Questões de Concurso Público INEP 2025 para Ciências Sociais

Foram encontradas 24 questões

Q4142415 Sociologia
A Educação do Campo emerge da discussão de diálogos com movimentos sociais e em diferentes eventos, como as Conferências Nacionais por uma Educação Básica do Campo. Normativas foram promulgadas, tais como a Resolução CEB/CNE n. 1/2002, que institui Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, em prol de um projeto que continue a “luta para que os sistemas de ensino discutam um currículo para a área rural e que a formação de professores, inicial, continuada ou em serviço, não reproduza o currículo da área urbana na rural”.

ALENCAR, M. F. S. Educação do Campo e a formação de professores: construção de uma política educacional para o campo brasileiro. Ci. & Tróp., n. 2, 2010 (adaptado).

Nesse contexto, a formação do professor para a Educação do Campo tem como princípio
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Q4142436 Sociologia
Motivado pela revisão da Lei n. 12 711/2012, ocorrida no ano de 2023, um professor do Ensino Médio propôs uma roda de conversa, utilizando a charge de jornal como recurso mobilizador para a discussão sobre os impactos das ações afirmativas no sistema educacional brasileiro. A atividade promoveu a reflexão e a crítica sobre os princípios do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), como o respeito à dignidade humana e o exercício da cidadania democrática no Estado de Direito.

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LAERTE. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 12 maio 2025.

A atividade proposta pelo professor possibilita ao estudante
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145085 Sociologia
Texto para questão

O conceito de cultura que eu defendo, e cuja utilidade os ensaios abaixo tentam demonstrar, é essencialmente semiótico. Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado. É justamente uma explicação que eu procuro, ao construir expressões sociais enigmáticas na sua superfície. Todavia, essa afirmativa, uma doutrina numa cláusula, requer por si mesma uma explicação.


GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
A escola de uma comunidade rural foi acionada por mães de estudantes para desenvolver um projeto que evidenciasse as práticas culturais do grupo. A comunidade desejava colocar os alimentos produzidos localmente no mercado e que a escola mobilizasse o interesse de jovens pela terra e pelas práticas agrícolas, vendo nisso uma alternativa de geração de renda e fortalecimento cultural. Das atividades a seguir, o conjunto que se adéqua ao desenvolvimento desse projeto é
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145086 Sociologia
Texto para questão


Uma professora de Sociologia propôs uma reflexão sobre movimentos sociais, especialmente sobre a pauta das relações étnico-raciais no Brasil. A pesquisadora Nilma Lino Gomes problematiza a dupla condição do movimento negro de “educar” e “ser reeducado” continuamente, marcando assim os avanços nos campos político e teórico-acadêmico. Nesse sentido, o movimento negro está presente em diferentes contextos e possui como pautas históricas, entre outras: denúncia ao racismo e busca por equidade, por meio de políticas compensatórias, a exemplo das ações afirmativas.
O movimento negro no Brasil foi propulsor de políticas públicas importantes em vários campos, mas sobretudo na Educação. Autores como Abdias do Nascimento e Lélia Gonzalez problematizaram as desigualdades de oportunidades, com ênfase nas questões de raça e gênero. Com base na análise de textos sociológicos contemporâneos, é possível afirmar que a(s)
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145087 Sociologia
Texto para questão


Uma professora de Sociologia propôs uma reflexão sobre movimentos sociais, especialmente sobre a pauta das relações étnico-raciais no Brasil. A pesquisadora Nilma Lino Gomes problematiza a dupla condição do movimento negro de “educar” e “ser reeducado” continuamente, marcando assim os avanços nos campos político e teórico-acadêmico. Nesse sentido, o movimento negro está presente em diferentes contextos e possui como pautas históricas, entre outras: denúncia ao racismo e busca por equidade, por meio de políticas compensatórias, a exemplo das ações afirmativas.
A aprovação da Lei n. 12 711/13 constituiu-se em uma importante política de acesso ao Ensino Superior Federal, estipulando cotas para a escola pública, e, dentro destas, estabeleceu cotas étnico-raciais e sociais. Considerando os dados oficiais acerca dos impactos da Lei de Cotas, o professor de Sociologia trouxe material de apoio para a sala de aula, a fim de debater com os estudantes, o acesso ao Ensino Superior. Durante a aula, observou que, para os estudantes, a universidade era um sonho distante, e a maior parte não se percebia em posições de prestígio, sobretudo por desconhecer pessoas negras em profissões como médicos(as), engenheiros(as) etc. Nesse contexto, a proposição político pedagógica que se mostra adequada para entender a efetividade da luta do movimento negro brasileiro é um(a)
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145090 Sociologia
Texto para questão


