Questões de Concurso Comentadas sobre termos essenciais da oração: sujeito e predicado em português

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Q2792613 Português

TEXTO 01

As palavras difíceis


As palavras difíceis e as palavras fáceis são dois grandes testes para quem escreve. Podemos chamá-las também de palavras complicadas e palavras simples, ou então, de palavras raras e palavras comuns. Tudo isso significa a mesma coisa. Acho que hoje em dia, a grande maioria dos manuais ou das oficinas literárias aconselha as pessoas a usarem palavras simples. Houve um tempo em que não era assim. Palavrório rebuscado (ou mais simplesmente: vocabulário difícil) era um sinal de talento, de erudição, de poder social. Principalmente, no Brasil do século XIX, um Brasil agrário com milhões de analfabetos, pouquíssimas universidades, e uma elite que sempre utilizou a cultura livresca e o diploma como filtros obrigatórios para a ascensão social. O povo podia ter a cultura que tivesse, mas só era considerado culto quem fosse capaz de usar provérbios em latim, de citar Sófocles ou Platão, de recitar em francês ou utilizar com propriedade termos obscuros. Diz-se de muita literatura dessa época que costumavam folhear o dicionário de caderno em punho, anotando palavras difíceis e depois procurando um pretexto para enfiá-las nos seus artigos ou contos [...].

TAVARES, Bráulio. Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Ed. Segmento. Fev. / 2011, p. 18.

Na expressão “Acho que hoje em dia”, temos um caso de

Alternativas
Q2777550 Português

Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

Todo mundo tem pelo menos um esqueleto escondido no armário


  1. Quando o suposto “defeito” fica na parte de fora da gente, aprendemos a disfarçá-lo;
  2. com cortes de cabelo, maquiagem, roupas que nos favoreçam, filtros fotográficos e o que mais
  3. estiver ao nosso alcance para que possamos exibir ao mundo uma imagem mais aceita e
  4. “curtível”. Já quando a incongruência vem de dentro, do nosso caráter ou do nosso DNA
  5. afetivo, aí a coisa fica um pouquinho mais complicada. Para nossas distorções internas não ___
  6. filtro, roupa de grife ou tratamento estético que dê jeito. O mais estranho é que, talvez, seja
  7. exatamente essa maior dificuldade encontrada o que nos torna tão especialistas em camuflar
  8. nossas partes internas mais densas, pesadas, estranhas e rejeitadas. Por exemplo, reparou
  9. como todo mundo se sente vítima da inveja, mas ninguém assume ser invejoso? Essa conta
  10. simplesmente não fecha; sobra “x”, sobra incógnitas, sobra dividendos e zeros depois da
  11. vírgula. E a explicação para essa transgressão matemática é muito simples: a nossa
  12. configuração interna não é exata, não flutua segundo a orientação dos maravilhosos (e
  13. assustadores) algoritmos, não há fórmula racional possível para equalizar nossas demandas
  14. emocionais, nossas batalhas diárias contra nosso mais terrível inimigo: a falta de
  15. autoconhecimento.
  16. Somos completos estranhos para nós mesmos. Essa personagem que acorda conosco
  17. dentro de nós apenas imagina quem seja essa outra personagem que a gente vê no espelho, e
  18. vice-versa. Somos pelo menos dois tentando fazer dar certo um casamento indissolúvel. O fato
  19. é que passamos a vida julgando os outros, querendo os outros, desejando os outros, rejeitando
  20. os outros, perseguindo os outros e descartando os outros, para tentar escapar do nosso
  21. intransferível destino: somos completamente incapazes de sentir por nós mesmos todas essas
  22. complexas paixões de aproximação e desapego. Então, para não termos de encarar de frente
  23. esse desafio enorme que é desencavarmos esse fóssil humano de nós mesmos, soterrado sob
  24. inúmeras camadas de poeira, pedra e lágrimas, seguimos fingindo que está tudo bem.
  25. Arranjamos jeitos de doer menos, nos cercamos de crenças – religiosas ou não – para nos
  26. acalmar a angústia diante da nossa indisfarçável imperfeição. Seguimos recitando pequenas
  27. ladainhas, invocando algum deus ou sábio, a fim de explicar ou abençoar nossas pretensões à
  28. uma suposta santidade ou – ainda mais ambiciosos – a fim de alcançar uma coisa chamada
  29. “paz interior”.
  30. É, companheiro, só a gente mesmo para entender o quão complexo, custoso e
  31. desafiador é carregar-nos todo santo dia para cima e para baixo. E haja academia, terapia,
  32. creme hidratante, plástica capilar, fruta orgânica e receitas sem carboidrato para caber em tão
  33. descabida expectativa. Quem sabe não esteja na hora de visitarmos aquele porão esquecido,
  34. frio e escurinho. Abrir aquele armário secreto, trancado a sete chaves e dar uma boa olhada
  35. naquele esqueletinho que padece ali, abandonado e sem afeto. Imagine cada um de nós
  36. andando por aí com seu podre revelado… Talvez, de início se instalasse o caos. Sim, _______
  37. desacostumamos demais da verdade. Porque, no começo, insistiríamos em afirmar que o
  38. esqueleto do outro é muito mais temível do que o nosso. Entretanto, passado um tempo…
  39. acabaríamos compreendendo que não há uma variedade assim tão grande de defeitos. Nossos
  40. horrores internos são, na verdade, muito mais parecidos do que a nossa vitrine inventada e
  41. mantida com tanto custo. Reveladas nossas entranhas esquisitas, acabaríamos tirando um peso
  42. enorme do peito e das costas e descobriríamos que nossas faltas, assim como nossos excessos,
  43. são apenas casquinhas de feridas que ainda não aprendemos a curar.

