Questões de Concurso
Comentadas sobre uso das aspas em português
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Há bons motivos para não gostar dos manguezais: são feios, lamacentos, repletos de mosquitos e geralmente cheiram mal. Mas há também boas – e novas – razões para dar mais valor a esses espaços que misturam água do mar e de rios em meio a árvores de raízes expostas. Aprofundando a antiga explicação de que os manguezais são berçários de animais marinhos, uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco verificou que várias espécies de peixes precisam de redutos distintos no mangue, com salinidade maior ou menor, para desovar e criar seus filhotes até que sejam capazes de seguir para o oceano.
“O local de acasalamento dos peixes é um, o de desova é outro e o berçário é um terceiro, às vezes distante entre si dezenas de metros, tudo dentro do estuário”, diz Mario Barletta, que, com seu grupo, percorre os estuários da América do Sul. Outra conclusão é que esses locais de reprodução, desova, crescimento, proteção e alimentação de peixes variam ao longo do ano, de acordo com as fases da lua e o regime de chuvas, com diferentes níveis de turbidez, salinidade e concentração de oxigênio dissolvido na água.
Comuns em todo o litoral brasileiro, exceto no Rio Grande do Sul, os manguezais são protegidos por lei federal, mas estão perdendo espaço para estradas, condomínios residenciais e indústrias, e ganhando poluição. Sem seus refúgios, peixes e tartarugas marinhas em crescimento mudam a dieta e comem até plástico. Fernanda Possato Barleta e outros pesquisadores da UFPE alertam que não é possível quantificar o alcance desse fenômeno nem as consequências desse tipo de poluição, mas recomendam mais cuidado para evitar que ela prejudique ainda mais a vida dos peixes e das pessoas.
(Fragmento adaptado de Carlos Fioravanti. “Berçários móveis”. Pesquisa FAPESP, n. 187, Setembro de 2011. p. 55-7)
Leia atentamente as afirmações abaixo sobre a pontuação empregada no texto.
I. Na frase inicial do texto – Há bons motivos para não gostar dos manguezais: são feios, lamacentos, repletos de mosquitos e geralmente cheiram mal –, nota-se emprego indevido dos dois-pontos, já que esse sinal de pontuação não deve preceder um verbo.
II. Em há também boas – e novas – razões, a substituição dos travessões por parênteses implicaria prejuízo para a correção e a lógica.
III. As aspas que isolam o segmento inicial do segundo parágrafo indicam que se trata de reprodução literal das palavras do pesquisador mencionado.
Está correto SOMENTE o que se afirma em
Roupas de grife ajudam a influenciar as pessoas
Salvador Nogueira
Estudo prova que usar roupas caras realmente mexe com o inconsciente alheio. Mas só se a marca estiver à mostra.
O mundo trata melhor quem está bem vestido. Um novo estudo comprova que isso é verdade - mas não porque roupas caras sejam bonitas ou estejam na moda. Seu poder está concentrado em um único elemento: o logotipo da grife.
A pesquisa foi coordenada pelo psicólogo Rob Nelissen, da Universidade de Tilburg, na Holanda. Ele pediu a voluntários que olhassem fotos de um homem de camisa polo - com ou sem o símbolo de uma grife — e também mandou uma assistente ir à rua pedir donativos (usando uma blusa de marca, cujo logotipo foi coberto durante metade do tempo). Quando o logo estava visível, as pessoas demonstravam 20% mais respeito e davam 400% mais atenção e 178% mais donativos para o dono da roupa, que também era considerado merecedor de um salário 9% maior.
Em outra experiência, cada voluntário recebia 10 euros - e tinha de dar uma parte a outra pessoa (que na verdade era um comparsa dos pesquisadores). Quando essa pessoa estava vestida com uma grife, o voluntário dava mais dinheiro a ela. Em alguns casos, os cientistas diziam que a roupa de grife tinha sido um presente, pois aquela pessoa era pobre. Isso fazia com que os voluntários voltassem a ser muquiranas - anulando o efeito positivo que tinha sido gerado pela roupa de marca.
Ou seja: se você quer influenciar os outros, não basta se vestir bem. É preciso ostentar um logotipo, deixando claro que a roupa foi cara e que você tem bastante dinheiro. Ou pelo menos fingir. “Os dados sugerem que o consumo de luxo pode ser uma estratégia social lucrativa", diz Nelissen.
(Super Interessante, São Paulo, Editora Abril, Edição 292, junho 2011, p. 16.)
TEXTO 2
Depoimento sincero de um leitor bem-sucedido
“Precisava levantar as vendas da minha pizzaria. Decidi panfletar em um semáforo e lembrei-me de uma matéria da SUPER (Roupas de Grife Influenciam as Pessoas, junho). Fui com uma polo de marca e não deu outra. Mesmo às 21 h, de noite, as pessoas abaixavam a janela do carro para pegar o panfleto. Depois, usei táticas descritas na matéria A Ciência dos Preços (agosto). Ofereci RS 2 de acréscimo no pedido para incluir borda de catupiry e R$ 10 para incluir um brotinho doce. Aumentei 10% o caixa no fim de semana. Valeu, SUPER!" H. S.
(Super Interessante, São Paulo, Editora Abril, Edição 296, outubro 2011, p. 12.)
Vai bem a convivência entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politicamente correto na área ambiental. É seguindo essa trilha “verde" que a Motorola anunciou o primeiro celular do mundo feito de garrafas plásticas recicladas. Ele se chama W233 Eco e é também o primeiro telefone com certificado CarbonFree, que prevê a compensação do carbono emitido na fabricação e distribuição de um produto. Se um celular pode ser feito de garrafas, por que não se produz um laptop a partir do bambu? Essa ideia ganhou corpo com a fabricante taiwanesa Asus: trata- se do Eco Book que exibe revestimento de tiras dessa planta. Computadores “limpos" fazem uma importante diferença no efeito estufa e para se ter uma noção do impacto de sua produção e utilização basta olhar o resultado de uma pesquisa da empresa americana de consultoria Gartner Group. Ela revela que a área de TI (tecnologia da informação) já é responsável por 2% de todas as emissões de dióxido de carbono na atmosfera.
Além da pesquisa da Gartner, há um estudo realizado nos EUA pela Comunidade do Vale do Silício. Ele aponta que a inovação “verde" permitirá adotar mais máquinas com o mesmo consumo de energia elétrica e reduzir os custos de orçamento. Russel Hancock, executivo-chefe da Fundação da Comunidade do Vale do Silício, acredita que as tecnologias “verdes" também conquistarão espaço pelo fato de que, atualmente, conta pontos junto ao consumidor ter-se uma imagem de empresa sustentável.
O estudo da Comunidade chegou às mãos do presidente da Apple, Steve Jobs, e o fez render-se às propostas do “ecologicamente correto" - ele era duramente criticado porque dava aval à utilização de mercúrio, altamente prejudicial ao meio ambiente, na produção de seus iPods e laptops. Preocupado em não perder espaço, Jobs lançou a nova linha do Macbook Pro com estrutura de vidro e alumínio, tudo reciclável. E a RITI Coffee Printer chegou à sofisticação de criar uma impressora que, em vez de tinta, se vale de borra de café ou de chá no processo de impressão. Basta que se coloque a folha de papel no local indicado e se despeje a borra de café no cartucho - o equipamento não é ligado em tomada e sua energia provém de ação mecânica transformada em energia elétrica a partir de um gerador. Se pensarmos em quantos cafezinhos são tomados diariamente em grandes empresas, dá para satisfazer perfeitamente a demanda da impressora.
(Luciana Sgarbi, Revista Época, 22.09.2009. Adaptado)
A extinção de espécies animais é natural. De todas aquelas que já viveram neste planeta, 99% estão agora desaparecidas, e deve-se contar com o sumiço de algumas subespécies. A questão é a rapidez com que isso ocorre. Estudos mostram que o impacto da humanidade acelerou em 100 vezes o ritmo natural de extinção de espécies. Muitos cientistas acreditam que estamos assistindo à sexta extinção; as outras cinco ocorreram em épocas pretéritas. O impacto do homem sobre o ambiente e seu efeito devastador para a sobrevivência de muitos animais podem ser separados em cinco ameaças, todas elas contornáveis, sem causar a ruína da economia humana: a perda ou fragmentação de hábitats, a caça predatória (a captura é mais rápida do que a capacidade de reprodução), a poluição, com destaque para pesticidas agrícolas e efluentes urbanos lançados em águas, a alteração climática e a introdução pelo homem de animais estranhos a determinado bioma. O principal problema é, sem dúvida, a perda do hábitat. Quase 70% dos vertebrados que aparecem na lista de espécies ameaçadas são vítimas da expansão agrícola. Desmatamento, redução da camada polar, poluição dos oceanos destroem biomas, tornando a vida difícil ou impossível para os animais que deles dependem para sobreviver. A atual extinção, não é, felizmente, um destino inevitável. "Tornou-se consenso em boa parte do mundo que devemos nos preocupar com a natureza e que só assim continuaremos a nos desenvolver", diz a diretora da Global Footprint Network, organização dedicada a calcular o impacto do homem na biodiversidade. "Há mais engajamento na luta pela conservação, sobretudo por parte das empresas", completa. (Filipe Vilicic. Veja, Edição Especial, Sustentabilidade, dez. 2010. p. 60-62, com adaptaçõ
2 especificamente em relação à sua segurança. Por força do art. 1.336, II, do Código
3 Civil, é dever de todo condômino não realizar obras que comprometam a segurança
4 da edificação; dessa forma, o condomínio, representado por seu síndico, pode exigir o
5 cumprimento desse dever. A primeira dúvida que acomete os síndicos é se devem ou
6 não agir quando têm ciência da realização de alguma obra. Se ouvir uma martelada, o
7 síndico já deve solicitar informações sobre uma obra? Ou somente quando algum
8 vizinho reclama? Ou será que o síndico só deve se movimentar se houver algum
9 dano? A resposta é realmente simples: o síndico deve solicitar informações sobre
10 qualquer obra cujo volume justifique sua ação. Esse “volume” é avaliado, por
11 exemplo, com base no número de operários que entram e saem do condomínio, na
12 quantidade de carga e descarga de materiais ou entulhos dos imóveis, nos ruídos
13 gerados pelos trabalhos da obra etc.
