Questões de Concurso Público UEPB 2024 para Almoxarife

Foram encontradas 20 questões

Q3202110 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.”


Considerando o ensinamento do caixeiro-viajante ao mágico, expresso no texto, qual conceito fundamental orienta a prática do ilusionismo do protagonista?

Alternativas
Q3202111 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine”.


Qual foi o motivo predominante que levou o mágico a escolher apresentar o número da cabine no final da última noite?

Alternativas
Q3202112 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “O mágico, após sair de sua terra, vivia realizando truques em uma boate. Em uma de suas apresentações, ele decide realizar um número especial, o truque da cabine, no final da noite”.


Avalie as afirmações a seguir relacionadas ao truque da cabine do mágico na última noite:


I- O mágico escolheu apresentar o número da cabine no final para surpreender a plateia.


II- A escolha de realizar o truque da cabine no final foi motivada por falhas técnicas nos números anteriores.


III- A cartola, essencial para o truque da cabine, estava jogada no palco, influenciando na decisão do mágico.


IV- O mágico programou o truque da cabine como um gesto de pirraça para com a plateia.


V- O cansaço do mágico na última noite, impactou diretamente no sucesso do truque da cabine.



É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3202113 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

Releia o trecho: “Ao confessar seu amor proibido, Carolina motiva o mágico a programar seu último número”.


Analise as afirmações relacionadas à motivação do mágico para programar seu último número:


I- A revelação do amor proibido confessado por Carolina foi a principal razão para o mágico programar seu último número.


II- O mágico programou seu último número devido ao cansaço e à pressa de encerrar a última noite.


III- O último número do mágico foi programado, porque ele desejava encerrar sua carreira de mágico.


IV- Carolina concordou em participar do último número do mágico.


V- O mágico, ao programar o último número, seguiu o conselho do caixeiro-viajante.



É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3202114 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta um foco narrativo específico ao contar a história do protagonista. A partir deste contexto é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3202115 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta uma narrativa rica, abordando diversos aspectos gramaticais, incluindo orações subordinadas. No contexto do trecho fornecido abaixo, identifique a oração subordinada e classifique-a quanto à sua função sintática.


"Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão."

Alternativas
Q3202116 Português

A leitura do Texto I é necessária para responder à questão:


TEXTO I


O Mágico


André Ricardo Aguiar


    Ele era mágico, vivia disso e se orgulhava, quando saiu de sua terra, de ter de memória, todas as técnicas que aprendeu com um sujeito velho, espécie de caixeiro-viajante, que lhe ensinou o básico: tudo é ilusão.

    Agora vivia num quartinho alugado, perto da boate onde ele, com destreza, fazia mil e uma mágicas de enganar a vista, o dito ilusionismo para alguns. Desaparecia e aparecia com o espectador e sabia muito bem esticar o suspense; as inevitáveis e mirabolantes estripulias com cartas de baralhos; o truque de mover objetos. E em tudo isso o pouco rendimento, o suado resultado que mal pagava as contas – e que mal alimentava o coelho da cartola. Também sonhava com Carolina, a filha do dono do estabelecimento. Ia e vinha entre as mesas, atendendo os clientes. 

    Lembrava bem da cidade em que nasceu, da prima que se espantou com a primeira mágica, do beijo roubado no crepúsculo, da estranheza em pouco mais que um fim de semana ver o pai desaparecer numa curva da estrada e nunca mais aparecer, amargo número incompleto.

    Estava nas reminiscências naquela manhã, quando treinava os números daquele dia, e, num momento raro, pegou o coelho, o pôs na cartola e o viu sumir. A mão sentiu a penugem ir aos poucos se desfazendo numa matéria mínima até pouco restar, a não ser pelos entre os dedos. Depois, olhou para o fundo da cartola, para os lados, para a sala e nada.

    Demorou muito a cair em si. Não era apenas a cartola. Qualquer coisa que pudesse se ocultar por ele, podia sim, sumir. E não mais voltar. Esperou dias pela volta do coelhinho e nada. Sentiu ânsias de vômito e teve a impressão de uma bola de pelos efervescentes subir a garganta, e nada.

