Questões de Concurso Público INEP 2024 para Filosofia
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Não é mentira! Eles viram espíritos mesmo e sabem conter a queda do céu!. Nossos ancestrais sabem fazer esse trabalho desde o primeiro tempo. Se não o tivessem feito, a abóbada celeste já teria despencado sobre nós há muito tempo. Mas apesar de todos esses esforços o céu continua instável e frágil, à mercê dos espíritos dos xamãs mortos que sempre querem recortá-lo.
KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu. Palavras de um xamã Yanomami. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
Para que o fragmento textual acima, sobre a cosmogonia Yanomami, seja considerado sob a perspectiva decolonial, um docente do Ensino Médio deverá abordá-lo em sala de aula como uma
A intervenção era parte da exposição “Festa, Baia, Gira, Cura”, lançada pelo Museu da Cultura Cearense (MCC) no dia 30 de setembro de 2023, em homenagem à cultura de terreiros de Umbanda e Candomblé na história religiosa do estado. Em 11 de outubro, uma deputada da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará solicitou a remoção imediata da frase ou a inclusão de inscrições de todas as igrejas cristãs no espaço. No requerimento, a deputada alegou:
A título de exercício democrático do direito religioso, a inscrição, paradoxalmente, configura uma iniciativa agressiva aos valores de uma maioria cristã que tolera a existência de minorias defensoras de credos notoriamente pautados por devoções a entidades esdrúxulas.
Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/. Acesso em: 19 ago. 2024 (adaptado).
Partindo-se da análise da situação apresentada, verifica-se que a expressão da intolerância religiosa
SEVERINO, A. J.; SEVERINO, E. S. Ensinar e aprender com pesquisa no ensino médio. São Paulo: Cortez, 2012.
Nesse sentido, o professor de Filosofia que vise à promoção da autonomia discente em suas aulas deve
CARNEIRO, S. Dispositivo da racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar editora, 2023 (adaptado).
Considerando-se que essa passagem apresenta uma reflexão sobre os mecanismos pelos quais o epistemicídio se reproduz, é correto afirmar que a exclusão racial apresentada no texto se rearticula por meio da
CASTIANO, J.; NGOENHA, S. Pensamento engajado: ensaios sobre filosofia africana, educação e cultura política. Maputo: Editora EDUCAR, 2011 (adaptado).
Considerando-se as ideias do texto e que a teoria das epistemologias do sul tornou-se uma das mais importantes no campo filosófico e social, principalmente como crítica à racionalidade hegemônica, é correto afirmar que a interculturalidade é uma característica das epistemologias do sul fundamentada
CAPRA, F. O Ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Editora Cultrix, 1987 (adaptado).
Conforme as ideias de Capra apresentadas no fragmento de texto acima, a reflexão sobre os valores morais na contemporaneidade implica a
KRENAK, A. apud WERÁ, K. (Org.). Ailton Krenak. Coleção Tembetá. Rio de Janeiro: Azougue, 2017 (adaptado).
Uma professora de Filosofia do Ensino Médio que propuser à turma uma atividade a partir do texto apresentado poderá solicitar aos estudantes, para melhor compreensão do tema, a realização de uma pesquisa sobre qual aspecto da cultura dos povos originários?
Nessa situação, a fim de promover uma discussão sobre temas da Lógica com os estudantes, o professor de Filosofia deverá abordar, necessariamente,
O termo “cosmovisão”, que é usado no Ocidente para resumir a lógica cultural de uma sociedade, capta o privilégio ocidental do visual. É eurocêntrico usá-lo para descrever culturas que podem privilegiar outros sentidos. Portanto, “cosmovisão” só será aplicada para descrever o sentido cultural ocidental, e “cosmopercepção” será usada ao descrever os povos iorubás ou outras culturas que podem privilegiar sentidos que não sejam o visual ou, até mesmo, uma combinação de sentidos.
OYEWUMI, O. A invenção das mulheres. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021 (adaptado).