(André Luiz Junqueira, Revista Bonijuris, abril 2011)
I. Para isso, terá dois caminhos: incorporar novas áreas ou ampliar a produtividade. (1º parágrafo) Os dois-pontos assinalam o sentido especificativo e explicativo do segmento introduzido por eles.
II. "sem derrubar uma única árvore" (4º parágrafo) As aspas isolam a afirmativa que constitui a ideia principal, em torno da qual se desenvolve o texto.
III. ele opta pela expansão da área, que é muito mais barata (final do texto) A vírgula pode ser retirada do período, que permanece correto, porém com alteração do sentido original.
Está correto o que consta APENAS em .
I. Em “jornalístico" e "mundano”, as aspas indicam que as palavras empregadas pelo autor possuem um significado especial.
II. A frase A associação entre humor e imprensa, especialmente destacada nos países europeus, também ocorreu nos principais centros urbanos brasileiros mantém-se corretamente pontuada, ao ser alterada da seguinte forma: Especialmente destacada nos países europeus, a associação entre humor e imprensa, também ocorreu nos principais centros urbanos brasileiros.
III. Isolado por vírgulas, o segmento de forma peculiar também pode ser isolado por travessões, sem prejuízo para a coesão do período em que se encontra.
Está correto o que se afirma em:
As aspas em ‘nós e os outros’
são usadas para realçar ironicamente essa expressão, revelando o posicionamento crítico do autor em relação ao tema por ele tratado. continuamente por notícias ou torpedos numa rede comunica-
cional em que se projeta a prevalência da mídia, que passou a
conformar nosso modo de ser. O virtual assume papel relevante
na realidade, pois as formas de conhecer e avaliar deixaram de
ser fruto da leitura e da reflexão para se alicerçarem unicamente
na informação rápida, no conhecimento por tiras, retirado das
comunicações que são enviadas em processo contínuo de
transmissão durante todo dia, compartilhadas por todos.
Dessa forma a assunção de convicções individuais, bem
como o silêncio e a solidão cederam passo a uma posição
passiva de recepção contínua e coletiva de comunicações, com
aceitação indiscutida da informação urgente trazida pelos
órgãos da imprensa. E o grande meio de informação ainda é a
televisão, em especial no Brasil, malgrado o crescimento da
internet. Mas o que é a televisão?
A televisão pode ser uma via autoritária, na medida em
que penetra nossa existência em todos os instantes, de manhã
até a noite. Não há mais horário para ver televisão, vê-se
televisão a todo tempo. Não se escolhe um programa de
televisão, liga-se a televisão, cuja mensagem é recebida
enquanto se conversa ou durante o jantar. Assim, a televisão é
uma imposição de modos de ser, de pensar, que vão sendo
introjetados imperceptivelmente. Os programas de baixo nível,
nada educativos e exploradores de anseios de sucesso
segundo o modelo dos "famosos", são fenômenos graves, pois
hoje não têm mais força os emissores simbólicos tradicionais: a
religião, a escola, o sindicato, a família. Concentra-se a capaci-
dade de transmissão simbólica nos meios de comunicação, com
fácil penetração dos estereótipos forjados pela mídia em campo
aberto, dada a desavisada recepção. Assim, o rádio e a
televisão têm um impacto extraordinário porque expressam
manifestações de cunho valorativo, mesmo no campo político, e
modelam a opinião pública.
