relacionar com mulheres não é reabilitação para corações traumatizados, para parcerias domésticas, de carga mental. O único motivo para casar com uma mulher deve ser sentir tesão e se apaixonar por outra mulher.

Esse discurso, com ares progressista, é reprodução homossexual dos relacionamentos hétero-patriarcais: esperar cuidado e compreensão somente das mulheres.

A desvalorização crassa da paixão que mulheres bis e gays sentem umas pelas outras também bate com o pé na quina da ideia de “prêmio de consolação”, do relacionamento existir por não ter aparecido nada melhor. Esse discurso, inclusive, é alicerce da invisibilização desse tipo de amor, muitas vezes chamado de fase. Ou de crimes como o estupro corretivo, a ideia que uma mulher sente desejo por outra porque não teve o devido contato com um pênis competente.


É compreensível a decepção que mulheres hétero e bissexuais vivem na maioria dos relacionamentos com homens. Cada louça na pia, data importante negligenciada ou inabilidade emocional é um post-it imaginário colado em nossa testa, lembrando a solidão na vida familiar.

A instituição casamento, como existe hoje, é comprovadamente mais vantajosa para eles. O Instituto de Estudos da Família, nos EUA, publicou uma pesquisa apontando que homens casados têm salários maiores e vivem até 10 anos mais que os solteiros. A conclusão dizia que o preconceito com casamento, a história do game over repetida à exaustão em bares masculinos, precisava acabar.

Em nenhum momento é iluminada a gaveta escura onde se agita a sobrecarga feminina. Nossa insatisfação, embora pouco visível, é bem fundamentada, afinal, quem marca os médicos, lembra de exames, cuida da alimentação e filhos desses homens longevos e bem-sucedidos? É aceitável querer viver uma experiência igualitária, ainda assim, o nosso descanso não está na troca de gênero, até porque não estamos falando de escolhas. O que precisamos é de modelos novos de relacionamento.

Se relacionar é caminhar junto em busca constante pelo equilíbrio, ora pendendo para um lado, ora para o outro. Parceira nenhuma merece o peso de ser um divã sentimental para outra pessoa se deitar confortavelmente. Nem as casadas com homens, nem com mulheres.

Adaptado de: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/da-proxima-vez-socaso-se-for-com-mulher Acessado em 27/09/2022
Qual a figura de linguagem utilizada no trecho destacado em negrito?
“Esse discurso, inclusive, é alicerce da invisibilização desse tipo de amor, muitas vezes chamado de fase. Ou de crimes como o estupro corretivo, a ideia que uma mulher sentedesejo por outra porque não teve o devido contato com um pênis competente.”
Alternativas
Q4248906 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


DA PRÓXIMA VEZ, SÓ CASO SE FOR COM MULHER

Iana Villela


Eu ando cansada do discurso "próxima vez, só caso se for com mulher", comum nas mesas de bares ou conversas de WhatsApp entre amigas, quando as reclamações sobre os comportamentos dos maridos e namorados viram coro em dó maior.

Se relacionar com mulheres não é reabilitação para corações traumatizados, para parcerias domésticas, de carga mental. O único motivo para casar com uma mulher deve ser sentir tesão e se apaixonar por outra mulher.

Esse discurso, com ares progressista, é reprodução homossexual dos relacionamentos hétero-patriarcais: esperar cuidado e compreensão somente das mulheres.

A desvalorização crassa da paixão que mulheres bis e gays sentem umas pelas outras também bate com o pé na quina da ideia de “prêmio de consolação”, do relacionamento existir por não ter aparecido nada melhor. Esse discurso, inclusive, é alicerce da invisibilização desse tipo de amor, muitas vezes chamado de fase. Ou de crimes como o estupro corretivo, a ideia que uma mulher sente desejo por outra porque não teve o devido contato com um pênis competente.


É compreensível a decepção que mulheres hétero e bissexuais vivem na maioria dos relacionamentos com homens. Cada louça na pia, data importante negligenciada ou inabilidade emocional é um post-it imaginário colado em nossa testa, lembrando a solidão na vida familiar.