Texto especialmente adaptado para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/todo-mundo-tem-pelo-menos-um-esqueleto-escondido-no-armario/. Acesso em 9 set. 2018.

Assinale a alternativa que apresenta uma oração absoluta retirada do texto e formulada com sujeito oculto.

Alternativas
Q2758816 Português

A violência em Roraima é contra a imagem no espelho


Os venezuelanos encarnam o pesadelo real de que toda estabilidade é provisória e o pertencimento é sempre precário


Eliane Brum


  1. Não se compreende a violência dos brasileiros
  2. contra os venezuelanos sem entender o que é
  3. estar na fronteira e se saber à beira do mapa,
  4. a borda como o precipício que lembra a quem
  5. se agarra ao lado de cá que há uma fera
  6. rosnando no desconhecido. Com exceção dos
  7. povos indígenas, a população não indígena de
  8. Roraima é formada por migrantes recentes, a
  9. maioria da segunda metade do século XX. E
  10. sempre chegando de um outro lugar em que o
  11. chão se tornou movediço embaixo dos pés.
  12. Muitos não desembarcaram em Roraima
  13. diretamente do lugar em que nasceram, mas
  14. antes tentaram pertencer a outros pontos do
  15. mapa e não puderam se fixar por falta de
  16. trabalho ou outras faltas. Quem alcança um
  17. estado como Roraima vindo das regiões mais
  18. pobres do Brasil — ou das porções mais
  19. pobres dos estados rico s— sabe que alcançou
  20. uma espécie de território limite. Dali pra
  21. frente não há mais para onde andar. Talvez o
  22. que um brasileiro de Roraima vislumbre num
  23. venezuelano desesperado e sem lugar seja o
  24. retrato de si mesmo. Uma velha foto bem
  25. conhecida empurrada para o fundo de uma
  26. gaveta da qual ninguém quer lembrar, mas
  27. que nunca pôde ser totalmente esquecida.
  28. Diante dos venezuelanos famintos, doentes e
  29. assustados, desejando desesperadamente
  30. entrar, a imagem se materializa como um
  31. espelho que é preciso destruir. O que
  32. destroem no corpo do outro é a imagem de si
  33. mesmos cujo retorno não podem aceitar.
  34. A angústia de não pertencer rugia dentro da
  35. maioria das pessoas que entrevistei em
  36. Roraima, em diferentes momentos. Mas isso
  37. jamais era admitido. Ao contrário. Como
  38. costuma acontecer neste tipo de fenômeno,
  39. ela se expressava como uma identidade feroz,
  40. a de ser o único cidadão legítimo, o único com
  41. o direito de estar ali, o único que trabalha e
  42. quer progredir. Isso se manifestava em três
  43. comportamentos clássicos: a hostilidade
  44. contra estrangeiros de outra língua,
  45. especialmente americanos, a desconfiança
  46. com relação a brasileiros não migrantes, o
  47. desejo de apagar as populações nativas,
  48. ainda que pela assimilação ou pela supressão
  49. de direitos. (...)
  50. A identidade roraimense é fomentada na
  51. população por velhas e novas elites locais a
  52. partir da ideia de que o Brasil é contra eles
  53. (ou os ignora ou só aparece para se meter
  54. onde não devia, como na atual disputa pelo
  55. fechamento da fronteira com a Venezuela), os
  56. “gringos” querem tomar a Amazônia de seus
  57. legítimos donos e os indígenas impedem o
  58. progresso do estado e também de cada
  59. indivíduo que ali chegou com o sonho de fazer
  60. história, fortuna e, principalmente casa —
  61. lugar de pertencimento para quem tanto
  62. peregrinou pelo mapa do Brasil até finalmente
  63. alcançar a sua borda. Essa é sempre a
  64. condição de fronteira entre aqueles que as
  65. disputam. (...) A fronteira é um espaço de
  66. sobreviventes, que já conheceram o pior de
  67. vários mundos, sofreram estigmas,
  68. preconceitos e indignidades, e estão lutando
  69. por um lugar e sabem muito bem o porquê.
  70. (...)
  71. A imagem dos venezuelanos entrando e
  72. entrando, desesperados, miseráveis e
  73. famintos, é a imagem que um migrante mais
  74. teme para si mesmo. É também a prova de
  75. que a estabilidade é sempre provisória, de
  76. que é possível perder tudo mais uma vez. É a
  77. evidência viva, encarnada, de que não há
  78. lugar seguro, de que o pertencimento é
  79. sempre precário. De que do outro lado da
  80. borda, o abismo espreita com olhos injetados
  81. de sangue. Quem viveu escorregando de
  82. todos os mapas sente a dor dessa experiência
  83. no corpo.


