Questões de Concurso
Comentadas sobre variação linguística em português
Foram encontradas 1.163 questões
O texto abaixo é um cordel. Leia-o para responder às questões 6 a 8.
CORDEL MODERNO - Tecnologia do agora
Estou ficando cansado
Da tal tecnologia
Só se fala por e-mail
Mensagem curta e fria
Twitter e Facebook
Antes que eu caduque
Vou dizer tudo em poesia.
Não é mais como era antes
É tudo abreviado
"Você" só tem duas letras
O "O" e o "E" foi riscado
Para declarar o amor
Basta botar uma flor
E um coração desenhado.
Arroba agora não pesa
É parte de um endereço
Ponto final nem se usa
Ou vai até no começo
Agora é .com
Se o saite é muito bom
Ele vale um alto preço.
Pra piorar a linguagem
O emoticom é um risco
Tem símbolo para tudo
Ponto e vírgula e um asterisco
Um beijo significa
Pra entender como fica Decifre esse rabisco.
Tenho saudade das cartas
Escritas com a própria mão
Mandava no mês de Junho
Só chegava no Verão
Mas matava a saudade
Era texto de verdade
Nas linhas do coração.
Agora, escrevo e envio
Chegando na mesma hora
Mas quando vou prosear
A pessoa foi embora
Abriu outro aplicativo
O mundo ficou cativo
Da tecnologia do agora.
Felizmente, pra orar
Não precisa de internet
Deus escuta todo mundo
Se quiser, faça esse teste
Dois pontos são dois joelhos
Seus lábios são aparelhos
Deixe que Deus interprete.
Milton Duarte (CORDEL MODERNO - Tecnologia do agora, Milton Duarte. Disponível em: https://www.recantodasletras.com. br/poesias/3186743-Acesso em: 11 jul. 2019).
Analise as afirmações a seguir sobre o cordel acima:
I-Trata-se de um texto escrito de forma clara, cuja linguagem permite uma variedade mais informal, verificada sobretudo na escolha vocabular e em algumas estruturas sintáticas;
II - A linguagem empregada no verso " Basta botar uma flor'', 2ª estrofe do poema, revela uma variedade regional bem típica do Nordeste brasileiro, marcada pelo verbo "botar";
III - "Mas quando vou prosear", 6ª estrofe, traz a marca de uma variedade histórica da língua, já que a palavra "prosear" não é mais empregada hoje em dia.
É correto o que se afirma:
Leia o texto a seguir para responder à questão 8.
Leia um trecho de um poema de Patativa do Assaré
Eu e o sertão
Sertão, argúem te cantô,
Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.
(EU E O SERTÃO - Cante lá que eu canto Cá - Filosofia de um trovador nordestino - Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)
Sobre o fragmento do texto “Eu e o sertão”, coloque V para as proposições verdadeiras, e F para as Falsas.
( ) A linguagem utilizada no poema é repleta de informalidade, regionalismos, sem seguir a norma padrão, termos aglutinados, com redução fonética, resultado da tentativa de expressar com fidelidade o modo particular de falar do povo, expressão verbal de sua cultura e variação linguística.
( ) Este modelo de registro linguístico mostra a inferioridade e nível baixo de escolaridade de um grupo social.
( ) O texto é um poema com características ditas populares.
( ) O registro dos vocábulos presentes nos versos apontam para a variedade linguística de grupos que habitam determinada região brasileira.
( ) No texto, predomina a valorização da linguagem coloquial, ou seja, aquela usada de modo informal, desrespeitando o padrão culto da língua, este considerado como o único aceitável dentro do recurso estilístico utilizado na linguagem poética.
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa
Analise o parágrafo e ponha V, para as afirmativas verdadeiras e F, para as falsas:
( ) O parágrafo se encontra todo redigido de acordo com a variedade linguística formal. ( ) Os verbos existentes no parágrafo pertencem a modos e tempos diferentes. ( ) Um elemento conector indicativo de condição se encontra no parágrafo. ( ) “ tem a sua cara” é uma expressão da variedade linguística informal.
A única alternativa correta é:
I. O autor utiliza ao longo do texto expressões características do sotaque mineiro, aproximando a forma do texto ao conteúdo a respeito do qual ele discorre. II. Os elementos de oralidade presentes no texto atrapalham sua progressão, fazendo com que um leitor não familiarizado com o sotaque não consiga entendê-lo. III. O texto apresenta um registro formal da linguagem, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
Analise este texto.

Disponível em:<encurtador.com.br/mwDGU> . Acesso em: 29 maio 2019.
