Questões de Concurso Público INMETRO 2009 para Pesquisador Tecnologista em Metrologia e Qualidade - História da Ciência e da Tecnologia
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Em decisão histórica, a reunião da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em junho de 2009, tornou sem efeito a resolução que excluía Cuba do Sistema Interamericano de Nações. Passaram-se 47 anos de isolamento desde a reunião de Punta Del Este (Uruguai), em 1962, quando foi oficializado o afastamento da ilha.
Folha de S.Paulo, Caderno Fovest, 16/6/2009, p. 6 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o tema por ele focalizado, além do atual cenário americano, julgue os itens seguintes.
A decisão histórica a que o texto se reporta deve ser entendida como o retorno, ainda que de forma atenuada, aos tempos da polarização ideológica que caracterizava a Guerra Fria.
O Renascimento dos séculos XV e XVI foi um amplo movimento de renovação cultural que, iniciado na Itália, disseminou-se por outras regiões europeias e teve no antropocentrismo uma de suas características essenciais.
Ao destacar as rupturas, referindo-se ao momento das grandes descobertas ultramarinas, o texto remete, entre outras possíveis interpretações, à afirmação de uma cultura humanística sobre a visão teocêntrica que caracteriza a cultura europeia no período medieval.
Artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo são, entre muitos outros, protagonistas de uma nova cosmovisão que se construía naquele momento, processo que foi também impulsionado pela ação de homens como Lutero e Calvino, decisiva para o advento da ruptura no Cristianismo.
A Reforma Protestante incentivou a discussão de temas éticos e religiosos, mas, paradoxalmente, inibiu o individualismo e o espírito crítico.
Embora restrita à Alemanha, a invenção de Gutenberg foi essencial para o aparecimento da imprensa, mas, paradoxalmente, por não ser aplicada à confecção de livros, mostrou-se irrelevante para a circulação de ideias naquele contexto de grande efervescência cultural.
As pesquisas de astrônomos como Copérnico e Kepler comprovaram, com o necessário rigor científico, a tese do geocentrismo, derrubando ideias consagradas na Antiguidade Clássica acerca do sistema solar, que perduraram por toda a Idade Média.
As chamadas grandes navegações, que levaram europeus a descobrir terras e povos distantes, inscrevem-se no contexto de profundas transformações que assinalariam, na Europa, o surgimento dos tempos modernos.
A necessidade de dominar aspectos náuticos e de engenharia naval, exigência inevitável da navegação em mar aberto, fez da portuguesa Escola de Sagres importante centro de investigação onde se desenvolveram novos conhecimentos técnicos e científicos em áreas diversas.
A era dos descobrimentos fez avançar o conhecimento, como na astronomia, beneficiada pelo aperfeiçoamento de antigos instrumentos de observação celeste e pela criação de novos aparelhos de medida.
Ainda que embrionariamente, as navegações desempenharam papel significativo para a consolidação, no contexto da ciência moderna, da ideia de que o conhecimento advindo da experiência teria mais credibilidade do que a mera tradição proveniente da Antiguidade Clássica.
A invenção da perspectiva plana, marco inquestionável da trajetória histórica da ciência, da técnica e da arte, inscreve-se entre as grandes inovações surgidas na Renascença europeia.
É consensual a tese de que o nascimento da ciência moderna resulta de um contexto histórico no qual a crescente valorização da técnica se faz em detrimento da filosofia, ou seja, em que o conhecimento relativo à transformação da natureza prescinde de reflexão filosófica e do aprofundamento da relação entre teoria e prática.
Sabendo-se que a evolução técnica é algo que acompanha as sociedades ao longo do tempo, o conceito de revolução, aplicado ao processo iniciado na Inglaterra em meados do século XVIII, pressupõe aceleração das mudanças nas técnicas aplicadas à produção industrial.
O ponto de partida da denominada Revolução Industrial ocorreu com os aperfeiçoamentos da máquina a vapor, de que resultou o novo elemento energético que se manifestou particularmente na produção têxtil e na metalurgia.
As inovações técnicas surgidas pioneiramente na Inglaterra, entre as quais se situam a máquina a vapor, a lançadeira móvel de tear, a máquina de fiar e a prensa hidráulica, transformaram radicalmente o sistema produtivo e possibilitaram a passagem do sistema de produção fabril para o doméstico.
O texto sugere que o aumento da produção é determinado, em larga medida, pelo aprimoramento tecnológico e que a introdução da maquinaria no sistema produtivo propiciou que a produção de mercadorias atingisse níveis até então desconhecidos.
O texto se reporta a um tempo em que o desenvolvimento econômico implicou a substituição da eletricidade e dos derivados do petróleo pelo ferro e pelo vapor como forças motrizes ou fontes de energia básicas para a nova concepção de indústria que se afirmava.
No setor dos transportes e das comunicações, novos inventos e contínuos aperfeiçoamentos técnicos — que permitiram o surgimento, entre outros, do telefone, do telégrafo sem fio, do linotipo e da fotografia cinematográfica — tiveram repercussão na economia ao reduzir distâncias e facilitar as transações comerciais em escala crescente.
No período focalizado no texto, equipamentos caros e organização técnica cada vez mais complexa exigiam pesados investimentos na indústria, razão pela qual multiplicaram-se as sociedades por ações e, em consequência, os grandes conglomerados tenderam a desaparecer, os capitais se desconcentraram e o sistema econômico se democratizou.