Questões de Concurso Público Prefeitura de Sobrado - PB 2026 para Professor B - Ensino Religioso
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“A primeira vertente, a sistemática (evolucionista), pode ser exemplificada: pelos estudos do filólogo Max Müller, desde suas Lectures on the Science of Language (London 1861), e pelos trabalhos de Edward Burnett Tylor ‘The Religion of Savages’ (In: Fortnightly Review, 1866), e Primitive Culture (London 1871), obras que apontam para a conotação essencial do mais primitivo estádio da evolução cultural; essa primeira vertente encerra-se – e será finalmente sintetizada, no âmbito de uma abordagem propriamente sociológica – com a obra de Émile Durkheim em seu estudo Les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse (Paris 1912): aqui o mais primitivo estádio da evolução cultural será identificado, enfim, com o ‘sistema totêmico’ australiano com o objetivo de analisar, justamente, essas ‘formas elementares’ do religioso.” (p.9).
“Em uma segunda parte deste mesmo capítulo 1, levaremos em consideração a vertente fenomenológica (essencialista). Faremos isso partindo da obra de Rudolf Otto Das Heilige (O Sagrado, Breslau 1917): obra de um teólogo luterano e filósofo kantiano que se utiliza, propriamente, da Ciência das Religiões para empreender uma característica análise teológica; em seguida abordaremos a obra de Gerardus Vander Leeuw Phänomenologie der Religion (Tübingen 1933), que realiza uma verdadeira operação de desistoricização que se tornará útil à Fenomenologia; finalmente, tentaremos apontar para a síntese mais significativa, complexa e conturbada da própria vertente fenomenológica, através da obra de Mircea Eliade Traité d’Histoire des Religions (Paris 1949).” (p. 9).
“Dessa abordagem, decorre a importante lição, central na perspectiva histórico-religiosa, segundo a qual para entender determinados contextos histórico-culturais ‘outros’ é preciso entrar em (e adequar-se a) uma lógica autônoma e consoante ao sistema de valores e ao mundo das ideias próprios de cada cultura: no contexto das culturas etnológicas, de fato, uma lógica diferente da clássica ocidental (a lógica aristotélica, por exemplo). De outra forma, manifestasse a incapacidade de inteligência com relação àquelas culturas ou, às vezes pior, à adoção de uma leitura etnocêntrica daquelas realidades culturais.” (p. 90- 91).
Considerando a contraposição metodológica entre as vertentes sistemática/evolucionista e fenomenológica, de um lado, e a perspectiva histórico-religiosa da Escola Italiana (Pettazzoni, De Martino, Brelich, Sabbatucci), de outro, tal como apresentada por Agnolin, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“Os iorubás acreditam que homens e mulheres descendem dos orixás, não tendo, pois, uma origem única e comum, como no cristianismo. Cada um herda do orixá de que provém suas marcas e características, propensões e desejos, tudo como está relatado nos mitos. Os orixás vivem em luta uns contra os outros, defendem seus governos e procuram ampliar seus domínios, valendo-se de todos os artifícios e artimanhas, da intriga dissimulada à guerra aberta e sangrenta, da conquista amorosa à traição. Os orixás alegramse e sofrem, vencem e perdem, conquistam e são conquistados, amam e odeiam. Os humanos são apenas cópias esmaecidas dos orixás dos quais descendem.” (p. 28-29)
“Exu era o mais jovem dos orixás. Exu assim devia reverência a todos eles, sendo sempre o último a ser cumprimentado. Mas Exu almejava a senioridade... Olodumare disse então que queria ver todos os orixás... Disse ele: ‘Aquele que usa o ecodidé foi quem trouxe todos a mim. Todos trouxeram oferendas e ele não trouxe nada. Ele respeitou o tabu e não trouxe nada na cabeça. Ele está certo... Doravante será meu mensageiro, pois respeitou o euó... Assim, por sua missão, que ele seja homenageado antes dos mais velhos, porque ele é aquele que usou o ecodidé e não levou o carrego na cabeça em sinal de respeito e submissão’. Assim o mais novo dos orixás, o que era saudado em último lugar, passou a ser o primeiro a receber os cumprimentos. O mais novo foi feito o mais velho. Exu é o mais velho, é o decano dos orixás.” (p. 38-39)
Considerando a análise de Prandi sobre a função dos mitos na religião dos orixás, bem como as características atribuídas a Exu e sua relação com os demais orixás, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“Ogum vivia com Oiá. Um dia seu irmão Xangô foi visitá-lo e, na casa de Ogum, Xangô deparou com sua bela mulher. Voltou para casa atormentado pela beleza que vira. Desejou Oiá ardentemente... Xangô tinha enganado Ogum. Xangô levou Oiá para casa, feliz com sua vitória.” (p. 63-64)
“Um dia Xangô e Ogum se colocaram frente a frente, no campo de batalha: lutavam pela conquista de Iansã. Ogum veio furioso, vestido em sua armadura metálica com todo tipo de proteção... Xangô veio sem nada... Sua única arma era uma pedra que carregava na mão. Então Xangô jogou a pedra em Ogum e ele pegou fogo. A pedra de Xangô era o corisco, um meteorito que solta chamas... Com sua magia Xangô derrotou Ogum e ganhou Iansã.” (p. 149)
“Xangô e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, ora disputando o amor da amada, Oxum, ora disputando o amor da companheira, Iansã. Lutaram no começo do mundo e ainda lutam agora. Ogum usa da sua força física e das armas que fabrica, Xangô usa da estratégia e da magia... Mas só uma vez Xangô venceu Ogum na luta. Numa disputa que travaram por Iansã... Foi então que Xangô apelou para a astúcia... Quando Ogum estava bem no pé da montanha de pedra, Xangô lançou seu machado oxé de fazer raio e um grande estrondo se ouviu. Com o trovão veio abaixo uma avalanche de pedras e as pedras soterraram o desprevenido Ogum... Xangô venceu Ogum naquele dia, única vez que alguém venceu Ogum.” (p. 160)
Considerando a forma como os mitos apresentam a relação entre Xangô e Ogum, bem como a função do mito na religião dos orixás segundo Prandi, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.