Questões de Concurso Público IPASEM - NH 2022 para Técnico em Informática

Foram encontradas 40 questões

Q4078622 Não definido
Um vírus de computador é um tipo de software que pode infectar outros programas ou até mesmo qualquer tipo de conteúdo executável, modificando-os. A modificação inclui injetar no código original uma rotina para fazer cópias do código do vírus, que, então, podem continuar a se propagar e infectar outros conteúdos.
(STALLINGS, 2014, p. 319.)

Considerando as fases do tempo de vida útil de um vírus, relacione adequadamente as colunas a seguir.

1. Dormência.
2. Propagação.
3. Ativação.
4. Execução.

( ) O vírus instala uma cópia de si mesmo em outros programas ou em certas áreas do sistema no disco. A cópia pode não ser idêntica à versão dessa fase; muitas vezes, os vírus mudam de forma para escapar da detecção. Cada programa infectado conterá um clone do vírus.
( ) Essa fase pode ser inofensiva, como uma mensagem na tela, ou danosa, como a destruição de programas e arquivos de dados.
( ) É quando ativo executa a função pretendida, que pode ser executada por uma variedade de eventos de sistema, incluindo a contagem do número de vezes que essa cópia de vírus fez uma cópia de si mesma.
( ) O vírus está ocioso. Em algum momento, ele será ativado por algum evento, como uma data, a presença de outro programa ou arquivo, ou a ultrapassagem de algum limite de capacidade do disco. Nem todos os vírus têm esse estágio.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4078623 Não definido
Algoritmos de ordenação podem ser aplicados em vários tipos de estruturas, como vetores, matrizes e estruturas dinâmicas (por exemplo: listas, pilhas e filas). Sobre os algoritmos de ordenação, corresponde ao algoritmo de ordenação que utiliza a estratégia de divisão e conquista e, ainda, usa um pivô de controle durante o processo de ordenação:
Alternativas
Q4078624 Não definido
O gerenciamento de conexões TCP é representado por uma máquina de estados finitos composta por estados, eventos e ações. Em cada estado são executadas ações de acordo com os respectivos eventos. Considerando os estados da máquina de estados finitos para o gerenciamento de uma conexão TCP, relacione adequadamente as colunas a seguir. 

1. CLOSED.
2. LISTEN.
3. SYN RCVD.
4. SYN SENT.
5. ESTABLISHED.
6. FIN WAIT 1.
7. FIN WAIT 2.
8. TIME WAIT.
9. CLOSING.
10. CLOSE WAIT.
11. LAST ACK.

