Questões de Concurso Público IF-BA 2022 para Professor PEBTT - História
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Analise o texto a seguir.
“A fundação da cidade do Salvador teve início a partir da instalação do Governo Geral como uma tentativa de efetivar os projetos de povoamento, colonização e defesa. A cidade fortaleza planejada foi erguida em 1549 no alto de uma montanha no interior da Baía de Todos os Santos seguindo as determinações do traçado definido pelo Rei, no regimento de 1548, de ser erguida em pedra, cal e barro, ou ‘taipes ou madeira, como melhor poder ser, de maneira que seja forte’, para assim garantir a segurança dos moradores. Por não encontrar de imediato a pedra e seguindo a orientação do regimento, a pedra foi substituída pela madeira das paliçadas e, depois, pelo barro, o que permite afirmar que a arquitetura militar de Salvador era, nos seus primeiros anos, construções de fibras secas tecidas ou uma combinação de vários materiais que tivessem boa resistência às intempéries (...), as casas eram de madeira e palha; o muro de varas, galhos e cipós entrelaçados de barro”.
(SANTOS, Patrícia Verônica Pereira dos. Os índios e a Fundação de Salvador. In: SANTOS, Fabricio Lyrio (Org.). Os índios na história da Bahia. Cruz das Almas: EDUFRB; Belo Horizonte: Fino Traço, 2016. p. 40).
Com base no trecho anterior e no referido estudo de Patrícia dos Santos, analise as afirmações a seguir classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Na construção da cidade de Salvador/BA foram utilizadas técnicas oriundas dos povos tupinambás, muitas delas utilizadas por eles para se defenderem dos ataques dos europeus.
( ) A dependência da mão de obra indígena na construção da cidade revela um dos aspectos importantes da ação colonizadora portuguesa sobre esses povos, qual seja o aprisionamento de indígenas para escravização.
( ) As revoltas e fugas protagonizadas pelos indígenas nesse período demonstram uma das formas de agência indígena nesse processo, forçando a Coroa portuguesa a ações como a de estabelecer alianças com grupos indígenas da região.
( ) Embora tenham tido uma atuação importante nos trabalhos de construção e manutenção da cidade de Salvador, os indígenas não atuavam nas propriedades particulares, como os engenhos, onde utilizava-se mão de obra africana.
( ) A queda populacional dos indígenas decorrente de fome, maus tratos, repressão violenta às revoltas, excesso de trabalho e proliferação de doenças infectocontagiosas é um dos fatores que ajuda a explicar a paulatina incorporação de escravos africanos como mão de obra na região.
De acordo a análise das afirmações, a sequência correta, no sentido da primeira à última, é
Analise o excerto a seguir.
“(...) vários povos indígenas estão mobilizando esforços para a produção de vídeos e documentários retratando o cotidiano das aldeias, em que velhos, velhas, pajés e lideranças indígenas são entrevistados ou são solicitados para deporem sobre as histórias de seu povo, da sua comunidade, a exemplo dos Xavante, Terena e Kaxinawa. É uma maneira de estabelecer o diálogo do presente com o passado, ressignificando e revigorando as tradições (...)."
(BRITO, Edson Machado de. O ensino de História como lugar privilegiado para o estabelecimento de um novo diálogo com a cultura indígena nas escolas brasileiras de nível básico. Fronteiras , Dourados, v.11, n.20, jul./ dez. 2009, p. 65).
Com base nas discussões sobre o ensino de história indígena e, a partir da análise do trecho acima, é correto dizer que o
Analise o fragmento de texto a seguir.
“Aqui nesta região do mundo, que a memória mais recente instituiu que se chama América, aqui nesta parte mais restrita, que nós chamamos de Brasil, muito antes de ser América e muito antes de ter um carimbo de fronteiras que separa os países vizinhos e distantes, nossas famílias grandes já viviam aqui. Essas nossas famílias grandes, que já viviam aqui, são essa gente que hoje é reconhecida como tribos (...). Nessa antiguidade desses lugares a nossa narrativa brota, e recupera os feitos dos nossos heróis fundadores (...). Quando eu vejo as narrativas, mesmo as narrativas chamadas antigas, do Ocidente, as mais antigas, elas sempre são datadas. Nas narrativas tradicionais do nosso povo, das nossas tribos, não tem data, é quando foi criado o fogo, é quando foi criada a Lua, quando nasceram as estrelas, quando nasceram as montanhas, quando nasceram os rios. Antes, antes, já existe uma memória puxando o sentido das coisas, relacionando o sentido da fundação do mundo com a vida, com o comportamento nosso, com aquilo que pode ser entendido como o jeito de viver”
(KRENAK, Ailton. Antes, o mundo não existia. In: NOVAES, Adauto (Org.). Tempo e história. São Paulo: Companhia das Letras; Secretaria Municipal de Cultura, 1992. pp.201-202).