Em grande parte dos países democráticos há formas de
controle da mídia, porém prevalece a autorregulação, tal como
no Canadá, na Austrália, na Inglaterra. A autorregulação, a meu
ver, cabe ser exercida por um ombudsman, dotado de indepen-
dência e inamovibilidade durante seu mandato, que deverá
pautar sua ação em código de conduta do órgão de imprensa, a
ser registrado em conselho constituído segundo lei federal.
Desse modo, conciliam-se o direito de liberdade de expressão e
o direito de preservação dos valores éticos e sociais da pessoa
e da família, como expressa nossa Constituição. Faz-se, assim,
a conjugação e não a colisão de direitos.
(Trecho de artigo de Miguel Reale Júnior, com adaptações.
O Estado de S. Paulo, A2, Espaço aberto, 4 de dezembro
de 2010)
I. Mas o que é a televisão?
A questão colocada ao final do 2o parágrafo é apenas retórica, servindo para marcar uma pausa no desenvolvimento do texto, pois o autor parte do princípio de que os leitores já conhecem bastante bem o assunto.
II. O emprego das aspas em "famosos" (3o parágrafo) assinala noção valorativa do autor a respeito do sentido atribuído habitualmente a esse vocábulo.
III. Após os dois pontos, no 3o parágrafo, ocorre uma enumeração que explicita a expressão imediatamente anterior a esse sinal de pontuação.
Está correto o que consta SOMENTE em
dissociável, ao de verdadeiro - e, por extensão, ao de bom e
justo. Isso ecoa no cotidiano quando classificamos um bom ges-
to de "belo" ou recriminamos uma criança que cometeu peralti-
ce, dizendo que ela fez uma "coisa feia". Estamos, aí, ainda que
nos aspectos mais comezinhos da vida, no terreno da metafísi-
ca, a subdivisão do conhecimento filosófico que se debruça so-
bre tudo aquilo que ultrapassa a experiência sensível. Há, de fa-
to, na beleza - de uma flor, de uma pessoa, de uma obra de ar-
te - algo que parece transcender o aspecto físico e que se co-
necta ao que há de idealmente mais perfeito e, até mesmo, ao
que é considerado divino.
Mas, independentemente de estar associada a outros
conceitos sublimes, a beleza requer definição concreta - o que
nos ajuda, inclusive, se nem sempre a nos tornarmos mais ver-
dadeiros, bons ou justos, pelo menos mais agradáveis ao es-
pelho. Não basta, portanto, intuir que algo é belo. É preciso en-
tender por que desperta em nós essa percepção deleitosa.
De acordo com o estudo das proporções e da biologia
evolutiva, a beleza não é apenas questão de gosto: é a reunião
feliz, e não muito comum, de simetria, harmonia e unidade. Uma
forma de inteligência biológica com evidentes vantagens adap-
tativas. Em outras palavras, a beleza paira acima das aprecia-
ções meramente pessoais.
A progressiva compreensão das formas de beleza e as
tecnologias dela surgidas produziram uma grande conquista:
hoje, talvez não sejamos intrinsecamente mais belos do que ou-
tras gerações - mas podemos ficar mais bonitos do que nunca.
Tudo que nos permite explorar nossos pontos fortes e driblar
nossas fraquezas genéticas é resultante da combinação entre
os avanços nos cuidados com a aparência física e o estilo, a
possibilidade de envelhecer com saúde e, não menos essencial,
a valorização de atributos sociais como autoestima, simpatia, cul-
tura e expressividade. "É o equilíbrio dessas qualidades que tor-
na um indivíduo mais ou menos atraente", diz o cirurgião plás-
tico Noel Lima, do Rio de Janeiro.
(Adaptado de Anna Paula Buchalla. Veja, 12 de janeiro de 2011,
p. 79)
I. Há, de fato, na beleza - de uma flor, de uma pessoa, de uma obra de arte - algo que parece transcender... (1o parágrafo) O travessões podem ser corretamente substituídos por parênteses, sem alteração do sentido original.
II. ...a beleza não é apenas questão de gosto: é a reunião feliz, e não muito comum, de simetria, harmonia e unidade. (3o parágrafo) O emprego dos dois pontos realça uma afirmativa cujo sentido se contrapõe, de modo claro, ao exposto na afirmativa anterior.
III. "É o equilíbrio dessas qualidades que torna um indivíduo mais ou menos atraente" As aspas isolam transcrição exata das palavras do médico citado no 4o parágrafo.
Está correto o que consta em
aumentou 18% desde 1990. Mas a melhora estatística está
longe de animar os autores do Relatório de 2010. Eles argumentam
que, embora os números reflitam avanços em determinadas
áreas, o mundo continua a conviver com problemas
graves, que exigem uma nova perspectiva política.
O cenário apresentado pelo Relatório não é animador. O
documento adverte que, nestes 20 anos, parte dos países enfrentou
sérios problemas, sobretudo na saúde, anulando em alguns
anos os ganhos de várias décadas. Além disso, o crescimento
econômico tem sido desigual. Os padrões de produção
e consumo atuais são considerados inadequados.
Embora não queira apresentar receitas prontas, o Relatório
traça caminhos possíveis. Entre eles, o reconhecimento da
ação pública na regulação da economia para proteger grupos
mais vulneráveis. Outro aspecto ressaltado é a necessidade de
considerar pobreza, crescimento e desigualdade como temas
interligados. "Crescimento rápido não deve ser o único objetivo
político, porque ignora a distribuição do rendimento e negligencia
a sustentabilidade do crescimento", informa o texto.
Um aspecto importante revelado pelo Relatório é que
muitas das ações para melhoria da saúde e da educação não
necessitam de grande investimento financeiro. Isso está mais
presente sobretudo onde os indicadores são ruins. "Numa
primeira etapa, medidas simples como inclusão do soro caseiro
e lavagem das mãos já trazem impacto relevante", avalia Flávio
Comim, economista do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento.
(Adaptado de Lígia Formenti. O Estado de S. Paulo, A30 Vida,
5 de novembro de 2010)
A Rússia planeja lançar cinco novos navios de pesquisa
polar como parte de um esforço de US$ 975 milhões para
reafirmar a sua presença na Antártida na próxima década.
Segundo o blog Science Insider, da revista Science, um
documento do governo estabelece uma agenda de prioridades
para o continente gelado até 2020. A principal delas é a
reconstrução de cinco estações de pesquisa na Antártida, para
realizar estudos sobre mudanças climáticas, recursos pesqueiros
e navegação por satélite, entre outros. A primeira expedição
da extinta União Soviética à Antártida aconteceu em 1955 e,
nas três décadas seguintes, a potência comunista construiu
sete estações de pesquisa no continente. A Rússia herdou as
estações em 1991, após o colapso da União Soviética, mas
pouco conseguiu investir em pesquisa polar depois disso. O documento
afirma que Moscou deve trabalhar com outras nações
para preservar a "paz e a estabilidade" na Antártida, mas
salienta que o país tem de se posicionar para tirar vantagem
dos recursos naturais caso haja um desmembramento territorial
do continente.
(Pesquisa Fapesp, dezembro de 2010, no 178, p. 23)
quase incompreensível para a maioria das pessoas. Hoje, se
ainda não chega a ser um tema que se discuta nos bares, vem
se incorporando cada vez mais na sociedade em geral. Tudo
indica que a variedade de espécies de plantas, animais e
insetos de uma determinada área começa a ser uma
preocupação geral ? a ponto de a ONU considerar 2010 o Ano
Internacional da Biodiversidade.
Mas, ainda que seja um assunto cada vez mais popular,
convencer governos e sociedades de que a biodiversidade tem
importância fundamental para a espécie humana e para o
próprio planeta é uma perspectiva remota. Afinal, a quantidade
de espécies aparentemente não influencia a vida profissional,
social e econômica de quem está mergulhado nas decisões
mais prosaicas do dia a dia.
Como diz Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da 10a
Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade
Biológica, o objetivo desse encontro é "desenvolver um novo
plano estratégico para as próximas décadas, incluindo uma
visão para 2050 e uma missão para a biodiversidade em 2020."
Talvez seja um discurso um pouco vago devido à
urgência dos fatos: nunca, na história do planeta, registrou-se
um número tão grande de espécies ameaçadas. Diariamente,
100 delas entram em processo de extinção e calcula-se que nos
próximos 20 anos mais de 500 mil serão varridas definitivamente
do globo. Tudo isso ocorre, na maior parte, graças à
intervenção humana.
Nessas espécies encontra-se um vasto e generoso
banco genético, cuja exploração ainda engatinha, capaz de
fornecer as mais diferentes soluções para questões humanas
eminentes. Esse fato poderia constituir argumento suficiente
para a preservação das espécies e das áreas em que elas se
encontram. No entanto, o raciocínio conservacionista tem sido
puramente contábil: quanto vale a biodiversidade, qual é o
prejuízo que representa sua diminuição e que investimento é
necessário para mantê-la. Nessa contabilidade, o que entra é
um valor atribuído aos "serviços" ambientais que os biomas
oferecem - como a purificação do ar e da água, o fornecimento
de água doce e de madeira, a regulação climática, a proteção a
desastres naturais, o controle da erosão e até a recreação. E a
ONU avisa: mais de 60% desses serviços estão sofrendo
degradação ou sendo consumidos mais depressa do que
podem ser recuperados.