( ) Estado normal para a transferência de dados.
( ) Outro lado deu início a um encerramento.
( ) Aguarda a entrega de todos os pacotes.
( ) Ambos os lados tentaram encerrar a transmissão simultaneamente.
( ) Aplicação começou a abrir uma conexão.
( ) Aplicação informou que terminou de transmitir.
( ) Servidor esperando a chegada de uma chamada.
( ) Outro lado concordou em encerrar a conexão.
( ) Nenhuma conexão ativa ou pendente.
( ) Solicitação de conexão chegou; espera por ACK.
( ) Aguarda a entrega de todos os pacotes.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4078625 Não definido
O gerenciamento de transações em um banco de dados é responsável pela tarefa de supervisionar a execução de transações, de tal modo que seja possível garantir as propriedades: Atomicidade; Consistência; Isolamento; e, Durabilidade (ACID). Em relação ao gerenciamento de transações em um banco de dados, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q4078626 Não definido
A ISO 27001 é uma norma internacional de gestão de segurança da informação, que tem como princípio geral a adoção de um conjunto de requisitos, processos e controles, que visam gerir adequadamente os riscos de segurança da informação presentes nas organizações. Sobre as características da norma ISO 27001, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4078627 Não definido
O Sistema de Gerenciamento de Bancos de Dados (SGBD) é o software que trata de todo o acesso ao banco de dados. Considerando as principais funções de um SGBD, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Manipulação de dados: o SGBD deve ser capaz de lidar com requisições do usuário para buscar, atualizar ou excluir dados existentes no banco de dados, ou para acrescentar novos dados ao banco de dados.
( ) Dicionário de dados: é considerado um banco de dados isolado, ou seja, um banco de dados do sistema que contém “dados sobre os dados” também chamados como metadados ou descritores. O SGBD não deve fornecer uma função para o dicionário de dados.
( ) Otimização e execução: as requisições de DML, planejadas ou não planejadas, não são processadas pelo componente otimizador, cuja finalidade é determinar um modo eficiente de implementar a requisição.
( ) Segurança e integridade de dados: o SGDB ou um subsistema chamado pelo SGBD deve monitorar requisições de usuários e rejeitar tentativas de violar as restrições de segurança e integridade definidas pelo Administrador de Banco de Dados (DBA).
( ) Definição de dados: o SGBD deve ser capaz de aceitar definições de dados em formato fonte e convertê-los para o formato de objeto apropriado.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4078628 Não definido
Cisco Packet Tracer é um simulador de redes desenvolvido pela Cisco Systems capaz de simular o funcionamento de uma rede. Sobre as características do simulador Cisco Packet Tracer, assinale a afirmativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4078629 Não definido
Estruturas de dados são formas de distribuir e relacionar dados de programas de computadores. Elas definem a organização, os métodos de acesso e o processamento da informação utilizada por programas. Considerando os tipos de estrutura de dados, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Uma lista encadeada é uma sequência finita de elementos ligados entre si, em que uma célula da lista aponta para a próxima célula sequencialmente.
( ) Na pilha pode-se inserir um elemento em qualquer parte da estrutura, ou seja, no início, meio e fim.
( ) Árvores são estruturas de dados baseadas em listas encadeadas que possuem um nó superior chamado raiz, que aponta para outros nós chamados nós filhos, que podem ser pais de outros nós. Nas árvores, os dados estão dispostos de forma hierárquica.
( ) Na fila, a política utilizada para inserir e remover um elemento é o LIFO (Last In, First Out), ou seja, o último elemento a entrar é o primeiro a sair. 
( ) Vetores e matrizes são estruturas de dados estáticas que armazenam itens de dados do mesmo tipo.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4078630 Não definido
O SSH (Secure Shell) é um protocolo da camada de aplicação; possui três componentes: SSH-CONN; SSH-AUTH; e, SSH-TRANS. O SSH não é considerado um substituto do TELNET; na verdade, é um protocolo com propósito geral, fornecendo uma conexão segura entre cliente e servidor. Em relação ao SSH, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4078631 Não definido
Para o tratamento do risco, considerando a Norma ISO/IEC 27005:2019, a ação a ser implementada menciona que “convém que controles para modificar, reter, evitar ou compartilhar os riscos sejam selecionados e o plano de tratamento do risco seja definido”. Há quatro opções disponíveis para o tratamento do risco; assinale-as.
Alternativas
Q4078632 Não definido
A Norma NBR ISO/IEC 27005:2019 trata da Gestão de Riscos de Segurança da Informação. Para elaborar um plano para a Gestão de Riscos de uma determinada organização, considerando tal normativa, os seguintes critérios para a avaliação de riscos devem ser definidos, EXCETO:
Alternativas
Q4078633 Não definido
Como na internet a camada de rede subjacente (IP – Internet Protocol) não é confiável, torna-se necessário que a camada de transporte seja fidedigna, caso a aplicação exija essa finalidade, que pode ser alcançada através da adição de serviços de controle na camada de transporte. Na camada de transporte, o controle de erros deve ser responsável por, EXCETO:
Alternativas
Q4078634 Não definido
Com o esgotamento de endereços IPv4 (Internet Protocol version 4 – Protocolo de Internet versão 4), a nova geração do Protocolo de Internet, o IPv6 (Internet Protocol version 6 – Protocolo de Internet versão 6), trata-se de uma realidade. Ele foi desenvolvido no início dos anos 90, com a proposta de aumentar os números de endereços IP (Internet Protocol – Protocolo de Internet), bem como propor uma reformulação do formato do pacote IP, revisando alguns protocolos auxiliares, como o ICMP (Internet Control Message Protocol – Protocolo de Mensagens de Controle da Internet). Sobre o Datagrama IPv6, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4078635 Não definido
“Na administração de sistemas Linux, para mostrar o último login dos usuários cadastrados, o comando ‘lastlog’ pode ser utilizado com a seguinte sintaxe: lastlog [opções]. Caso seja necessário mostrar os usuários que se conectaram aos sistemas nos últimos dias, o comando completo ficará da seguinte forma: ‘lastlog ___ [dias]’.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.
Alternativas
Q4078636 Não definido
Nos sistemas Linux, as atividades dos programas são registradas em arquivos de registros, que recebem o nome de “logs”. Servem para que os administradores de sistemas revejam o que foi feito no sistema, sendo que também há os registros dos usuários. Esses arquivos de registros ficam armazenados em um diretório específico dos sistemas Linux. Um arquivo de log é composto, normalmente, pelos seguintes campos: “Data | Hora | Máquina | daemon| mensagem”. O comando que controla o registro de logs do sistema é o [syslogd] que, com o uso de opções, tem sua ação muito mais completa. Sua sintaxe é: “syslogd [opções]”. Considerando o comando “syslogd -n”, o significado da opção “-n” é:
Alternativas
Q4078637 Não definido
Marcha noturna


    Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno. 

    De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo. 

    Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

    – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

    Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

    Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

    “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem. 

    Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara. 

    Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

    Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
De acordo com as características de construção textual apresentadas, é correto afirmar que há o predomínio de: 
Alternativas
Q4078638 Não definido
Marcha noturna


    Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno. 

    De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo. 

    Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

    – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

    Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

    Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

    “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem. 

    Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara. 

    Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

    Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
“Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.” (11º§) Considerando o fragmento, é possível inferir que o narrador bebe em silêncio, sentindo-se:
Alternativas
Q4078639 Não definido
Marcha noturna


    Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno. 

    De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo. 

    Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

    – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

    Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

    Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

    “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem. 

    Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara. 

    Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

    Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
Assinale a oração cujo sujeito é inexistente.
Alternativas
Q4078640 Não definido
Marcha noturna


    Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno. 

    De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo. 

    Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

    – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

    Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

    Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

    “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem. 

    Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara. 

    Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

    Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
No primeiro parágrafo, o autor introduz o texto com um(a):
Alternativas
Q4078641 Não definido
Marcha noturna


    Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei do castelo sobre aldeia, meus sapatos faziam nas pedras irregulares um ruído alto. Sentia- -me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno. 

    De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo. 

    Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio; mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que os outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

    – Só tenho seis quartos e estão todos cheios; eu e outro homem vamos dormir na sala; aqui o senhor não pode ficar de maneira alguma.

    Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia uma casa cercada de árvores; não era pensão mas às vezes colhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, passei o portão, dei murros na porta, achei uma aldraba de ferro, bati-a com força, ninguém lá dentro tugiu nem mugiu. Apenas o vento entre árvores gordas fez um sussurro grosso, como se alguns velhos defuntos aldeões, atrás do muro do cemitério, estivessem resmungando contra mim.

    Havia outra esperança, e marchei entre casas fechadas; mas, ao cabo da marcha, o que me recebeu foi a cara sonolenta de um homem que me desanimou com monossílabos secos. Lugar nenhum; e só a muito custo, e já inquieto porque eu não arredava da porta que ele queria fechar, me indicou outro pouso. Fui – e esse nem me abriu a porta, apenas uma voz do buraco escuro de uma alta janela me mandou embora.

    “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem. 

    Não há um carro, um cavalo nem canoa que me leve a parte alguma. Ando pelo campo; mas a noite se coroou de estrelas. Então, como a noite é bela, e como de dentro de uma casinha longe vem um choro de criança, eu perdoo o povo de França. Marcho entre macieiras silvestres; depois sinto que se movem volumes brancos e escuros, são bois e vacas; ando com prazer nessa planura que parece se erguer lentamente, arfando suave, para o céu de estrelas. Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara. 

    Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grã-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

    Já não quero mais dormir; na sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.


(Rubem Braga – 200 Crônicas Escolhidas. 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Adaptado.)
Em “Não há nesta aldeia de cristãos um homem honesto que me dê pouso por uma noite? Não há sequer uma mulher desonesta?” (7º§), o ponto de interrogação tem como finalidade:
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: D
4: C
5: D
6: C
7: D
8: A
9: C
10: B
11: C
12: E
13: C
14: E
15: D
16: E
17: A
18: A
19: A
20: C