Questões de Concurso Público Prefeitura de Aquiraz - CE 2025 para Guarda Civil Municipal

Foram encontradas 50 questões

Q4043729 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a mudança de perspectiva apresentada no texto em relação ao debate sobre o petróleo.
Alternativas
Q4043730 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que interpreta CORRETAMENTE a divergência entre as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), conforme apresentada no texto.
Alternativas
Q4043731 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a função do “Cenário de Políticas Atuais”, reintroduzido pela AIE, no contexto argumentativo do texto.
Alternativas
Q4043732 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE no trecho uma locução adverbial.
Alternativas
Q4043733 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE o termo destacado no trecho: “A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas”.
Alternativas
Q4043734 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
No trecho “São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável”, o termo oracional destacado exerce a função sintática de: 
Alternativas
Q4043735 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE um termo destacado que rege preposição obrigatoriamente.
Alternativas
Q4043736 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
No trecho “Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo”, a locução introduz a noção de:
Alternativas
Q4043737 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
No trecho “estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, a palavra destacada é formada por: 
Alternativas
Q4043738 Português
TEXTO

        O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

        A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo. 

        As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força. Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

        Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

        Em seu relatório World Energy Outlook 2025, publicado em novembro, o principal “Cenário de Políticas Declaradas” da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima. Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo, o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

        Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida. Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

        Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas.

        Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, considera a retomada do cenário conservador pela AIE um “aspecto positivo”, pois a medida prova que o mundo “não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas e não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética”.

        Holz ironizou que “os americanos provavelmente não tinham essa intenção” quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso. Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro de 2025.

        São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas. 

        O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos estão em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

        Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

        “Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico”, disse Turiel. “Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida”. Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos “já passaram do seu pico de produção”.

        Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar. “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030”, disse. “Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos”.

        Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: “Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis.”.

        Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo. Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia. (...) 

Fonte: MARTIN, Nik. Como o mundo caminha para a queda na
produção de petróleo. Disponível em:
<https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-naprodução-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a 75334091>. Último acesso em 27 de fevereiro de 2026. (Texto adaptado).
No trecho “É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas”, o termo destacado deve ser classificado como:
Alternativas
Q4043739 Noções de Informática
Um usuário está utilizando uma versão recente doMicrosoft Word, em português, para elaborar um documento. Após criar uma pasta e iniciar um documento em branco, ele digita a seguinte frase:
Fortaleza Ceará Brasil
Inicialmente, a frase está com a fonte “Aptos”, tamanho 12, sem qualquer efeito adicional de formatação. O cursor encontra-se ao final da linha.
Nesse momento, o usuário realiza a seguinte sequência de atalhos:
1) Ctrl + Shift + ← (seta para esquerda)
2) Ctrl + ]
3) Ctrl + Shift + ← (seta para esquerda)
4) Ctrl + ]
5) Ctrl + Shift + ← (seta para esquerda)
6) Ctrl + ]
Diante do exposto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4043740 Noções de Informática
Considere um usuário que utiliza uma versão recente do Microsoft Word, em português, para montar uma apostila de treinamento. Ele descobre que o Word oferece um recurso que permite adicionar vínculos, possibilitando saltar para um local específico do documento. Diante do exposto, assinale a alternativa que traz a localização e o nome desse recurso no Microsoft Word
Alternativas
Q4043741 Noções de Informática
Um usuário está utilizando uma versão recente do Microsoft Word, em português, para elaborar um documento. Após criar uma pasta e iniciar um documento em branco, ele digita a seguinte frase:
Fortaleza Ceará Brasil 
Inicialmente, a frase está com a fonte “Aptos”, tamanho 12, sem qualquer efeito adicional de formatação. O cursor encontra-se ao final da linha. Nesse momento, o usuário realiza uma operação de formatação que gera o seguinte resultado:
FORTALEZA CEARÁ BRASIL
Diante do exposto, assinale a alternativa que indica o nome da formatação aplicada à frase pelo usuário no Microsoft Word para obter o resultado apresentado.
Alternativas
Q4043742 Segurança da Informação
No contexto da segurança da informação, garantir a confidencialidade significa: 
Alternativas
Q4043743 Segurança da Informação
Analise as sentenças a seguir acerca das boas práticas para navegar na internet com segurança:
I- Evitar links desconhecidos ou suspeitos.
II- Compartilhar senhas por mensagem instantânea.
III- Usar senhas fortes e únicas.
IV- Usar Wi-Fi público para transações bancárias.
V- Instalar programas apenas de fontes confiáveis.
Estão CORRETAS:
Alternativas
Q4043744 Raciocínio Lógico
Em uma fábrica de celulares, 12.000 aparelhos foram analisados após um ano de uso. Verificou-se que 5.000 apresentavam problemas na bateria, 3.200 apresentavam falhas na tela e 1.500 apresentavam ambos os problemas. Com base nessas informações, o número de celulares que não apresentavam nenhum desses problemas é:
Alternativas
Q4043745 Matemática
Em uma livraria, o preço de um determinado livro foi reajustado, sofrendo um aumento de 15%. Como consequência, a quantidade de exemplares foi reduzida em 15%. Com base nessas informações, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4043746 Matemática
A respeito de geometria básica, julgue as sentenças a seguir e assinale a alternativa correta.
I- As diagonais de um quadrado são perpendiculares entre si.
II- A soma dos ângulos internos de um triângulo sempre totaliza 360 graus.
III- Triângulo acutângulo: todos os ângulos são agudos (menos de 90 graus).
Alternativas
Q4043747 Matemática Financeira
Renata foi a uma papelaria e comprou os seguintes materiais:
• 8 cadernos por R$ 18,90 cada.
• 5 canetas por R$ 4,75 cada.
• 3 estojos por R$ 27,40 cada. 
No caixa, ela recebeu um desconto de 12% sobre o valor total da compra. Em seguida, pagou a compra com duas notas de R$ 200,00.
O valor do troco recebido por Renata foi, aproximadamente:
Alternativas
Q4043748 Matemática
O Sistema Métrico Decimal é, atualmente, o mais empregado para medir comprimentos e distâncias. No entanto, em certas situações, ainda se observa o uso de diferentes unidades de medida.
Considere as seguintes equivalências:
• 1 polegada = 2,54 cm.
• 1 jarda = 3 Pés.
• 1 jarda = 0,91 m.
3580.Com base nessas informações, 3 pés equivalem, em polegadas, a aproximadamente: 
Alternativas
Respostas
1: A
2: C
3: B
4: A
5: D
6: C
7: B
8: D
9: B
10: C
11: A
12: A
13: D
14: B
15: A
16: B
17: D
18: C
19: C
20: D