Questões de Concurso
Comentadas sobre educação infantil em pedagogia
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A concepção pedagógica de John Dewey fundamenta-se na noção de que a educação é um processo contínuo de reconstrução da experiência, no qual a criança aprende a partir de situações significativas vivenciadas em interação com o meio social. Considerando essa perspectiva e sua aplicação à creche e à pré-escola, assinale a alternativa correta.
No campo das Teorias, Práticas e Organização Curricular da Educação Infantil, as concepções de criança e de infância passaram por importantes transformações históricas, refletindo mudanças sociais, culturais e pedagógicas. As abordagens contemporâneas, presentes nos documentos normativos da Educação Infantil, reconhecem a criança como sujeito de direitos, ativa no processo educativo e inserida em contextos sociais diversos. Considerando essas concepções históricas e atuais sobre criança e infância, assinale a alternativa CORRETA.
Na BNCC, a Educação Infantil é concebida a partir de uma proposta curricular que valoriza as experiências vividas pelas crianças em contextos de interação, brincadeira, exploração e expressão. Os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento e os cinco campos de experiência constituem o núcleo estruturante dessa etapa, orientando as práticas pedagógicas e assegurando condições para que bebês e crianças pequenas aprendam e se desenvolvam. À luz desse entendimento, assinale a alternativa correta.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica e propõe uma organização curricular centrada na criança, considerando suas experiências, interações e brincadeiras como fundamentos do processo educativo. Nessa perspectiva, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento e os campos de experiência orientam o trabalho pedagógico nas instituições de Educação Infantil. Com base nessas diretrizes, assinale a alternativa correta.
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 2009), os direcionamentos a serem observados na organização de propostas pedagógicas consideram o currículo desta etapa da Educação Básica como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade. Assim, na DCNEI, em seu Art. 9º, são definidos eixos que sustentam as propostas pedagógicas na Educação Infantil, que são:
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.