Questões de Concurso Público INMETRO 2007 para Pesquisador-Tecnologista - Articulação Internacional
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No que concerne à política externa brasileira na década de 1960, julgue (C ou E) o item a seguir.
Na visão americanista, embora a rigidez da Guerra Fria
nos anos de 1950 tivesse diminuído, o conflito
leste-oeste deveria ser o tema central da política externa
brasileira. O Ocidente representava os ideais de
liberdade, igualdade, fraternidade, humanismo,
racionalismo, ciência e democracia.
No que concerne à política externa brasileira na década de 1960, julgue (C ou E) o item a seguir.
Criada em um mundo dividido em dois blocos, a política
externa independente buscou obter vantagens para o País
como resultado dessa divisão. Ao sublinhar seu empenho
na autodeterminação dos povos, reivindicou maior
liberdade para o Brasil no mundo, levando em
consideração seus interesses econômicos. Procurou
diversificar as relações diplomáticas do Brasil,
principalmente no campo econômico e comercial,
incorporando a Europa Oriental ao universo das relações
do Brasil. Também inclinou-se a assumir uma nova
liderança entre os países em desenvolvimento, mirando-se no exemplo de líderes como Nasser, Tito e Nehru, os
quais pretendiam consolidar e ampliar a independência
política do Terceiro Mundo.
No que concerne à política externa brasileira na década de 1960, julgue (C ou E) o item a seguir.
A política externa independente revelou pragmatismo
inédito nas relações internacionais do Brasil, que
permitiu adotar, para cada problema ou questão concreta,
uma linha de conduta mais próxima dos objetivos
traçados, sem ligação prévia com blocos de nações ou
ideologias. Foi além da definição do interesse nacional
em vista da modificação do processo de desenvolvimento
interno, fundado na maior participação do País no
mercado internacional.
O século 21 assiste à formação de uma nova ecologia das mídias sociais, que reorganiza as relações diplomáticas em âmbito ontológico e epistemológico. Nesse sentido, houve uma transformação da própria natureza da atividade diplomática, que passou a ter de lidar, entre outros elementos, com públicos difusos, organizados ao redor das denominadas networks of selective exposure, e múltiplos canais de comunicação.
A diplomacia digital ensejou a criação de uma esfera pública diplomática, na qual é cada vez mais difícil reconhecer produtores e consumidores de informação. A profusão de atores é um fator que torna as identidades políticas menos claras, exigindo da diplomacia um esforço orientado para as táticas de framing, que articulam e dão sentido a informações de outro modo dispersas.
Nas redes sociais, a separação entre perfis oficiais e perfis pessoais é uma ferramenta que possibilita anular o amálgama entre identidades públicas e privadas, preservando o espaço da comunicação diplomática apesar das tentativas de associar posições pessoais encontradas nas mídias sociais a políticas públicas endossadas institucionalmente.
A atuação da chamada diplomacia pública está relacionada à coordenação semiótica e normativa dos ativos disponíveis na esfera digital. Em vista disso, a diplomacia passa a extrapolar a ação dos agentes estatais e engaja, de modo colaborativo, uma série de posições nacionais e internacionais, distanciando-se de suas atribuições formais.
Acompanhando a agenda econômica e comercial do MERCOSUL, houve avanços na agenda não econômica, entre outros, nos campos educacional, da seguridade social e da livre circulação de pessoas no interior do bloco.
As relações comerciais entre o Brasil e vários países africanos teve um aumento vertiginoso no início deste século (o comércio cresceu mais de quatro vezes entre 2000 e 2013). Atualmente, entre os produtos mais exportados pelo Brasil para a África, encontram-se açúcar, melaço, soja, milho, carne de aves e máquinas agrícolas. No fluxo inverso, entre os produtos de exportações africanas para o Brasil, predominam fertilizantes, petróleo e óleos brutos.
As relações diplomáticas entre o Brasil e alguns países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), tais como Angola e Moçambique, passaram por um período de ressentimentos por parte dos países africanos em razão do reconhecimento bastante tardio das respectivas independências, ocorridas em meados da década de 1970. Tal comportamento do governo brasileiro explica-se em função de pressões norte-americanas, no contexto da Guerra Fria, tendo em vista que esses processos foram liderados por governos socialistas.
A construção do corredor logístico de Nacala, em Moçambique, com a finalidade de facilitar as exportações de produtos agrícolas desse país, contou com a participação majoritária de empresas públicas brasileiras. Trata-se de um exemplo de cooperação triangular, que envolve dois governos (do Brasil e de Moçambique) e uma organização internacional governamental, a União Africana (UA).
A cooperação entre o Brasil e os países africanos não se limita ao intercâmbio comercial. Vários acordos de cooperação estão vigentes, sobretudo com países de língua portuguesa, e no seio da CPLP, criada oficialmente no governo de Fernando Henrique Cardoso, em áreas de intercâmbio universitário, cooperação educacional, científica e tecnológica, programas de capacitação profissional, entre outros.
As relações entre o Brasil e os EUA são tradicionalmente pautadas por fortes convergências quanto a valores e princípios no que tange à governança democrática; por conflitos, notadamente no campo comercial; e por diferentes abordagens a temas da agenda global, como mudança climática, enfrentamento ao terrorismo e, mais recentemente, à guerra na Ucrânia.
Apesar da importância política e econômica de ambos os países no contexto latino-americano, e mesmo no plano continental, as relações entre o Brasil e o México são condicionadas, historicamente, por diferentes opções e prioridades de política externa e de inserção internacional e regional, e por dificuldades de complementariedade econômica e comercial.
As relações do Brasil com os países do istmo centro-americano foram historicamente marcadas pelo baixo adensamento diplomático, por incipientes laços econômicos e comerciais e pelo esforço brasileiro de distanciamento em relação aos conflitos observados em Honduras, na Nicarágua e em El Salvador, tendo ganhado impulso, recentemente, com a criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.
A Comissão Europeia, a Malásia e a Indonésia assinaram no ano de 2023, uma declaração conjunta que prevê a criação de uma força-tarefa para fomentar a cooperação no processo de implementação do Regulamento Europeu sobre Desmatamento (joint task force to strengthen the cooperation for the implementation of EU’s Deforestation Regulation).
Sob a liderança de Ursula von der Leyen, a Comissão Europeia entendeu que a era da cooperação baseada no paradigma de doador-recipiente chegara ao fim. Com a reforma do próprio orçamento para a ação externa, a Comissão criou um mecanismo de financiamento do desenvolvimento internacional, que tem por efeito empoderar os parceiros do sul global.
A UE tem diversos parceiros estratégicos, entre eles Estados Unidos da América, Canadá, México e Japão. Cabe destacar que todos os membros do grupo BRICS também são parceiros estratégicos da UE.
O Brasil é um país megadiverso que atuou de forma decisiva durante a negociação da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) em 1992. A Convenção foi depois complementada pelo Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (relativo a organismos vivos modificados), e pelo Protocolo de Nagoia sobre Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa dos Benefícios Derivados de sua Utilização, além do Protocolo de Nagoia-Kuala Lumpur. Apesar da importância da diversidade biológica para seus interesses nacionais, o Brasil demorou mais de uma década para ratificar o Protocolo de Nagoia.
No início do regime de combate às mudanças climáticas, tendo como base a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 1992 (UNFCCC, da sigla em inglês), o Brasil defendeu o conceito de “responsabilidade histórica”. Esse conceito significava que os países que se industrializaram mais cedo deveriam arcar com os custos de implementação de políticas de mitigação das emissões de gases de efeito estufa. As negociações multilaterais conduziram ao princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e as respectivas capacidades”, o que pode ser considerado uma derrota para o Brasil, que não tem a mesma responsabilidade histórica dos países desenvolvidos.