(Roberto Amado. Revista do Brasil, outubro de 2010, pp. 28-
30, com adaptações)
I. Tudo indica que a variedade de espécies de plantas, animais e insetos de uma determinada área começa a ser uma preocupação geral - a ponto de a ONU considerar 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. O travessão introduz um argumento que justifica o que acaba de ser afirmado.
II. Talvez seja um discurso um pouco vago devido à urgência dos fatos: nunca, na história do planeta, registrou-se um número tão grande de espécies ameaçadas. Os dois pontos introduzem segmento explicativo para a expressão anterior a eles, urgência dos fatos.
III. Nessa contabilidade, o que entra é um valor atribuído aos "serviços" ambientais que os biomas oferecem ... O emprego das aspas busca chamar a atenção para um sentido particular atribuído ao vocábulo serviços.
Está correto o que se afirma em
Leia o texto abaixo. As questões de 01 a 07 referem-se a ele.
Texto 1
Autoridades discutem ações contra acidentes com motos
O alto índice de acidentes envolvendo motocicletas em Cascavel levou à convocação de uma audiência pública para discutir ações que possam reduzir os números. Motociclistas estão envolvidos em 62% dos acidentes de trânsito na cidade e cinco já morreram este ano, além de um passageiro. “A agilidade da motocicleta, no trânsito, não compensa a instabilidade e a alta vulnerabilidade. Os acidentes com motocicletas quando não matam deixam sequelas nas vítimas. A cada ano 100 mil brasileiros ficam com sequelas permanentes e quatro mil com sequelas graves, como tetraplegias e paraplegias”, alerta Jack Szymanski, médico oftalmologista e presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) do Paraná.
Uma das preocupações é que esses acidentados estejam a trabalho no momento da colisão. Por isso, o MPT (Ministério Público do Trabalho) pretende cobrar dos empregadores a implantação de medidas que possam ajudar a evitar os acidentes de trânsito.
As discussões da audiência pública serão feitas por especialistas integrantes do Comitê de Prevenção a Óbitos e Amputações que abrange as 25 cidades da 10ª Regional de Saúde. O encontro seria dia 28 de abril, na Câmara de Vereadores. Para o evento, será apresentado um estudo feito pela comissão criada especificamente para apurar os prejuízos causados pela atividade.
“É preciso elaborar medidas ocupacionais que evitem tantos acidentes. Estamos levantando se boa parte dos envolvidos em acidentes de trânsito está a trabalho, para cobrar investimentos e reduzir os efeitos dos acidentes”, explica a procuradora do Trabalho Sueli Bessa.
AUMENTO
Hoje 1,5 mil motocicletas de Cascavel são usadas para atividades profissionais, o que representa 5% da frota local. As condições de pagamento facilitadas e o baixo consumo de combustível fazem do veículo um transporte barato.
Como resultado, em cinco anos cresceu 89,5% a frota de motocicletas em Cascavel, conforme dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). São mais 145.215 carros disputando espaço nas ruas. A convivência não é harmoniosa. Hoje o acidente mais comum atendido pelo Corpo de Bombeiros é entre carros e motocicletas, que representa 37% do total de ocorrências.
O receio de especialistas é que, com a legalização do transporte de pessoas em motocicletas, o chamado mototáxi, aumentará o risco de acidentes. “A vulnerabilidade do condutor e do passageiro da moto está associada ao aumento da mortalidade e da morbidade, fazendo com que o acidente seja um problema de saúde pública. As cenas trágicas são diárias. Como em uma guerra, além de muitos mortos, a maioria formada por jovens em idade produtiva, os feridos passam a lotar as UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] dos hospitais, em um dos maiores e mais onerosos problemas de segurança e saúde pública do País”, relata o presidente da Abramet.
BAGATOLI, J. Autoridades discutem ações contra acidentes com motos. In: Jornal Hoje, Cascavel, PR, 15 abr. 2010, edição n. 5683. Disponível em: . Acesso em: 16 abr. 2010.
Nas três ocorrências de declarações, as aspas indicam que os trechos incorporados ao texto são argumentos
Instrução: As questões de números 01 a 12 referem-se ao texto abaixo.