A instituição casamento, como existe hoje, é comprovadamente mais vantajosa para eles. O Instituto de Estudos da Família, nos EUA, publicou uma pesquisa apontando que homens casados têm salários maiores e vivem até 10 anos mais que os solteiros. A conclusão dizia que o preconceito com casamento, a história do game over repetida à exaustão em bares masculinos, precisava acabar.

Em nenhum momento é iluminada a gaveta escura onde se agita a sobrecarga feminina. Nossa insatisfação, embora pouco visível, é bem fundamentada, afinal, quem marca os médicos, lembra de exames, cuida da alimentação e filhos desses homens longevos e bem-sucedidos? É aceitável querer viver uma experiência igualitária, ainda assim, o nosso descanso não está na troca de gênero, até porque não estamos falando de escolhas. O que precisamos é de modelos novos de relacionamento.

Se relacionar é caminhar junto em busca constante pelo equilíbrio, ora pendendo para um lado, ora para o outro. Parceira nenhuma merece o peso de ser um divã sentimental para outra pessoa se deitar confortavelmente. Nem as casadas com homens, nem com mulheres.

Adaptado de: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/da-proxima-vez-socaso-se-for-com-mulher Acessado em 27/09/2022
O principal objetivo comunicativo do texto é:
Alternativas
Q4248907 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


DA PRÓXIMA VEZ, SÓ CASO SE FOR COM MULHER

Iana Villela


Eu ando cansada do discurso "próxima vez, só caso se for com mulher", comum nas mesas de bares ou conversas de WhatsApp entre amigas, quando as reclamações sobre os comportamentos dos maridos e namorados viram coro em dó maior.

Se relacionar com mulheres não é reabilitação para corações traumatizados, para parcerias domésticas, de carga mental. O único motivo para casar com uma mulher deve ser sentir tesão e se apaixonar por outra mulher.

Esse discurso, com ares progressista, é reprodução homossexual dos relacionamentos hétero-patriarcais: esperar cuidado e compreensão somente das mulheres.

A desvalorização crassa da paixão que mulheres bis e gays sentem umas pelas outras também bate com o pé na quina da ideia de “prêmio de consolação”, do relacionamento existir por não ter aparecido nada melhor. Esse discurso, inclusive, é alicerce da invisibilização desse tipo de amor, muitas vezes chamado de fase. Ou de crimes como o estupro corretivo, a ideia que uma mulher sente desejo por outra porque não teve o devido contato com um pênis competente.


É compreensível a decepção que mulheres hétero e bissexuais vivem na maioria dos relacionamentos com homens. Cada louça na pia, data importante negligenciada ou inabilidade emocional é um post-it imaginário colado em nossa testa, lembrando a solidão na vida familiar.

A instituição casamento, como existe hoje, é comprovadamente mais vantajosa para eles. O Instituto de Estudos da Família, nos EUA, publicou uma pesquisa apontando que homens casados têm salários maiores e vivem até 10 anos mais que os solteiros. A conclusão dizia que o preconceito com casamento, a história do game over repetida à exaustão em bares masculinos, precisava acabar.

Em nenhum momento é iluminada a gaveta escura onde se agita a sobrecarga feminina. Nossa insatisfação, embora pouco visível, é bem fundamentada, afinal, quem marca os médicos, lembra de exames, cuida da alimentação e filhos desses homens longevos e bem-sucedidos? É aceitável querer viver uma experiência igualitária, ainda assim, o nosso descanso não está na troca de gênero, até porque não estamos falando de escolhas. O que precisamos é de modelos novos de relacionamento.

Se relacionar é caminhar junto em busca constante pelo equilíbrio, ora pendendo para um lado, ora para o outro. Parceira nenhuma merece o peso de ser um divã sentimental para outra pessoa se deitar confortavelmente. Nem as casadas com homens, nem com mulheres.

