Questões de Concurso Comentadas sobre psicologia
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Segundo Goffman (2013), a sociedade estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados comuns e naturais para os membros de cada uma dessas categorias. Os ambientes sociais estabelecem as categorias de pessoas que têm probabilidade de serem nelas encontradas. Goffman afirma que, quando um estranho nos é apresentado, os primeiros aspectos nos permitem prever a sua categoria e os seus atributos, a sua identidade social.
GOFFMAN E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
Assinale a alternativa com a definição de estigma que NÃO corresponde àquela dada por Goffman.
A temática da adolescência tem sido abordada por muitos autores da psicologia do desenvolvimento como um importante processo que os sujeitos atravessam em seu ciclo vital. Sonia Alberti (2004) define a adolescência como uma travessia na qual o sujeito se depara com o fato de que seus pais são incompletos e faltosos, assumindo um longo trabalho de elaboração de perdas, além de um longo trabalho de elaboração de escolhas.
ALBERTI, S. O adolescente e o Outro. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
Alberti aponta a importância da função dos pais nesse processo do adolescente de travessia e de separação do Outro. Nesse sentido, a autora indica que os pais precisam
Analise as afirmativas a seguir no que se refere à intervenção do psicólogo na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional de Psicologia nas seguintes situações:
I. a pedido do profissional;
II. em caso de emergência ou risco ao beneficiário, quando dará ciência ao profissional em um prazo máximo de 15 dias;
III. quando informado expressamente, por qualquer uma das partes, da interrupção temporária e involuntária do serviço;
IV. quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada.
Estão de acordo com o artigo 7º do Código de Ética Profissional do Psicólogo
Atualmente, verifica-se um aumento do número de diagnósticos médicos e de subsequente ingestão de medicação por crianças e jovens em idade escolar. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno desafiador opositivo, transtorno obsessivo compulsivo e mesmo obesidade e dislexia constituem uma parte substancial das patologias ou distúrbios que ocupam as salas de aula das nossas escolas. A emergência desses diagnósticos de significado expressivo no universo da saúde pública – que, em certos casos, podem considerar-se mais ou menos nebulosos, pois, não raras vezes, revelam desinformação generalizada, quer do ponto de vista dos discursos, quer do ponto de vista das práticas a eles associada – tende a estar, efetivamente, relacionada com a ideia de uma crescente medicalização da educação e da sociedade.
PAIS, S. C.; MENEZES, I.; NUNES, J. A. Saúde e escola: reflexões em torno da medicalização da educação, 2016. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em: 15 jul. 2019.
Pensando na problemática da medicalização, tratada no fragmento acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O campo da educação se configura como um primeiro lugar em que emerge um olhar mais atento
para potenciais problemas que as crianças e jovens possam estar enfrentando. Por isso, os
profissionais da educação precisam estar familiarizados com o discurso médico, já que, com base
em um diagnóstico bem estabelecido, qualquer comportamento inesperado da criança é justificado
pela doença que ela apresenta. A localização de um problema na criança não é capaz de produzir
efeitos excludentes no seu processo de ensino e aprendizagem.
II. A educação produz uma atuação inclusiva e de remediação dos problemas de aprendizagem, ao acionar o saber médico ali onde o ensino fracassou.
III. O fenômeno da medicalização no discurso escolar acaba por reforçar potenciais fragilidades vivenciadas pelas crianças e suas famílias, aumentando a dimensão segregadora do espaço escolar, além de provocar uma desresponsabilização da instituição escolar.
Assinale a alternativa que indica a(s) afirmativa(s) que corresponde(m) à visão dos autores sobre a questão.
Para Harper et al. (2000), a escola não pode ser pensada como uma categoria abstrata, portadora de uma natureza imutável. A escola não pode ser lograda fora da compreensão de algo mais abrangente que ela: a sociedade mesma na qual está inserida. Desse modo, a escola não pode ser concebida desagarrada do contexto histórico-social, econômico e político da sociedade.
HARPER, B. et al. Cuidado, escola!: desigualdade, domesticação e algumas saídas. São Paulo: Brasiliense, 2000.
Assinale a alternativa que está em DESACORDO com a concepção de escola defendida pelos autores.
Foucault (1977) discorre sobre a instituição escolar, discutindo acerca da especificidade de um mecanismo que aparelha de forma ininterrupta a operação do ensino, exercendo um controle e uma vigilância que permite qualificar, classificar e punir. Tal mecanismo vale como cerimônia da objetificação dos indivíduos dessa instituição.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977.
O mecanismo ao qual Foucault se refere é o(a)
Wallon (1975) compreende os estágios de desenvolvimento de forma dialética, em um processo de integração de afetividade e inteligência. Seguindo essa concepção, o autor reconhece diferentes etapas, do nascimento até a adolescência.
WALLON, H. As etapas da personalidade da criança. Lisboa: Estampas, 1975.
Há um estágio de desenvolvimento específico, situado por volta dos 6 aos 11 anos de idade, em que se desenvolve uma evolução no domínio da percepção e do conhecimento, tornando possíveis comparações, distinções e assimilações sistemáticas e coerentes.
Esse estágio é chamado por Wallon de
Winnicott descreve o crescimento emocional em termos de uma jornada separada em três categorias.
Essas categorias são:
O tema do fracasso escolar, entendido como repetência, evasão escolar ou distúrbio de aprendizagem, vem sendo amplamente debatido nos campos da Psicologia e da Educação. O fracasso escolar, na contingência de nossa temporalidade, desafia tanto psicólogos quanto educadores que tentam dizer algo sobre o seu funcionamento. A psicanalista Ruth Cohen publicou diversos trabalhos sobre o tema, a fim de elucidar a lógica do fracasso escolar em uma perspectiva multidisciplinar.
Para a pesquisadora, o fracasso escolar deve ser entendido como
Em 2005, diversos profissionais da saúde mental ligados ao Ministério da Saúde e à Secretaria de Atenção à Saúde, por meio do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, publicaram material em que são sugeridos vários princípios baseados em uma ética e em uma lógica do cuidado.
O trecho a seguir, extraído da referida publicação, discorre sobre um desses princípios:
Este princípio significa que as portas de todos os serviços públicos de saúde mental infanto-juvenil devem estar abertas a todo aquele que chega […]. Trata-se de acabar com as barreiras burocráticas que dificultam o acesso ao serviço e romper com a lógica do encaminhamento irresponsável, que faz com que aquele que procura atendimento percorra, infinitamente, uma série de serviços e não encontre acolhida em nenhum.
Caminhos para uma política de saúde mental infanto-juvenil. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.
O princípio ao qual o trecho se refere é o de
A partir da teoria geral dos sistemas e da teoria da comunicação surgiram várias escolas de terapia familiar e vários institutos e centros de atendimento e de formação foram criados. A família é vista como um sistema equilibrado e o que mantém este equilíbrio são as regras do funcionamento familiar. Quando, por algum motivo, estas regras são quebradas, entram em ação meta-regras para restabelecer o equilíbrio perdido. A terapia desenvolvida a partir deste enfoque enfatiza a mudança no sistema familiar, sobretudo pela reorganização da comunicação entre os membros da família. Sendo assim, podem ser feitas as seguintes afirmações:
I - O passado é abandonado como questão central, pois o foco de atenção é o modo comunicacional no momento atual.
II - A unidade terapêutica se desloca de duas pessoas para três ou mais à medida que a família é concebida como tendo uma organização e uma estrutura.
III - Os terapeutas sistêmicos dão ênfase às interpretações dos fatos que levaram ao conflito.
Das afirmações acima:
"A natureza (physis), tanto no homem como fora dele, é harmonia e equilíbrio. A perturbação desse equilíbrio, dessa harmonia, é a doença. Nesse caso, a doença não está em alguma parte no homem. Está em todo o homem e é toda dele." (Canguilhem, 2002, p.20)
Com base neste texto a interpretação do autor sobre a concepção de saúde e doença é:
A esquizofrenia é uma doença ampla que, além da psicopatologia, compromete a vida de relação do seu portador. Exige, em geral, o tratamento em equipe multidisciplinar. A psicoterapia, neste caso, de forma geral, tem como objetivos:
I- interromper a perda da capacidade mental, preservando o contato com a realidade.
II- restaurar a capacidade de cuidar de si e de administrar sua vida, e manter o máximo de autonomia para promover o melhor ajustamento pessoal, psicológico e social possível.
III- reconhecer e reduzir a natureza ameaçadora dos eventos da vida, para os quais existe uma sensibilidade particular.
IV-aumentar suas defesas diante de situações estressantes, liberando recursos que, eventualmente, estejam obstruídos pela psicose e desenvolver fontes alternativas para a solução de seus problemas.
V- recuperar e promover a autoestima, a autoimagem e a autoconfiança, proporcionando contínuo progresso.
Dos itens acima mencionados, estão corretos: