Questões de Concurso
Comentadas sobre variação linguística em português
Foram encontradas 1.146 questões
1 Na teia da manhã que se desvela,
a rendeira compõe seu labirinto;
movendo sem saber e por instinto
a rede dos instantes numa tela.
5 Ponto a ponto, paciente, tenta ela
traçar no branco linho mais distinto
a trama de um desenho tão sucinto
a jornada humana se revela.
Em frente, o mar desfia a eternidade,
10 noutra tela de espuma e esquecimento,
enquanto, entrelaçado, o pensamento
costura sobre o sonho a realidade.
Em que perdida tela mais extrema
foi tecida a rendeira e este poema?...
Sobre aspectos linguísticos e de interpretação do texto, podemos afirmar que:
I. “Enquanto” (verso 11), por ser conjunção adversativa, expressa enunciados que contrastam entre si.
II. O vocábulo “sucinto” (verso 7) significa dilatado, com grandes dimensões.
III. O tecer da rendeira sugere os acontecimentos da vida e do mundo.
IV. “Labirinto” (verso 2) é uma metáfora para as múltiplas atividades humanas.
V. O mar se opõe à existência humana, pois esta, ao contrário daquele, é efêmera.
Assinale a alternativa CORRETA:
( ) Variação estilístico-pragmática: varia conforme situações de interação social, sendo caracterizada por maior ou menor grau de formalidade. ( ) Variação lexical: refere-se ao emprego de vocabulário. ( ) Variações paramétricas: estão relacionadas às diferenças que existem entre dois idiomas. Um exemplo é o que ocorre com estruturas sintáticas: no português, é possível construir uma frase com sujeito elíptico, como “Estudo português”. Já no inglês, isso não é possível; a frase nesse idioma deve ter o sujeito expresso: I study portuguese. ( ) As variações históricas são observadas nos casos de palavras ou expressões que deixaram de ser utilizadas; vocabulário próprio de uma determinada faixa de idade; grafemas que deixaram de ser usados.
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber. [...] Então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir, sem buscarem maneira de cobrirem suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas [...] E uma daquelas moças era toda tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. Nenhum deles era fanado, mas, todos assim como nós. E com isto nos tornamos e eles foram-se. [...]
CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El Rey Dom Manuel. 5. ed. São Paulo:
Global, 2019.
I- Alguns fatores são responsáveis pelas diferenças entre linguagem oral e linguagem escrita: o contexto, a intenção do falante, ou do escritor e o tópico do que se diz, ou escreve.
II- A escolha lexical também proporciona ao usuário a exibição de um estilo próprio e o controle do grau de formalismo e coloquialismo de suas produções discursivas. Do vocabulário, um conferencista seleciona palavras e expressões que possam conferir ao seu texto um caráter mais ou menos formal, como o faz um escritor de uma carta, para dar ao seu texto um caráter mais ou menos coloquial. A esse respeito, a distinção entre fala e escrita não se faz com precisão, uma vez que as restrições operativas não se associam propriamente ao fator velocidade do processo. O grau de coloquialismo, ou formalismo, envolvem decisões estilísticas e de domínio do léxico, que podem transferir-se de um modo de produção para o outro com muita facilidade e propriedade.
III- Falantes e escritores fazem a seleção de palavras e expressões para exprimirem os seus pensamentos.
IV- Como não há uma relação perfeita entre o que a pessoa pensa e a linguagem que usa para a sua expressão, pois nem sempre se traduz automaticamente, com palavras apropriadas, o que se pensa, o usuário precisa ter um bom conhecimento da linguagem. Esse conhecimento inclui o conhecimento de um repertório de opções lexicais necessárias, que será ativado sempre que o usuário tiver que se expressar linguisticamente.
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
“Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Quadrante (1962), obra coletiva reproduzida em Caminhos de João Brandão José Olympio, 1970.
