Questões de Concurso Público Prefeitura de Orlândia - SP 2022 para Professor de Ciências PEB II

Foram encontradas 40 questões

Q4085431 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
O texto lido é predominantemente expositivo porque: 
Alternativas
Q4085432 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Apesar de o texto ser predominantemente expositivo, há passagens de teor argumentativo. Assinale a alternativa que apresenta marcas de argumentação.
Alternativas
Q4085433 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
A respeito das informações veiculadas, é correto afirmar, segundo o texto, que
Alternativas
Q4085434 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Selecione a alternativa em que o sinônimo apresentado entre parênteses para o termo destacado está adequado, considerando seu emprego no texto.
Alternativas
Q4085435 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
O texto apresenta dados de uma pesquisa. Essas informações revelam que: 
Alternativas
Q4085436 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Atente para esta passagem do texto: “Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa.” (3º§). Considerando as informações apresentadas no fragmento anterior, analise as afirmativas a seguir e a relação proposta entre elas.

I. “O dado coletado na pesquisa comprova que a prática do trabalho infantil é fortemente aceita pelas famílias brasileiras ainda nos diais atuais.”

PORQUE

II. “Há uma crença arraigada de que as crianças devem, primordialmente, contribuir para a complementação da renda familiar pelo fato de grande parte das famílias não conseguir suprir, de forma autônoma e suficiente, as necessidades econômicas de seus integrantes.”

Considerando as afirmativas I e II, bem como a relação de sentido estabelecida entre elas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4085437 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Aponte a alternativa que contém a correta indicação da figura de linguagem presente na passagem destacada do texto.
Alternativas
Q4085438 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Os advérbios podem funcionar como modalizadores do discurso, isto é, podem expressar a opinião do locutor, atribuindo uma orientação argumentativa aos seus enunciados. Assinale a alternativa em que o advérbio destacado foi utilizado para expressar um ponto de vista.
Alternativas
Q4085439 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Acerca dos sinais de pontuação empregados no texto, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q4085440 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Releia esta passagem: “Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país.” (1º§). Qual é a relação lógico-semântica expressa pelo articulador destacado no enunciado anterior?
Alternativas
Q4085441 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Considere este trecho: “Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce.” (3º§). Assinale a opção cuja reescrita mantém a correção gramatical, a coesão e a coerência do texto. 
Alternativas
Q4085442 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Em qual alternativa a concordância é facultativa, ou seja, a forma verbal destacada pode ficar tanto no plural quanto no singular, sem infringir a norma culta escrita?
Alternativas
Q4085443 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
A mesma função sintática expressa pelo termo sublinhado em “Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência.” (2º§), só NÃO pode ser encontrada na seguinte passagem do texto: 
Alternativas
Q4085444 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Em qual alternativa o que destacado funciona como elemento coesivo remissivo, ou seja, retoma um termo ou uma ideia anteriormente mencionada? 
Alternativas
Q4085445 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Assinale a afirmativa em que o valor semântico da preposição com foi devidamente apontado nos parênteses. 
Alternativas
Q4085446 História
A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, alertou sobre a devastação causada por “ataques implacáveis” da Rússia contra civis e infraestruturas essenciais em toda a Ucrânia. Com a aproximação da estação fria, ela disse que os ataques “renovam o medo de que este inverno seja catastrófico para milhões de ucranianos, que enfrentam a perspectiva de meses sem aquecimento, eletricidade, água ou outros serviços básicos”. A chefe de construção da paz da ONU citou algumas das consequências relatadas dos ataques mais recentes, desde a morte de um bebê recém-nascido em uma maternidade na região de Zaporizhzhia, atingida durante a noite, até dezenas de mortes de civis em prédios residenciais em Kyiv e cidades próximas.

(Disponível em: https://news.un.org.)

Considerando que em fevereiro deste ano, o presidente russo Vladimir Putin iniciou a invasão da Ucrânia, de acordo com as características históricas deste conflito entre os dois países, relacione adequadamente as colunas a seguir.

