Questões de Concurso Público Prefeitura de Sobrado - PB 2026 para Professor B - Ensino Religioso

Questões Discursivas

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Q4220987 Antropologia
Adone Agnolin, em sua obra “História das Religiões: Perspectiva históricocomparativa” (2019), propõe uma análise crítica das matrizes metodológicas que fundamentam o estudo científico do fenômeno religioso, contrapondo, especialmente, as abordagens sistemática (evolucionista) e fenomenológica à perspectiva histórico-religiosa da chamada Escola Italiana. Considerando os fundamentos epistemológicos apresentados pelo autor, analise atentamente os excertos extraídos da referida obra e, em seguida, responda à questão.
“A primeira vertente, a sistemática (evolucionista), pode ser exemplificada: pelos estudos do filólogo Max Müller, desde suas Lectures on the Science of Language (London 1861), e pelos trabalhos de Edward Burnett Tylor ‘The Religion of Savages’ (In: Fortnightly Review, 1866), e Primitive Culture (London 1871), obras que apontam para a conotação essencial do mais primitivo estádio da evolução cultural; essa primeira vertente encerra-se – e será finalmente sintetizada, no âmbito de uma abordagem propriamente sociológica – com a obra de Émile Durkheim em seu estudo Les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse (Paris 1912): aqui o mais primitivo estádio da evolução cultural será identificado, enfim, com o ‘sistema totêmico’ australiano com o objetivo de analisar, justamente, essas ‘formas elementares’ do religioso.” (p.9).
“Em uma segunda parte deste mesmo capítulo 1, levaremos em consideração a vertente fenomenológica (essencialista). Faremos isso partindo da obra de Rudolf Otto Das Heilige (O Sagrado, Breslau 1917): obra de um teólogo luterano e filósofo kantiano que se utiliza, propriamente, da Ciência das Religiões para empreender uma característica análise teológica; em seguida abordaremos a obra de Gerardus Vander Leeuw Phänomenologie der Religion (Tübingen 1933), que realiza uma verdadeira operação de desistoricização que se tornará útil à Fenomenologia; finalmente, tentaremos apontar para a síntese mais significativa, complexa e conturbada da própria vertente fenomenológica, através da obra de Mircea Eliade Traité d’Histoire des Religions (Paris 1949).” (p. 9). 
“Dessa abordagem, decorre a importante lição, central na perspectiva histórico-religiosa, segundo a qual para entender determinados contextos histórico-culturais ‘outros’ é preciso entrar em (e adequar-se a) uma lógica autônoma e consoante ao sistema de valores e ao mundo das ideias próprios de cada cultura: no contexto das culturas etnológicas, de fato, uma lógica diferente da clássica ocidental (a lógica aristotélica, por exemplo). De outra forma, manifestasse a incapacidade de inteligência com relação àquelas culturas ou, às vezes pior, à adoção de uma leitura etnocêntrica daquelas realidades culturais.” (p. 90- 91).
Considerando a contraposição metodológica entre as vertentes sistemática/evolucionista e fenomenológica, de um lado, e a perspectiva histórico-religiosa da Escola Italiana (Pettazzoni, De Martino, Brelich, Sabbatucci), de outro, tal como apresentada por Agnolin, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
Alternativas
Q4220988 Antropologia
Adone Agnolin, em “História das Religiões: Perspectiva histórico-comparativa” (2014), dedica um capítulo central à análise da Escola Italiana de História das Religiões, destacando as contribuições de Raffaele Pettazzoni, Ernesto De Martino, Angelo Brelich, Vittorio Lanternari, Dario Sabbatucci e outros. Considerando os fundamentos teóricometodológicos apresentados pelo autor, analise atentamente os excertos extraídos da referida obra e, em seguida, responda à questão. 
