Questões de Concurso
Comentadas sobre variação linguística em português
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Menino – Mãe, tenho uma coisa boa e uma coisa ruim pra contá pra sinhora!
Mãe – Qual é a boa?
Menino – No ano qui vem vou usá os mermo livros deste ano!
Assinale a afirmação correta sobre esse pequeno diálogo.
Eu estou − apesar de tudo oh apesar de tudo − estou sendo alegre neste instante já que passa se eu não o fixar com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. Viver é sentir sempre aquele friozinho na barriga. E conformar-se não como vencida, mas num allegro com brio.
Texto Adaptado
LISPECTOR, Clarice. Água viva. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1973, p.
A tragédia, entendida como a frustração inevitável e a destruição da vontade individual, vem a ser compreendida também como a alegria suprema da vida, tanto para o herói que morre, como para a audiência que a assiste [...] A "alegria trágica", como Nietzsche a caracteriza, marca a satisfação ou do desejo da morte ou da vontade de viver mais intensamente em face à morte − ou ambos.
POTKAY, Adam. A história da alegria: da Bíblia ao Renascimento tardio. São Paulo: Globo, 2010, p. 288.
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu preguntei a Deus do céu, uai
Por que tamanha judiação?
Nos versos de Luiz Gonzaga, o eu poético narra, em primeira pessoa, suas impressões sobre um determinado assunto.
Para isso, ele utiliza construções linguísticas próprias, constatadas pelo uso
Ele quem mesmo?
Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: “olha, não dá mais”. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: “mas agora eu tô comendo um lanche com amigos”. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele. Sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito!
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora. Participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu…
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.
Ele quem mesmo?
(MEDEIROS, Martha. Recanto das Letras. Em: março de 2011.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014.
A escolha de uma variedade linguística socialmente estigmatizada, apresentada no trecho acima, influencia o estilo da narrativa de Carolina Maria de Jesus, na medida em que
Se a gente lembra só por lembrar O amor que a gente um dia perdeu Saudade inté que assim é bom Pro cabra se convencer Que é feliz sem saber Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar Com alguém que se deseja rever Saudade, entonce, aí é ruim Eu tiro isso por mim Que vivo doido a sofrer.
Compositores: Humberto Teixeira / Luis Gonzaga
Observe a imagem:

- Que seja dito a quem me deu à luz que no meu estômago prevalece um vazio!
- Oh, por amor de Deus, Shakespeare! Basta dizer: “mãe, tenho fome!”
O texto multimodal apresenta a imagem do filho dizendo à mãe: “Que seja dito a quem me deu à luz que no meu estômago prevalece um vazio”, ao que a mãe responde: “Oh, por amor de Deus, Shakespeare! Basta dizer: ‘mãe, tenho fome’”. O texto/imagem explora diferentes níveis de linguagem para criar um efeito humorístico e transmitir uma mensagem.
Considerando os níveis de linguagem e o propósito comunicativo do texto/imagem, analise as sentenças a seguir e assinale a CORRETA:
“Amigo ou adverso... João só será definitivo
Quando esticar a canela.”
A expressão “esticar a canela” constitui um exemplo de
Observe os prints de tela a seguir:

No post de uma rede social, a usuária publicou uma imagem de um carro estacionado numa rua, com água à altura da porta, relatando “Tô dentro do salão, mas olha meu carro! Rezem pra chuva parar!” e, na postagem seguinte, publica uma foto da rua alagada e o carro ao fundo, e sua mão com unhas feitas na frente, com o enunciado “Apavorada”.
Assinale o fenômeno linguístico-discursivo presente no texto/imagem.
Em geral, a variação pode ser separada, corretamente, em dois parâmetros:
( ) São várias as diferenças entre língua falada e língua escrita. A principal delas diz respeito ao processo de interação entre os sujeitos. Nesse sentido, é sempre importante lembrar que a língua é veículo pelo qual os sujeitos interagem. A marca fundamental da língua é o dialogismo. Ao tomar a palavra, todo sujeito constitui um tu com o qual interage, seja pela língua falada, seja pela língua escrita.
( ) A língua escrita é posterior à falada. Há pessoas que nem chegam a aprender a modalidade escrita e isso não as impede de fazer uso da língua com competência em seus atos de comunicação. A forma de aquisição da fala e da escrita também é diversa. A língua falada é aprendida naturalmente pelo convívio com outros falantes; a língua escrita, na maioria das vezes, é aprendida por um processo de escolarização. Das duas modalidades, a fala e a escrita, a primeira é muito mais usada que a segunda, falamos (e ouvimos) muito mais do que lemos e escrevemos. Isso talvez justifique o privilégio que se dá à língua escrita. Há, no entanto, um ponto comum entre língua falada e língua escrita: ambas variam.
( ) É preciso desmistificar uma ideia do senso comum e que, portanto, não tem qualquer fundamento científico. A afirmação de que a escrita tem regras, é organizada, planejada, estruturada, coesa e marcada pela formalidade; ao passo que a fala não apresentaria regras e que seria caótica, desorganizada, fragmentada e informal. Essa é uma ideia falsa que levou muita gente a hipervalorizar a escrita e a desprestigiar a fala. Essa ideia falsa encontrou respaldo na própria concepção da gramática tradicional, que tomou como padrão de boa linguagem o texto escrito.
( ) É sempre importante lembrar que todas as variedades da língua, seja falada ou escrita, apresentam normas, ou seja, seguem regras. Formalidade e informalidade estão relacionadas ao gênero e à situação comunicativa, ou seja, há textos escritos marcados pela informalidade e textos falados muito formais.
( ) Em uma conferência, ou entrevista de emprego, o uso da língua falada se caracteriza pela formalidade. Isso se deve às convenções desses gêneros textuais. Em postagens em redes sociais, mensagens via WhatsApp e bilhetes, costuma-se usar a língua escrita sem maiores formalidades, normalmente na variedade popular. Trata-se de uma escrita com baixo grau de monitoramento.