TEXTO 1


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TEXTO 2


Uma pergunta de pesquisa relevante tem despertado interesse crescente, sobretudo no campo da educação: “quais os fatores que contribuem para os processos de escolhas profissionais das mulheres em sua trajetória escolar?”. Em razão da pesquisa “Elas nas Ciências: um estudo sobre equidade de gênero no Ensino Médio”, realizada entre 2016 e 2017, um mapeamento foi realizado, não apenas com foco no campo temático brasileiro, mas também o internacional, em particular nos Estados Unidos, em razão das influências percebidas do uso do termo STEM (Science Technology Engineering and Mathematics) no contexto brasileiro. Embora a comparação com o Brasil seja inevitável, deve ser feita com critério, por tratar-se de dois sistemas educacionais diferentes, com necessidades e prioridades diversas. Todavia ela é necessária, já que, nos últimos anos, o Brasil teve diversas iniciativas e prêmios com o objetivo de incentivar o acesso das mulheres às áreas das exatas. Num primeiro momento, essas ações estavam centradas no Ensino Superior e no acesso ao mercado de trabalho, mas, desde o início dos anos 2010, é possível observar iniciativas voltadas para crianças e adolescentes também.


OLIVEIRA, E. R. B.; UNBEHAUM, S.; GAVA, T. A Educação STEM e gênero: uma contribuição para o debate brasileiro. Cad. Pesqui., n. 171, jan.-mar. 2019.
A fim de aproximar a escola das diretrizes da Lei n. 14 986/24, a professora de Sociologia apresentou uma sequência pedagógica visando trabalhar aspectos teóricos e experiências de estudantes do Ensino Médio a respeito do lugar ocupado por mulheres no campo científico de forma interseccional. Com esse objetivo, os elementos potencializadores foram
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145094 Sociologia
Texto para questão


Durante uma assembleia escolar para revisão do Projeto Político-Pedagógico (PPP) de um colégio que oferece Ensino Médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), surge um intenso debate entre gestores, professores e estudantes. A professora de Sociologia, apoiando-se nas reflexões de Paulo Freire sobre educação democrática, propõe que os estudantes adultos participem ativamente da construção do documento, argumentando que o PPP deve refletir uma “pedagogia da autonomia” que reconheça os saberes dos educandos. O diretor questiona a capacidade dos estudantes trabalhadores noturnos de compreenderem questões pedagógicas complexas. A coordenadora pedagógica, influenciada pelas ideias de Vera Maria Ferrão Candau sobre educação intercultural, defende que a diversidade de experiências dos estudantes adultos constitui um patrimônio fundamental para repensar as práticas educativas. Um grupo de estudantes propõe criar uma comissão para mapear os principais problemas da escola e as formas de participação existentes na comunidade escolar. Contudo, emerge uma tensão: enquanto alguns defendem processos mais participativos de tomada de decisão, outros questionam se, no contexto atual de descrédito generalizado nas instituições, seria possível construir um projeto verdadeiramente democrático. Um estudante comenta: “Se nem confiamos mais nos políticos, por que acreditaríamos que o colégio vai ser mudado?”. Esse cenário reflete os desafios contemporâneos apontados por Norberto Bobbio sobre as promessas não cumpridas da democracia, evidenciando como a crise de legitimidade das instituições afeta também o espaço escolar.
Tendo em vista o questionamento do estudante sobre a confiança nas instituições, o conjunto de instrumentos avaliativos adequado para verificar se os estudantes desenvolveram compreensão crítica sobre os elementos que configuram a crise de legitimidade das instituições democráticas contemporâneas é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145096 Sociologia
Texto para questão


Observe os trechos da letra de canção Não é sério, selecionados por um professor de Sociologia, que atua em uma escola de uma grande cidade, para o planejamento de uma aula sobre as juventudes e as desigualdades sociais e raciais brasileiras.


Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério

O jovem no Brasil nunca é levado a sério

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

A polícia diz que já causei muito distúrbio

[...]

O que eu consigo ver é só um terço do problema

É o sistema que tem que mudar

Não se pode parar de lutar

Se não não muda


CHARLIE BROWN JR. e NEGRA LI. Nadando com tubarões. S.l.: Virgin, 2000 (fragmento).
Refletindo sobre os resultados das aulas a partir do tema, o professor se lembrou da fala de um estudante em relação à letra de canção trabalhada: “A música está certa. Só os adultos são levados a sério. Lá em casa é assim e aqui na escola também. Os adultos criam as regras, e a gente tem que seguir”.

Esse professor decidiu, então, aprofundar o tema do lugar das juventudes nas diferentes instituições sociais. Nesse sentido, uma atividade adequada para cumprir esse objetivo é
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145097 Sociologia
Texto para questão


Observe os trechos da letra de canção Não é sério, selecionados por um professor de Sociologia, que atua em uma escola de uma grande cidade, para o planejamento de uma aula sobre as juventudes e as desigualdades sociais e raciais brasileiras.


Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério

O jovem no Brasil nunca é levado a sério

Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério

A polícia diz que já causei muito distúrbio

[...]

O que eu consigo ver é só um terço do problema

É o sistema que tem que mudar

Não se pode parar de lutar

Se não não muda


CHARLIE BROWN JR. e NEGRA LI. Nadando com tubarões. S.l.: Virgin, 2000 (fragmento).
Buscando consolidar a discussão sobre o tema e avaliar o aprendizado dos estudantes, o professor construiu, para a aula seguinte, uma proposta de atividade em grupo. Sabendo que parte da turma participa de coletivos artísticos na cidade, um exemplo de proposta adequada para cumprir os objetivos do professor é
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145100 Sociologia
Texto para questão


Harriet Martineau, uma das fundadoras das Ciências Sociais, ressaltava a necessidade de uma metodologia para a coleta e descrição de dados sobre a realidade social de modo a tornar esse processo mais objetivo. No desenvolvimento da didática e das metodologias de ensino, a pesquisa como princípio pedagógico nas aulas de Sociologia tem sido mobilizada e teorizada por diversos autores da área de Ciências Sociais. As Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006) estimulam o uso da pesquisa vinculando-a ao princípios metodológicos de ensinar Sociologia a partir de temas, conceitos e teorias. Bernard Lahire, em conferência escrita para o Encontro Nacional do Ensino de Sociologia na Educação Básica, realizado em Fortaleza, em 2013, desenvolveu a ideia de que os instrumentos de pesquisa social deveriam ser socializados no ambiente escolar. A mobilização da pesquisa adaptada à realidade escolar também tem sido apresentada pelos livros didáticos de Sociologia, aprovados pela Política Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que estimulam o desenvolvimento das aprendizagens conceituais da Sociologia com base no exercício da pesquisa como princípio pedagógico.
No âmbito de uma atividade interdisciplinar, a escola realizou uma pesquisa sobre o posicionamento dos estudantes a respeito do tema da maioridade penal. Na pesquisa, 62% dos estudantes se posicionaram a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O professor de Sociologia resolveu usar os resultados dessa pesquisa como base para uma de suas aulas. A alternativa que descreve uma ação pedagógica com abordagem dos resultados de pesquisa conforme a perspectiva weberiana é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145102 Sociologia
Texto para questão


Obedece-se não à pessoa em virtude de seu próprio direito, mas a regra estatuída, que estabelece ao mesmo tempo a quem e em que medida se deve obedecer. Também quem ordena obedece, ao emitir uma ordem, a uma regra; à “lei” ou “regulamento” de uma norma formalmente abstrata. O tipo daquele que ordena é o “superior”, cujo direito de mando está legitimado por uma regra estatuída, no âmbito de uma competência concreta, cuja delimitação e especialização se baseiam na utilidade objetiva e nas suas exigências profissionais estipuladas para a atividade do funcionário. O dever de obediência está graduado numa hierarquia de cargos, com subordinação dos inferiores aos superiores, e dispõe de um direito de queixa regulamento. A base do funcionamento técnico é a disciplina do serviço.