Em seguida, um dos estudantes interpelou a professora, pois não entendeu como a mudança de termo influenciaria no entendimento dessa filosofia. Com isso, a professora apresentou um trecho da música Pedagoginga, de Thiago Elniño, para explicar como o universo iorubá, muito presente em músicas das populações negras, parte de uma combinação de sentidos, que não somente a visão, para a compreensão do mundo.
Minha percepção de mundo/ Diz que nós mesmo não vendo nada em volta/ Nunca estamos sós/ Faço minha oração, peço força pro meu guia/ E que ele não me abandone nas lutas do dia a dia
ELNIÑO, T. Pedagoginga. Álbum: A rotina do pombo. 2017.
Com relação ao contexto apresentado, é correto afirmar que a estratégia utilizada pela professora foi
A criança que acaba de nascer não conhece nem objetos determinados nem propriedades determinadas de objeto nenhum; mas, no dia em que aplicarem na sua frente uma propriedade a um objeto, um epíteto a um substantivo, compreenderá imediatamente o que isso quer dizer. A relação do atributo com o sujeito é, portanto, apreendida por ela naturalmente. E o mesmo poderia ser dito da relação geral que o verbo exprime, relação tão imediatamente concebida pelo espírito que a linguagem pode subentendê-la, como acontece nas línguas rudimentares que não têm verbo. A inteligência faz portanto naturalmente uso das relações de equivalente com equivalente, de conteúdo com continente, de causa com efeito, etc., implicadas em toda frase na qual há um sujeito, um atributo, um verbo expresso ou subentendido.
BERGSON, H. A evolução criadora. Tradução: Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
TEXTO 2
Em contraste com a estrutura sujeito-verbo-objeto, a linguagem reomodal de Ubu-ntu aceita o verbo como o ponto de partida. Em nossa visão, o verbo não apenas pressupõe, mas é também materialização/ incorporação/personificação do agente. A atividade ou a ação do verbo é menos o efeito de determinada doença, inseparável do agente. O agente existente, presente numa tensão contínua é, em si mesmo, em muitos momentos cedidos, a materialização da potencialidade para uma variedade infinita de uma atividade incessante de uma fusão e convergência. Para usar uma metáfora biológica, nós podemos dizer que o presente continuamente tenso é como um infinito encadeamento alternado de bebês, jovens e adultos todos perpetuamente conectados a suas mães através de seus cordões umbilicais.
RAMOSE, M. B. African philosophy through ubuntu. Tradução: Arnaldo Vasconcellos. Harare: Mond Books, 1999 (adaptado).
Considerando que os textos apresentam diferentes compreensões sobre a relação entre linguagem e ontologia, é correto afirmar que, para Bergson, a linguagem
Hans Jonas pensa a natureza a partir de seu valor intrínseco, deduzido do esforço autoafirmativo da vida, considerado por ele como o testemunho mais evidente do seu próprio valor: se a vida quer viver, é porque viver é um bem e, se é assim, é também um valor e emite um apelo de dever, cuja audiência está no ser humano, o único capaz de ouvir um tal apelo. Além disso, para Jonas, se só o ser humano pode se responsabilizar, então isso significa que ele só se realiza plenamente quando assume essa tarefa. E é assim que a responsabilidade diante da natureza se torna a alternativa mais radical ao niilismo: se a tecnologia tem sido uma espécie de fuga e de negação do mundo, a ética da responsabilidade é um convite a um novo vínculo com o Planeta.
OLIVEIRA, J. Como Hans Jonas nos ajuda a compreender a crise do meio ambiente? Uma conversa entre três filósofos. Disponível em: https://www.anpof.org.br/comunicacoes/entrevistas/. Acesso em: 14 jun. 2024 (adaptado).
Considerando a diversidade de identidades e de filiações ideológicas de seus estudantes, nesse caso, uma proposta de intervenção pedagógica coerente com o texto-base é
Uma plataforma que disponibiliza textos na Internet, entre os quais muitos não possuem autorização de publicação, é motivo de debate entre os acadêmicos. Alguns a consideram um exemplo da ideia de educação universal e democratização do conhecimento. Já outros a veem como um site ilegal, uma vez que burla as regras de direitos autorais.
