Questões de Concurso
Comentadas sobre variação linguística em português
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“A linguagem tem variações regionais, sociais e de estilo. Mas a língua de cultura se sobreleva e possibilita a unidade nacional do idioma”.
Segundo esse fragmento textual, a língua escrita (língua de cultura) deve ser defendida por sua função de:
Vale a pena reiterar que das concepções de gramática decorre necessariamente o modo como as coisas são tratadas. Assim, numa concepção de gramática como um conjunto de regras fixas, intocáveis e indiscutíveis, falta lugar para se admitir uma zona de oscilação. Noutras palavras, faltam regras cuja aplicação dependa das condições de uso, das intenções dos interlocutores e, até mesmo, do gosto, das escolhas estilísticas desses interlocutores. (ANTUNES, 2007, p.página 79)
Acerca das informações contidas no texto, é correto afirmar que:
( ) A fim de combater o preconceito linguístico, é preciso que as aulas de língua portuguesa viabilizem a compreensão de que a defesa de uma única variedade linguística como “correta” não conta com respaldo científico. Dessa forma, as variantes “nós fez” e “nós fizemos” representam, em relação ao seu potencial comunicativo, formas linguísticas igualmente legítimas e, dependendo do contexto de uso, adequadas.
( ) Os fenômenos de variação linguística podem ser analisados paralelamente à abordagem da norma-padrão. A partir da diversidade de gêneros textuais – falados e escritos, formais e informais, literários e não literários –, deve-se mostrar ao estudante que cada (con)texto requer uma variedade específica.
( ) Uma vez que a maioria dos gêneros textuais falados e escritos exige o emprego da norma-padrão, a gramática normativa deve ser concebida como o componente mais essencial da aula de língua portuguesa. Nesse sentido, o ensino dessa gramática revela-se indispensável para assegurar que os alunos se expressem com clareza e correção, bem como para promover a manutenção do português padrão, língua oficial e patrimônio linguístico do Brasil.
( ) Dada a complexidade dos fenômenos de variação linguística, recomenda-se que, na Educação Básica, apenas uma unidade letiva seja dedicada ao assunto, momento em que se deve explorar, prioritariamente, a variação fonético-fonológica, identificada, por exemplo, pela diversidade de sotaques brasileiros, e a variação lexical, revelada pelo uso de palavras distintas para nomear uma mesma entidade.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
(Bagno, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. 1.ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2011, grifos do autor).
A partir da reflexão acima, bem como das noções de norma-padrão, norma culta e norma popular, é correto afirmar que
O mineiro
Perguntaram ao mineiro: - Diz aí um verbo!
Ele pensou, pensou e respondeu indeciso: - Bicicreta. - Não é bicicreta, seu mineiro burro, é bicicleta. E bicicleta não é verbo! Perguntaram a outro mineiro: - Diz você aí um verbo! Ele também pensou, pensou e arriscou ressabiado: - Prástico. - Não é prástico, ô mineiro burro, é plástico. E plástico não é verbo! Perguntaram a um terceiro mineiro: - Diz aí um verbo! Esse aí nem pensou: - Hospedar. - Muito bem! Até que enfim um mineiro inteligente. Agora diga aí uma frase com o verbo que você escolheu. O mineiro encheu o peito de coragem e mandou bala: - Hospedar da bicicreta são de prástico! Fonte: Seara (2015)
I- O texto em questão pertence ao gênero textual piada, cuja função social é fazer os leitores/ ouvintes rirem;
II- A tipologia predominante no referido texto é a dialogal, haja vista o diálogo entre os personagens;
III- Percebe-se que a variação linguística, especialmente, no que tange à fonética, isto é, escrita das palavras “os pedá”, entendida como “hospedar”, é o elemento chave para construção do humor no texto;
IV- A maneira como a pronúncia do mineiro é ridicularizada retrata o preconceito linguístico.
Após análise das afirmativas, conclui-se que a sequência correta é:
Texto para responder à questão.
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II – a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III – o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV – o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino.
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
§ 5º O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado.
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.
(BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. Fragmento.)
Julgue o item subsequente.
O Brasil não possui uma “pronúncia-padrão” da Língua
Portuguesa, fato que ocasiona alguns ruídos
comunicativos no território nacional. Por isso as
pronúncias bandeija, beneficiência, carangueijo, advinhar,
desinteria e impecilho são consideradas corretas.
Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da questão
O que move a humanidade
Existem muitas teorias sobre o que fez o Homem dominar o planeta e construir civilizações enquanto o joão-de-barro, por exemplo, só consegue construir conjugados, e levar grandes mulheres para a cama enquanto o máximo que um gorila conseguiu foi segurar a mão da Sigourney Weaver. Dizem que o cavalo é mais bonito que do que o Homem e a barata é mais resistente, mas não há notícia de uma fuga a três vozes composta por um cavalo ou uma liga de aço inventada por uma barata. Tudo se deveria ao fato de uma linhagem particular de macacos ter desenvolvido o dedão opositor, com o qual conseguiu descascar uma banana e segurar um tacape, as condições primordiais para dominar o mundo. A vaidade, outra característica exclusivamente humana (o pavão também é vaidoso, mas não gasta uma fortuna com as penas dos outros para fazer sua cauda) também teria contribuído para que o Homem prevalecesse, pois de nada lhe adiantariam suas façanhas com o polegar, e com as mulheres, se não pudesse contar depois. Daí nasceu a linguagem, e com ela a mentira, e o Homem estava feito.