As palavras utilizadas nesse texto são exemplos de
linguagem
TEXTO I
Catavento e girassol
(Guinga - Aldir Blanc)
Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol.
Entre o escancaro e o contido,
E eu te pedi sustenido
E você riu bemol.
Você só pensa no espaço,
Eu exigi duração...
Eu sou um gato de subúrbio,
Você é litorânea.
Quando eu respeito os sinais,
Vejo você de patins vindo na contramão
Mas quando ataco de macho,
Você se faz de capacho
E não quer confusão.
Nenhum dos dois se entrega.
Nós não ouvimos conselho:
E eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho.
Eu sou o Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador.
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva - o inseto e a flor.
Um torce para Mia Farrow
E o outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança havaiana.
Eu vou de tênis e jeans,
Encontro você demais:
Scarpin, soirée.
Quando o pau quebra na esquina,
Você ataca de fina
e me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha...
E ninguém mete o bedelho,
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho.
A paz é feita num motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada.
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos...
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador,
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor.
Eu sinto muita saudade,
Você é contemporânea,
Eu penso em tudo quanto faço,
Você é tão espontânea.
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente,
Pra se completar.
Sei que um se afasta do outro,
No sufoco, somente pra se aproximar.
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho.
http://www.guinga.com/index.php/2015-08-27-03-
18-48/2015-08-27-03-29-50/151-delirio-carioca1993 Acesso em: 05/01/2019.
Um certo homem que morava na cidade sentiu vontade de sentir o cheiro do mato. Ao chegar no interiorzinho onde vivia seu compadre Bastião, foi encontrá-lo na roça. Depois de muitas conversas resolveu brincar de antônimo com o compadre Bastião:
_ Compadre sabe o que é antônimo? _ num sê não. _ É o oposto, vou dar uns exemplos. O antônimo de gordo é magro, de fraco é forte, de rico é pobre. Entendeste? _ Agora eu já sê cumpade! E vou lhe preguntar: _ Ocê sabe o antônimo de fumo? _ mas... fumo não tem antônimo, fumo é o que você planta. _ É não sô... o contrário de FUMO é VORTEMO.
A leitura da piada nos apresenta exemplos da variedade linguística existente no Brasil. Suponha que um aluno seu chegue à escola utilizando, na fala, expressões típicas de uma oralidade regional, como o “Bastião”. Qual das alternativas abaixo caracteriza um procedimento metodológico correto como professor de Língua Portuguesa.
— E aí? Eles acertaram o pilão?
— Que nada, o espada abriu o caderno e passou o maior chapéu no piolho!
Agora considere o significado das palavras/expressões no contexto acima: “abrir o caderno”: falar de mais, contar sua vida; “bater lata”: andar com o carro vazio, à procura de passageiro; “chapéu”: golpe, ato de não pagar a corrida de táxi; “coruja”: taxista que trabalha à noite, de madrugada; “espada”: passageiro difícil de enganar; “pilão”: corrida prefixada (o motorista ignora o taxímetro e estipula o preço antes de sair); “piolho”: taxista que assalta o passageiro, até mesmo à mão armada; “tatu”: passageiro inocente, vítima fácil.
Analise as afirmativas abaixo em relação ao texto.
1. O diálogo exemplifica um enunciado típico de um grupo de pessoas e é ininteligível ou sem sentido a quem não participa desse grupo.
2. Temos, no diálogo, uma situação de variação linguística fora do padrão formal da língua e, portanto, não aceito pela sociedade em geral.
3. Observando o significado das palavras no contexto, podemos afirmar que temos, no diálogo, uma variação linguística diastrática, já que surgiu em razão da convivência entre um grupo social.
4. As expressões “o coruja” e “o espada”, no contexto, mudaram a classe gramatical e, em consequência, a função sintática que exercem.
5. A última fala do diálogo caracteriza um período composto por coordenação e a segunda oração é coordenada aditiva.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Certamente você já deve ter se deparado com determinados tipos de .............................. , seja conversando com os colegas na sala de aula, assistindo a uma reportagem na TV ou lendo textos históricos. Essas ............................. envolvem vários traços históricos, sociais, culturais e geográficos e podem acontecer de diversas formas. Estão diretamente relacionadas ao fenômeno do uso do idioma, em que seus próprios falantes podem alterar o modo de falar, escrever e passar as informações adiante. Um bom exemplo do que se aborda aqui é a linguagem dos internautas que, em meio a tantas abreviações e neologismos, termina por criar um universo específico, no qual somente os interlocutores são capazes de decifrar o vocabulário por eles utilizado.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.