Questões de Concurso Público SEDUC-RS 2025 para Professor - Letras/Português
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I. O ensino só pode ser entendido como atividade pedagógica quando está orientado para a transmissão de conteúdos, ainda que estes se apresentem de forma integrada à prática e ao contexto dos alunos.
II. A valorização dos métodos de ensino, em detrimento da reflexão sobre os conteúdos, pode comprometer a construção de um projeto educacional para a transformação social.
III. A restrita aplicação de recursos e instrumentos didáticos é o caminho ideal para assegurar uma aprendizagem significativa ao estudante.
IV. A proposta curricular precisa ser coerente com o tipo de conhecimento considerado elementar, a partir de definições sobre o tipo de sujeito que se quer formar.
Considerando os fundamentos e as concepções didático-pedagógicas sobre o currículo escolar, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) O currículo corresponde a uma produção imparcial da sociedade contemporânea; no ambiente escolar, é aplicado sem alterações.
( ) O currículo escolar é elaborado fora do contexto escolar, por isso está sujeito a adaptações no processo de ensino das escolas.
( ) O currículo é elaborado por múltiplos agentes, os quais apresentam diferenciadas visões de mundo e muitas vezes filtram a cultura escolar.
( ) O currículo real emerge da articulação entre documentos oficiais da educação e práticas pedagógicas, fato que explica a distância entre o currículo formal e o currículo vivido.
I. o empenho para incluir as TDIC nas ações pedagógicas visa à promoção de uma aprendizagem crítica, interdisciplinar e colaborativa
PORQUE
II. as tendências pedagógicas contemporâneas respondem às demandas sociais e integram espaços formais e informais de aprendizagem.
Com base nas proposições apresentadas, assinale a alternativa correta.
Considere que a Secretaria de Educação (Seduc) demandou que as escolas, ao longo do ano letivo, desenvolvam ações de valorização da história e cultura afro-brasileira no cotidiano escolar. O propósito é combater o racismo estrutural e valorizar a trajetória histórica e cultural de personagens negros gaúchos.
Diante desse contexto, à luz da Resolução CNE/CP nº 1/2004, é correto afirmar que
Considere o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
Nuvem não é nuvem, amigo não é amigo
[...]
Por Sérgio Rodrigues
Quantos anos você tinha quando descobriu que a nuvem que armazena seus documentos e suas fotos – a memória de sua vida inteira, pode confessar – não é bem uma nuvem? Estou brincando, claro: todo mundo sabe que a nuvem (de dados) não fica no céu. De todo modo, bem menos gente foi informada de que a tal nebulosa, chame-se ela Google, iCloud ou Tabajara, não só carece de parentesco com cúmulos e cirros como vai no sentido verticalmente oposto – se enterra no chão. Sim, é um fato: os servidores remotos que abrigam a nuvem, devoradores de recursos naturais, se alojam no subsolo do planeta. Deve haver uma mensagem secreta aí. Quer dizer que, em vez de céu, estamos falando do inferno?
Deixemos de lado por ora as considerações morais. Restam questões bem objetivas: se a nuvem se situa nas profundezas da Terra, então incorremos em erro quando dizemos “baixar” um filme ao trazê-lo de alguma cinemateca virtual para nossa máquina. Deveríamos dizer “subir”. E vice-versa. No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?
O problema se revela no atacado, na escala em que a linguagem digital reprogramou nossas palavras. A nuvem de dados é apenas uma das formas que ela tem de nos apresentar uma face familiar, sorridente, enquanto demole e reconstrói o edifício das relações sociais inteiro. De cima até embaixo. Se a nuvem não é nuvem, o amigo de rede social será mesmo amigo, quer dizer, amigo-amigo de verdade, amigo em qualquer sentido que vá além do figurado?
Estamos no terreno da metáfora, claro. Força indomável da linguagem, criadora de novos sentidos por analogia, é ela que explica a página que não é página, a janela que não é janela, a navegação que não é navegação, o vírus que não é vírus, a reunião que não é reunião. Alguém pode argumentar que tudo isso é perfeitamente inofensivo, quem sabe até uma bênção: tratando-se de uma tecnologia que cria tanta coisa nova, é bom que ela se expresse assim em vez de poluir a paisagem com neologismos frios, não?
O argumento é válido em tese, mas desconsidera algo fundamental: o quanto a metaforização digital ampla e irrestrita nos impede de compreender a profundidade da mudança em nossas vidas – e reagir com a cautela que o bom senso recomendaria. A comunidade online não é antropologicamente comparável a nada do que os seres humanos entendiam por “comunidade” desde que a palavra foi criada até... outro dia de manhã. Como esperar que as nossas democracias permaneçam as mesmas?
Fazendo parecer familiar e seguro um meio de comunicação agressivamente dedicado a reconfigurar a paisagem social nos mínimos detalhes, a linguagem nos induz a um estado de negação. Se nossos filhos pequenos não estivessem apenas se divertindo entre “amigos”, navegando por instrutivas “páginas”, acessando “nuvens” bucólicas, será que os deixaríamos por tanto tempo sozinhos diante de telas, sem nenhuma supervisão?
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2025/06/nuvem-nao-e-nuvem-amigo-nao-e-amigo.shtml. Acesso em: 17 jul. 2025.
“No varejo, é evidente que nada disso faz muita diferença na vida de ninguém. No mundo pós-revolução digital, Alice já atravessou o espelho e nuvem não é nuvem, baixar é subir, subir é baixar – e daí?”.
Assinale a alternativa que melhor articula uma proposta de atividade integrada, considerando:
• conteúdo temático (as ressignificações da linguagem na cultura digital); • estilo (híbrido entre crônica e ensaio, com marcas de oralidade); • construção composicional (adaptação ao suporte impresso e digital); • multimodalidade (recursos linguísticos e não linguísticos em diferentes mídias); • produção textual (prática de escrita com base no multiletramento).