Fonte:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/27/opinion.html

Acesso em 06/09/2018. Adaptação.

Assinale a opção cujos termos sublinhados funcionam como sujeito da oração.

Alternativas
Q2752885 Português

Texto 1


NIEMEYER


Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares

Filho, mais conhecido como Oscar Niemeyer, nasceu

em 15 de dezembro de 1907 no bairro das Laranjeiras,

no Rio de Janeiro, e durante anos morou na casa de

5 seu avô, Ribeiro de Almeida, em Maricá. Casou-se em

1928 com Annita Baldo. Dessa relação teve Anna

Maria, sua única filha.

Aos 23 anos foi estudar na Escola Nacional de

Belas Artes. Estagiou no escritório de Lúcio Costa,

10 onde participou do projeto do Ministério da Educação.

Niemeyer ganhou o mundo com projetos ousados e

revolucionários. Itália, França, Argélia e até a ONU

conheceram os traços desse ousado brasileiro. É autor

de vários projetos importantes no Brasil como Brasília,

15 o conjunto da Pampulha e o Sambódromo do Rio.

“Minha família vinha de Maricá. Meu avô Ribeiro

de Almeida nasceu lá. Já meu avô Niemeyer não o

conheci. Sempre morei com esse avô Ribeiro de

Almeida. Ele foi juiz de direito em Maricá e depois foi

20 para o Rio. Ele chegou a ministro do Supremo, e a casa

era muito frequentada. Ele era um sujeito correto. De

modo que, em tempos de esculhambação, a lembrança

dele é muito boa.


CASA DE MARICÁ


A Casa de Maricá foi um presente de Horácio

25 de Carvalho, jornalista e dono do Diário Popular.

Amigos desde a juventude, frequentavam o café

Lamas, o bilhar, os cabarés da cidade e as noites do

Rio de Janeiro. (...) Certo dia, Horácio ligou para

Niemeyer e disse: “A casa é sua. Só você pode

30 consertá-la...”. (...)

“É uma bela casa. A varanda larga a completar

as salas, convidando-nos a nela ficar com frequência.

Dentro, são oito quartos, separados pelas salas,

amplas, sem a disciplina e a lógica funcional que os

35 projetos de hoje apresentam (uma das características

das casas coloniais). E o telhado a descer com seu

galeio natural, adaptando-se à capela que surge no

conjunto dominadora, como uma verdadeira igreja.”