    Na boate, a platéia (SIC.) entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na platéia (SIC.), aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização. Ninguém reclamava o fechamento do círculo. Achavam que quem desaparecia, ia para os bastidores e de lá, talvez pegar a lateral da boate e ir embora. O dono do estabelecimento, vez ou outra, preocupado, perguntava mesmo, onde o sujeito? E ele, vestindo a roupa comum, desconversava dizendo, está na mesa perto do balcão, é só conferir. E dizia com poucas palavras, já anunciando que o silêncio era o que faltava vestir para ir cuidar da vida. 

    Mágica. Não tinha a capacidade, esta sim, necessária, de fazer aparecer coisas. Dinheiro no bolso ou na cartola, por exemplo. Só desaparecia. Sabia, pois sonhou com isso, que as pessoas que desapareciam, forçosamente apareciam em outros lugares. Os solitários caíam em antigas aldeias festivas e geralmente eram solicitados a cantar ou tocar. Os tímidos ou feios terminavam em serviço social, os hospitais do outro lado do mundo, os contratavam para atender pacientes. Os que estavam terrivelmente molestados, com pouco tempo de vida, iam para as guerras fronteiriças, e na luta, descobriam um sentido imediato de vida. Morriam úteis, sem saber se foi a bala ou o tumor.

    Foi só quando Carolina confessou o seu amor, um amor que seria sempre proibido, que ele se lembrou do conselho do caixeiro-viajante e tornou a frase ao avesso: vida é ilusão. E programou seu último número, às ocultas.

    Naquela última noite, o mágico fez tudo às pressas, tão nervoso estava. Alguns números não funcionaram. Outros, arrancaram risadas, outros ainda nem foram aplaudidos. Deixou pra o final, já cansado e com a cartola jogada no canto do palco, o número da cabine. Olhou para a platéia (SIC.) na luz difusa e com um gesto, chamou a filha do dono do estabelecimento. Tudo combinado, ela veio às pressas, enquanto o pai estava ocupado, com urgências de última hora. E quando entrou na cabine, o mágico suspirou aliviado e sem muita cerimônia, para surpresa do público, também entrou, uma maleta nas mãos. Fechou e entrou no abafado mundo do seu talento. Escuro estava. Tateou até encontrar uma mão trêmula e febril. Podia ser Carolina ou a ilusão que lhe convinha, não importa.

    Desaparecer sempre era um bom começo.


ANDRÉ RICARDO AGUIAR nasceu em Itabaiana, Paraíba e ficou tempo suficiente nesta zona rural para adquirir o olhar para as coisas mais básicas da vida, tempo e memória. Veio para João Pessoa, tomou contato com livros e bibliotecas e nunca mais parou de beber da fonte. Passou por jornalismo e letras e através de muitas amizades, integrou os movimentos culturais do fim de século, além de colaborar com jornais e revistas, entre eles, Correio das Artes, sua estreia. Participou de concursos literários, fundou o selo Trema, junto com Antonio Mariano e José Caetano e ajudou a fundar o Clube do Conto da Paraíba. Começou na poesia, publicando AFlor em Construção (Idéia), Alvenaria (Ed. UFPB). Em seguida, o livro de crônicas de viagem Bagagem Lírica (Sal da Terra) e os infantis O rato que roeu o rei (Rocco) e Pequenas Reinações. Tem inéditos outros livros.

Fonte: https://clubedoconto.blogspot.com/search/label/Conto 

 

O texto "O Mágico" apresenta uma variedade de recursos linguísticos, incluindo onomatopeias. Identifique a onomatopeia presente no trecho abaixo, utilizada para descrever o momento do truque de desaparecimento no texto:


"Na boate, a plateia entediada, como a esperar que ele fosse apenas a atração secundária para o show com mulheres voluptuosas. Então, de pirraça, começou a desaparecer com pessoas. Escolhia ao acaso, na plateia, aqueles seres desacompanhados, que geralmente ficavam nos cantos apenas pedindo, com os gestos mínimos, para não serem perturbados. Mas quando chamados, talvez para evitar um constrangimento na recusa, iam ao palco e se submetiam à humilhação de serem vistos e analisados com os olhares. Durava pouco, pois entravam numa cabine e, num zastrás, o vazio apenas, o holofote chicoteava e pronto, música de finalização."