WEBER, M. Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, G. (Org.). Max Weber: Sociologia. São Paulo: Ática, 2003 (adaptado).
Uma professora elaborou um plano de aula sobre diferentes formas de organização do Estado. A alternativa que apresenta o objetivo geral adequado a um plano de aula para a 2ª série do Ensino Médio, sobre o funcionamento das instituições estatais, é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145103 Sociologia
Texto para questão


Obedece-se não à pessoa em virtude de seu próprio direito, mas a regra estatuída, que estabelece ao mesmo tempo a quem e em que medida se deve obedecer. Também quem ordena obedece, ao emitir uma ordem, a uma regra; à “lei” ou “regulamento” de uma norma formalmente abstrata. O tipo daquele que ordena é o “superior”, cujo direito de mando está legitimado por uma regra estatuída, no âmbito de uma competência concreta, cuja delimitação e especialização se baseiam na utilidade objetiva e nas suas exigências profissionais estipuladas para a atividade do funcionário. O dever de obediência está graduado numa hierarquia de cargos, com subordinação dos inferiores aos superiores, e dispõe de um direito de queixa regulamento. A base do funcionamento técnico é a disciplina do serviço.


WEBER, M. Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, G. (Org.). Max Weber: Sociologia. São Paulo: Ática, 2003 (adaptado).
Na última década, passamos a conviver com o fenômeno da ascensão de novos líderes autoritários ao redor do mundo. Esses líderes estão se notabilizando por descumprirem leis e por desrespeitarem o Poder Judiciário e, principalmente, a Corte Constitucional de seus países, buscando ampliar seu poder individual. Considerando a teoria da dominação burocrática de Weber, esses líderes autoritários
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145105 Sociologia
Texto para questão


A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.


JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
O professor de Sociologia resolveu trabalhar a questão da alimentação entre os estudantes do Ensino Médio. Para tal, pediu que os estudantes realizassem, com seus familiares, uma pesquisa sobre gostos/hábitos alimentares. Para sustentar teoricamente a pesquisa, o professor apresentou ao grupo a discussão feita por Pierre Bourdieu sobre capital cultural e habitus e mostrou qual a relação desses conceitos com a construção social do “gosto”. Nesse cenário, o debate que mais se aproxima de uma análise crítica sobre o gosto de classe e estilo de vida no contexto brasileiro é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145106 Sociologia
Texto para questão


A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.


JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
Com base na obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, o professor de Sociologia elaborou um plano de aula cujo objetivo é discutir criticamente a fome como efeito da sociedade capitalista. Assim, indique a alternativa que apresenta metodologia e atividades adequadas a esse objetivo.
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145109 Sociologia
Texto para questão


Não tem racismo melhor ou pior. O nosso racismo era o racismo não dito, não assumido. A democracia racial é dizer que nós não somos racistas, os racistas são os brancos dos EUA e da África do Sul. Aqui somos todos mestiços. Isso acabou por matar a consciência das vítimas, negros, a consciência das pessoas brancas e vitimizadas. Então, nesse sentido que eu costumo dizer que é um crime perfeito, mata duas vezes, a primeira vez pelo silêncio, dizendo que não somos racistas, e mata mesmo, fisicamente. É como um carrasco. Você não vê o rosto do carrasco, como diz o judeu Elie Wiesel, Nobel da Paz. O carrasco mata sempre duas vezes, a segunda vez pelo silêncio. Esse é o nosso modelo de racismo, por isso temos dificuldade de derrotá-lo.


Disponível em: https://teoriaedebate.org.br. Acesso em: 18 jul. 2025 (adaptado).
Nas discussões sobre Raça e Identidade, a mestiçagem ocupa um lugar privilegiado na tradição intelectual brasileira desde meados do século XIX. Entretanto, ao longo da história, foi adquirindo novos contornos e o debate foi sendo (re)discutido ou (re)atualizado. Nessa perspectiva, é correto afirmar que, nos estudos sociológicos,
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145110 Sociologia
Texto para questão


Não tem racismo melhor ou pior. O nosso racismo era o racismo não dito, não assumido. A democracia racial é dizer que nós não somos racistas, os racistas são os brancos dos EUA e da África do Sul. Aqui somos todos mestiços. Isso acabou por matar a consciência das vítimas, negros, a consciência das pessoas brancas e vitimizadas. Então, nesse sentido que eu costumo dizer que é um crime perfeito, mata duas vezes, a primeira vez pelo silêncio, dizendo que não somos racistas, e mata mesmo, fisicamente. É como um carrasco. Você não vê o rosto do carrasco, como diz o judeu Elie Wiesel, Nobel da Paz. O carrasco mata sempre duas vezes, a segunda vez pelo silêncio. Esse é o nosso modelo de racismo, por isso temos dificuldade de derrotá-lo.


Disponível em: https://teoriaedebate.org.br. Acesso em: 18 jul. 2025 (adaptado).
Há uma máxima de que, quanto menos o indivíduo apresente traços físicos (fenótipos) que o vinculem aos povos africanos, maiores as suas chances de ascensão social. Isso porque, conforme já afirmou o sociólogo Oracy Nogueira, o preconceito racial no Brasil é de marca e não de origem. Nesse aspecto, um planejamento de ensino que se propõe a debater pedagogicamente a mestiçagem deve apresentar o contexto brasileiro como uma sociedade multirracial, na qual
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145113 Sociologia
Texto para questão


Durante uma aula de Sociologia no Ensino Médio, o professor apresenta duas abordagens distintas sobre o aquecimento global: de um lado, dados científicos sobre mudanças climáticas; de outro, os saberes ancestrais do povo Krenak sobre os ciclos naturais e a relação entre humanidade e natureza. Um estudante questiona: “Professor, qual conhecimento está certo? O científico ou o indígena?”. O professor explica que, segundo Ailton Krenak, a modernidade ocidental criou uma “humanidade” como conceito universal que nega outras formas de existir e conhecer, impondo um modelo civilizatório único que desconsidera os saberes tradicionais dos povos originários. A discussão se aprofunda quando o professor introduz o conceito de “epistemicídio”. Os estudantes começam a reconhecer como esse processo se manifesta em suas próprias experiências: a desvalorização dos conhecimentos de suas avós sobre plantas medicinais, a ausência da história afro-brasileira nos currículos ou o preconceito contra religiões de matriz africana. O professor propõe que investiguem, em seu entorno, quais conhecimentos tradicionais foram silenciados e como isso afeta a construção de suas identidades e visões de mundo.
Considerando a proposta do professor de investigar saberes tradicionais silenciados no entorno dos estudantes, a atividade didática que se adéqua ao debate sobre epistemicídio e racismo epistêmico é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145117 Sociologia
Texto para questão


Estas diferenças [temperamentais], finalmente incorporadas à estrutura de caráter dos adultos, constituem, então, as chaves a partir das quais a cultura atua selecionando como desejável um temperamento e incorporando esta escolha a cada fio da tessitura social — ao cuidar das crianças pequenas, aos jogos que as crianças praticam, às músicas que as pessoas cantam, à estrutura da organização política, às práticas religiosas, à arte e à filosofia.


MEAD, M. Sexo e temperamento. São Paulo: Perspectiva, 2003 (adaptado).
Durante pesquisa etnográfica sobre juventudes em um colégio estadual, uma professora registra, em seu diário de campo, observações sobre como os estudantes do Ensino Médio constroem suas identidades corporais e sexuais. Inspirada nos trabalhos de Margaret Mead sobre a relatividade cultural da adolescência, ela documenta fotograficamente as diferentes formas de expressão juvenil. A professora nota como Kimberlé Crenshaw estava certa ao apontar que as experiências dos jovens não podem ser compreendidas considerando apenas uma categoria isolada, pois gênero, raça, classe e sexualidade se interseccionam na produção de suas subjetividades. As entrevistas em profundidade revelam narrativas complexas sobre descobertas sexuais, pressões sociais e resistências cotidianas que ecoam as análises de Guacira Lopes Louro sobre o funcionamento da escola como espaço de produção e regulação das sexualidades juvenis. Os estudantes relatam situações de discriminação, mas também de resistência, mostrando como seus corpos se tornam territórios de disputa política e cultural. A pesquisa revela como os jovens mobilizam estratégias criativas para negociar normas institucionais, criando espaços de liberdade dentro das estruturas disciplinares escolares.