É correto afirmar que o fragmento evoca uma reflexão sobre
Acerca das reflexões, promovidas nos últimos anos pela historiografia, sobre as experiências vivenciadas pelos povos indígenas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), analise as afirmações a seguir.
I – Uma das formas de violência vivenciadas pelos indígenas durante a ditadura militar brasileira se deu por meio da ação dos próprios órgãos indigenistas oficiais, como a Funai.
II – Uma das estratégias discursivas mobilizadas pela propaganda política do regime militar foi a de promover uma vinculação entre o discurso desenvolvimentista e a ideia de valorização dos povos indígenas habitantes do território brasileiro.
III – A análise das violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas no período da ditadura militar brasileira nos permite perceber a intrínseca relação existente entre violência estatal e os interesses do capital privado.
IV – Uma das dimensões importantes dos autoritarismos vivenciados pelos indígenas em relação à experiência da ditadura militar foram os silenciamentos que invisibilizaram a presença, o protagonismo e resistência dos povos originários neste período.
V – A violência impetrada pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas durante a ditadura militar pode ser lida como uma das permanências da lógica colonialista dos aparelhos estatais.
É correto afirmar que
Analise o excerto a seguir.
“Os baianos, àquela altura de sua história [década de 1950], tinham sido capazes, sem dúvida, de ajudar vigorosamente a industrialização paulista que, a partir dos anos 30, havia fixado definitivamente o seu papel altamente dinâmico no crescimento econômico brasileiro. A ajuda se fazia não só em termos financeiros (especialmente através do grande saldo de divisas proveniente de nossas exportações para o Resto do Mundo, avidamente disputado pelas indústrias meridionais para importação, principalmente, de bens de capital), mas também através de braços: éramos então, com efeito, o maior Estado de emigrantes dentre todos os da Federação, com a característica adicional de haver sido crescente esse fluxo migratório de boa parcela de nossa população jovem, no transcorrer dos anos 50.”
(SIMÕES, Jairo. Evolução recente da economia baiana. IN: PESSOTI, Gustavo Casseb (org.). Memórias da economia baiana. Salvador: SEI, 2020. Pp. 199)
O texto aborda um aspecto muito característico da economia baiana em meados do século XX na medida em que permite avaliar o quadro geral da industrialização brasileira no período.
Sobre este tema é correto afirmar que
Leia as afirmações a seguir e informe (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.
( ) Parte da historiografia sobre o fascismo, especialmente aquela do imediato pós-II Guerra Mundial, dedica-se a compreender o fenômeno como parte da história alemã e, se muito, da italiana, delimitando suas possíveis implicações futuras em novas realidades históricas.
( ) Os estudos acerca do fascismo foram muito prejudicados pela abertura dos arquivos da Segunda Guerra Mundial, a partir dos anos 1980, pois isso retirou o foco da discussão sobre o fenômeno e destacou o conflito mundial em primeiro plano.
( ) Muitos governos formados na Europa do pós-II Guerra Mundial eram compostos por quadros que serviram, direta ou indiretamente, ao nazismo o que colaborou, por certo período, com uma interpretação restritiva do fenômeno fascista, essencialmente pautada pelo esquecimento e pelo silenciamento.
( ) O conceito de totalitarismo aborda a relação do fascismo com a história alemã, buscando compreender a vinculação como um desvio dentro da história europeia, portanto irreproduzível em qualquer outra realidade ou região.
( ) Há estudos que apontam para a universalidade do fascismo como fenômeno histórico, o que permitiria extrapolar as interpretações que o vinculam a um processo histórico e a um período específicos.
A sequência está indicada corretamente em
Há um debate historiográfico bastante pronunciado, conquanto não exclusivo, entre duas correntes na interpretação da história do Brasil, notadamente em seus três primeiros séculos. De um lado, há as interpretações vinculadas ao modelo do “Antigo Sistema Colonial” e, de outro, aquelas ligadas ao modelo do “Antigo Regime nos Trópicos”.