Mas eu acho que a verdadeira força motriz do desenvolvimento humano, a razão da superioridade e do sucesso do Homem, foi a preguiça.
Com a possível exceção da própria preguiça, nenhum animal é tão preguiçoso quanto o Homem. O desenvolvimento do dedão opositor nasceu da preguiça de combinar dentes e garras para comer e ainda ter que limpar os farelos do peito depois. A linguagem é fruto da preguiça de roncar, grunhir, pular e bater no peito para se comunicar com os outros e, mesmo, ninguém aguentava mais mímico. A técnica é fruto da preguiça. O que são o estilingue, a flecha e a lança senão maneiras de não precisar ir lá e esgoelar a caça ou um semelhante com as mãos, arriscando-se a levar a pior e perder a viagem? O que estaria pensando o inventor da roda senão no eventual desenvolvimento da charrete, que, atrelada a um animal menos preguiçoso do que ele, o levaria a toda parte sem que ele precisasse correr ou caminhar?
Dizem que a agressividade e o gosto pela guerra determinaram o avanço científico da humanidade, e se é verdade que a maioria das invenções modernas nasceu da necessidade militar, também é verdade que o objetivo de cada nova arma era o de diminuir o esforço necessário para matar os outros. O produto supremo da ciência militar, o foguete intercontinental com ogivas nucleares múltiplas, é uma obra-prima da preguiça aplicada: apertando-se um único botão se matam milhões de outros sem sair da poltrona. Uma combinação perfeita do instinto assassino e do comodismo. A apoteose do dedão.
Toda a história das telecomunicações, desde os tambores tribais e seus códigos primitivos até os sinais de TV e a internet, se deve ao desejo humano de enviar a mensagem em vez de ir entregá-la pessoalmente ou mandar um guri resmungão. A fome de riqueza e o poder do Homem não passa da vontade de poder mandar outros fazerem o que ele tem preguiça de fazer, seja trazer os seus chinelos ou construir as suas pirâmides. A química moderna é filha da alquimia, que era a tentativa de ter o outro sem ter que procurá-lo, ou trabalhar para merecê-lo. A física e a filosofia são produtos da contemplação, que é um subproduto da indolência e uma alternativa para a sesta. A grande arte também se deve à preguiça. Não por acaso, o que é considerada a maior realização da melhor época da arte ocidental, o teto da Capela Sistina, foi feita pelo Michelangelo deitado. Prost escreveu o Em Busca do Tempo Perdido deitado. Vá lá, recostado. As duas maiores invenções contemporâneas, depois do antibiótico e do microchip, que são a escada rolante e o manobrista, devem sua existência à preguiça. E não vamos nem falar no controle remoto.
Um exemplo dessa situação pode ser visto na seguinte passagem:

Qual é o tipo de variação linguística encontrada na tirinha do Gazo?
Julgue o item a seguir, relativo à estruturação linguística do texto CG2A1.
No quarto parágrafo, a inserção de vírgula imediatamente
após o termo “terra” prejudicaria a correção gramatical do
texto visto que o referido sinal de pontuação separaria
indevidamente elementos essenciais da oração.
Julgue o item a seguir, relativo à estruturação linguística do texto CG2A1.
O segmento “Essa maneira de conceber a saúde” (primeiro
período do último parágrafo) faz referência ao exposto no
parágrafo anterior, ou seja, à concepção do processo
saúde-doença como produção social e de intervenção coletiva.
Os gliomas somam mais de 70% de neoplasias do sistema nervoso central. Gliomas de baixo grau apresentam uma tendência para progredir para fenótipos mais malignos sendo que os mais frequentes e agressivos compreendem os glioblastomas (GBM). Em estudos prévios, baseados em eletroforese bidimensional e espectrometria de massas, nós reportamos que a proteína nucleofosmina (NPM) estava aumentada em GBMs, quando comparados com tumores astrocíticos de graus II e III e tecido cerebral não neoplásico. NPM é uma fosfoproteína nucleolar relacionada à apoptose, biogênese dos ribossomos, mitose e reparo do DNA, que possui expressão alterada em câncer.
Marcela Gimenez. Texto adaptado. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/ff76/b33d029f41ac9573c6f87baf01ab9b47ed27.pdf. Acesso em: 26 abr. 2024.
(Fonte: https://www.pravaler.com.br/blog/dicas-deestudo/variacoes-linguisticas).
Dessa forma que variação linguística é definida como “Essa variação linguística se refere aos hábitos e culturas de diferentes grupos sociais, e isso inclui gírias próprias, como por exemplo, um grupo de skatistas, que utiliza jargões e gírias como irado, maneiro, insano, a fim de representar algo legal”?
Quando criança, convivia no interior de São Paulo com o curioso verbo pinchar e ainda o ouço por lá esporadicamente. O sentido da palavra é o de “jogar fora” (pincha fora essa porcaria) ou “mandar embora” (pincha esse fulano daqui). Teria sido uma das muitas palavras que ouvi menos na capital do estado e, por conseguinte, deixei de usar. Quando indago às pessoas se conhecem esse verbo, comumente escuto respostas como “minha avó fala isso”. Aparentemente, para muitos falantes, esse verbo é algo do passado, que deixará de existir tão logo essa geração antiga morrer.
As variações linguísticas são as diversas formas como elementos de uma língua podem se apresentar em uma situação de uso. O trecho acima refere-se a qual variedade linguística?