A teoria da incomodação zero
01 Os homens se distinguem dos animais, não porque ____ consciência, já afirmavam teorias
02 sociológicas do fim do século 19, mas porque produzem as condições de sua própria existência. Estas
03 condições são, em grande parte, oriundas do trabalho, que sempre fez parte da vida humana. Contudo,
04 desde que surge a propriedade privada capitalista, a relação de trabalho estabelecida entre empregador e
05 empregado passou por muitas transformações. O trabalho consistia em sinônimo de segurança, de um
06 ambiente ordenado, regular, confiável e duradouro. Em uma época não tão distante, o imediatismo não
07 figurava como valor maior, e a lógica do trabalho se assemelhava a uma construção: tijolo __ tijolo, andar
08 __ andar, no trabalho lento, que findava com uma obra sólida e firme – a carreira.
09 Mas hoje o status do trabalho parece estar subvertido ou, ao menos, tem se revestido de
10 características muito distintas das de outrora. O sociólogo polonês Zigmunt Bauman nos revela que o novo
11 perfil do trabalhador, buscado pelas empresas, não é mais exatamente aquele que prima por um sujeito
12 íntegro, enraizado em valores, com princípios e tradições sólidas. O mais novo filtro utilizado nesta
13 escolha é de outra natureza. De acordo com Bauman, desde 1997, usa-se nos EUA uma expressão que
14 designa o perfil de trabalhador que o mercado procura, o chamado “chateação zero”. A expressão cômica,
15 mas extremamente reveladora, nos mostra que o trabalhador que possuir menos fatores potenciais para
16 chatear ou incomodar a empresa durante o seu labor será aquele com maior chance de conseguir a vaga.
17 Por exemplo, um sujeito dotado de família e filhos tem o seu nível de chateação elevado, pois
18 provavelmente não terá tanta flexibilidade para aceitar tarefas em qualquer horário ou local.
19 Ora, se você é um empregado que ousa questionar as relações e que procura cumprir as suas
20 obrigações, cobrando dos demais o mínimo de responsabilidade, saiba que você possui um nível de
21 chateação elevadíssimo. Vantajoso é ser alguém descomprometido com a realidade social, com laços
22 afetivos frágeis e que possa estar sempre à disposição. A preferência é por “empregados ‘flutuantes’,
23 acríticos, descomprometidos, flexíveis, ‘generalistas’ e, em última instância, descartáveis (do tipo ‘pau
24 pra toda obra’, em vez de especializados e submetidos a um treinamento estritamente focalizado)”,
25 afirma Bauman. O mercado de trabalhadores é também um mercado de produtos.
26 Neste ambiente “líquido-moderno”, estendemos o retrato da prática do consumo para as demais
27 instâncias da vida, como parece ocorrer com as atividades do trabalho. Uma predileção pela facilidade,
28 desprendimento e individualização. Um produto é comprado, usado até perder o valor e depois
29 descartado, pois uma imensidão de outros estará __ disposição. O trabalhador assume, enfim, o status de
30 descartável. Incomodando zero, disponível sempre e criticando nunca.
(Salbego, Solange. Zero Hora, 21-02-2010 – adaptação)
Nas linhas 22 e 23, a autora utiliza aspas para marcar os adjetivos flutuantes e generalistas com o objetivo
Texto I
CIDADANIA E EDUCAÇÃO
1.Cidadania, palavra que pode ser empregada em muitos sentidos. Desde sua origem na Roma antiga, a idéia de cidadania está vinculada ao princípio de que os habitantes têm o direito de participar da vida política da sociedade. O termo vem da palavra latina civis, que significa "habitante", e civitatis, que dava a condição de cidadão aos habitantes. Ou seja, dava-lhes o direito de participar ativamente na vida e no governo do povo.
2.Novamente, como no modelo grego de democracia, a cidadania na Roma antiga não era atribuída a todos os habitantes. Em primeiro lugar, estrangeiros e escravos não eram cidadãos, denominação garantida somente aos romanos livres. Em segundo lugar, mesmo entre os romanos livres havia uma distinção entre a cidadania e a cidadania ativa. Enquanto a primeira era uma denominação dada à maioria dos romanos, incluídas nesse grupo todas as mulheres, a segunda, que dava o direito efetivo de participar das atividades políticas e da administração pública, era destinada a um pequeno grupo de romanos (homens) livres.
[...]
