Questões de Concurso Público COFFITO 2025 para Terapia Ocupacional no Contexto Escolar
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Considerando a Resolução COFFITO nº 500/2018, assinale a alternativa que indica corretamente quais afirmativas estão corretas:
I - A formação profissional da especialidade “Terapia Ocupacional no Contexto Escolar”, considera todas as áreas de desempenho ocupacional e atividades cotidianas nestes espaços, exceto Atividades da Vida Diária (AVD), que se encontra mais vinculada à atuação em contexto de saúde.
II - O exercício do Terapeuta Ocupacional Especialista no Contexto Escolar envolve conhecimento em várias áreas, inclusive nas áreas de Leis e Políticas Públicas de Inclusão no Brasil, do Sistema Único de Assistência Social, do Conhecimento das Redes de Apoio, da Ética, Bioética e Deontologia da Terapia Ocupacional, do desenvolvimento ontogenético e psicossocial do indivíduo desde o seu nascimento até a velhice, da ergonomia cognitiva e da gestão de processos e de recursos humanos.
III - O Terapeuta Ocupacional Especialista em Contexto Escolar pode exercer as seguintes atribuições, entre outras: Coordenação, supervisão e responsabilidade técnica; Gestão; Direção; Chefia; Consultoria; Auditoria; Perícia; Ensino, pesquisa e extensão.
IV - A atuação do Terapeuta Ocupacional especialista em Contexto Escolar se caracteriza pelo exercício profissional em todas as modalidades, etapas e níveis de ensino, e deve se dar por meio de educação e intervenção, oferecidos ao estudante e comunidade educativa, sem envolver ações de prevenção e promoção, devido estas estarem vinculadas à atuações profissionais no campo da saúde e não da educação.
Diversas análises recentes apontam que a Terapia Ocupacional no contexto educacional brasileiro deve superar práticas centradas no indivíduo e avançar para formas de atuação que reconheçam a escola como espaço social, cultural e político, que envolve múltiplos agentes e sistemas de organização. A literatura defende que a atuação não pode limitar-se às demandas imediatas de sala de aula ou às expectativas de atendimento clínico individual, exigindo abordagens ampliadas que articulem rotina escolar, participação, relações comunitárias e condições organizacionais.
Considerando essa perspectiva, qual alternativa melhor expressa o papel ampliado do terapeuta ocupacional nas proposições “na e para” a escola?
A literatura contemporânea crítica ao uso de escalas de independência para determinar “níveis de participação” argumenta que a participação, na perspectiva da Terapia Ocupacional, não deve ser compreendida como grau de autonomia, execução motora ou cumprimento de etapas formais da tarefa.
Em vez disso, defende-se que participação envolve engajamento, pertencimento, sentido atribuído e relações estabelecidas no contexto escolar. As autoras sustentam que classificações prescritivas podem reforçar estereótipos, expectativas normativas e leituras capacitistas.
Com base nessa perspectiva, qual alternativa melhor representa um modo adequado de compreender participação?
Os debates contemporâneos sobre participação infantil nos contextos escolares têm problematizado concepções tradicionais associadas à noção de desempenho, autonomia funcional ou execução de tarefas de maneira isolada. Folha & Della Barba (2022) defendem que a participação deve ser compreendida de forma relacional, contextual e situada, considerando elementos como engajamento, pertencimento e construção compartilhada das experiências escolares. Observe as proposições abaixo:
I. A participação deve ser analisada considerando o modo como a criança se envolve ativamente em atividades que fazem sentido para ela dentro da dinâmica escolar, independentemente do nível de suporte necessário.
II. Classificar a participação com base em níveis de independência funcional tende a reforçar expectativas normativas e interpretações capacitistas sobre o desempenho infantil.
III. A participação pode ser definida pelo cumprimento eficiente de etapas da tarefa, sendo a execução técnica o principal indicador ocupacional.
IV. Participação envolve dimensões interacionais, culturais, simbólicas e ambientais, não podendo ser reduzida à execução motora ou cognitiva de uma atividade.
V. A classificação da participação deve priorizar indicadores padronizados relacionados ao controle comportamental e ao tempo de permanência nas atividades.
Quais proposições estão corretas?
As afirmativas abaixo relacionam fundamentos centrais da Terapia Ocupacional na educação brasileira, considerando as quatro referências do eixo.
I. A atuação da Terapia Ocupacional deve problematizar estruturas escolares que reproduzem desigualdades, incorporando análise crítica das políticas educacionais (Pereira, Borba & Lopes, 2021).
II. A participação infantil deve ser compreendida como processo interacional e cultural, e não como indicador de autonomia funcional (Folha & Della Barba, 2022).
III. A identidade profissional dos terapeutas ocupacionais na escola encontra-se consolidada, com diretrizes nacionais claras e unificadas (Lins et al., 2024).
IV. A construção do perfil ocupacional deve integrar observação contextual, diálogo com professores e análise das ocupações significativas (Folha et al., 2020).
V. A dependência de modelos clínicos e biomédicos ainda aparece como desafio estruturante, configurando práticas deslocadas do escopo da Terapia Ocupacional no contexto escolar (Pereira, Borba & Lopes, 2021).
Quais afirmações estão corretas?
Lins et al. (2024) identificaram fragilidades na identidade profissional da Terapia Ocupacional na escola, como falta de clareza institucional, pouca delimitação de funções e carência de formação especializada. O estudo também revela disparidades regionais, insuficiência de concursos públicos e ausência de diretrizes nacionais, resultando em práticas fragmentadas e muitas vezes deslocadas para funções que não pertencem ao escopo da profissão.
À luz desses achados, qual alternativa apresenta um problema estruturante identificado pelos autores, e que limita a consolidação plena da Terapia Ocupacional no contexto escolar?
Segundo Folha, Gregorutti, Okuda & Sant'Anna (2020), a avaliação em Terapia Ocupacional no contexto escolar deve articular instrumentos formais, observações estabelecidas e análise das ocupações escolares, considerando também fatores pedagógicos, sociais e familiares. O processo deve construir um perfil ocupacional, e não um inventário clínico de déficits.
Considerando esse referencial, assinale a alternativa que melhor exemplifica uma avaliação corretamente aprovada à proposta:
Considerando os resultados e a análise desenvolvida no estudo de Lins et al (2023), podemos considerar que:
Leia as afirmativas a seguir:
I. Os contextos escolares se encontram estruturados em torno de ocupações diversas, que podem constituir as denominadas ocupações escolares
II. No contexto da Educação Infantil, embora as ocupações escolares possam ser compreendidas como sinônimo de ocupações infantis, elas possuem especificidades devido aos contextos e parceiros diferenciados.
III. Intervenções pautadas nas ocupações escolares não são compatíveis com a promoção da participação infantil na escola.
IV. Há elementos que interferem diretamente na participação infantil em ocupações escolares, como as habilidades motoras, sociais, comunicativas e a cognição, além dos ambientes e pessoas que convivem com as crianças.
Agora assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas:
A participação no brincar comumente é alvo de estudos e práticas profissionais dos terapeutas ocupacionais. Com base no estudo de Folha et al (2023), que investigou sobre a participação de crianças com desenvolvimento típico e com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em situações de brincadeiras na Educação Infantil, leia as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas:
I. No contexto da infância, o brincar pode ser considerado uma ocupação escolar.
II. Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) manifestaram mais comportamentos de iniciativa para o brincar, enquanto crianças com desenvolvimento típico manifestaram mais comportamentos de interação social durante o brincar.
III. Intervenções de profissionais de terapia ocupacional especialistas no contexto escolar, podem beneficiar a participação de todas as crianças em situações de brincadeiras, especialmente as que manifestam alguma condição que possa produzir limitações ou dificuldades para sua participação plena.
Agora assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas:
De acordo com Araújo et al., (2018), a integração entre a pesquisa científica e a prática profissional ainda enfrenta barreiras relacionadas à valorização do conhecimento produzido na academia e à sua aplicabilidade no cotidiano de trabalho. Considerando o contexto da Terapia Ocupacional na escola, qual dos aspectos abaixo representa um desafio semelhante ao identificado pelos autores?
A literatura contemporânea da Terapia Ocupacional tem reforçado a necessidade de incorporação sistemática da Prática Baseada em Evidências (PBE) como eixo estruturante das tomadas de decisão clínicas. Entretanto, como argumenta Stein (2020), a PBE não se resume ao uso mecânico de artigos científicos, mas a uma estrutura epistemológica tripartida, que integra:
(a) evidências científicas atualizadas e metodologicamente sólidas;
(b) expertise clínica do terapeuta;
(c) valores, preferências e singularidades das pessoas atendidas.
