Questões de Concurso Comentadas sobre psiquiatria

Foram encontradas 11.294 questões

Q4227558 Psiquiatria
Mulher, 71 anos de idade, cognitivamente preservada e independente, reside só em casa própria, contando com ajuda de uma empregada doméstica que está com ela há vários anos. É diabética e segue rigorosamente o tratamento prescrito pelo geriatra. Tem apresentado hiporexia e perda ponderal recente, o que não despertou alerta porque a paciente tinha objetivo de emagrecer. Em uso de insulina NPH 10 UI 12/12 horas e citalopram 40 mg/dia – iniciado há apenas 15 dias, porque o clínico que a acompanha a achou um pouco “desenergizada” na última consulta. No início da tarde, em uma conversa pelo celular, sua filha notou que estava com a fala desconexa e desorientada; contudo, a empregada disse que ela estava bem ao despertar, tendo realizado normalmente suas atividades matinais (pilates e “Supera”). Diante dessa mudança, a filha solicitou a sua avaliação em caráter de urgência. Em visita domiciliar, sua primeira impressão é de se trata de um quadro de delirium hipoativo, de início recente (poucas horas). Exames laboratoriais realizados na semana anterior mostravam que a taxa de hemoglobina glicada (HbA1c) estava em 6,8 e o exame de urina mostrava a presença de bactérias, embora sem alterações celulares (leucocitúria ou hematúria) nem outras alterações bioquímicas. Considerando o caso descrito, qual alternativa corresponde ao raciocínio clínico correto para a condução do caso?
Alternativas
Q4227557 Psiquiatria
Homem, 78 anos de idade, com ensino superior completo, inicia quadro de delírios de traição relacionados à esposa e alucinações (enxerga vultos passando na periferia da visão) há 1 ano. Além disso, não tem conseguido administrar seus compromissos (inicia tarefas e esquece de concluí-las, marca diferentes compromissos no mesmo horário), dificuldade em tomar decisões banais (tem sempre pedido a opinião da esposa), mas nega esquecimento para fatos recentes. Montreal Cognitive Assessment (MoCA): 24/30 pontos (prejuízos em funções executivas, visuoespaciais e memória operacional). Está vigil, orientado, com atenção básica preservada, irritável com o assunto da traição, mas a afetividade mantém-se modulante de forma congruente em outros temas da conversa, pensamento circunstancial. Tem diagnóstico de doença de Parkinson, cujos sintomas motores iniciaram-se há 10 anos, bem controlados com o uso de levodopa 1.200 mg/dia, rotigotina transdérmica 6 mg/dia e amantadina 300 mg/dia. Tem constipação intestinal, disfunção erétil e hipotensão ortostática há vários anos, interpretados como sinais de disautonomia da doença de Parkinson. Não há alterações no exame neurológico somático, exceto por sinais discretos de parkinsonismo. Não há antecedentes pessoal ou familiar de transtornos psicóticos prévios ou de outros transtornos psiquiátricos, não há manifestações clínicas de crises epilépticas. Os exames de sangue para investigação de causas potencialmente tratáveis de declínio cognitivo estão normais; provas inflamatórias estão normais, assim como os rastreios de neoplasias. Ressonância magnética de crânio evidencia atrofia difusa discreta, sem predomínios regionais, sem carga de doença cerebrovascular significativa, sem lesões de focais ou com restrição à difusão. 
Assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem terapêutica inicial. 
Alternativas
Q4227556 Psiquiatria
Homem, 78 anos de idade, com ensino superior completo, inicia quadro de delírios de traição relacionados à esposa e alucinações (enxerga vultos passando na periferia da visão) há 1 ano. Além disso, não tem conseguido administrar seus compromissos (inicia tarefas e esquece de concluí-las, marca diferentes compromissos no mesmo horário), dificuldade em tomar decisões banais (tem sempre pedido a opinião da esposa), mas nega esquecimento para fatos recentes. Montreal Cognitive Assessment (MoCA): 24/30 pontos (prejuízos em funções executivas, visuoespaciais e memória operacional). Está vigil, orientado, com atenção básica preservada, irritável com o assunto da traição, mas a afetividade mantém-se modulante de forma congruente em outros temas da conversa, pensamento circunstancial. Tem diagnóstico de doença de Parkinson, cujos sintomas motores iniciaram-se há 10 anos, bem controlados com o uso de levodopa 1.200 mg/dia, rotigotina transdérmica 6 mg/dia e amantadina 300 mg/dia. Tem constipação intestinal, disfunção erétil e hipotensão ortostática há vários anos, interpretados como sinais de disautonomia da doença de Parkinson. Não há alterações no exame neurológico somático, exceto por sinais discretos de parkinsonismo. Não há antecedentes pessoal ou familiar de transtornos psicóticos prévios ou de outros transtornos psiquiátricos, não há manifestações clínicas de crises epilépticas. Os exames de sangue para investigação de causas potencialmente tratáveis de declínio cognitivo estão normais; provas inflamatórias estão normais, assim como os rastreios de neoplasias. Ressonância magnética de crânio evidencia atrofia difusa discreta, sem predomínios regionais, sem carga de doença cerebrovascular significativa, sem lesões de focais ou com restrição à difusão. 
Assinale a alternativa que apresenta os exames necessários para a investigação etiológica do quadro psicótico nesse momento. 
Alternativas
Q4227555 Psiquiatria
Paciente, 83 anos de idade, previamente funcional, é internada após apresentar confusão mental, sonolência durante o dia e agitação noturna há cerca de 3 dias. Segundo familiares, a paciente vinha apresentando, há cerca de 6 meses, apatia, irritabilidade, desatenção, dificuldade para iniciar tarefas e na tomada de decisões, isolamento e lentificação. Durante a internação, apresenta flutuação do nível de consciência, desatenção, alucinações visuais e piora vespertina dos sintomas. 
•Exames laboratoriais: Hemograma: leucocitose com desvio à esquerda PCR: 12 mg/dL (ref.: 0,3 a 1,0 mg/dL) Na+: 128 mEq/L (ref.: 136 a 145 mEq/L) RM de crânio: atrofia difusa leve, sem lesões focais MEEM: 15 (aplicado durante crise)

Em relação ao caso descrito, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?
Alternativas
Q4227553 Psiquiatria
Mulher, 68 anos de idade, 9 anos de escolaridade, inicia quadro com ideias persecutórias, prejuízo de funcionamento social e alucinações auditivas com preservação da cognição. Nega história psiquiátrica anterior. MEEM: 28. RM de crânio normal. Delírios bem estruturados, com pouca crítica. Qual diagnóstico é mais compatível com esse quadro? 
Alternativas
Q4227552 Psiquiatria
Você é solicitado para avaliar, como interconsultor da psiquiatria, uma mulher de 63 anos de idade, internada eletivamente em hospital geral para realizar colecistectomia por colecistopatia calculosa. Entretanto, a cirurgia foi suspensa, pois a paciente inicia, após 12 horas da internação, quadro de crises de ansiedade, inquietação psicomotora leve e intermitente, náuseas, palpitações (taquicardia sinusal, FC de 104 bpm), além de tremores leves em extremidades de mãos. Permanece bem orientada em tempo e espaço, atenção preservada, pensamento acelerado, com associação coerente entre as ideias, angustiada, com humor ansioso, sensações de formigamento nos braços, sem alterações de juízo de realidade. Sem alterações somáticas ao exame neurológico. Exame físico e exames complementares iniciais descartaram distúrbios metabólicos ou infecciosos que justificassem o quadro atual. Recebeu haloperidol 5 mg via intramuscular, com pouca eficácia. Antecedentes: transtorno de ansiedade generalizada (estava remitida com uso de sertralina 100 mg/dia e clonazepam 2 mg/dia, não conciliados na prescrição da internação), etilismo há 10 anos (refere consumo de 5 latas de cerveja por dia), cirurgia bariátrica com bypass, obesidade classe I, HAS. 
Sobre o tratamento principal do quadro neuropsiquiátrico agudo da paciente, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4227551 Psiquiatria
Você é solicitado para avaliar, como interconsultor da psiquiatria, uma mulher de 63 anos de idade, internada eletivamente em hospital geral para realizar colecistectomia por colecistopatia calculosa. Entretanto, a cirurgia foi suspensa, pois a paciente inicia, após 12 horas da internação, quadro de crises de ansiedade, inquietação psicomotora leve e intermitente, náuseas, palpitações (taquicardia sinusal, FC de 104 bpm), além de tremores leves em extremidades de mãos. Permanece bem orientada em tempo e espaço, atenção preservada, pensamento acelerado, com associação coerente entre as ideias, angustiada, com humor ansioso, sensações de formigamento nos braços, sem alterações de juízo de realidade. Sem alterações somáticas ao exame neurológico. Exame físico e exames complementares iniciais descartaram distúrbios metabólicos ou infecciosos que justificassem o quadro atual. Recebeu haloperidol 5 mg via intramuscular, com pouca eficácia. Antecedentes: transtorno de ansiedade generalizada (estava remitida com uso de sertralina 100 mg/dia e clonazepam 2 mg/dia, não conciliados na prescrição da internação), etilismo há 10 anos (refere consumo de 5 latas de cerveja por dia), cirurgia bariátrica com bypass, obesidade classe I, HAS. 
Assinale a alternativa que contém o diagnóstico etiológico mais provável para o quadro neuropsiquiátrico agudo da paciente descrita. 
Alternativas
Q4227550 Psiquiatria
Homem, 73 anos de idade, sem história psiquiátrica prévia, apresenta episódio de euforia, taquilalia, redução da necessidade de sono, hiperatividade motora e ideias grandiosas, com duração de 12 dias. Não há uso de substâncias. Ressonância mostra atrofia frontotemporal discreta, e eletrólitos estão normais. Qual das hipóteses diagnósticas apresentadas a seguir é mais provável?
Alternativas
Q4227549 Psiquiatria
Homem, 75 anos de idade, com histórico de parkinsonismo leve e progressivo é avaliado por declínio cognitivo iniciado há 1 ano, com flutuação da atenção, alucinações visuais bem formadas, rigidez muscular, e episódios de queda. O paciente apresenta boa memória episódica nos estágios iniciais, mas importantes prejuízos visuoespaciais e executivos. Esposa relata que ele teve intensa sedação após uso de quetiapina. RM de crânio: atrofia leve difusa, preservação do hipocampo e SPECT com DaTscan: captação reduzida nos núcleos da base. Qual o diagnóstico mais provável e a principal implicação terapêutica? 
Alternativas
Q4227548 Psiquiatria
Mulher, 79 anos de idade, é trazida por familiares ao ambulatório de geriatria com queixa de isolamento social progressivo, lentidão psicomotora, dificuldade de iniciar tarefas e episódios de incontinência urinária nos últimos seis meses. Refere, também, prejuízo de memória recente. Ao exame, apresenta apatia, reatividade emocional reduzida e fala monótona. Aplicado o MEEM (com escolaridade compatível), a pontuação foi 22. O teste do relógio mostrou desorganização no planejamento. A ressonância magnética revela dilatação ventricular desproporcional à atrofia cortical. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e sua principal implicação terapêutica?
Alternativas
Q4215419 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Numa perícia psiquiátrica no processo trabalhista, o perito deveria 
Alternativas
Q4215417 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Tendo voltado para sua cidade natal, a perícia psiquiátrica de Tânia 
Alternativas
Q4215416 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

No processo trabalhista contra os patrões, Tânia alega estar deprimida pelo ocorrido no trabalho e alega danos morais. Com relação aos danos morais, durante uma eventual perícia 
Alternativas
Q4215409 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Caso exista suspeita de que Dona Maria tem um quadro demencial inicial e Carlos iniciasse um processo de interdição, cabe ao perito determinar 
Alternativas
Q4215404 Psiquiatria

Texto para a questão 


    Quando era jovem, Carlos nunca tivera problemas para dormir. Mas depois que os cabelos começaram a branquear, por volta dos quarenta anos, tornou-se difícil desligar o cérebro ao se deitar. Pensava na filha, Beatriz, que nos últimos meses andava até alta madrugada no bar onde os traficantes do bairro faziam festa toda noite. Como ela vai cuidar do meu neto desse jeito? O Cauã precisa de um exemplo melhor, pensava. Preocupava-se com a mãe, cada vez mais frágil. Depois que quebrou a perna – o colo do fêmur, disse o médico, nunca mais voltou a andar direito, hoje só com bengala. Pelo menos agora ele estaciona na vaga especial quando a leva no mercado para as compras da semana. Notou que as sacolas estão ficando menores – o que estaria diminuindo, o apetite ou o dinheiro? A cabeça da Dona Maria ainda era boa, mas ela estava falando muito num tal missionário que sempre precisava de doação para as obras. Será que está gastando demais? Impossível dormir com tudo isso na cabeça. Hoje em dia, só com o zolpidem que o médico do posto indicou. No começo, um comprimido de 10 mg dava conta. Mas, quando a filha passou a responder um processo criminal por acompanhar o novo namorando num assalto, havia noites que precisava de dois, até três para dormir. Ela alegava que havia usado maconha, que não se lembrava, mas isso não parecia que iria convencer o juiz.


    Numa dessas noites de mais preocupação, Carlos perdeu a conta de quantos comprimidos tomou. De manhã, encontrou a esposa, Cláudia, discutindo com a empregada, Tânia, que morava num quarto dos fundos com a filha pequena. Ainda zonzo, demorou a entender que a mulher o estava acusando de abusar da menina durante a noite. A menina, de quatro anos, fizera xixi na cama e acordara chorando. Quando a mãe acordou e foi atrás dela, encontrou-o no banheiro com a garota, tocando suas partes íntimas. Tânia dizia que iria chamar a polícia, mas a esposa afirmava que ele só deveria estar a ajudando a se limpar. Carlos não se lembrava de nada. De repente, se via na mesma situação da filha, alegando não lembrar. Durante a discussão, as duas entraram numa breve altercação física, quando Cláudia empurrou Tânia, que bateu a cabeça sofrendo um corte.


