“Todos os diversos campos da atividade humana
estão ligados ao uso da linguagem. Compreende-se
perfeitamente que o caráter e as formas desse uso
sejam tão multiformes quanto os campos da atividade
humana. Esses enunciados refletem as condições
específicas e as finalidades de cada referido campo não
só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da
linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais,
fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de
tudo, por sua construção composicional. Todos esses
três elementos – o conteúdo temático, o estilo, a
construção composicional – estão indissoluvelmente
ligados no todo do enunciado e são igualmente
determinados pela especificidade de um determinado
campo da comunicação. Evidentemente, cada
enunciado particular é individual, mas cada campo de
utilização da língua elabora seus tipos relativamente
estáveis de enunciados, o que denominamos de
gêneros do discurso.” (BAKHTIN, 1997, p. 162-163).
A partir da leitura desse trecho do texto de Bakhtin,
que é parte de seu livro A estética da criação verbal,
bem como de outras leituras acerca das ideias desse
teórico, é possível afirmar que:
I. Os gêneros do discursos são inúmeros, estão
presentes em todas as situações de comunicação
humana, seja pela escrita ou pela oralidade.
II. Os gêneros do discurso estão intrinsecamente
relacionados às ações humanas, o que lhes confere um
caráter essencialmente histórico e de inserção social.
III. Os gêneros do discurso possuem três dimensões
constitutivas: o conteúdo temático, o estilo e a
construção composicional.