Em sua edição de 28 de fevereiro de 1998, a
Lancet, uma das revistas médicas mais influentes no mundo,
veiculou os resultados aparentemente alarmantes de um estudo feito pelo pesquisador e cirurgião gástrico
inglês Andrew Wakefield e seus colaboradores. No artigo, foi relatado que uma semana após receber
a vacina MMR (tríplice viral), usada na Inglaterra e Estados Unidos desde as décadas de 1960-70, doze
crianças da Inglaterra passaram a apresentar distúrbios gastrointestinais acompanhados de prejuízos no
desenvolvimento mental semelhantes aos do autismo. Wakefield preparou uma entrevista coletiva e
distribuiu um vídeo para as redes de televisão, no qual defendia a hipótese de conexão entre a vacina e
o autismo. Apesar de especialistas terem questionado os dados à época, o estrago estava feito. O medo
de que a vacina causasse autismo se alastrou por vários países com o apoio de grupos antivacinação e do
trabalho pouco cuidadoso da imprensa. Resultado: a proporção de crianças vacinadas caiu para 80% na
Grã-Bretanha em 2003, bem abaixo dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde e, em
2008, o sarampo voltou a ser uma doença endêmica na Inglaterra e no País de Gales. Somente em 2010,
após longo processo, a Lancet anulou o artigo fraudulento e Wakefield teve sua licença médica cassada.
ZORZETTO, R. Manipulação de dados — fraude em estudo sobre vacina reabre discussão acerca das práticas de pesquisa.
Revista Pesquisa FAPESP, edição 181, p. 57-59, 2011 (adaptado).
Com relação à situação apresentada no texto e os impactos da ciência e da tecnologia em questões sociais,
assinale a opção correta.