Questões de Concurso Público UEL 2024 para Conhecimentos Gerais

Foram encontradas 5 questões

Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903290 Literatura

Leia a seguinte passagem do 2º. Ato de O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade. 


ABELARDO I — O catolicismo declara que esta vida é um simples trânsito. De modo que os que passaram mal, trabalhando para os outros, devem se resignar. Comerão no céu...

HELOÍSA — E os outros?

ABELARDO I — Os outros não precisam nem acreditar. Podem até adotar o ceticismo ioiô. A vida é um eterno ir e vir... ioiô...

HELOÍSA — E quando enrosca?

ABELARDO I — Aí apela-se para Schopenhauer. E imediatamente adota-se a filosofia do tiro no ouvido... Deve doer, não? O mundo então é uma miséria. Como Deus não existe mais. Só há um remédio. O salto no Nirvana.

HELOÍSA — Por isso é que você se aniquilou em mim...

ABELARDO I — De fato, a minha vida enroscou na sua, Heloísa. Num momento grave, em que é preciso lutar e vencer. Sem piedade. De uma maneira fascista mesmo. Vou me aliar ao Perdigoto e ao Bensaúde. Eles têm utilidade.

HELOÍSA — Você disse que aqui isso não seria possível.

ABELARDO I — Tenho estudado melhor. Somos parte de um todo ameaçado — o mundo capitalista. Se os banqueiros imperialistas quiserem... Você sabe, há um momento em que a burguesia abandona a sua velha máscara liberal. Declara-se cansada de carregar nos ombros os ideais de justiça da humanidade, as conquistas da civilização e outras besteiras! Organiza-se como classe. Policialmente. Esse momento já soou na Itália e implanta-se pouco a pouco nos países onde o proletariado é fraco ou dividido...


ANDRADE, Oswald. O Rei da Vela. 2. Ed. São Paulo: Globo, 2003, p. 89-90


Com base no trecho e nos conhecimentos sobre a obra, considere as afirmativas a seguir.


I. Para Abelardo I, o catolicismo levaria à resignação durante a vida em favor de uma recompensa após a morte.


II. A referência ao momento que “já soou na Itália” diz respeito à influência que a vanguarda futurista exercia sobre a literatura modernista brasileira.


III. Diferentemente do catolicismo, o “ceticismo ioiô”, para o qual a vida é um “eterno ir e vir”, retiraria o trabalhador da resignação e o emanciparia.


IV. Representante da burguesia, Abelardo I abandona sua máscara liberal ao propor aliar-se com fascistas e ao tratar como besteiras “os ideais de justiça da humanidade”.


Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903291 Literatura
Sobre a obra O Rei da Vela, considere as afirmativas a seguir.
I. Em vez de uma análise suavizada da realidade nacional, Oswald de Andrade propõe um desmascaramento do Brasil, uma vez que a peça se vale de procedimentos como a paródia, a metalinguagem e a crítica mordaz ao passado.
II. Ao dar às personagens os nomes de Heloísa e Abelardo, Oswald de Andrade abandona a verossimilhança do drama realista, porquanto parodia o encontro amoroso desse casal trágico do século XII.
III. O fato de as personagens serem nomeadas Heloísa e Abelardo aponta para as características do Romantismo, que influenciou fortemente Oswald de Andrade e o Modernismo brasileiro.
IV. O traço mais característico do Modernismo brasileiro em O Rei da Vela é o fato de se apresentar como um texto dramático, uma vez que esse gênero se desenvolveu no Brasil a partir do século XX.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903292 Literatura
Entre 1784 e 1788, Luís Cunha Menezes foi governador da Capitania de Minas Gerais. Os seus projetos retiravam autonomia administrativa da capitania. O governo de Menezes, extremamente autoritário, causou descontentamento às elites locais (entre as quais estavam os poetas Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga), uma vez que diminuiu a sua influência e participação em postos administrativos – ao contrário do que se passava no governo anterior. É nesse contexto que Tomás Antônio Gonzaga escreveu as Cartas Chilenas, poema satírico que denunciava as mazelas e desmandos de Menezes, cognominado “Fanfarrão Minésio”. Nesse sentido, leia o trecho a seguir.
Pretende, Doroteu, o nosso Chefe Erguer uma Cadeia majestosa, Que possa escurecer a velha fama Da Torre de Babel, e mais dos grandes, Custosos edifícios, que fizeram, Para sepulcros seus, os Reis do Egito. Talvez, prezado Amigo, que imagine Que neste monumento se conserve, Eterna a sua glória; bem que os povos Ingratos não consagrem ricos bustos, Nem montadas estátuas ao seu nome. Desiste, louco Chefe, dessa empresa: Um soberbo edifício levantado Sobre ossos de inocentes, construído Com lágrimas dos pobres, nunca serve De glória ao seu autor, mas sim de opróbrio. Desenha o nosso Chefe sobre a banca Desta forte Cadeia o grande risco À proporção do gênio, e não das forças Da terra decadente, aonde habita.
GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 60.

Com base na obra Cartas chilenas e nos conhecimentos sobre a Conjuração Mineira, considere as afirmativas a seguir.

I. Um dos estopins da Conjuração Mineira foi a ameaça de cobrança da “derrama” pela Coroa Portuguesa.

II. A menção à Torre de Babel e aos sepulcros dos Reis do Egito mostra o desejo do eu-lírico de que a construção da Cadeia assegure glória eterna ao Chefe.

III. O poema apresenta irregularidade métrica, uma vez que os versos se alternam entre decassílabos e hendecassílabos.

IV. A menção a “ossos de inocentes” e a “lágrimas de pobres” refere-se ao uso de trabalho forçado na construção da Cadeia.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903308 Literatura

Leia o poema O Quinto Império, de Fernando Pessoa, a seguir, e responda à questão abaixo.


Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz —

Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,

Europa — os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?


PESSOA, Fernando. Melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção Teresa Rita Lopes. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, p. 54-55. 

Com base no poema O Quinto Império, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903312 Literatura
Leia o texto e analise a imagem a seguir.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-, eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! (...) De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! PESSOA, Fernando. Melhores poemas. São Paulo: Global. 2004, p. 68.


                                                                 Imagem associada para resolução da questão

                                                                                       Giacomo Balla

Com base no texto e na imagem, assinale a alternativa que apresenta o movimento artístico-literário correspondente. 
Alternativas
Respostas
1: B
2: A
3: B
4: E
5: A