Questões de Concurso Público SEDUC-PI 2026 para Professor da Educação Básica - Disciplina: Português

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Q3963475 Português

Texto CG1A1-I 


     — Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.

     Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.

     — Venha cá! bradou o mestre.

     Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos. 

     — Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo. 

     — Eu...

     — Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou. 

     Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória. 



Machado de Assis. Conto de escola. In: 50 contos de Machado de Assis

São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 331. 

O texto CG1A1-I caracteriza-se, predominantemente, como 
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Q3963476 Português

Texto CG1A1-I 


     — Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.

     Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.

     — Venha cá! bradou o mestre.

     Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos. 

     — Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo. 

     — Eu...

     — Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou. 

     Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória. 



Machado de Assis. Conto de escola. In: 50 contos de Machado de Assis

São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 331. 

No texto CG1A1-I, a palavra “conquanto”, em “Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos” (quarto período do quarto parágrafo), expressa circunstância de 
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Q3963477 Português

Texto CG1A1-I 


     — Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.

     Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.

     — Venha cá! bradou o mestre.

     Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos. 

     — Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo. 

     — Eu...

     — Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou. 

     Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória. 



Machado de Assis. Conto de escola. In: 50 contos de Machado de Assis

São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 331. 

No sétimo e no oitavo parágrafos do texto CG1A1-I, há três ocorrências do pronome átono “lhe”: a primeira está no trecho “Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu!”; a segunda, no trecho “Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda” e a terceira, no trecho “saquei-a e entreguei-lha”. Nessas três ocorrências, o pronome é empregado, respectivamente, em referência
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Q3963478 Português

Texto CG1A1-II 


Antonio Candido lembrava-se do método que o pai usava para aproximar os filhos da leitura. “Por exemplo: um belo dia, quando eu tinha mais ou menos nove anos, meu irmão do meio, sete, e o caçula, seis, ele nos deu os dois volumes alentados do Larousse universal, dizendo: „brinquem com isto‟. E nós começamos a brincar, a ver as pranchas coloridas com mapas, uniformes, mamíferos, répteis, borboletas, peixes etc. Depois de passar um ano colorindo perucas de personagens históricos, pondo bigodes em imperadores romanos, cavanhaque em Luís XIV e coisas assim, tínhamos adquirido bastante familiaridade com muitos verbetes e aprendido um pouco de francês, reforçado pelas lições de minha mãe”.


Elizabeth Lorenzotti. Antonio Candido, professor. In: Revista Giz, 2017.

Internet: < revistagiz.sinprosp.org.br> (com adaptações). 

Entende-se da leitura do texto CG1A1-II que, para aproximar os filhos da leitura, o pai de Antonio Candido
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Q3963479 Português

Texto CG1A1-II 


Antonio Candido lembrava-se do método que o pai usava para aproximar os filhos da leitura. “Por exemplo: um belo dia, quando eu tinha mais ou menos nove anos, meu irmão do meio, sete, e o caçula, seis, ele nos deu os dois volumes alentados do Larousse universal, dizendo: „brinquem com isto‟. E nós começamos a brincar, a ver as pranchas coloridas com mapas, uniformes, mamíferos, répteis, borboletas, peixes etc. Depois de passar um ano colorindo perucas de personagens históricos, pondo bigodes em imperadores romanos, cavanhaque em Luís XIV e coisas assim, tínhamos adquirido bastante familiaridade com muitos verbetes e aprendido um pouco de francês, reforçado pelas lições de minha mãe”.


Elizabeth Lorenzotti. Antonio Candido, professor. In: Revista Giz, 2017.

Internet: < revistagiz.sinprosp.org.br> (com adaptações). 

No texto CG1A1-II, a função primordial das vírgulas empregadas nos segmentos “meu irmão do meio, sete” e “o caçula, seis” (segundo período) é 
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Q3963480 Português

Texto CG1A1-II 


Antonio Candido lembrava-se do método que o pai usava para aproximar os filhos da leitura. “Por exemplo: um belo dia, quando eu tinha mais ou menos nove anos, meu irmão do meio, sete, e o caçula, seis, ele nos deu os dois volumes alentados do Larousse universal, dizendo: „brinquem com isto‟. E nós começamos a brincar, a ver as pranchas coloridas com mapas, uniformes, mamíferos, répteis, borboletas, peixes etc. Depois de passar um ano colorindo perucas de personagens históricos, pondo bigodes em imperadores romanos, cavanhaque em Luís XIV e coisas assim, tínhamos adquirido bastante familiaridade com muitos verbetes e aprendido um pouco de francês, reforçado pelas lições de minha mãe”.


Elizabeth Lorenzotti. Antonio Candido, professor. In: Revista Giz, 2017.

Internet: < revistagiz.sinprosp.org.br> (com adaptações). 

No segundo período do texto CG1A1-II, o vocábulo “alentados” é empregado com o sentido de 
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Q3975383 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Em relação ao texto 12A1-I, julgue os itens a seguir.


I No trecho „Se ela soubesse como Ceci consola a gente.‟ (segundo período do terceiro parágrafo), a forma pronominal „a gente‟ inclui a personagem principal do excerto.

II No primeiro período do quarto parágrafo, o sujeito gramatical de terceira pessoa do singular que se identifica em “sentava-se” remete à personagem principal do excerto.

III No penúltimo parágrafo, o segmento “a um palmo ou dois de distância”, que funciona sintaticamente como adjunto adverbial, descreve o caminho percorrido pela personagem.


Assinale a opção correta. 