Alternativas
Q3202117 Português
O Texto II sugere uma nova versão da Barbie, fugindo dos padrões estereotipados geralmente associados a esse produto, representando uma mulher comum em situações do cotidiano. Com base na descrição fornecida no texto em questão, assinale a alternativa que expressa a crítica social implícita na representação da Barbie Brasileira:
Alternativas
Q3202118 Português
O Texto II apresenta uma representação crítica da Barbie, afastando-se dos estereótipos tradicionais associados à boneca da empresa Mattel (branca, loira, corpo perfeitamente esculpido, chegando a ser inverossímil com as proporções de uma humana real, circunscrevendo um ideal de beleza quase inalcançável), construindo uma caricatura bem-humorada para fazer uma crítica aos padrões socais de beleza e de comportamento. Com base nas características estruturais do texto e considerando a combinação de elementos visuais e verbais, é CORRETO afirmar que o texto:
Alternativas
Q3202119 Português

O Texto II representa a Barbie Brasileira de maneira crítica, abordando temas como a pressão social, problemas financeiros e desafios de saúde. Com base na sátira da Barbie Brasileira no texto em questão, identifique as assertivas que melhor refletem a crítica pretendida no texto sobre a realidade da mulher brasileira, considerando aspectos como pressões sociais, questões financeiras e saúde.



I- A Barbie Brasileira é apresentada como uma figura idealizada, sem enfrentar desafios comuns da vida adulta, contrariando a realidade.


II- O texto destaca a Barbie Brasileira como um modelo positivo de superação, mostrando que ela, aos 30 anos, já superou desafios financeiros e de saúde.


III- A representação da Barbie Brasileira critica a idealização das mulheres, abordando de forma crítica os desafios comuns enfrentados na vida adulta, como problemas financeiros e de saúde.


IV- O texto apresenta a Barbie Brasileira como uma figura trágica, sofrendo precocemente com problemas de saúde e financeiros, sem romantizar uma mensagem de superação.


V- A Barbie Brasileira do cartoon é retratada como uma personagem irreal, exagerando as complexidades da vida adulta, superestimando a realidade brasileira.



É CORRETO o que afirma apenas em: 

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467410 Administração de Recursos Materiais

O almoxarifado é o local adequado e destinado para a armazenagem e proteção dos materiais de uma organização. O almoxarife é o profissional, o qual é responsável pelas atividades do almoxarifado.


Diante deste contexto, analise às afirmativas abaixo em relação ao que cabe ao almoxarife.


I- receber para guarda e proteção os materiais adquiridos pela organização.

II- entregar os materiais indiscriminadamente aos membros da organização.

III- impedir em todos os casos a expedição de materiais para terceiros.

IV- manter a acuracidade dos estoques.


É CORRETO que se afirma apenas em:

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467411 Comunicação Social
É importante que o almoxarife mantenha um sistema de comunicação com todos os membros da organização envolvidos com o seu trabalho. A comunicação abrange a transferência e compreensão de significado. O processo de comunicação envolve uma série de elementos distintos. Em meio ao processo de comunicação ocorre a reação ao ato de comunicação, que possibilita a verificação do sucesso da transmissão de uma mensagem, conforme pretendida inicialmente, determinando se houve ou não a compreensão. Esta etapa do processo de comunicação corresponde ao conceito de: 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467412 Administração Pública
Eficiência e Eficácia são conceitos centrais no processo de avaliação do desempenho das organizações e de seus integrantes. Tendo em vista a sua importância, relacione os conceitos de eficiência e eficácia presentes na coluna da esquerda com as afirmativas da coluna da direita. 

imagem_sobre eficiência e eficácia..png (640×82)


Assinale a alternativa que relaciona CORRETAMENTE os conceitos de eficiência e eficácia com suas respectivas características. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467413 Administração de Recursos Materiais

A classificação corresponde a ordenar segundo critérios adotados, agrupando materiais de acordo com suas semelhanças. Já a codificação busca representar todas as informações necessárias, suficientes e desejadas por meio de números e/ou letras, com base em toda a classificação obtida do material. Arespeito dos conceitos de classificação e codificação, analise as afirmativas a seguir:


I- O tipo de classificação de materiais pelo critério de perecibilidade considera prioritariamente a análise de risco, caso esses materiais não estejam disponíveis quando necessário.

II- A classificação de materiais pelo critério de periculosidade busca identificar materiais que possuam características físicoquímicas que ofereçam riscos à segurança.


III- O sistema de codificação decimal utiliza uma combinação de letras e números, como no exemplo: BF - 2813.


É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467414 Administração de Recursos Materiais

O Inventário físico busca, por meio da contagem periódica dos materiais, comparar os estoques físicos com os estoques registrados no controle da organização. O inventário pode ser geral, realizado anualmente e abrangendo todos os itens de estoque de uma só vez, ou inventário rotativo, no qual contagens recorrentes são distribuídas ao longo do ano abrangendo grupos reduzidos de itens a cada contagem. Arespeito dos inventários geral e rotativo, analise as afirmativas a seguir:


I- O inventário geral, realizado anualmente, representa um esforço concentrado, que gera um pico de custo.

II- O inventário rotativo gera grande impacto nas atividades rotineiras da organização, uma vez que exige a suspensão das atividades do almoxarifado a cada contagem.

III- O inventário rotativo oferece aprimoramento contínuo da confiabilidade dos estoques registrados.


IV- O inventário geral, realizado anualmente, permite a identificação imediata das causas de divergências entre estoque físico e registros.


É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467415 Administração de Recursos Materiais

A embalagem tem como principais funções a utilidade e eficiência no manuseio do material, proteção contra avarias e comunicação. No que compete à embalagem dos materiais, analise as afirmativas a seguir:


I- Na proteção dos materiais contra avarias é necessário definir uma embalagem padrão a ser utilizada no acondicionamento de todos os materiais, a fim de garantir maior economia.


II- As avarias em materiais podem acontecer por transporte, armazenagem e manuseio.


III- Quanto menor o controle sobre o ambiente físico, maiores os cuidados com a embalagem dos materiais para evitar avarias.


É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467416 Administração de Recursos Materiais
Ao lidar com materiais de diferentes tipos e características, é possível optar por maneiras diversas de estocagem de materiais. A armazenagem de materiais de pequenas dimensões, como parafusos, porcas ou pequenos componentes eletrônicos devem ser feitas por meio da seguinte técnica de estocagem:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467417 Logística
O arranjo mais indicado para a paletização de material deve levar em consideração uma série de aspectos, dentre eles a capacidade de entrelaçamento das várias unidades de um arranjo, garantindo a minimização do espaço ocupado. Este aspecto é conhecido como:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467418 Administração de Recursos Materiais
A movimentação de materiais deve observar alguns cuidados a fim de alcançar maior eficiência. Dentre estes cuidados, estão a redução da frequência de transporte manual, uma vez que o transporte mecânico custa menos que as operações de carga e descarga, levantamento e armazenamento. Esta preocupação com a movimentação de materiais pode ser denominada:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2024 - UEPB - Almoxarife |
Q3467419 Administração de Recursos Materiais

Um sistema de movimentação de materiais adequado pode gerar uma série de impactos positivos para a organização. A este respeito analise as afirmativas a seguir:


I- Um sistema de movimentação de materiais que adote equipamentos de manuseio substituindo a mão de obra humana acarretará a redução de custos de mão de obra.

II- A implantação de um sistema de movimentação de materiais implica à redução da produtividade da organização, uma vez que exigirá alocação de equipe de trabalho para atividades específicas de movimentação de materiais.

III- Um sistema de movimentação de materiais proporciona maior segurança no ambiente de trabalho, já que a adoção de cargas unitárias e equipamentos de movimentação, obedecidos os critérios de segurança, reduzem o risco de acidentes.


É CORRETO o que se afirma apenas em: 

Alternativas
Respostas
1: D
2: E
3: E
4: B
5: B
6: D
7: B
8: A
9: C
10: E
11: D
12: C
13: A
14: B
15: B
16: C
17: E
18: E
19: A
20: D