“Todavia, a importante novidade proposta por Pettazzoni foi defender o fato de que a comparação podia ser somente ‘histórica’, isto é – contrariamente à Fenomenologia e ao darwinismo –, tendente a evidenciar as irreduzíveis especificidades históricas de todo fato religioso. Por consequência, contra uma comparação que procurava leis gerais e similitudes formais, o historiador italiano apurava um método comparativo que ressaltava as diferenças e as originalidades que somente as particularidades históricas conseguem justificar.” (p. 47). 
“E, justamente, a partir do final da década de 1940 – contemporaneamente a uma profunda reflexão teórica sobre a relação entre religiões, Historicismo e Fenomenologia – que De Martino começa a deslocar sua atenção para os camponeses do Sul italiano, para seu ‘folclore’ e suas manifestações rituais. [...] o rito ‘comporta a canalização, a formalização da emoção em termos culturais que conseguem dominá-la, resgatá-la em tempos (periódicos), em modos (os estereótipos verbais, gestuais, musicais etc.) e em um espaço bem definido’.” (p. 53 e 55). 
“O método histórico-comparado de Pettazzoni conotou, enfim, a História das Religiões nos termos de uma disciplina afim à Etnologia e à Antropologia religiosa. Afim, mas não idêntica, todavia. Finalmente, o estudioso não pôde deixar de utilizar-se da mesma linguagem daquelas disciplinas maduras, mas teria feito isso com o objetivo final de verificá-la à prova dos fatos e, se necessário, negá-la, contradizê-la ou refiná-la.” (p. 50). 
Considerando o percurso metodológico da Escola Italiana de História das Religiões, especialmente no que diz respeito à comparação histórica, à análise do rito e à relação com a Antropologia, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com a perspectiva do autor.
Alternativas
Q4220996 Antropologia
Reginaldo Prandi, em sua organização da “Mitologia dos Orixás” (2001), apresenta múltiplos episódios que envolvem a rivalidade entre Xangô e Ogum, dois orixás fundamentais do panteão iorubá. Os mitos selecionados abaixo ilustram diferentes aspectos dessa relação conflituosa, que envolvem disputas por mulheres, por territórios e por prestígio. Considerando a análise do autor sobre o caráter polimorfo dos mitos e sua função na estruturação do culto, analise os excertos a seguir:
“Ogum vivia com Oiá. Um dia seu irmão Xangô foi visitá-lo e, na casa de Ogum, Xangô deparou com sua bela mulher. Voltou para casa atormentado pela beleza que vira. Desejou Oiá ardentemente... Xangô tinha enganado Ogum. Xangô levou Oiá para casa, feliz com sua vitória.” (p. 63-64)
“Um dia Xangô e Ogum se colocaram frente a frente, no campo de batalha: lutavam pela conquista de Iansã. Ogum veio furioso, vestido em sua armadura metálica com todo tipo de proteção... Xangô veio sem nada... Sua única arma era uma pedra que carregava na mão. Então Xangô jogou a pedra em Ogum e ele pegou fogo. A pedra de Xangô era o corisco, um meteorito que solta chamas... Com sua magia Xangô derrotou Ogum e ganhou Iansã.” (p. 149)
“Xangô e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, ora disputando o amor da amada, Oxum, ora disputando o amor da companheira, Iansã. Lutaram no começo do mundo e ainda lutam agora. Ogum usa da sua força física e das armas que fabrica, Xangô usa da estratégia e da magia... Mas só uma vez Xangô venceu Ogum na luta. Numa disputa que travaram por Iansã... Foi então que Xangô apelou para a astúcia... Quando Ogum estava bem no pé da montanha de pedra, Xangô lançou seu machado oxé de fazer raio e um grande estrondo se ouviu. Com o trovão veio abaixo uma avalanche de pedras e as pedras soterraram o desprevenido Ogum... Xangô venceu Ogum naquele dia, única vez que alguém venceu Ogum.” (p. 160) 
Considerando a forma como os mitos apresentam a relação entre Xangô e Ogum, bem como a função do mito na religião dos orixás segundo Prandi, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
Alternativas
Respostas
1: C
2: E
3: C