    Embora sua esposa o defendesse publicamente, o relacionamento foi fortemente abalado. Cláudia se afastou e se fechou, parecia murchar a cada dia. Carlos a flagrava chorando. Ela não dormia, não conversava com mais ninguém. Deixou de ir à igreja. Mal saía da cama. O médico da família passou um antidepressivo para ela, fluoxetina 20 mg, dizendo que era depressão, e uma semana depois ela tomou todas as cartelas de fluoxetina de uma vez, sendo levada ao pronto-socorro, onde permaneceu internada por dois dias. Tânia deixou o emprego e voltou para sua cidade natal – além de processar os patrões – e Cláudia assumiu os cuidados com a casa, mas não conseguia manter as coisas em ordem, sequer preparava as refeições do neto.


    Ao saber da situação toda, o pai de Cauã, neto de Carlos, pediu a guarda do filho. Afirmava que a mãe era doente mental, sem condições de cuidar do menino, e que a criança estava sendo negligenciada. Ele já tinha seis anos, e a mãe tentara algum tempo fazer a cabeça do menino contra o pai, só parando depois que começou a namorar.


    Diante do delegado, Carlos pensava em tudo isso. Sobre a sua acusação? Queria lembrar, mas não conseguia. Todo o resto queria esquecer. Mas não poderia.

Com relação à simulação de amnésia, durante a perícia psiquiátrica, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4215285 Psiquiatria
Mulher, 42 anos de idade, advogada, G5P2A2, com antecedente de 2 partos normais a termo de um relacionamento anterior, sem intercorrências durante a gestação e partos. Com o atual marido, apresentou 2 abortamentos de primeiro trimestre, há cerca de 1 ano, sem causa aparente. Refere quadro depressivo há 15 anos, após a separação do primeiro marido, com tratamento medicamentoso. Na atual gestação, apresentou alteração no ultrassom morfológico de primeiro trimestre, sendo submetida a biópsia de vilo corial e diagnosticada trissomia do cromossomo 21. Comparece à consulta de pré-natal de rotina com 20 semanas, referindo tristeza, perda de ânimo, com dificuldade para realizar as tarefas domésticas e do trabalho. Refere, também, perda de apetite e dificuldade para acordar. Está ansiosa para realizar o ultrassom morfológico de segundo trimestre, devido à possibilidade de malformações cardíacas fetais, sente-se culpada pela alteração fetal. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e a conduta adequada para o caso, respectivamente.
Alternativas
Q4215207 Psiquiatria
Homem, 49 anos de idade, etilista importante (meia garrafa de destilado por dia), em tratamento de carcinoma escamoso de laringe, em uso de traqueostomia, comparece no pronto socorro com quadro de piora da secreção traqueal, febre e queda do estado geral. Encaminhado à UTI para antibioticoterapia e monitorização respiratória. Após 48 horas, paciente evoluiu com agitação psicomotora, sudorese, FC de 140 bpm (ritmo sinusal), PA de 170×110 mmHg e um episódio de crise convulsiva tônico-clônico generalizada com reversão em menos de um minuto. 

• Gasometria arterial:
pH: 7,5
pO2: 80 mmHg
pCO2: 32 mmHg
HCO3-: 21 mEq/L
BE: -1
SpO2: 96%
Na+: 154 mEq/L 

Restante dos exames laboratoriais normais, dextro de 90 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico e tratamento indicado.
Alternativas
Q4215117 Psiquiatria
Paciente de 28 anos de idade, apresenta quadro de euforia persistente há 10 dias, com redução da necessidade de sono, aumento da autoestima, comportamento sexual de risco, gastos excessivos e fuga de ideias. Relata episódio prévio de humor deprimido com anedonia e hipersonia por aproximadamente 3 semanas, há 1 ano. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável. 
Alternativas
Q4214494 Psiquiatria
Os sintomas afetivos que estão presentes no paciente com dor crônica 
Alternativas
Q4214017 Psiquiatria
Gabriela, 10 anos de idade, foi encaminhada para avaliação psiquiátrica por dificuldades persistentes no desempenho escolar, linguagem pobre, e dificuldades com habilidades adaptativas, especialmente relacionadas à comunicação e autonomia. Foi avaliada por neuropsicólogo, que identificou QI total de 65 em escala padronizada para a população brasileira. A família relata atrasos em alguns marcos do desenvolvimento. Nega agravos perinatais significativos. Com base nos critérios diagnósticos do DSM-5, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1081: A
1082: D
1083: D
1084: A
1085: B
1086: D
1087: B
1088: A
1089: C
1090: B
1091: B
1092: A
1093: A
1094: C
1095: C
1096: A
1097: C
1098: A
1099: B
1100: D