Associe o modelo histórico à sua interpretação.
MODELOS HISTÓRICOS
1 – Antigo Sistema Colonial
2 – Antigo Regime nos Trópicos
INTERPRETAÇÕES
( ) A história da colonização no Brasil reflete o amadurecimento das relações administrativas na Península Ibérica e aponta para uma ampla trajetória de negociação na construção de uma governabilidade, gerando uma economia política de privilégios.
( ) A história do Brasil em seu período colonial se assemelha à de outras colônias no mesmo período, tendo por característica principal sua colaboração com a produção da acumulação primitiva do capital, base para o desenvolvimento capitalista na Europa.
( ) Para a devida compreensão da dinâmica imperial portuguesa é necessário considerar como as regras jurídicas e administrativas portuguesas foram incorporadas e trabalhadas na dinâmica ultramarina.
( ) A exploração metropolitana, por meio do exclusivo comercial, reforça o caráter global do sistema de colonização, diminuindo a importância – embora não desconsiderando a existência – da negociação política e administrativa locais.
( ) A escravidão nas colônias portuguesas não pode ser explicada, apenas, pelos fatores relativos à necessidade da exploração econômica; antes, tem relação com a própria lógica que naturalizava a hierarquia social nas sociedades europeias de então.
A sequência correta é apresentada em
Analise o excerto a seguir.
“As origens desta revolução derivaram de quatro formas diferenciadas de oposição ao Antigo Regime e que teriam dado origem a quatro revoluções ou a quatro modos distintos de encaminhar o processo de transformação. Uma revolução aristocrática, que reivindicava a descentralização além da autonomia local e que no século XVIII estava longe de representar valores feudais. Uma revolução burguesa, que tinha como projeto a eliminação dos entraves à produção e que propunha a propriedade privada, mas que continha variantes mais radicais, adeptas à república. Uma revolução camponesa, que almejava a conquista da terra pelos camponeses e a eliminação de todas as formas de exploração antigas. Uma revolução popular, constituída pela junção de setores radicais da burguesia com os pobres urbanos que, além da melhoria das condições de vida e trabalho, não conseguiam exprimir claramente o seu projeto”
(RODRIGUES, Antônio Edmilson Martins. As revoluções burguesas. In: REIS FILHO, Daniel Aarão, FERREIRA, Jorge, ZENHA, Celeste. O século XX. O tempo das certezas. Da formação do capitalismo à Primeira Grande Guerra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 119. Adaptado.)
É correto afirmar que o texto se refere à
No livro “A escravidão na África: uma história de suas transformações”, o historiador Paul Lovejoy conceitua a escravidão, compreendida como um tipo específico de exploração, a partir de um conjunto de elementos.
Dentre as características apresentadas pelo autor é INCORRETO afirmar que o escravo
Leia as afirmações a seguir e informe (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.
( ) Na Bahia do início do século XIX era comum que vários setores da sociedade investissem na escravidão adquirindo escravos. Não existe registro, contudo, de que naquele contexto os ex-escravizados também adquirissem africanos para seus ganhos pessoais.
( ) A Revolução Haitiana foi um elemento importante na derrocada da economia baiana entre o final do século XVIII e início do XIX, especialmente pelo receio das elites senhoriais brasileiras, por um período, em investir no comércio escravo.
( ) A crise econômica baiana, a partir da década de 1820, teve relação com a produção açucareira de Cuba, que ganhou parte considerável dos mercados internacionais antes também ocupados pela produção da Bahia.
( ) Entre as décadas de 1830 e 1840, especialmente devido à crise na importação de escravos imposta pelo controle britânico do tráfico, a Bahia destacou-se como importante fornecedora de mão de obra escrava para o sul, notadamente quando do incremento da produção cafeeira.
( ) A crise econômica baiana na primeira metade do século XIX promoveu uma relevante inversão produtiva, tirando o açúcar do centro da produção e elevando a produção de subsistência como a principal na província, o que evitou crises de desabastecimento no período.
A sequência está corretamente apresentada em
Entre o final do século XVIII e a primeira metade do século XIX, o Brasil foi palco – seja ainda enquanto América Portuguesa seja posteriormente como Império independente – de inúmeras rebeliões e revoltas contra o poder instituído. Algumas delas geralmente são agrupadas em um conjunto de eventos contrários ao Império ao longo do período regencial.
É correto afirmar que são consideradas “Revoltas Regenciais” os seguintes eventos: