Questões de Concurso Público Prefeitura de Aramari - BA 2021 para Professor Fundamental II - Português
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Leia o trecho final de um artigo sobre o tsunami de março de 2011 no Japão para responder a questão:
[...] Esta força que faz resistir, este pudor que controla estão concentrados no olhar do prefeito de Rikuzen Takata, Futoshi Toba. Ele responde com uma infinita a cada jornalista que passa pelo centro de distribuição de mantimentos, novo coração desta comunidade sem cidade. Só depois de várias perguntas mais pessoais, ele deixa escapar que sua própria esposa está entre os desaparecidos. Sem insistir. É porque o Japão é povoado por pessoas como este homem é que não se deve abandonar o país nem, sobretudo, dar-lhe as costas.
I - A saliência da frase colocada em itálico é assegurada pelo fato de que se trata da última do texto, que condensa a tese defendida no artigo.
II - A frase colocada em itálico, no final do texto, é do tipo enunciado generalizante.
III - A frase colocada em itálico, no final do texto, é uma colocação em relevo com relação a um ambiente textual, ou seja uma sobreasseveração.
É verdade o que se afirma em:
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder a questão
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Considerando o texto, analise as proposições abaixo, colocando ( V ) para o que for verdadeiro e ( F ) para o que for falso:
( ) Rubião era um homem interesseiro, materialista e frio, pouco apegado a sentimentos.
( ) Rubião se mostra aflito por não encontrar Quincas Borba de imediato e teme que algo lhe tenha acontecido.
( ) A palidez de Rubião enquanto dialoga com a comadre representa um enorme medo de que o cão não estivesse mais ali, motivo pelo qual perderia o direito à herança.
( ) Rubião demonstra sentimento de culpa por ter abandonado Quincas Borba.
( ) Quincas Borba se emociona com a volta de Rubião, depois do abandono, numa reação de verdadeiro delírio . Rubião, por sua vez, também demonstra alegria por encontrar o cão vivo, mas só porque esse fato garantiria sua herança.
( ) Há uma profunda ironia nas palavras do autor ao produzir o diálogo final entre a comadre e Rubião.
A sequência correta de cima para baixo é :
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder a questão
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Considerando o texto, analise as proposições abaixo, levando em conta as características da obra do autor e o período em que foi escrito.
I. Em pleno vigor da estética Realista, Joaquim Maria Machado de Assis utilizou, dentre outros temas, e por mais de uma vez, o da loucura, valendo-se da ironia, da análise tragicômica e psicológica das personagens.
II. Machado de Assis criticou vários valores burgueses por meio de ironias e metalinguagens. Precedendo não só o próprio realismo, instaurou o realismo psicológico, claramente visto em seus romances por fazer diálogos diretos com o leitor e também por conta de pensamentos pontuais que surgem ao longo da narrativa.
III. Na obra de Machado de Assis, os personagens envolvidos na trama apresentam complexidade psicológica, são personagens esféricos e o narrador dialoga com o leitor, permitindo a este fazer reflexões sobre a obra.
IV. Na maioria dos textos machadianos, o narrador torna-se o centro do eixo narrativo e, portanto, a linearidade do enredo dissolve-se.
É ou são verdadeira(s).
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder a questão
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Das proposições abaixo, quais apresentam características do Realismo brasileiro:
I. Objetividade
II. Subjetividade
III. Idealização feminina
IV. Mal do século
V. Fim das idealizações: retratos de adultério, miséria e fracasso social
VI. Abordagem psicológica das personagens como composição da realidade que veem.
São características do Realismo brasileiro as proposições:
Considere o texto abaixo para responder a questão
A VOLTA DA ASA BRANCA
Luiz Gonzaga
Já faz três noites
Que pro norte relampeia
E a asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da plantação
Já bateu asas
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da plantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homens trabaiador
Pr'esse sertão sofredor
Dos homens trabaiador
Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai,…
Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.
Analise as proposições a seguir:
1- É perceptível no texto que a matéria fônica adquire valor estilístico e remete a traços identificadores da origem geográfica, da classe social, dentre outros aspectos da identidade sociocultural do emissor.
2- No texto, percebe-se a queda/supressão de alguns fonemas. Conhecido como síncope, esse fenômeno é entendendo, linguisticamente, como uma espécie de supressão de fonema(s) no segmento átono do lexema.
3- Na estrofe 2, há uma série de alterações fonético fonológicas. Além dos processos marcados por supressão como nos vocábulos ‘pr’esse’, no quarto verso, identificamos também alterações caracterizadas pelo acréscimo de fonemas no início dos vocábulos, como em ‘alembrou’, no segundo verso. Em linhas gerais, esse fenômeno é denominado de prótese.
4- As alterações fonético-fonológica estendem-se para o nível dos morfemas, como é possível perceber na estrofe 2, essas alterações referem-se à ausência de concordância nominal, como nos versos ‘das muié séria’ e ‘Dos home trabaiado’.
É ou são verdadeira(s):
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camaradaMe dá um cigarro.
Oswald de Andrade
O poema acima faz parte da primeira geração modernista do Brasil. Assinale a alternativa que apresenta características da primeira geração modernista presentes no poema.
