Questões de Concurso Público Prefeitura de Santa Helena - PB 2023 para Professor da Educação Básica I

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Q3556688 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O texto de Clarice Lispector, quanto à sua organização interna, estrutura-se como uma sequência classificada como narrativa. Essa afirmativa se justifica conceitualmente com base no que se observa na alternativa: 
Alternativas
Q3556689 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A idade da personagem Cândida Raposa é enfatizada no texto, pois:
Alternativas
Q3556690 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O texto clariceano se constrói por meio de uma preocupação com a forma, que se reflete no emprego de uma linguagem artística; assim, a imagem simbólica construída na passagem “Mudos fogos de artifícios.” (23º parágrafo) estrutura-se com o uso de um recurso estilístico:
Alternativas
Q3556691 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Tendo em vista a unidade de sentido da narrativa, a sequência textual “Depois chorou. Tinha vergonha.” (23º parágrafo), assim apresentada, contribui para a progressão das ideias, uma vez que estabelece determinada relação semântica, mesmo sem conectivo explícito. Essa relação semântica poderia ser estabelecida com a ajuda de todos os conectivos apontados abaixo, fazendo-se as adaptações necessárias para unir os dois períodos em um só, com EXCEÇÃO da alternativa:
Alternativas
Q3556692 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Analisando-se a estruturação dos períodos que compõem o texto, mais especificamente o período “Essa senhora tinha a vertigem de viver.” (2º parágrafo), a oração destacada apresenta uma natureza:
Alternativas
Q3556693 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Levando-se em consideração os conhecimentos referentes ao emprego do acento grave indicativo de crase, assinale a alternativa abaixo em que, se houvesse o acréscimo de tal acento no termo destacado, manter-se-ia a correção gramatical: 
Alternativas
Q3556694 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
No excerto “É a vida, senhora Raposo, é a vida.” (23º parágrafo), as vírgulas foram empregadas, já que separam um(a):
Alternativas
Q3556695 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A estrutura verbal em destaque no fragmento “Fora linda na juventude.” (2º parágrafo) está flexionada em determinado modo e tempo. Essa mesma flexão se repete no verbo destacado na alternativa: 
Alternativas
Q3556696 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O sintagma adverbial “de carro”, que consta no excerto “A filha esperava-a embaixo, de carro.” (22º parágrafo), assume o valor semântico de: 
Alternativas
Q3556697 Português
Ruído de passos
    Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
    Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
    Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
    Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
    – Quando é que passa?
    – Passa o quê, minha senhora?
    – A coisa.
    – Que coisa?
    – A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
    – Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
    – Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
    – Não importa, minha senhora. É até morrer.
    – Mas isso é o inferno!
    – É a vida, senhora Raposo.
    A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
    – E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
    – Não há remédio, minha senhora.
    – E se eu pagasse?
    – Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
    – E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
    – É, disse o médico. Pode ser um remédio.
    Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
    Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
    A morte.
    Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.

LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A identificação do sujeito do verbo “haver”, presente na passagem “– Não remédio, minha senhora.”, encontra-se corretamente apontada em:
Alternativas
Q3561821 Português
“Cada criança ou jovem brasileiro, mesmo de locais com pouca infraestrutura e condições socioeconômicas desfavoráveis, deve ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários para o exercício da___________ para deles poder usufruir. Se existem diferenças socioculturais marcantes, que determinam diferentes necessidades de aprendizagem, existe também aquilo que é comum a todos, que um aluno de qualquer lugar do Brasil, do interior ou do litoral, de uma grande cidade ou da zona rural, deve ter o direito de aprender e esse direito deve ser garantido pelo Estado.”
Fonte: http://portal. mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf
Assinale a alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do texto:
Alternativas
Q3561824 Português
A ciência cognitiva da leitura afirma que, ao contrário do que supõem certas teorias, a aprendizagem da leitura e da escrita não é natural nem espontânea. Não se aprende a ler como se aprende a falar. A leitura e a escrita precisam ser ensinadas de modo ____________________, evidência que afeta diretamente a pessoa que ensina (DEHAENE, 2011).
Assinale a alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do texto:

Alternativas
Q3561830 Português

Leia: 


Imagem associada para resolução da questão

Fonte: https://www.zinecultural.com/blog/melhorestirinhas-da-mafalda


Com base, no recurso didático, apresentado, e sua aplicabilidade, em sala de aula, temos que: 

Alternativas
Q3561831 Português
“E um conhecimento que não está de uma maneira clara, no texto e que exige do leitor uma competência abrangente, como: vocabulário rico, conhecimento de regras ortográficas e gramaticais e o conhecimento sobre o uso da língua; desempenha um papel fundamental na compreensão das palavras no texto. É ele que permitira ao leitor identificar as categorias das palavras e as suas respectivas funções no texto.”
Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=5707-escola-ativa-alfabetizacao1-educador&itemid=30192
Sobre os níveis de conhecimento prévio que entram em jogo, durante a leitura, de acordo com o Ministério da Educação - MEC, o excerto discorre sobre:
Alternativas
Respostas
1: C
2: B
3: A
4: C
5: D
6: E
7: B
8: D
9: A
10: E
11: E
12: A
13: A
14: D