Questões de Concurso Público UEPB 2025 para Técnico em Laboratório (Histopatologia Oral)

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Q3364775 Português

Leia o texto I para responder à questão.


Texto I - INFÂNCIA


    Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isto era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala de jantar. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária.

    Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.

    Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.

    Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.

    Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas. À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações.

    Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso.

    E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo. Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.


Fonte: RAMOS, Graciliano. Infância. São Paulo: Record, 2003.

Sabendo que o uso do verbo dirigir normalmente exige o uso de preposição, observe o trecho: “Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim.”. Qual explicação que pode ser dada para a falta de crase neste contexto?
Alternativas
Q3364776 Português

Leia o texto II para responder à questão.


Texto II- 3ª do Plural – Engenheiros do Hawaii


Corrida pra vender cigarro

Cigarro pra vender remédio

Remédio pra curar a tosse

Tossir, cuspir, jogar pra fora

Corrida pra vender os carros

Pneu, cerveja e gasolina

Cabeça pra usar boné

E professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender

Eles querem te comprar

Querem te matar (de rir)

Querem te fazer chorar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?

(...)


Corrida contra o relógio

Silicone contra a gravidade

Dedo no gatilho, velocidade

Quem mente antes diz a verdade

Satisfação garantida

Obsolescência programada

Eles ganham a corrida

Antes mesmo da largada

Eles querem te vender

Eles querem te comprar

Querem te matar (a sede)

Eles querem te sedar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?

(...)


Vender, comprar, vendar os olhos

Jogar a rede, contra a parede

Querem te deixar com sede

Não querem te deixar pensar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?


Composição: Humberto Gessinger

Sobre a canção lida, quem seria a 3ª do plural e o que isso significa? 
Alternativas
Q3364777 Português

Leia o texto II para responder à questão.


Texto II- 3ª do Plural – Engenheiros do Hawaii


Corrida pra vender cigarro

Cigarro pra vender remédio

Remédio pra curar a tosse

Tossir, cuspir, jogar pra fora

Corrida pra vender os carros

Pneu, cerveja e gasolina

Cabeça pra usar boné

E professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender

Eles querem te comprar

Querem te matar (de rir)

Querem te fazer chorar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?

(...)


Corrida contra o relógio

Silicone contra a gravidade

Dedo no gatilho, velocidade

Quem mente antes diz a verdade

Satisfação garantida

Obsolescência programada

Eles ganham a corrida

Antes mesmo da largada

Eles querem te vender

Eles querem te comprar

Querem te matar (a sede)

Eles querem te sedar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?

(...)


Vender, comprar, vendar os olhos

Jogar a rede, contra a parede

Querem te deixar com sede

Não querem te deixar pensar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?


Composição: Humberto Gessinger

Leia o trecho abaixo, observando a palavra em destaque. “Satisfação garantida/Obsolescência programada/Eles ganham a corrida/Antes mesmo da largada”.


Considerando-se o contexto em que ocorre, é CORRETO afirmar que a palavra destacada nesse trecho significa:

Alternativas
Respostas
1: B
2: A
3: C