( 1 ) Escola Tradicional
( 2 ) Escola Nova
( 3 ) Metodologia inovadora
( ) Valoriza estritamente o uso, a produção linguística em detrimento da prescrição da língua. A realidade só a torna ineficaz porque valoriza estruturas preestabelecidas e não as dificuldades e necessidades dos estudantes.
( ) Ensina-se a teoria gramatical para que os alunos usem a língua com eficácia. É uma concepção normativa que parte do pressuposto de que o aluno transferirá seu saber para comportamentos e a teoria será, pois, facilmente transformada em prática.
( ) Valoriza a proposta de que se aprende a fazer fazendo, ou seja, busca-se o uso linguístico para se chegar à gramática.
A sequência correta de cima para baixo é:
CATAR FEIJÃO
João Cabral de Melo Neto
“Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco”
Sobre o texto é possível afirmar:
I- É um meta-poema, tendo como objeto a construção do poema, toma como referente um ato do cotidiano em que também o escolher, o combinar são necessários.
II- Catar feijão é, como catar palavras, recolher, retirar o que não é feijão ou não é feijão bom,o que não é palavra adequada ou não é palavra boa.
III-A imagem é muito significativa construção do poema, ainda mais quando se observa que a “água papel” se contrasta com a “água – alguidar” não apenas quanto à imagem produzida, mas também porque a complexidade do verbo boiar é muito maior pelo efeito que o contexto lhe confere.
IV -Em relação ao ritmo, o primeiro dos recursos a chamar a atenção é a predominância do rigor com que as palavras oxítonas e paroxítonas se sucedem, determinadas ou interligadas por monossílabos, numa combinação de variabilidade harmônica
V - Reduzido a dezesseis versos, o poema busca na potencialidade significativa de inter-relação de seus elementos fonéticos, semânticos e sintáticos a projeção de sua significação que é bastante densa.
São verdadeiras:
Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira, considerando as concepções de linguagem:
(1) Linguagem como Forma de Interação
(2) Linguagem como instrumento de comunicação
(3) Linguagem como expressão do pensamento
( ) Essa concepção de linguagem é sustentada pela tradição gramatical grega, passando pelos latinos, pela Idade Média e pela Moderna, teoricamente só rompida no início do século XX, de forma efetiva, por Saussure (1969). Tal concepção preconiza que a expressão se dá, inicialmente, no interior da mente dos indivíduos e que a exteriorização da linguagem dependerá da capacidade do homem de organizar a lógica do pensamento, por meio de uma linguagem articulada e organizada.
Nesse modelo teórico, a língua é encarada como um sistema de caráter abstrato, homogêneo, estável e imutável. Trata-se, então, de um ensino de língua que enfatiza a gramática teórico normativa sob os moldes de: conceituar, classificar, para, sobretudo, entender e seguir as prescrições em relação à concordância, à regência, à acentuação, pontuação ortografia, etc.
( ) Essa concepção de linguagem é observada em Saussure, que estabeleceu a célebre dicotomia langue/parole, ou seja, língua/fala, elegendo a langue como objeto de estudo. Em oposição à parole, manifestação individual e concreta dos falantes, sujeita as variações. Assim, a língua passa a ser vista historicamente, como um código, um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que tem o papel de transmitir uma mensagem de um emissor a um receptor, isolada de sua utilização. Esse código deve ser dominado pelos falantes e utilizado de forma semelhante, preestabelecido, convencionado, para que se efetive o ato comunicativo.
A dinâmica comunicativa dessa concepção de linguagem se dá por meio da relação entre o falante e o ouvinte, quando o falante tem em sua mente ideias a transmitir ao seu interlocutor. Essa concepção de linguagem focaliza o estudo dos fatos linguísticos por intermédio de exercícios estruturais morfossintáticos, visando a internalização inconsciente de hábitos linguísticos, próprios da norma culta. O tipo de gramática mais apropriado a essa concepção é a descritiva por fazer uma descrição da estrutura e funcionamento da língua, de sua forma e função, bem como registrar, para uma variedade da língua, em determinado momento, as unidades e categorias linguísticas existentes, os tipos de construções possíveis e a função desses elementos, o modo e as condições de uso dos mesmos.
( ) Nessa concepção o indivíduo atua, age, realiza ações por meio da linguagem que não é apenas elemento de exteriorização do pensamento ou mero transmissor de informações, mas agente de interação comunicativa pela produção de efeitos de sentido entre os interlocutores em uma dada situação comunicativa e em um contexto sócio-histórico e ideológico. A linguagem é assumida aqui em sua dimensão histórica, social, humana e dialética, segundo a qual o homem e a linguagem são inseparáveis. Nessa concepção não se concebe erro quando o falante desvirtua as normas linguísticas, mas inadequação da variedade linguística empregada num determinado contexto comunicativo, por esta não atender aos princípios sociais de uso da língua e inadequação do uso de certo recurso linguístico numa determinada comunicação quando seria mais adequado outro recurso.
A concepção de gramática associada a esse enfoque de trabalho com a língua é a gramática internalizada que consiste num conjunto de regras que o falante realmente sabe e das quais se utiliza ao falar, numa situação de interação comunicativa. A sequência correta de cima para baixo é:
São características do Romantismo no Brasil:
I- Subjetivismo
II- Idealização feminina
III- Objetivismo
IV- Morbidez
V- Ironia
Estão corretas: