Questões de Concurso
Sobre uso dos conectivos em português
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ENVELHECER É UMA ARTE?
Claudio de Moura Castro
Nas palavras de Cícero, envelhecer é coisa boa. Dois mil anos depois, com fartura de números, o tema reaparece nas pesquisas iniciada por R. Easterlin. Detecta-se uma “curva da fossa”: entre 40 e 50 anos, bate um pessimismo, uma insegurança difusa. Mas daí para a frente voltamos a ficar de bem com a vida, cada vez mais felizes – óbvio, só até o corpo fracassar. Será?
Esse lado emocional-filosófico é nebuloso. Amadurecemos com a idade, como sugerem as pesquisas? Ou acumulamos azedumes e rabugices? Ficamos cada vez mais impacientes com a burrice humana? Ou mais bem blindados contra ela? Cada um é cada um.
Exploremos alguns temas em que o terreno parece menos pantanoso.
O psicólogo A. Maslow documentou o que significava para ele ir ficando velho. Percebia uma perda progressiva da motivação para fazer as coisas e lidar com desafios. Mais e mais empreitadas deixavam de valer a pena. É o meu caso: já trabalhei no governo, mas hoje nenhum cargo me tentaria. Sinto engulho só de vislumbrar o pesadelo da burocracia pública.
Em sua última entrevista, Paulo Freire segue caminho paralelo a Maslow, afirmando que envelhecer é perder a curiosidade. Se ele tem razão, no meu caso, permaneço jovem, pois minha curiosidade sobrevive, onívora.
O ocaso das faculdades mentais é bem documentado pela pesquisa. Degrada-se a memória, sobretudo a de curto prazo e a dos nomes e datas. O raciocínio matemático começa a derrapar já a partir dos 30. De fato, todos os avanços na área foram feitos por jovens.
A boa notícia é que a capacidade de julgamento, a sabedoria, o "espirit de finesse", mencionado por Pascal, não apenas sobrevivem, mas progridem. Comprovou-se que os velhos precisam ler menos para decidir sobre algum assunto, com igual competência. E, nas humanidades, amadurecemos com os anos, e muito. Romancistas e historiadores? Prefiram os velhos. Aleluia! Com o passar dos anos, políticos entendem melhor a natureza humana, por isso sobrevivem na carreira.
Sabemos também que a inteligência reage como um músculo. A qualquer idade, é fortalecida com exercícios e evapora com a inação. Daí a importância de exercitar a ambos. Se encolhem os desafios mentais na aposentadoria, risco à vida! Não é o contracheque que salva vidas; mas a letargia intelectual mata. Se ficarmos esperando pela morte, ela virá mais célere. Com medo de morrer, continuo trabalhando, freneticamente.
Na minha incauta opinião, conversa de doença não faz bem à saúde. Tampouco é uma boa receita para a longevidade voltar aos lugares em que se viveu ou trabalhou, não encontrar mais conhecidos e ser tratado como um estranho.
Caminhando pelas ruas, vemos logo quem tem jeito de aposentado. Falta chispa nos olhos e o andar sugere que não quer chegar a parte alguma. Quem lê obituário, para ficar sabendo dos amigos que morreram, mostra na cara sua vocação para a morte. Cruz-credo! Aliás, a solidão é fatal! Por isso, vale o conselho de Samuel Johnson: enquanto jovem, é preciso cultivar os amigos, pois com a idade vai ficando difícil renovar o plantel.
A decadência do corpo é inexorável. Mais dias de indisposição, dói aqui, dói acolá, mais enguiços e reparos, remedinhos para isso ou para aquilo. Contudo, avanços na medicina e melhores estilos de vida freiam espetacularmente a degradação do corpo. Mantém serelepe muitos velhos que, faz poucas décadas, estariam derrubados. Vejam nas ilustrações antigas a imagem dos avós, circunspectos e encarquilhados. Gente nas mesmas idades está hoje malhando nas academias, subindo montanhas e gabando-se de suas proezas, em todos os azimutes. Obviamente, isso dá trabalho: há que buscar remédios miraculosos, próteses, mandar recauchutar o coração, fazer dietas e exercícios árduos para manter a massa muscular. No meu modesto julgamento, compensa.
Isso são teorias.
O único ganho indisputável é não ter de entrar em
filas. (...)
A questão refere-se ao texto abaixo.
I. Orações reduzidas são aquelas que se apresentam sem conectivo e com o verbo numa forma nominal.
II. “Os quais são fornecidos a alunos” poderia ser usada em lugar da oração reduzida.
III. Em geral, é possível desenvolver orações reduzidas e, para tanto, substitui-se o tempo do verbo original por outro do modo indicativo, utilizando-se, além disso, um pronome adjetivo como conector.
IV. A oração reduzida que compõe o fragmento tem o verbo expresso na forma nominal denominada particípio.
Quais estão corretas?
Texto para a questão.

José Luiz Fiorin (org.). Introdução à Linguística. v. 1 e 2.
São Paulo: Contexto, 2006 (com adaptações).
Texto para a questão.

