Leia atentamente o texto a seguir, escrito à época do
Brasil escravocrata, para responder a questão.
“A escravidão moderna repousa sobre uma base diversa da escravidão antiga: a cor preta. Ninguém pensa em reduzir homens brancos ao cativeiro: para este
ficaram reservados tão-somente os negros. Nós não
somos um povo exclusivamente branco, e não devemos portanto admitir essa maldição da cor; pelo contrário, devemos tudo fazer por esquecê-la. A escravidão, por felicidade nossa, não azedou nunca a alma
do escravo contra o senhor – falando coletivamente
– nem criou entre as duas raças o ódio recíproco que
existe naturalmente entre opressores e oprimidos. Por
esse motivo, o contato entre elas foi sempre isento
de asperezas, fora da escravidão, e o homem de cor
achou todas as avenidas abertas diante de si. A cor no
Brasil não é, como nos Estados Unidos, um preconceito social contra cuja obstinação pouco pode o caráter,
o talento e o mérito de quem incorre nele. Essa boa inteligência em que vivem os elementos, de origem diferente, da nossa nacionalidade é um interesse público
de primeira ordem para nós”.
(Joaquim Nabuco. O Abolicionismo. Brasília: Senado
Federal, 2003, com adaptações).