Texto CB1A1
Em 2019, o Instituto Mundial de Recursos, o Banco
Mundial e a Organização das Nações Unidas (ONU) publicaram
o relatório Recursos mundiais: criando um futuro alimentar
sustentável, com a conclusão de que, para atender a demanda de
uma população estimada em 9,8 bilhões de pessoas em 2050, o
mundo teria de aumentar em 50% ao ano a produção de
alimentos, tomando-se por base o ano de 2010. Para tanto,
também seria preciso melhorar a forma como se produz, com o
uso mais eficiente de recursos naturais, melhoria na gestão,
inovação, desenvolvimento tecnológico e preservação do
ambiente.
A compatibilização entre a ampliação da produção de
alimentos e a preservação dos recursos naturais encontra solução
na incorporação de tecnologias, via aumento da produtividade,
que reduz a pressão sobre a ampliação de novas fronteiras
agrícolas. Nesse pacote tecnológico, estão os corretivos de solo,
os fertilizantes, os defensivos agrícolas, as sementes melhoradas,
a agricultura de precisão, os cultivos intensivos, entre outros.
A crise sanitária de 2020 chamou a atenção para o desafio
da segurança alimentar, que passou a ser uma das principais
preocupações da humanidade. Segundo a Organização das
Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a
fome afeta 828 milhões de pessoas em todo o mundo. Esse
número representa um crescimento de 46 milhões em relação
ao ano de 2021, e 150 milhões desde o início da pandemia de
covid-19. Mesmo diante de uma recuperação econômica, as
estimativas apontam que em 2030 ainda haverá mais de
670 milhões de famintos.
O tema segurança alimentar não estava tão evidente nos
primeiros anos do século XXI, uma vez que a oferta de alimentos
em nível global era adequada e a persistência da fome era muito
mais um problema de renda dos consumidores do que de
disponibilidade física de alimentos. Mas, em 2020, ficou claro
que nem todos os países estavam imunes ao fenômeno, o que deu
origem a um neoprotecionismo que começou a interferir nas
regras de comércio agrícola internacional. É cada vez mais
explícito que a segurança alimentar é um elemento importante
para a manutenção da estabilidade política e social de qualquer
país.
A contribuição para a segurança alimentar, com
sustentabilidade, passa pela agricultura tropical, passível de ser
desenvolvida em toda a América Latina, na África subsaariana e
em países asiáticos. Nesse cinturão tropical do planeta, não
apenas existe muita terra a ser incorporada aos sistemas
produtivos, como também há um potencial ainda maior para a
introdução de novas tecnologias que levam ao aumento da
produtividade.
Internet: <www.cnabrasil.org> (com adaptações).