Questões de Concurso Público EMPARN 2025 para Analista - Contabilidade

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Q3810674 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
As classes de palavras ou classes gramaticais são grupos de palavras que são classificados de acordo com suas funções na língua portuguesa. Assim sendo, aponte a alternativa em que a função da classe de palavra demarcada esteja corretamente tipificada entre parênteses.
Alternativas
Q3810675 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
“Milhares de corpos eram vendidos para os cursos de medicina, já que cadáveres não faltavam nos hospícios [...]” O elemento conector destacado introduz uma oração do tipo
Alternativas
Q3810676 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
Atente-se aos vocábulos enumerados a seguir, de modo a assinalar a alternativa descrita corretamente.

“[...] o que¹ exponho é que² não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder [...]”
Alternativas
Q3810677 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
“[...] mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.”
Em analogia à palavra má-fé, há um vocábulo formado corretamente por hifenização no item
Alternativas
Q3810678 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
A classe de palavra realçada na passagem que segue tem função contextual de

“[...] já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.”
Alternativas
Q3810679 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
 O paralelismo sintático, a partir da repetição do termo demarcado no excerto a seguir, indica uma coesão

“E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena [...]
Alternativas
Q3810680 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas”
A função sintática da oração subordinada substantiva ressaltada, no período antecedente, é de
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Q3810681 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
“[...] temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.”
A palavra em destaque, no período entre aspas, é formada por um processo de interseção de elementos
Alternativas
Q3810682 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
As orações introduzidas pelos elementos linguísticos, em I e em II, são respectivamente

“Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez [...]”
“[...] O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local [...]”
Alternativas
Q3810683 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
 Analise a regência do verbo demarcado, no contexto discursivo a seguir, para identificar a alternativa correta.

“E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista [...]”
Alternativas
Q3810684 Matemática
Em um processo seletivo para uma empresa, constatou-se que a razão entre o número de candidatos que possuem ensino superior completo e os que possuem apenas o ensino médio completo é de 7 para 3. Ademais, a razão entre os candidatos com pós-graduação e os que têm apenas o ensino médio completo é de 4 para 5. Se o processo seletivo teve 240 candidatos, todos pertencentes a apenas um desses três níveis de escolaridade, então a quantidade de candidatos com pós-graduação é 
Alternativas
Q3810685 Raciocínio Lógico
Considere as seguintes proposições: (i) Se Ângela estuda para concurso, então ela será aprovada. (ii) Ângela não foi aprovada. (iii) Se Ângelo estuda para o concurso, então ele ajuda Ângela a estudar. (iv) Ângelo estudou para o concurso. Logo, com essas premissas, podemos afirmar que
Alternativas
Q3810686 Raciocínio Lógico
Os três filhos do Sr. Alcântara vão receber 20 mensagens de whatsapp para decifrarem um código de um jogo de enigmas. Para que haja possibilidade do enigma, todos os filhos devem receber, pelo menos, duas mensagens. Dessa forma, o número de possibilidades de recebimento dessas mensagens é de
Alternativas
Q3810687 Raciocínio Lógico
Considere a sequência lógica dada por 2, 6, 12, 20, 30, 42, …
Mantendo-se o padrão, afirma-se que o trigésimo termo será
Alternativas
Q3810688 Contabilidade de Custos
Uma gráfica precisa alugar uma impressora para confeccionar convites de casamento. Ao se fazer uma pesquisa, constatou-se que a empresa A aluga sob as seguintes condições: Um valor fixo de R$ 750,00 mais R$ 1,80 por impressão. A empresa B, cobra um valor fixo de R$ 900,00 mais R$ 1,55 por impressão. Dessa forma, com o intuito de economizar, podemos afirmar que 
Alternativas
Q3810689 Noções de Informática
Durante a organização de documentos em um computador com Windows 11, um usuário deseja mover uma pasta que contém arquivos importantes para outro local situado em um disco físico diferente conectado ao sistema, preservando a estrutura original e evitando a criação de cópias redundantes. Utilizando apenas os recursos do Windows Explorer, para realizar essa operação corretamente, o usuário deverá
Alternativas
Q3810690 Noções de Informática
Durante a preparação de um relatório no Microsoft Word 2021, um usuário deseja configurar o documento para que cada novo parágrafo inicie com um recuo automático de 2 cm, sem utilizar a tecla Tab e sem precisar configurar manualmente cada parágrafo. Para isso, o procedimento que deve ser realizado é
Alternativas
Q3810691 Noções de Informática
Durante uma pesquisa acadêmica, um usuário precisa localizar rapidamente informações específicas dentro de uma página extensa na internet e, após encontrá-las, imprimir apenas o trecho selecionado, evitando a impressão da página completa. No contexto das funcionalidades comuns dos navegadores modernos (como Google Chrome, Microsoft Edge e Mozilla Firefox), o procedimento correto para atender a essa necessidade é
Alternativas
Q3810692 Segurança da Informação
Durante o acesso a sites de bancos e a plataformas de compras online, um usuário deseja aumentar a proteção contra vírus e sites maliciosos utilizando recursos próprios dos navegadores ou complementando com aplicações específicas. Considerando práticas corretas de navegação segura no Internet Explorer, Mozilla Firefox e Google Chrome, bem como o uso adequado de antivírus, é correto afirmar que 
Alternativas
Q3810693 Noções de Informática
Em uma organização que adota o armazenamento de dados na nuvem para facilitar o acesso remoto e a colaboração entre equipes, é necessário garantir segurança, integridade e disponibilidade dos arquivos. Considerando práticas recomendadas no uso de soluções de cloud storage, é correto afirmar que 
Alternativas
Respostas
1: B
2: A
3: E
4: C
5: D
6: E
7: A
8: B
9: C
10: D
11: C
12: D
13: B
14: E
15: A
16: D
17: B
18: E
19: A
20: C