Questões de Concurso Público Prefeitura de Carambeí - PR 2023 para Médico Plantonista

Foram encontradas 10 questões

Q3732701 Português
Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder a próxima questão.

“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo."

(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
Em relação à prática do aborto, o autor do texto dá a entender que era:
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Q3732702 Português
Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder a próxima questão.

“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo."

(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
Segundo a avaliação do autor do texto, no caráter dos guaicurus predominaria a “soberba”. Marque a alternativa que indica um possível antônimo de “soberba”.
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Q3732703 Português
Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder a próxima questão.

“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo."

(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
No trecho “Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros”, o verbo “têm” apresenta circunflexo porque o sujeito da oração:
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Q3732704 Português
Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder a próxima questão.

“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo."

(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
Dentre as palavras a seguir, extraídas do texto, marque a única que pertence ao gênero masculino.
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Q3732705 Português
Considere a descrição a seguir, escrita pelo viajante Bartolomé Bossi a respeito de uma cultura indígena, para responder a próxima questão.

“Estas tribos de guaicurus ocupam as margens do Chaco em uma grande extensão. Todos os anos fazem suas incursões contra as tribos vizinhas, especialmente contra os guanás: desta tribo são os escravos que possuem. Só cativam mulheres, jovens e crianças. Os últimos abraçam facilmente os hábitos e a língua de seus senhores e, como estes os tratam com afeto, jamais pensam em abandoná-los. Entre os guaicurus existe uma forte distinção de classes que se divide em nobres, plebeus e escravos; a maior distinção traduz-se pelo número de escravos; nisto se resume sua vaidade e seu orgulho. Os guaicurus são de estatura mais que regular e bem formados. Sua musculatura é forte e marcada; seu olhar imponente; indolentes por natureza. Comem muitas vezes ao dia; o jacaré é um manjar muito preferido por eles. Pintam a cara e o corpo com urucum e jenipapo, introduzindo a tinta na epiderme; os desenhos não carecem de fantástica simetria. As mulheres põem maior esmero neste adorno indelével. A mulher, só quando chega aos trinta anos conserva seus filhos: antes procura sempre abortar, e serve-se dos meios mais cruéis e bárbaros, fazendo-se maltratar e pisotear o ventre. Só depois dos trinta anos começa a preocupar-se com a conservação de sua prole; devendo notar-se que essa raça de mulheres são impecáveis desde então como mães de família, pelos cuidados e pela ternura que consagram a seus filhos. No caráter destes índios predomina a soberba, olham com o mais alto desprezo as demais tribos; professam um ódio visceral aos paraguaios e são muito partidários dos brasileiros. Contentam-se com a posse de uma única mulher, da qual lhes é dado separar-se por mútuo acordo. Crêem em um Ente Criador, mas não lhe rendem nenhum culto manifesto. Não têm nenhuma ideia de recompensas ou castigos futuros; só afirmam que a alma dos capitães transporta-se a uma mansão de delícias contínuas, privilégio do qual também gozam os pretensos adivinhos que há entre eles, que também exercem a profissão de médicos. Estes seres privilegiados, espécie de sacerdotes, que se dizem intérpretes desse Ente Criador, servem-se de sua misteriosa preponderância para estimular a barbárie e ferocidade da tribo."

(Bartolomé Bossi, Viagem Pitoresca, com adaptações).
Das palavras a seguir, extraídas do texto, marque a única que pode ser classificada como proparoxítona.
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Q3732706 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
Ao afirmar que “Quem foge de si mesmo se encontra”, o autor faz uso da figura de linguagem denominada:
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Q3732707 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho “Quem procura encontrar-se”, a partícula “-se” desempenha a função de:
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Q3732708 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho “Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo”, a expressão “respeitável Sr. Alcoólico Anônimo” pode ser classificada como:
Alternativas
Q3732709 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho “criatura humana já confrangida por um destino obscuro”, o termo “confrangida” poderia ser substituído, sem prejuízo ao sentido geral do texto, por:
Alternativas
Q3732710 Português
Considere a crônica a seguir, escrita por Paulo Mendes Campos, para responder a próxima questão.

“Um dos aforismos pungentes da literatura é este: é preciso estar sempre bêbado – de vinho, de poesia, de religião. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher- -nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Não defendo o alcoolismo, respeitável Sr. Alcoólico Anônimo. Queira entender-me com um pouco mais de sutileza, se me faz o favor. Modestamente embora, falando do alto duma tribuna para uma plateia vazia, defendo é o homem. O uísque não me interessa, o que me interessa é a criatura humana, esta pobre e arrogante criatura humana já confrangida por um destino obscuro, arrumada odiosamente numa sociedade dividida em castas, uma sociedade sanguessuga, uma sociedade engenhosamente arquitetada para triturar as classes de baixo a fim de transformar a dolorosa matéria-prima em petróleo, aço, eletricidade, veículos, aparelhos domésticos, tecidos, alimentos. Segue-se a segunda fase do processo industrial: correias de transmissão levam estes bens terrestres ao alto forno, que os transforma miraculosamente em palácios, iates, cavalos de corrida, joias, amantes de luxo. Mas os ricos também bebem, e quanto! Bebem às vezes por má consciência, outras por má educação, e bebem porque todos os bens terrestres são fantasias que se desfazem de repente ao hálito da morte. Pois o que eu advogo no meu desespero-dialético é a melhor distribuição das fantasias terrestres. Será a única maneira eficiente de reduzir o alcoolismo. A máquina social de hoje cria sobre o indivíduo uma inumerável série de compressões, que o desequilibram e o infelicitam. O alcoolismo é uma das variadíssimas consequências desse extraordinário mal-estar coletivo. Transpondo a porta do bar, o homem age com toda a pureza e inocência, buscando fugir ao sofrimento, tentando cumprir a sua vocação para o prazer; se encontra no bar um novo mal, a degradação, o desemprego, a debilitação orgânica, a morte prematura, isto é outra história”.

(Por que bebemos tanto assim?, por Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho “Queira entender-me com um pouco mais de sutileza”, o verbo “queira” aparece no modo:
Alternativas
Respostas
1: B
2: B
3: D
4: B
5: D
6: A
7: B
8: E
9: E
10: C