Questões de Concurso
Comentadas sobre equipes de saúde, multidisciplinaridade e interdisciplinaridade em psicologia
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A adesão é um fenômeno multidimensional e multideterminado. Vários fatores podem influenciar a adesão: pessoais, socioculturais e econômicos, relacionados com a doença, ligados ao tratamento, relativos à organização dos serviços e a fatores interpessoais (qualidade da relação equipe–paciente). Recentemente, várias pesquisas têm demonstrado que os fatores interpessoais e relacionados com a organização do serviços são os que trazem menos impacto para a qualidade da adesão.
Embora os níveis de estresse estejam relacionados com a capacidade de recuperação de um paciente submetido à cirurgia, pesquisas sobre os efeitos da informação prévia sobre cirurgia não apontaram resultados significativos em relação ao tempo de recuperação pós-cirúrgica, mas apenas à satisfação do paciente com os serviços prestados pela equipe multiprofissional.
A interdisciplinaridade é uma estratégia legítima de trabalho no campo da saúde de classificação epistemológica, em que se admite o esforço conjugado de vários profissionais para alcançar os significados do processo saúde-doença.
No contexto hospitalar, o trabalho multiprofissional implica que todos os membros da equipe de saúde tenham acesso a todas as informações sobre os pacientes, resguardando-se os princípios da confidencialidade das informações transmitidas à equipe, pois a troca contínua de informações entre a equipe de saúde é essencial para um atendimento de qualidade e tecnicamente eficiente.
Uma aplicação do conceito de interdisciplinaridade no contexto do atendimento à saúde diz respeito à interconsulta, que consiste na presença de um profissional de saúde em uma unidade ou serviço médico geral, ou de especialidade, atendendo à solicitação de um médico em relação ao atendimento psicossocial de um paciente. Tal atividade garante um atendimento mais pontual às necessidades do paciente e às demandas do médico, sendo coerente com o modelo biomédico de saúde.
O verdadeiro potencial da interconsulta tem sido atingido nos últimos anos com a formação cada vez mais qualificada dos profissionais, principalmente no conhecimento da interface entre biomedicina, psicologia e psiquiatria. Além disso, a padronização da avaliação e dos critérios diagnósticos utilizados tem facilitado o cruzamento de informações em pesquisas científicas.
A atividade de interconsulta nos EUA é empregada para caracterizar dois tipos de atividade que são a psiquiatria de ligação, a qual responde a pedidos de outros serviços para auxílio com diagnóstico, tratamento e orientações ao paciente e que pode fazer breves incursões em outro serviço; e a consultoria psiquiátrica, a qual se preocupa não apenas com o paciente, mas com todo o sistema que cuida do paciente. Nesse caso, a função primária da consultoria psiquiátrica é pedagógica.
As mudanças na estrutura física e nos procedimentos das unidades de terapia intensiva para evitar a ocorrência dos quadros de delirium estão entre algumas das conquistas, avanços e benefícios que a interconsulta acarretou à medicina.
Com a interconsulta, o oncologista compreende mais precisamente o estado psíquico, cultural e social do paciente e, dessa forma, o paciente participa ativamente de seu próprio tratamento, porém, delegando ao médico e ao tratamento a responsabilidade por sua plena recuperação.
A atividade de interconsulta constitui uma das formas de institucionalização das concepções psicossomáticas em medicina e procura compreender e desenvolver propostas de intervenção, entre outros, acerca das reações psicossociais do adoecimento físico, as complicações psiquiátricas de cada doença e o comportamento anormal diante do adoecer.
Cuidadores de doentes crônicos e graves podem adoecer em decorrência dos estressores associados às tarefas de cuidar, sendo a motivação afetiva definida pelo vínculo entre cuidador e doente o fator de proteção ao cuidador reconhecido como indispensável.
O tratamento médico associado ao tratamento comportamental pode incluir o uso de sacietógenos associados a contratos de contingência feitos com o terapeuta e a técnicas de relaxamento para controle da ansiedade.
Por ser um transtorno psiquiátrico alimentar, com implicações para a estabilidade do humor, do controle de eletrólitos e da função renal, o tratamento da obesidade precisa incluir um psiquiatra, um nutricionista e um psicólogo na equipe interdisciplinar.
Com base no caso clínico acima, julgue os itens que se seguem.
O paciente pode se beneficiar de um tratamento multidisciplinar, mas é indicado que ele ingresse, inicialmente, apenas no tratamento psicoterápico, que será a intervenção preventiva em nível primário para o sucesso do tratamento com outros profissionais.
Julgue os itens de 66 a 72 com base no caso clínico acima.
No referido caso clínico, o tratamento interdisciplinar do paciente nesse momento, realizado por médico, fisioterapeuta e psicólogo, apresenta maior probabilidade de sucesso que o tratamento multidisciplinar com estes mesmos profissionais.
Com base no caso clínico acima, julgue os itens a seguir.
O trabalho conjunto do médico e do psicólogo, tal como relatado, é um exemplo de assistência interdisciplinar.
No tratamento da obesidade, a adesão do paciente a toda a estrutura hospitalar é mais importante para o sucesso do projeto do que a composição multidisciplinar mobilizada para o tratamento do obeso.
Um psicólogo foi solicitado pelo médico para avaliar uma
paciente internada há três meses após uma complicação decorrente
de uma cirurgia abdominal e que, embora já estivesse de alta, se
recusava sair do hospital. Sua mãe, que a acompanhava, dizia não
entender, pois ouvia dela várias vezes sua vontade de ir para casa
ficar perto de seus filhos. Atendida pelo psicólogo, a paciente
relatou confiar muito na equipe de enfermagem para fazer seus
curativos e ter receio de que em casa não consiguisse manter essa
qualidade de tratamento. Reunidos, o psicólogo, o médico, a
enfermeira responsável pelo setor e a acompanhante da paciente
decidiram por realizar durante uma semana o treinamento da mãe
nos cuidados administrados à paciente. A equipe de enfermagem foi
autorizada pelo médico e orientada para ensinar e supervisionar a
mãe na realização dos curativos e na administração da medicação
oral, já prescrita para se prosseguir o tratamento em casa. A
paciente foi aos poucos ficando confiante nos cuidados que a mãe
lhe dispensara e, ao final da semana, aceitou sua alta hospitalar,
realizando seu desejo de ir para casa.
Assinale a opção correta quanto à intervenção da equipe de saúde no relato hipotético acima.
Psicólogo(a) nos Programas de DST e AIDS, do Conselho
Federal de Psicologia, julgue os itens a seguir.