Nesse contexto, sob a perspectiva da ética utilitarista, a reflexão apresentada pela professora constitui o princípio
CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000 (adaptado).
Uma professora de Filosofia, ao abordar a relação entre ética e liberdade em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental, realizou, de forma contextualizada, a leitura do texto acima.
Após a leitura, um estudante se mostrou bastante incomodado e pediu a palavra, afirmando que “estar sob o poder de forças externas não é uma escolha, nem é racional, pois existe um Deus absoluto que tem planos para nós”.
Nesse cenário, a metodologia que potencializa a problematização feita pelo estudante é a
1. Todos os feijões daquela saca são brancos. Esses feijões são daquela saca. Logo, esses feijões são brancos.
2. Esses feijões são daquela saca. Esses feijões são brancos. Logo, todos os feijões daquela saca são brancos.
3. Todos os feijões daquela saca são brancos. Esses feijões são brancos. Logo, esses feijões são daquela saca.
Para finalizar a atividade, a professora estabeleceu como critério avaliativo a devida associação das formas de raciocínio com os argumentos apresentados, de modo que os silogismos 1, 2 e 3 deveriam ser, respectivamente, classificados por cada grupo como
O tema do poder invisível foi até agora muito pouco explorado (inclusive porque escapa das técnicas de pesquisa adotadas habitualmente pelos sociólogos, tais como entrevistas, levantamentos de opinião, etc.). Talvez eu esteja particularmente influenciado por aquilo que acontece na Itália, onde a presença do poder invisível (máfia, camorra, lojas maçônicas anômalas, serviços secretos incontroláveis e acobertadores dos subversivos que deveriam combater) é, permitam-me o jogo de palavras, visibilíssima. A verdade porém é que o tratamento mais amplo do tema foi por mim encontrado, até agora, no livro de um estudioso americano, Alan Wolfe, Os limites da legitimidade, que dedica um bem documentado capítulo ao que denomina de ‘duplo Estado’, duplo no sentido de que ao lado de um Estado visível existiria sempre um Estado invisível.
BOBBIO, N. O futuro da democracia. São Paulo: Paz e Terra, 1986.
Nessa situação, infere-se que o objetivo de aprendizagem definido pelo professor ao utilizar o referido texto para orientar a discussão da temática é
ADORNO, T. W. Dialética negativa. Tradução de Marco Antonio Casanova. Rio de Janeiro: Zahar, 2009 (adaptado).
Em uma aula de Filosofia para a 3ª série do Ensino Médio, visando à análise crítica da razão moderna, o docente propôs que os estudantes identificassem, por meio de uma pesquisa bibliográfica, as principais correntes de pensamento filosófico e as relacionassem à crítica do texto de Adorno, apresentado acima.
Nesse caso, para entender corretamente a crítica do texto de Adorno, os discentes devem identificar que ela se volta contra
VATTIMO, G.; DERRIDA, J. (Orgs.). A religião: O Seminário de Capri. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. p. 92.
Considerando o contexto do pós-guerra, depreende-se do texto acima que o retorno do religioso
D’ANCONA, M. Pós-verdade: a nova guerra contra fatos em tempos de fake news. Barueri: Faro Editorial, 2018 (adaptado).
Caso um professor de Filosofia promova em sala de aula a reflexão contida no texto, é correto afirmar que ele incitará os estudantes a realizar uma análise crítica acerca da difusão do conhecimento e a elaborar a compreensão sobre o
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987 (adaptado).
Considerando que, ao relacionar educação e mundo do trabalho, Paulo Freire denuncia a propagação ideológica feita pelos meios de comunicação de massa, assinale a opção que apresenta abordagem favorável à percepção crítico-transformadora da realidade, na perspectiva desse autor.
NIETZSCHE, F. W. Genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (adaptado).
A partir do texto apresentado, assinale a opção que indica um objetivo de aprendizagem, seguido da abordagem a ser adotada pelo docente em uma aula de Filosofia.