Yuval Noah Harari (trad. Paulo Geiger). Homo Deus: uma
breve história do amanhã. São Paulo: Companhia
das Letras, 2016, p. 47‐8 (com adaptações).
Texto para a questão.

Yuval Noah Harari (trad. Paulo Geiger). Homo Deus: uma
breve história do amanhã. São Paulo: Companhia
das Letras, 2016, p. 47‐8 (com adaptações).
Analise as seguintes assertivas sobre expressões do texto e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A expressão “Em seguida”, na linha 05, traz uma ideia de tempo.
( ) Na linha 11, “Ou seja” apresenta um sentido de explicação.
( ) O “Mas” da linha 19 introduz uma oração adversativa.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia o texto a seguir e responda à questão.
O imperativo da inclusão
Grandes avanços foram feitos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) desde que eles foram definidos em 2000. Mas, infelizmente, muitos países ainda estão muito longe de atingi- -los. Mesmo as nações que fizeram um progresso substancial, alguns grupos – incluindo povos indígenas, moradores de favelas e áreas remotas, minorias religiosas e sexuais e pessoas com deficiência – ainda são constantemente excluídos. Como apontou um relatório recente do Banco Mundial, entender o porquê é essencial para garantir que esforços futuros para o desenvolvimento sejam mais eficientes e inclusivos.
Essas falhas refletem as consequências de longo alcance da exclusão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial descobriram que crianças com deficiência têm menos chances de ingressar em escolas do que os seus pares não deficientes – e que entre elas há um índice maior de evasão escolar. Na Indonésia, há uma discrepância de 60% entre crianças com e sem deficiências que frequentam o ensino fundamental e uma diferença de 58% no ensino médio. O sentimento resultante da exclusão e da alienação pode enfraquecer a integração social e até mesmo levar à agitação e conflitos.
(Adaptado de: <http://veja.abril.com.br/economia/o-imperativo-da-inclusão>
I. Em “Mas, infelizmente, muitos países ainda estão muito longe de atingi-los”, o conectivo “mas” indica relação de oposição com a ideia expressa anteriormente. II. Em “O sentimento resultante da exclusão e da alienação pode enfraquecer a integração social e até mesmo levar à agitação e conflitos”, a expressão “até mesmo” pode ser substituída por “inclusive”, sem prejuízos de significação. III. Em “Mesmo as nações que fizeram um progresso substancial” e “descobriram que crianças com deficiência têm menos chances”, a partícula “que” recebe a mesma classificação gramatical nas duas ocorrências. IV. Em “inclusivos” e “exclusão” os prefixos “in-” e “ex-” indicam, respectivamente, anterioridade e posteridade.
Assinale a alternativa correta.
1. A escola e, em geral, o consenso da sociedade ainda se ressentem das heranças deixadas por uma perspectiva de estudo do fenômeno linguístico cujo objeto de exploração era a língua enquanto conjunto potencial de signos, desvinculada de suas condições de uso e centrada na palavra e na frase isoladas. (1º parágrafo) 2. Assim, a língua assume um caráter político, um caráter histórico e sociocultural, que ultrapassa em muito o conjunto de suas determinações internas, ainda que consistentes e sistemáticas. (2º parágrafo) 3. Dessa forma, todas as questões que envolvem o uso da língua não podem ser resolvidas somente com um livro de gramática ou à luz do que prescrevem os comandos de alguns manuais de redação. (2º parágrafo)
Assinale a alternativa correta.
Falantes de diferentes variedades se reconhecem, por razões históricas, socioculturais e políticas, como falantes da mesma língua, ainda que haja poucas semelhanças léxico-gramaticais entre as variedades e, em certas situações, não haja sequer mútua inteligibilidade, como no caso dos falantes de chinês.
Analise as afirmativas abaixo:
1. Os segmentos “por razões históricas, socioculturais e políticas” e “em certas situações” são constituintes circunstanciais que estão sintaticamente intercalados na frase. 2. O vocábulo “como”, nas duas ocorrências, funciona como conjunção comparativa. 3. O verbo haver, nas duas ocorrências da forma “haja”, funciona como verbo existencial e é impessoal. 4. A preposição “por” introduz uma informação que expressa o lugar onde os falantes se reconhecem, em determinado tempo, como usuários de uma mesma língua. 5. O conector “ainda que” introduz uma oração subordinada cujo conteúdo é contrário ao da afirmação contida na oração principal, mas que não é suficiente para anular este último.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

I. O vocábulo ‘Mas’ (l.16) é uma conjunção coordenativa adversativa e poderia ser substituído por ‘Porém’ sem implicar erro à frase. II. Na linha 18, ‘se bem que’ substituiria adequadamente ‘embora’, mantendo-se a semântica e a sintaxe do período. III. Na linha 32, o nexo coesivo ‘Além disso’ poderia ser substituído por ‘Também’ sem provocar erro.
Quais estão corretas?
I. O título sintetiza a ideia central a ser discutida no texto. II. A expressão “além disso” tem valor semântico de acréscimo.
Marque a alternativa CORRETA:
O termo “até mesmo”, nesse fragmento, estabelece relação lógico-semântica de:
Os termos sublinhados acima têm, respectivamente, a ideia de:






