Questões de Concurso Público IF-BA 2022 para Professor PEBTT - História
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Analise o fragmento de texto a seguir.
“Aqui nesta região do mundo, que a memória mais recente instituiu que se chama América, aqui nesta parte mais restrita, que nós chamamos de Brasil, muito antes de ser América e muito antes de ter um carimbo de fronteiras que separa os países vizinhos e distantes, nossas famílias grandes já viviam aqui. Essas nossas famílias grandes, que já viviam aqui, são essa gente que hoje é reconhecida como tribos (...). Nessa antiguidade desses lugares a nossa narrativa brota, e recupera os feitos dos nossos heróis fundadores (...). Quando eu vejo as narrativas, mesmo as narrativas chamadas antigas, do Ocidente, as mais antigas, elas sempre são datadas. Nas narrativas tradicionais do nosso povo, das nossas tribos, não tem data, é quando foi criado o fogo, é quando foi criada a Lua, quando nasceram as estrelas, quando nasceram as montanhas, quando nasceram os rios. Antes, antes, já existe uma memória puxando o sentido das coisas, relacionando o sentido da fundação do mundo com a vida, com o comportamento nosso, com aquilo que pode ser entendido como o jeito de viver”
(KRENAK, Ailton. Antes, o mundo não existia. In: NOVAES, Adauto (Org.). Tempo e história. São Paulo: Companhia das Letras; Secretaria Municipal de Cultura, 1992. pp.201-202).
É correto afirmar que o fragmento evoca uma reflexão sobre
Analise o excerto a seguir.
“O episódio aconteceu na aldeia Pataxó de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz de Cabrália, localizado no extremo Sul da Bahia (...). Curiosos para encontrar de imediato os “índios do Descobrimento”, os turistas demonstravam certa frustação ao percorrer a aldeia (...). Impacientes, se dirigiam a um homem que varria o chão de uma das cabanas e perguntaram: ‘Senhor, a que horas os índios estarão aqui?’. De forma inusitada, o homem que vestia calça jeans e blusa com propaganda comercial, respondeu: ‘Já estamos aqui. Esperem um pouco que estamos arrumando as mercadorias para abrir a loja’. Inconformados e insistentes, os turistas replicaram: ‘Não, moço. Queremos ver os índios de verdade. Que horas eles chegarão?’. Pacientemente e, certamente, já acostumado com tal comportamento, o rapaz novamente respondeu: ‘Vocês estão diante de um índio Pataxó e, até que me provem o contrário, sou de verdade!’”.
(CANCELA, Francisco. Velhos e novos desafios da História Indígena no Brasil. In: SANTOS, Fabricio Lyrio (Org.). Os índios na história da Bahia. Cruz das Almas: EDUFRB; Belo Horizonte: Fino Traço, 2016. pp.12-14).
O episódio narrado revela dois aspectos importantes da relação historicamente estabelecida entre a população não indígena e os povos indígenas no Brasil. De um lado, o modo como, frequentemente, as pessoas não indígenas concebem os sujeitos indígenas. De outro, uma forma de resistência e agência indígena no decorrer desse processo.
É correto afirmar que esses dois aspectos que se apresentam no relato destacado acima podem ser descritos, respectivamente, pelos conceitos de