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Q3975384 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do primeiro período do texto 12A1-I.
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Q3975385 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Da leitura do texto 12A1-I conclui-se que o agente das ações verbais expressas nas orações “Mordia a língua”, “caprichando” e “entortava a cabeça”, presentes no segundo período do primeiro parágrafo, remete a
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Q3975386 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do segundo parágrafo do texto 12A1-I.
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Q3975387 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Em relação a aspectos linguísticos do penúltimo parágrafo do texto 12A1-I, julgue os itens a seguir.


I Na expressão “na beira do cais”, pode-se substituir “na” por à, sem prejuízo da correção gramatical.

II A oração “quando o rio baixava” expressa circunstância de tempo.

III A expressão “a ponta dos dedos” funciona sintaticamente como adjunto adverbial e expressa circunstância de lugar.

IV Os verbos espumar e correr, em “espumando, correndo”, classificam-se como intransitivos.


Assinale a opção correta. 

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Q3975388 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

A respeito das orações que compõem o último período do texto 12A1-I, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3975389 Português

Texto 12A1-I


Ao lado estava a caixinha de costura, o novelo de linha, o papel com agulhas — a tesoura enferrujada da avó mal cortava os trapos. Mordia a língua, caprichando, entortava a cabeça, mas acabava rasgando os pedaços de pano. Precisava mandar amolar a tesoura, precisava mandar amolar a tesoura, “está cheia de dente, um serrote”. Há muito tempo pensava em amolar aquele traste.


A boneca Ceci esperava de olhos duros o vestido novo — porque em nova forma — se ajeitando nos retalhos furta-cores roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira.


— O tempo todo com essa boneca, está doida? “Se ela soubesse como Ceci consola a gente.”


As tardes sempre paradas quando o rio baixava, sentava-se na beira do cais, a água no tornozelo, fria e suave, mais tarde a tocar a ponta dos dedos, até ficar a um palmo ou dois de distância, espumando, correndo.


O rio enchia e secava, e ela nas pedras mornas — o barulho de tudo sem uma identificação precisa. Quantos vestidinhos ganhou Ceci naquelas tardes sem conta? Quando não tinha mais retalhos, virava o último vestido pelo avesso, o sujo sumia, Ceci não tinha mais queixas, “agora você está nova em folha”.


Francisco de Assis Almeida Brasil. Beira rio, beira vida. 15.ª edição, Teresina: Edições do Autor, 2013, p. 19

Em cada uma das opções a seguir, é apresentada uma proposta de reescrita para o trecho “Quando não tinha mais retalhos”, no último período do texto 12A1-I. Assinale a opção em que a proposta de reescrita apresentada preserva a correção gramatical e os sentidos do texto.
Alternativas
Q3975390 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
Assinale a opção correta acerca de aspectos linguísticos pertinentes ao primeiro período do texto 12A1-II: “Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua.”
Alternativas
Q3975391 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
Assinale a opção em que a proposta de substituição, no texto 12A1-II, da forma verbal “ensinam-se” (terceiro período) está de acordo com o uso da língua portuguesa em situações formais de linguagem.
Alternativas
Q3975392 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos a aspectos linguísticos do penúltimo período do texto 12A1-II: “Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação.”


I O verbo da primeira oração do período classifica-se como transitivo direto e indireto.

II O verbo que compõe a segunda oração do período classificase como transitivo direto.

III O predicado da oração “isso seria pura mistificação” classifica-se como nominal.


Assinale a opção correta.

Alternativas
Q3975393 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
A coerência das ideias do texto 12A1-II seria mantida caso a expressão “No entanto” (antepenúltimo período) fosse substituída por
Alternativas
Q3975394 Português
Texto 12A1-II

Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.


Lúcia Lobato. Linguística e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
Assinale a opção correta no que diz respeito a aspectos linguísticos do quarto período do texto 12A1-II — “Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua.”
Alternativas
Q3975395 Português

Mátria

Laís Romero


Meu corpo encontrou um ritmo

meu corpo abrigo

país dos meus filhos

meu corpo ferido frio

corpo dormindo

capataz dos meus delírios

corpo vasto território

corpo de corte e tintura

mapa em relevo da dor

meu corpo sereno

corpo, pelos e suor

meu corpo diz e asseguro

estar a caminho

no presente

e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso

Coragem, eu insisto


Laís Romero. Mátria. São Paulo: Editora Paraquedas, 2023

Laís Romero é um dos expoentes da literatura contemporânea piauiense. Da leitura e interpretação de seu poema Mátria é correto concluir que
Alternativas
Q3975396 Português

Mátria

Laís Romero


Meu corpo encontrou um ritmo

meu corpo abrigo

país dos meus filhos

meu corpo ferido frio

corpo dormindo

capataz dos meus delírios

corpo vasto território

corpo de corte e tintura

mapa em relevo da dor

meu corpo sereno

corpo, pelos e suor

meu corpo diz e asseguro

estar a caminho

no presente

e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso

Coragem, eu insisto


Laís Romero. Mátria. São Paulo: Editora Paraquedas, 2023

No poema Mátria, a autora constrói sentidos a partir da repetição da palavra “corpo” e de imagens fragmentadas que se encadeiam ao longo do texto. A respeito da coesão e da coerência do poema, assinale a opção correta.
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: D
4: C
5: D
6: B
7: C
8: B
9: A
10: B
11: B
12: B
13: A
14: C
15: B
16: E
17: E
18: D
19: C
20: E