No trecho, é notória a variação linguística:
Leia o texto a seguir:
“Vez e outra vou
Na venda do vilarejo pra comprar,
Sal grosso, cravo e outras coisa que faltar
Marvada pinga, ai ai”
O trecho acima é uma estrofe da música Vida Boa, de Victor Chaves, conhecida na voz da dupla Victor e Léo. Que tipo de variação linguística fica evidenciada por este trecho, analisando o contexto, e a utilização das palavras:
O regionalismo é uma característica exclusiva da linguagem informal, não sendo encontrado em discursos formais ou textos literários, onde predomina uma linguagem padronizada e livre de influências regionais.
A linguagem informal, caracterizada pelo uso de gírias, abreviações e variações na concordância, pode ser adequada em determinados contextos, como conversas com amigos e familiares, mas também pode ser utilizada em apresentações públicas quando o objetivo é criar proximidade com o público.
Observe a figura.

https://preply.com/pt/blog
As palavras são exemplos da variante linguística:
Leia o texto a seguir.
A PEDA DE ORO
Tinha um viúvo que tinha treis rapaz e o pai já era bastante avançado na idade, já num trabaiava mais. Os treis rapaz dentro de casa era muito obidiente do pai. Intão fazia lavora e tudo... Um dia os rapaz tá lá trabaiando na roça e passo um home.
Chegô, oiô ês:
– Bom dia!
– Bom dia!
– Uai!
– Tá trabaiano, né, ôs minino?
– É, nós tá trabaiano aqui, mas nosso pai tá bastante avançado na idade, coitado, num pode fazê mais nada. Agora nós é que trata dele. Nós faz tudo, pa meu pai.
O home assuntô ‘sim. Falô:
– Ó, ocês é besta, moço! Cês tá pa saí po mundo, pocês trabaiá, arrumá suas vida. Se ocês ficá mais seu pai toda vida, cês num ‘ruma nada. Cês tem que largá ele. Dipois que ocês largá ele, ele dá o jeito dele, uai! Ocês fica só dento de casa trabaiano pa seu pai, cês num ruma nada procês não. E dispidiu dês e saiu.
UFMG. Pró-Reitoria de Extensão. Quem conta um conto aumenta um ponto. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. p. 6-7.
O trecho acima exemplifica a variedade linguística
I. As variantes faladas nos estados do Nordeste são diferentes daquelas faladas nos estados do Sul; no interior dessas regiões geográficas, podem também ser observadas diferenças entre os estados e mesmo entre regiões e cidades dos estados.
II. As variações de estilo ou registros linguísticos são as denominações comumente dadas aos diferentes graus de formalidade determinados pelos contextos de uso da língua.
III. A gíria, ao mesmo tempo que contribui para definir a identidade do grupo que a utiliza, funciona como um meio de exclusão dos indivíduos externos a esse grupo.
Quais estão corretas?
Criado robô que escreve poesia desenvolvida por Inteligência Artificial
Este robô utiliza um modelo sofisticado de linguagem, uma base de dados de palavras e uma análise de padrões de fala.
A apresentação do Ai-Da realizou-se no Ashmolean Museum na Universidade de Oxford na passada sexta-feira, tendo o robô feito parte de uma exposição em homenagem ao 700º aniversário da morte do poeta Dante Alighieri. Além de escrever poemas, através do recurso à Inteligência Artificial, o robô consegue ser capaz de pintar, desenhar e esculpir.
Dado o crescente avanço dos modelos linguísticos, Aidan Meller [criador do Ai-Da] acredita que, em breve, “serão completamente indistinguíveis dos textos humanos”. /.../ Na verdade, em entrevista à CNN, o criador do Ai-Da disse que o robô é capaz de imitar tão bem a caligrafia de um humano que, se lermos, não saberemos que não foi escrito por um. Meller acrescentou ainda que, embora não veja a poesia de Ai-Da como uma real competição com os poetas humanos, ele admite que é “fundamentalmente perturbador”, tendo em conta a qualidade de trabalho apresentada pelo robô.