Questões de Concurso Público Prefeitura de Taperoá - BA 2026 para Agente Administrativo

Foram encontradas 50 questões

Q4285660 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Insônia infeliz e feliz

Clarice Lispector  



        De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem?
    
        Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se.
   
        Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.  
    
        Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
    
        As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017 /01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
De acordo com o texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4285661 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Insônia infeliz e feliz

Clarice Lispector  



        De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem?
    
        Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se.
   
        Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.  
    
        Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
    
        As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017 /01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
No trecho "Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram.", o efeito de sentido produzido por essa passagem é o de: 
Alternativas
Q4285662 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Insônia infeliz e feliz

Clarice Lispector  



        De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem?
    
        Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se.
   
        Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.  
    
        Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
    
        As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017 /01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
Com base nas palavras retiradas do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4285663 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Insônia infeliz e feliz

Clarice Lispector  



        De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem?
    
        Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se.
   
        Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.  
    
        Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
    
        As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017 /01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
Ainda em relação ao texto, analise as afirmativas a seguir sobre o emprego da crase no trecho destacado e julgue as afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F).
"Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga." (Clarice Lispector)
( ) No trecho "às duas da noite", o acento grave indica a fusão da preposição a com o artigo definido feminino plural as.
( ) O emprego da crase em "às duas da noite" é obrigatório, pois a expressão indica um horário determinado.
( ) No trecho "igual a quem", ocorre crase antes do pronome “quem”.
( ) Se o trecho fosse reescrito como "telefonar a duas pessoas", o emprego da crase permaneceria obrigatório.
( ) O acento grave em "às duas da noite" é facultativo, pois indica apenas uma expressão de tempo, podendo ser omitido sem prejuízo à norma-padrão.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285664 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.


Insônia infeliz e feliz

Clarice Lispector  



        De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem?
    
        Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se.
   
        Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.  
    
        Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
    
        As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017 /01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
Leia o trecho a seguir.
"Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café."
Com base na pontuação empregada no trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4285665 Estatística
Observe o infográfico a seguir.  Imagem associada para resolução da questão
Com base nas informações apresentadas no infográfico, analise as afirmativas a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios, representando um aumento de 0,7% em relação ao período anterior.
( ) Os registros de stalking (perseguição) totalizaram 95.026 casos, com aumento de 18,2%.
( ) Os registros de ameaças apresentaram redução de 0,8% em relação ao período anterior.
( ) Segundo o infográfico, 64,3% das mortes por feminicídio ocorreram dentro de casa.
( ) A maior parte das vítimas de feminicídio tinha mais de 60 anos de idade.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285666 Literatura
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

A partir da leitura do texto na imagem, é correto afirmar que o eu lírico: 
Alternativas
Q4285667 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Ainda em relação ao texto da imagem, analise as afirmativas a seguir sobre a palavra “não”, presente no primeiro período, e assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) A palavra “não” é um advérbio de negação, pois exprime uma circunstância de negação ao incidir sobre o verbo quero.
( ) Se o advérbio “não” fosse retirado do texto, o sentido do primeiro período permaneceria inalterado.
( ) No contexto do Texto III, o advérbio “não” contribui para estabelecer a oposição entre o desejo de apenas conhecer a realidade e o desejo de recriá-la poeticamente.
( ) A palavra “não” é uma preposição, pois estabelece relação de dependência entre os verbos quero e saber.
( ) A palavra “não” funciona como um substantivo no primeiro período, pois nomeia uma ideia de negação apresentada pelo eu lírico.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4285668 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Leia novamente o texto presente na imagem:
“Não quero saber como as coisas se comportam. Quero inventar comportamento para as coisas.”
Considerando o sentido global do texto e o destaque dado à expressão “Quero inventar”, é correto afirmar que o eu enunciador:
Alternativas
Q4285669 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Considerando o sentido do texto, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro e (F) para falso.
( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” pode ser substituída por “transformações” sem prejuízo significativo de sentido.
( ) A palavra “silenciosas” tem como antônimo, no contexto, a palavra “barulhentas”.
( ) A substituição da palavra “longas” por “breves” mantém o mesmo sentido do texto.
( ) No texto, “vida e borboletas” estabelecem uma relação de antonímia.
( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” restringe-se ao seu significado dicionarizado, sem contribuir para a construção de um sentido figurado ou simbólico.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4285670 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Releia o trecho:
"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses." (Rubem Alves)
Analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para as verdadeiro ou (F) para falso.
( ) O trecho constitui um período composto, pois apresenta duas orações.
( ) O trecho "Não haverá borboletas" corresponde à oração principal do período.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é independente da oração principal e não estabelece relação de sentido com ela. 
( ) Se o texto fosse reescrito apenas como "Não haverá borboletas.", teríamos um período simples.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é uma oração absoluta.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285671 Português
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Ainda em relação à imagem, analise as afirmativas a seguir sobre as formas verbais empregadas no texto e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo indicativo.
( ) A forma verbal passar, no contexto do texto, está conjugada no futuro do subjuntivo.
( ) As formas verbais haverá e passar, no contexto do texto, pertencem ao mesmo modo verbal.
( ) A forma verbal passar expressa uma condição para a realização da ação indicada por haverá.
( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo subjuntivo.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4285672 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) Ao longo da crônica, o narrador modifica sua percepção inicial ao descobrir que um acontecimento aparentemente comum pode revelar profundas experiências humanas.
( ) A descrição detalhada da comemoração do aniversário da menina tem como principal finalidade despertar no leitor um sentimento de piedade diante da pobreza da família.
( ) O encontro de olhares entre o narrador e o pai da menina contribui para transformar a relação entre observador e observado, culminando em um desfecho marcado pelo reconhecimento da dignidade humana.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador passa a compreender que a simplicidade do cotidiano pode constituir matéria-prima para a produção literária.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador continua acreditando que a literatura deve se basear apenas em fatos grandiosos, sem valorizar os elementos simples presentes no cotidiano.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285673 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Leia o trecho da crônica.
"A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor."
Analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No contexto, a palavra compostura refere-se ao comportamento discreto, respeitoso e contido das personagens.
( ) A palavra compostura pode ser substituída por moderação, sem prejuízo significativo do sentido do texto.
( ) No trecho, a palavra compostura indica desorganização e agitação diante da situação vivida. 
( ) A expressão "na contenção de gestos e palavras" contribui para a construção do sentido da palavra compostura.
( ) A palavra compostura foi empregada para caracterizar um comportamento marcado pela simplicidade e pela discrição.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285674 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Considere os trechos da crônica:
I. "Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se..."
II. "São três velinhas brancas, minúsculas..."
III. "Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
Analise as afirmativas a seguir sobre o emprego dos sinais de pontuação e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No trecho I, a vírgula separa a expressão "Ao fundo do botequim", que exerce a função de adjunto adverbial de lugar deslocado, do restante da oração.
( ) No trecho II, a vírgula separa os adjetivos "brancas" e "minúsculas", que caracterizam o substantivo "velinhas", constituindo uma enumeração de termos com a mesma função sintática.
( ) No trecho III, os dois-pontos introduzem a explicação do desejo expresso pelo narrador na primeira parte do enunciado.
( ) No trecho III, a retirada dos dois-pontos preservaria integralmente a relação de explicação estabelecida entre as duas partes do período. 
( ) No trecho II, as reticências foram empregadas para indicar a omissão de palavras que não alteram o sentido da frase.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q4285675 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Observe os vocábulos destacados em expressões relacionadas ao universo da crônica:
I.“a família reunida...”
II.“um simples café...”
III.“uma pequena mesa...”
Com base nos estudos da língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( ) A palavra “café” apresenta acento gráfico porque é uma palavra oxítona, isto é, possui a sílaba tônica na última posição (ca-FÉ).
( ) A palavra “família” deve ser pronunciada com maior intensidade na última sílaba, pois palavras terminadas em vogal tendem a apresentar tonicidade final.
( ) A palavra “mesa” apresenta tonicidade na primeira sílaba (ME-sa), sendo classificada como uma palavra paroxítona.
( ) A pronúncia adequada dos vocábulos, considerando os princípios da ortoépia e da prosódia, contribui para a expressividade da leitura literária, pois os aspectos sonoros da língua participam da construção dos sentidos.
( ) A palavra família é uma paroxítona e recebe acento gráfico conforme a regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é: 
Alternativas
Q4285676 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Leia o trecho a seguir.
"Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo."
Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a forma verbal ouve está empregada corretamente. 
Alternativas
Q4285677 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão. 

        A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante da esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então meu último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem crônica.
   
        Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo mais que matar a fome.
    
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse aguardando a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
    
        A negrinha contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
   
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    
        Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler - Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
Leia o trecho:
“De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.”
Considerando o sentido da palavra olhar no contexto apresentado, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4285678 Português
Leia a tirinha a seguir para responder à questão.

Considerando os elementos verbais e não verbais presentes na tirinha, é correto afirmar que o efeito de humor é construído principalmente pela:
Alternativas
Q4285679 Português
Leia a tirinha a seguir para responder à questão.

Observe o uso da pontuação na fala da personagem Mônica, no terceiro quadrinho: “OLHA O PASSARINHO!” A exclamação contribui para:
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: E
4: D
5: E
6: C
7: B
8: E
9: A
10: C
11: D
12: E
13: A
14: C
15: B
16: D
17: A
18: C
19: A
20: E