Questões de Concurso
Sobre foucault em psicologia
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Dulce é uma mulher negra, em torno de 45 anos de idade, mãe de João, um rapaz jovem que fora preso pelo roubo de um carro. Dona Dulce foi encaminhada para atendimento psicológico porque não conseguia livrar-se das memórias do que passara no período da prisão de seu filho. Os dias de visita na prisão eram de calvário: ficava horas no sol, na fila, e depois, na revista, tinha que desnudar as partes íntimas, agachar-se, ouvir comentários depreciativos das guardas, além de receber tratamento grosseiro.
É possível perceber que a revista vexatória a que são submetidos familiares de apenados tem como finalidade fazer com que os efeitos do encarceramento sejam sentidos não apenas sobre o prisioneiro, mas também sobre sua família.
Na perspectiva de Foucault, é correto afirmar que
Segundo Foucault, no final do século XVIII, a biopolítica surge como forma de racionalização dos problemas colocados para a prática governamental, pelos fenômenos próprios da população, como saúde, higiene, natalidade, longevidade e raça.
No contexto de exercício biopolítico, um importante instrumento de produção do “sujeito-criminoso” é:
Segundo Michel Foucault, a prisão não objetiva apenas corrigir indivíduos, mas, principalmente, fabricar a delinquência, ou seja, forjar o “sujeito delinquente”.
Para Foucault, a prisão como aparato punitivo é um dos símbolos do poder:
Nas famosas conferências proferidas por Michel Foucault no Brasil, A Verdade e as Formas Jurídicas, ele descreve o surgimento de instituições de “sequestro” (fábrica, escola, hospital, prisão) com finalidade de inclusão e normalização dos indivíduos.
Segundo Foucault, tais instituições possuem as seguintes características, EXCETO:
No que diz respeito à obra Vigiar e punir de Foucault (1993), julgue os itens seguintes.
I O prejuízo que um crime traz ao corpo social é a desordem que introduz nele: o escândalo que suscita; o exemplo que dá; a incitação a recomeçar se não é punido; e a possibilidade de generalização que traz consigo.
II Para ser útil, o castigo deve ter como objetivo as consequências do crime, entendidas como a série de desordens que este é capaz de abrir.
III Deve‐se calcular uma pena em função do crime, mas não de sua possível repetição. É necessário visar não à ofensa passada, mas à desordem futura.
Assinale a alternativa correta.
No campo da assistência social, podemos nos deparar com o emprego de categorias rígidas de classificação de sujeitos tipificados como criminosos, drogados, vagabundos, etc.
Em face de tais classificações, cabe lançar mão do pensamento crítico de Foucault, segundo o qual a subjetividade:
Segundo a genealogia do poder, as perícias psicológicas no campo do judiciário remetem ao surgimento das perícias psiquiátricas nos séculos XVIII/XIX. Estas foram estrategicamente importantes para a psiquiatria se transformar em gestora da ordem social.
Nesse mesmo contexto histórico, ganhou destaque a ideia de população enquanto problema e fonte de riqueza, cuja regulação passaria a ser buscada por práticas de governo.
Assinale a opção que indica como Foucault identificou essas práticas.
Nas conferências proferidas em A Verdade e as Formas Jurídicas, Foucault assinalava que o exame penal surgido no contexto político e histórico dos séculos XVII / XIX serviria de matriz para a formação das ciências humanas, entre as quais podemos incluir a Psicologia.
Por sua vez, a tragédia de Édipo Rei, escrita por Sófocles na Grécia Clássica, portanto, em uma época anterior, corresponde à forma jurídica baseada
Foucault se debruçou longamente na análise do saber-poder presente na prisão.
De acordo com as reflexões de Foucault, é correto afirmar que a prisão:
Laudos e pareceres psicol gicos são frequentemente demandados por operadores de direito na medida em que supostamente colocam em evidência o indivíduo sobre o qual incidirá a medida judicial. Nesse aspecto, a genealogia dos poderes de Foucault é esclarecedora por demonstrar que a justiça se aparelhou de peritos desde o advento da sociedade disciplinar e, com efeito, de uma lógica punitiva que é calculada de acordo com o infrator em sua virtualidade.
Para gerar a individualidade disciplinada, segundo o autor em
Vigiar e Punir, a disciplina se serve dos seguintes instrumentos:
Levando-se em consideração Foucault, assinale a alternativa INCORRETA:
Ao considerarmos a argumentação de Foucault (1985), a respeito dos discursos sobre a sexualidade nas sociedades modernas, analise as afirmativas abaixo, sobre a hipótese repressiva:
I) A repressão do sexo é uma evidência histórica, instaurada desde o século XVII, ocorrendo uma ruptura histórica, após a era vitoriana, pela análise crítica da repressão. Dessa forma, Foucault afirma ser necessário determinar se essas produções discursivas podem levar a formular a verdade do sexo ou, ao contrário, mentiras destinadas a ocultá-lo.
II) Para os estudos de Foucault, o essencial não é tanto saber o que dizer ao sexo, sim ou não, afirmar sua importância ou negar seus efeitos, mas levar em consideração o fato de se falar de sexo, quem fala, os lugares e os pontos de vista de que se fala, as instituições que incitam a fazê-lo.
III) Segundo Foucault, a interdição do sexo não é uma ilusão; a ilusão está em fazer dessa interdição o elemento fundamental e constituinte a respeito da história da sexualidade. Todos esses elementos negativos – proibições, recusas, censuras, negações – que a hipótese repressiva agrupa num grande mecanismo central destinado a dizer não, são peças que têm uma função local e tática, numa colocação discursiva, numa técnica de poder, que só alcança as condutas individuais, não influenciando a análise e regulação das populações.
IV) A polícia do sexo é uma expressão que Foucault utiliza ao analisar a necessidade de regular o sexo por meio de discursos úteis e públicos e pelo rigor de uma proibição. Que o Estado saiba o que se passa com o sexo dos cidadãos e o uso que dele fazem e, também, que cada um seja capaz de controlar sua prática, segundo mecanismos repressivos e de interdição.
V) Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigida a uns e outros. Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apoiam e atravessam os discursos, não constituem, portanto, o limite absoluto do discurso.
VI) Seria inexato dizer que a instituição pedagógica impôs um silêncio geral ao sexo das crianças e dos adolescentes, ela concentrou as formas do discurso neste tema, codificou os conteúdos e qualificou os locutores. Falar do sexo das crianças, fazer com que falem dele os educadores, os médicos, os administradores e os pais; encerrá-las numa teia de discurso que ora se dirigem a elas, ora falam delas – tudo isso permite vincular a intensificação dos poderes à multiplicação do discurso.
Estão CORRETAS:
Em A História da Sexualidade, Foucault (1985) discute a proliferação de discursos que, desde o século XVII e, de forma mais acentuada, a partir do século XIX, produziram estratégias de controle e de regulação sobre os corpos, que visavam não somente ao comportamento individual, “à virtude dos cidadãos”, mas às populações. Tais discussões fundamentam a hipótese de que o discurso sobre a sexualidade humana vai emergir e sustentar-se quando se põe a funcionar um certo regime de saber-poder. Considerando a referida obra, no que concerne à produção da sexualidade e às técnicas do poder que a acompanham, marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) O ponto importante será saber sob que formas, através de que canais, fluindo através de que discursos o poder consegue chegar às mais tênues e mais individuais das condutas, de que maneira o poder penetra e controla o prazer cotidiano.
( ) No século XVIII o sexo se torna questão de “polícia”, ou seja, objeto de repressão e de contenção da desordem, para a eliminação dos desvios à normalidade. Foucault analisa os procedimentos de gestão dos quais o poder público utiliza-se para reprimir a sexualidade, o que foi justificado por discursos analíticos que tinham por alvo o julgamento das condutas individuais.
( ) Este projeto de uma “colocação do sexo em discurso” advém da pastoral cristã, numa tradição ascética e monástica, que incitava às práticas confessionais, as quais foram estendidas a todos a partir do século XVIII, Coloca-se como imperativo confessar os atos contrários à lei, para que fossem censuradas e interditadas todas as expressões relacionadas ao sexo, neutralizando-o, dessa forma.
( ) A técnica da confissão, apesar de ter permanecido restrita à espiritualidade cristã, foi associada a uma economia dos prazeres individuais, e utilizada por um “interesse público”, sendo reproduzida por mecanismos de poder para cujo funcionamento o discurso sobre o sexo passou a ser essencial.
( ) Uma das grandes novidades nas técnicas de poder, no século XVIII, foi o surgimento da
“população”, como problema econômico e político. No cerne deste problema, está o sexo: é
necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, os nascimentos legítimos e
ilegítimos, a precocidade e a frequência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas
ou estéreis. A conduta sexual da população é tomada, ao mesmo tempo, como objeto de análise
e alvo de intervenção.
A esse respeito, como Freud bem destacou sobre a psicose, o delírio é