1. Rússia.
2. Ucrânia. 

( ) Para garantir o respeito de suas fronteiras entregou suas antigas ogivas nucleares constituindo o Memorando de Budapeste.
( ) Em 1990, em meio a vários distúrbios, grupos separatistas armados, chamados de homens verdes, assumiram o controle da península da Crimeia.
( ) Donbas é a antiga área de produção de carvão e aço; ela engloba as duas grandes regiões orientais – Luhansk e Donetsk, que se estendem desde os arredores de Mariupol.
( ) Houve interrupção no fornecimento de gás natural para a Europa.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4085447 História
Há 150 anos, o quilombo Cafundó enfrenta lutas pela propriedade que foi doada aos ancestrais ainda antes da escravidão no Brasil acabar. Desde então, grileiros invadem parte do território. O quilombo Cafundó vive da produção de hortaliças, comercializadas na venda de cestas e pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); além disso, a comunidade tem uma iniciativa com polinização de abelhas, para fertilizar a produção. A população também pratica o artesanato. O quilombo busca manter viva a tradição dos ancestrais, caso da fabricação da boneca abayomi, a primeira boneca de pano a entrar no Brasil. No passado, ela era feita pelas mães escravizadas, ainda no navio negreiro, para que fosse entregue aos filhos que seriam separados delas. A ideia é que o tecido, retirado da própria saia da mãe, daria pistas às crianças sobre de onde vieram.

(Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/agrode-gente-pra-gente/noticia/2022/11/19/gente-do-campo-quilombocafundo-luta-pela-terra-ha-150-anos-e-mantem-viva-tradicao-dosancestrais.ghtml. Acesso em: 25/11/2022.)

Em relação às sociedades quilombolas brasileiras, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4085448 Economia
A balança comercial do mês de outubro registrou um superavit de US$ 3,92 bilhões. O resultado representa alta nominal de 85,7% na comparação com o mesmo período de 2021. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Economia, as exportações registraram alta de 27,1%, somando US$ 27,9 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 23,37 bilhões, alta de 19,8%. Com isso, a corrente de comércio atingiu US$ 50,67 bilhões em outubro. Considerando o valor acumulado de janeiro a outubro deste ano, o superavit chega a US$ 51,6 bilhões, registrando um recuo de 11,7% em comparação com o mesmo período de 2021.

(Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/balancacomercial-de-outubro-registra-superavit-de-us-39-bilhoes/.)

Considerando a balança comercial, analise as afirmativas a seguir.

I. No Brasil, as contas externas são divulgadas em valores de dólares norte-americanos.
II. O superavit é o termo utilizado quando o valor das exportações supera o das importações.
III. A balança comercial considera o volume de produtos importados e exportados.
IV. O nível de renda da economia nacional, da economia mundial e a taxa de câmbio são fatores que influenciam o saldo da balança comercial.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4085449 Português
Os veículos híbridos são, geralmente, assim chamados por ser alimentados por um motor de combustível fóssil e por outro que funciona com eletricidade. Embora seja uma expressão muito ampla, cada marca tem sua própria tecnologia e pode haver diferenças significativas dependendo do modo de recarga. A energia cinética e a capacidade de conectar-se à corrente são algumas das maneiras pelas quais a bateria pode ser carregada. Às vezes, o motor elétrico é reservado para a condução em baixa velocidade, sendo desligado quando um determinado limite é excedido, enquanto que em outros casos esse tipo de propulsor também é usado em momentos de demanda máxima como um adicional com o qual alcança melhores benefícios.

(Disponível em: https://www.mapfre.com.br.)

São consideradas vantagens de carros híbridos, EXCETO:
Alternativas
Q4085450 Atualidades
A tecnologia 5G no Brasil virá para mudar a vida das pessoas, empresas e aumentar a competitividade. A nova tecnologia é a quinta geração de conexões de internet móveis com maior alcance e velocidade.

(Disponível em: https://www.portaldaindustria.com.br.)

Sobre a tecnologia 5G, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Trata-se da primeira fase expansiva das máquinas interconectadas em tempo real, desde eletrodomésticos e gadgets até maquinaria, veículos e qualquer tipo de sensor.
( ) Proporcionará um menor consumo de energia e um aumento da duração das baterias.
( ) Permitirá a possibilidade de estudos e trabalho remoto com maior qualidade nas videoconferências, acesso à medicina à distância, melhoria da mobilidade urbana e desenvolvimento de cidades inteligentes.

A sequência correta está em 
Alternativas
Respostas
1: B
2: B
3: D
4: B
5: B
6: C
7: D
8: C
9: B
10: B
11: X
12: C
13: A
14: B
15: A
16: A
17: A
18: D
19: A
20: A