Questões de Concurso Público Prefeitura de Rio Claro - SP 2024 para Agente Escolar

Foram encontradas 10 questões

Q3393725 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise o excerto a seguir quanto ao emprego do pronome pessoal “ele” e a não repetição do verbo “cair”: “O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha.” No contexto apresentado, esses elementos são utilizados, respectivamente, como estratégias de coesão:
Alternativas
Q3393726 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise o excerto a seguir quanto ao emprego da palavra “empáfia”: “O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação.” No contexto apresentado, a palavra indicada é sinônima de:
Alternativas
Q3393727 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto a seguir para responder à questão:
“Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU.”

Assinale a alternativa em que o vocábulo “o” em destaque está pareado corretamente com o elemento que retoma no excerto apresentado.
Alternativas
Q3393728 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto a seguir para responder à questão:
“Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU.”

Em relação à categoria gramatical, o vocábulo “o” em destaque, no excerto apresentado, é classificado como:
Alternativas
Q3393729 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise os excertos apresentados a seguir e assinale a alternativa em que a palavra destacada é um advérbio que exprime circunstância de tempo.
Alternativas
Q3393730 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O sentido estabelecido entre a oração subordinada e a oração principal em “Se me descobrirem, me extinguem.” é de:
Alternativas
Q3393731 Português
Leia o texto para responder à questão.

A preguiça

    Tenho uma simpatia visceral pela preguiça. Aquele bicho que passa a vida pendurado pelo rabo, de cabeça para baixo, e se dedica à contemplação das coisas pelo inverso. Há outros animais contemplativos na natureza, mas nenhum com tanta convicção da própria inutilidade. O boi, por exemplo, é lento e filosófico, mas há uma certa empáfia na sua ponderação. O boi tem o ar de quem está só esperando que lhe peçam uma opinião. O boi tem teses sobre a vida, é que até hoje ninguém se interessou em saber. O hipopótamo é outro falso acomodado. Só o fato de ser anfíbio denuncia uma inquietação secreta. O hipopótamo tinha outros planos. O elefante? Um megalomaníaco. Depressivo. Não passou da fase anal retentiva, o que se manifesta em excessivos cuidados com a higiene e em certos pudores irracionais. Um elefante nunca morre na frente dos outros, e o que é mais íntimo do que a morte? A vida é uma provação para o elefante. 
    A preguiça não quer nem saber. A preguiça é um macaco que deu errado, um equívoco da evolução, e ela se esforça para não chamar a atenção para o erro. Se me descobrirem, me extinguem. Uma vez perguntaram a Darwin sobre a preguiça e ele fingiu que procurava um lápis embaixo da mesa. Todo animal tem uma função no universo. Pode ser a mais prosaica, como comer formiga, mas tem. Menos a preguiça. A preguiça não serve para nada. É uma espectadora do drama da criação. E mesmo como espectadora é incompetente, pois vê tudo de cabeça para baixo. Ao contrário. O Sol não se levanta para a preguiça, ele cai do horizonte como um ovo da galinha. O céu é o chão e o chão é o céu da preguiça. O espantoso é que com tanto sangue lhe subindo à cabeça a preguiça não tivesse desenvolvido o melhor cérebro do mundo animal.
    Há quem diga que desenvolveu, que a preguiça já pensou em tudo e resolveu que não valia a pena. Com duas semanas de existência, com o sangue fazendo o cérebro crescer duas vezes mais depressa do que o de qualquer outra espécie, a preguiça já tinha esquematizado toda a progressão da vida na Terra, desde o homemmacaco até o Clóvis Bornay, desde a roda até o foguete e desde o tambor tribal até a ONU. E desistiu, antes de começar. Hoje o sangue lhe sobe à cauda, a preguiça não quer nem saber. Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves... Para a preguiça nenhuma crise é novidade: o mundo está de pernas para o ar há muito tempo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico — meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o seguinte excerto: “Alguns frutos que estiverem à mão, pensamentos leves…”. No contexto apresentado, o verbo “estar” está conjugado no: 
Alternativas
Q3393732 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras dadas apresentam hiato.
Alternativas
Q3393733 Português
Assinale a alternativa em que a(s) forma(s) verbal(is) empregada(s) está(ão) correta(s).
Alternativas
Q3393734 Português
Assinale a alternativa em que se verifica um verbo empregado com regência incorreta.
Alternativas
Respostas
1: A
2: C
3: D
4: C
5: C
6: B
7: D
8: A
9: D
10: B