Apesar desse modelo consolidado internacionalmente, Araújo et al. (2018) demonstram que a realidade brasileira ainda enfrenta barreiras estruturais, institucionais e culturais que dificultam a translação do conhecimento científico para a prática cotidiana.
Entre os obstáculos discutidos pelas autoras, destacam-se: a falta de tempo institucional para estudo; ausência de políticas organizacionais que valorizem a educação permanente; preconceitos e crenças profissionais que desqualificam a pesquisa; e dificuldades na comunicação dos resultados científicos para usuários, famílias, gestores e equipes interdisciplinares.
Considerando os princípios centrais da PBE (Stein, 2020) e os obstáculos identificados à sua implementação (Araújo et al., 2018), associe corretamente os elementos das duas colunas, identificando qual barreira dificulta diretamente cada princípio da PBE:
COLUNA I — Princípios centrais da PBE (Stein, 2020):
1. Integração entre evidências científicas e experiência clínica
2. Uso crítico de pesquisas atualizadas
3. Comunicação transparente dos resultados
COLUNA II — Barreiras estruturais (Araújo et al., 2018):
1. Falta de tempo institucional e ausência de espaços formais para discussão e leitura crítica
2. Preconceito profissional baseado na desvalorização do conhecimento científico e primazia do conhecimento tácito
3. Dificuldade em traduzir achados científicos para a linguagem dos usuários, equipes e gestores
Assinale a associação correta:
A literatura sobre Prática Baseada em Evidências (PBE), conforme discutida por Stein (2020), enfatiza que a integração entre pesquisa e prática envolve knowledge translation (translação do conhecimento), decision-making (tomada de decisão) e clinical reasoning (raciocínio clínico/profissional) sustentados por evidências de diferentes naturezas. Araújo et al. (2018) reforçam que, no Brasil, persistem barreiras epistemológicas e institucionais que dificultam esse processo. Os autores mencionados por Araújo et al. apontam que a “translação do conhecimento” depende de políticas organizacionais, mediação cognitiva e processos contínuos de educação permanente.
Considerando o diálogo entre essas duas obras, relacione os elementos:
COLUNA I — Componentes da translação do conhecimento (segundo literatura citada em Stein, 2020):
1. Adaptação contextual das evidências
2. Avaliação crítica da robustez metodológica
3. Co-construção interprofissional do plano de intervenção
COLUNA II — Barreiras brasileiras descritas por Araújo et al. (2018):
A. Descontinuidade institucional que impede processos de educação permanente
B. Preconceito profissional que desqualifica a pesquisa e reforça práticas exclusivamente empírico-experienciais
C. Fragmentação entre equipes e ausência de cultura colaborativa
Assinale a associação correta:
Segundo Stein (2020), assinale a alternativa que indica corretamente todos os impactos positivos da Prática Baseada em Evidências (PBE) na Terapia Ocupacional:
I - Melhora a efetividade das intervenções.
II - Desconsidera a experiência do terapeuta.
III - Promove o uso consciente de dados científicos atualizados.
IV - Restringe a autonomia clínica dos profissionais.
V - Facilita a comunicação dos resultados aos pacientes.
Quais estão corretas?
Atualmente, tem-se observado o crescimento da pesquisa clínica em Terapia Ocupacional, no âmbito mundial, ratificando sua importância para orientar o raciocínio profissional e as tomadas de decisão dos terapeutas ocupacionais. Tem-se percebido crescente facilidade tanto para publicar estudos em revistas especializadas quanto para acessar conhecimento internacional sobre tratamentos eficazes para diversas condições apresentadas por pessoas, grupos e comunidades. No entanto, apesar dos avanços na divulgação da Prática Baseada em Evidências (PBE), a aplicação efetiva dessas pesquisas na prática clínica, considerando a internacionalização do conhecimento, ainda é um desafio para a área. A esse respeito, Araújo et al.,(2018) descrevem o que seriam condições ideais para o desenvolvimento de práticas na perspectiva da PBE. Qual das alternativas expressa o que as autoras consideram estas condições ideais?