Com base nessa pesquisa etnográfica, a análise que articula as discussões sobre produção do corpo e sexualidade ao conceito de juventude na perspectiva da Antropologia e Sociologia do Corpo é:
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Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145118 Sociologia
Texto para questão


A obra A Guerra dos Kanaimés 5, da série A Guerra dos Kanaimés, de Jaider Esbell, artista visual Makuxi, apresenta elementos da cosmologia indígena por meio de linguagem pictórica contemporânea, estabelecendo diálogo entre tradição ancestral e crítica social. Seus trabalhos, expostos em espaços como a Bienal de São Paulo, questionam narrativas hegemônicas sobre arte e cultura brasileira, posicionando-se contra a folclorização dos saberes indígenas. Nessa obra, Esbell articula símbolos tradicionais Makuxi com técnicas artísticas contemporâneas, criando uma síntese estética que funciona como instrumento de resistência cultural e política. O artista utiliza sua produção para educar tanto comunidades indígenas quanto não indígenas sobre cosmologias originárias, assumindo papel pedagógico transformador que transcende os limites convencionais entre arte, educação e militância. Essa postura artística dialoga com teorias críticas contemporâneas sobre o papel dos intelectuais na transformação social, especialmente no que se refere à produção de conhecimento contra-hegemônico e à formação de consciência crítica por meio de práticas culturais engajadas.


Disponível em: https://tucumbrasil.com Acesso em: 15 jul. 2025 (adaptado).


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ESBELL, J. A Guerra dos Kanaimés 5. 145 x 110 cm, s.l., 2020. Disponível em: https://tucumbrasil.com. Acesso em: 15 jul. 2025 (adaptado).
Durante o planejamento de uma aula para a 3ª série do Ensino Médio, um professor decidiu utilizar a obra A Guerra dos Kanaimés 5, de Jaider Esbell, como material de apoio. Em discussão em sala, os estudantes questionaram como classificar teoricamente o lugar social ocupado por Esbell. Para fundamentar adequadamente sua resposta, esse professor se baseou em Antonio Gramsci. Indique a alternativa que apresenta o conceito gramsciano adequado à análise das transformações culturais.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Ciências Sociais |
Q4145120 Sociologia
Texto para questão


TEXTO 1


Ao longo do processo de colonização, os povos indígenas vivenciaram processos de genocídio e de epistemicídio, sendo desconsiderados seus direitos aos modos próprios de vida, conhecimentos ancestrais e territórios. Nas últimas décadas, fortaleceram suas demandas por direitos. Nesse movimento, as mulheres indígenas têm se colocado em luta na defesa dos seus direitos, incluindo o direito a uma vida livre de violências. Dessa perspectiva surge o conceito de corpo-território como uma expressão que liga a espoliação do território à violência contra os corpos das mulheres.



TEXTO 2


São joia esmeralda princesa minha rainha

Te passo essa mensagem não cai nessa ladainha

Conheço a história de quem se apaixonou

O homem mais bonito logo te abandonou

Muito das princesa não teve essa sorte

O homem mais amado se transformou em morte

Quebrando torturando no silêncio a sua amada

Mesmo no silêncio é grito de madrugada.


MC ANARANDÀ. Feminicídio. Disponível em: www.youtube.com. Acesso em: 16 jul. 2025 (fragmento).
Uma professora de Sociologia de uma escola urbana apresentou o rap Feminicídio, da rapper Anarandà, ao trabalhar com a temática da violência contra as mulheres e meninas. Nesse contexto, considera-se que
Alternativas
Respostas
1: D
2: B
3: B
4: C
5: B
6: C
7: A
8: A
9: A
10: B
11: B
12: B
13: A
14: B
15: B
16: C
17: D
18: B
19: C
20: C