3.Em seu sentido tradicional, portanto, a cidadania expressa um conjunto de direitos e de deveres que permite aos cidadãos e cidadãs participar da vida política e da vida pública, podendo votar e ser votados, participar ativamente na elaboração das leis e exercer funções públicas, por exemplo. Partindo dessas ideias, podemos fazer um questionamento importante para a compreensão atual dos significados possíveis para cidadania: Será que a garantia de participação ativa na vida política e pública é suficiente para garantir a todas as pessoas o atendimento de suas necessidades básicas? Não acredito que a cidadania pressuponha apenas o atendimento das necessidades políticas e sociais, com o objetivo de garantir os recursos materiais que dêem uma vida digna às pessoas. Do meu ponto de vista é necessário que cada ser humano, para poder efetivamente participar da vida pública e política, se desenvolva em alguns aspectos que lhe dêem as condições físicas, psíquicas, cognitivas, ideológicas e culturais necessárias para uma vida saudável, uma vida que o leve à busca virtuosa da felicidade, individual e coletiva.
4.Entender a cidadania a partir da redução do ser humano a suas relações sociais e políticas não é coerente com a multidimensionalidade que nos caracteriza e com a complexidade das relações que estabelecemos com o mundo à nossa volta e com nós mesmos. Assim, a luta pela cidadania passa não apenas pela conquista de igualdade de direitos e de deveres a todos os seres humanos, mas também pela conquista de uma vida digna, em sua mais ampla concepção, para todos os cidadãos e cidadãs, habitantes do planeta. Tal tarefa, complexa por natureza, pressupõe a educação de todos, crianças, jovens e adultos, a partir de princípios coerentes com esses objetivos, com a intenção evidente de promover a cidadania pautada na democracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na participação ativa de todos os membros da sociedade.
5.Nessa direção é imperativo uma “Educação para a cidadania”, elemento essencial para a democracia e que remete a algumas ideias de Machado (1997). Para esse autor “educar para a cidadania significa prover os indivíduos de instrumentos para a plena realização desta participação motivada e competente, desta simbiose entre interesses pessoais e sociais, desta disposição para sentir em si as dores do mundo”. (p. l06)
6.Estamos falando, portanto, da formação e da instrução das pessoas para sua capacitação à participação motivada e competente na vida política e pública da sociedade. Ao mesmo tempo, entendo que essa formação deva visar ao desenvolvimento de competências para lidar com a diversidade e o conflito de ideias, com as influências da cultura e com os sentimentos e emoções presentes nas relações do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Além disso, deve garantir a possibilidade e a capacidade de indignação com as injustiças cotidianas. Nesse sentido, a educação para a cidadania e para a vida em uma sociedade democrática não pode se limitar ao conhecimento das leis e regras, ou a formar pessoas que aprendam a participar da vida coletiva de forma consciente.
7.É necessário algo mais, que é o trabalho para a construção de personalidades morais, de cidadãos e cidadãs autônomos que buscam de maneira consciente e virtuosa a felicidade e o bem pessoal e coletivo.
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8.Trabalhar na formação desse cidadão e dessa cidadã pressupõe considerar as diferentes dimensões constituintes da natureza humana: a sociocultural, a afetiva, a cognitiva e a biofisiológica e atuar intencionalmente sobre elas. Atuar sobre a dimensão sociocultural pressupõe propiciar uma educação que leve as pessoas a conhecer criticamente os dados e fatos sobre a cultura e a realidade social em que estão inseridas, assim como ao domínio dos conteúdos essenciais ao exercício da cidadania, principalmente a língua e as matemáticas.
9.Atuar sobre a dimensão afetiva pressupõe oferecer condições para que as pessoas conheçam a si mesmas, seus próprios sentimentos e emoções, que construam o auto-respeito e valores considerados socialmente desejáveis. No caso da dimensão cognitiva, partimos do princípio de que a construção de determinadas capacidades intelectuais ou de formas mais complexas de organizar o pensamento é importante para a compreensão da realidade e para a organização das relações das pessoas com o mundo. Por fim, temos a dimensão biofisiológica, que é nosso próprio corpo, sede de nossa personalidade. Garantir seu desenvolvimento adequado, respeitando as diferenças e características individuais, é essencial para o enriquecimento de nossas experiências e para a interação com o mundo a nossa volta.
Fonte: ARAÚJO, Ulisses F. A construção de escolas democráticas: histórias sobre complexidade, mudanças e resistências. São Paulo: Moderna, 2002. p. 32-40.
Em diferentes partes do texto, o autor faz uso das aspas e dos parênteses. Esses elementos linguístico-gramaticais orientam o interlocutor em relação ao projeto de dizer do locutor.
Em relação ao uso das aspas e dos parênteses no texto, podemos dizer que