Adaptado de: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/da-proxima-vez-socaso-se-for-com-mulher Acessado em 27/09/2022
No trecho abaixo, é correto afirmar sobre a função do ponto de interrogação:
”Em nenhum momento é iluminada a gaveta escura onde se agita a sobrecarga feminina. Nossa insatisfação, embora pouco visível, é bem fundamentada, afinal, quem marca os médicos, lembra de exames, cuida da alimentação e filhos desses homens longevos e bem-sucedidos?”
Alternativas
Q4248908 Raciocínio Lógico
Quando André sai de casa pela manhã sua calçada ou está molhada, ou está seca. Considere a seguinte proposição:
Se chove à noite, então a calçada de André estará molhada pela manhã.
Qual dos itens a seguir está coerente com a proposição supracitada?
Alternativas
Q4248909 Matemática
Um terreno retangular com 12m de largura e 40m de comprimento é dividido segundo a figura abaixo:
Imagem associada para resolução da questão
Desse modo, qual porcentagem da área total é ocupada pela região A à esquerda?
Alternativas
Q4248910 Matemática
Sabendo que a propagação de um fungo que é comum em árvores de uma determinada região da floresta amazônica é modelada pela função:
Imagem associada para resolução da questão
onde t é medido em meses. Sabendo que no primeiro dia foi observado uma região de 1/64 km² habitada pelo fungo e que no fim do primeiro mês de observação a região habitada foi de 1km². Determine o valor de −ab
Alternativas
Q4248911 Matemática
Para perder 1kg de gordura, é necessário queimar 7Kcal. Em 15 dias de treino, treinando 20min por dia, José queimou 6Kcal. Mantendo o mesmo treino, quantos minutos José ainda precisa treinar para completar uma perda de 1kg de gordura? 
Alternativas
Q4248912 Raciocínio Lógico
Em uma sala com 30 alunos, sabemos que 8 não ficaram de recuperação em física, 13 não ficaram de recuperação em matemática e apenas 4 não ficaram de recuperação em nenhuma das duas disciplinas. Quantos alunos ficaram de recuperação em matemática e em física?
Alternativas
Q4248913 Matemática
O crescimento de uma cultura de bactérias é definido como o aumento do número de bactérias em uma população. Tal crescimento ocorre de maneira exponencial e o tempo, em horas, necessário para a formação de uma geração é determinado por
Imagem associada para resolução da questão
onde n é o número de gerações, b o número de bactérias na última observação, B o número de bactérias na primeira observação. Sabendo que um biomédico anotou os seguintes dados: b = 1 × 1011 , B = 1 × 10 e n = 11, quanto tempo se passou entre a primeira e a última observação?
Alternativas
Q4248914 Matemática
Um carro estava abastecido com um quinto de seu tanque. O motorista parou em um posto de gasolina e completou o tanque pagando R$ 360,00. Se a capacidade do tanque é 60 litros, quanto custou cada litro de gasolina?
Alternativas
Q4248915 Raciocínio Lógico
Considere as seguintes afirmações:

p: Um robô não pode ferir um humano;
q: Um robô deve proteger sua existência.

Podemos concluir que a afirmação p é equivalente a qual das proposições a seguir?
Alternativas
Q4248916 Matemática
A expressão mais famosa da física moderna, E = mc² foi elaborada pelo físico alemão Albert Einstein. Ela determina a relação de transformação de massa de um corpo em energia e vice-versa. Sabendo que c representa a constante da velocidade da luz no vácuo, m a massa de um corpo e E a energia, considere a seguinte situação: Um objeto A possui massa m1 e um objeto B possui massa m2 que é 25% maior que m1. Se E1 = m1 e E2 = m2, então:
Alternativas
Q4248917 Matemática
Somando a quinta parte com a metade de um número racional, temos como resultado o próprio número racional somado de 2. Qual é esse número?
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: D
4: C
5: A
6: E
7: B
8: C
9: C
10: E
11: E
12: B
13: E
14: B
15: D
16: C
17: E
18: B
19: A
20: D