Texto editado. Disponível em: https://leisecamarica.com.br/maricaense-oscar-niemeyer-e-sua-historia-com-a-cidade/

Os predicados sublinhados em: “Ele foi juiz de direito em Maricá e depois foi para o Rio.” (linhas 19-20) são:

Alternativas
Q2729015 Português

As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

A louca vida sexual das plantas

  1. Mal entrou na puberdade e ela só quer, só pensa, em namorar. Uns argumentam que ainda é
  2. jovem, um botão em flor, mas isso nunca foi um grande problema para ela, que vem se
  3. preparando para desabrochar desde que era um brotinho. Apesar de ter criado raízes junto aos
  4. pais, sente que é hora de formar sua própria família e gerar seus rebentos. Para conceber as
  5. sementes dessa transformação silenciosa, a moça se insinua aos quatro ventos, ludibria os
  6. varões e cria sugestivas armadilhas. Se preciso, ela se vestirá de forma sensual e se cobrirá com
  7. perfumes, tudo para deixar sua herança na terra – e, com sorte, gerar bons frutos para as
  8. próximas gerações.
  9. Sob a ótica de uma flor, um jardim é uma grande orgia. Cactos e ipês fazem. Trepadeiras,
  10. claro, fazem. A mais prosaica violeta e a rosa caríssima fazem. De fato, assim que provaram o
  11. gostinho da coisa pela primeira vez, cerca de 145 milhões de anos atrás, 415 milhões de anos
  12. depois de a primeira alga verde chegar à terra firme, as plantas logo perceberam que o sexo
  13. poderia trazer benefícios interessantes. Vamos a eles.
  14. À primeira vista, o sexo parece pouco importante para as plantas. Isso porque a maior parte
  15. delas é hermafrodita: um mesmo indivíduo tem tanto um ovário, sua porção feminina, quanto
  16. grãos de pólen, pequenas estruturas que encerram os gametas masculinos. A reprodução
  17. sexuada, que leva o pólen até o ovário, não deveria, portanto, demandar grandes esforços. Mas
  18. não é isso que acontece na realidade. Uma flor só se entrega ao solitário prazer da fecundação
  19. própria quando sua sobrevivência está sob ameaça. É que um vegetal autofecundado cria
  20. descendentes geneticamente idênticos à mãe. Mal negócio. A reprodução sexuada junta e
  21. embaralha genes de dois indivíduos. O filho nasce com um código genético só dele (é
  22. precisamente o seu caso, leitor ou leitora – você é só um embaralhamento aleatório dos genes
  23. dos seus pais). A vantagem aí é que códigos genéticos novos produzem anticorpos inéditos na
  24. natureza. É uma bela vantagem do ponto de vista da espécie. Se um vírus mortal infectar todos
  25. os indivíduos de uma espécie, alguns vão sobreviver, já que provavelmente terão nascido com
  26. anticorpos que, por sorte, conseguem defende-los do ataque. Se todos tivessem os mesmos
  27. genes, um único ataque viral poderia exterminar a espécie inteira. É por isso que você faz sexo.
  28. Não houvesse essa pressão evolutiva, não existiriam pênis, vagina, tesão, orgasmo. Nada.
  29. Mas voltemos a falar de flores. Como não podem sair do lugar, as flores recorrem a aves,
  30. insetos e pequenos mamíferos — seus polinisadores — para misturar seu material genético ao de
  31. outras. Essa sacada garantiu às plantas floríferas uma diversidade enorme, se comparadas aos
  32. vegetais sem flor, como musgos, pinheiros e samambaias. Ainda assim, isso não quer dizer que
  33. uma flor jamais vai se fecundar sozinha. Há casos em que isso se torna necessário. Em condições
  34. normais, a violeta-africana produz flores no alto de hastes longas, boas para atrair a atenção de
  35. insetos e reproduzir-se embaralhando seus genes com os de outra flor, distante. Mas, se notar
  36. que as condições estão ruins — o clima ficou frio ou quente demais, por exemplo —, a mesma
  37. violeta pode gerar flores de haste curta, que ficam escondidas pelas folhas e se autofecundam
  38. ainda em botão.
  39. Nesse caso, o alerta que vai determinar qual tipo de sexo elas vão praticar é dado por
  40. estruturas celulares especializadas, que registram alterações na intensidade da luz solar ou na
  41. quantidade de horas de escuro. “Uma planta é capaz de perceber mudanças mínimas na oferta
  42. de nutrientes ou mesmo detectar que os dias estão ficando mais curtos e, portanto, o inverno
  43. está chegando”, diz o biólogo Thales Kronenberger, especialista em biologia molecular e
  44. parasitologia.

Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/a-louca-vida- sexual-das-plantas/. Acesso em 09 out. 2018.

Na frase do texto “as plantas logo perceberam que o sexo poderia trazer benefícios interessantes”, a palavra “perceberam” representa um verbo:

Alternativas
Q2724731 Português

AS QUESTÕES 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

TEXTO

AMOSTRA DA CIÊNCIA LOCAL

1 O homem vivia tranquilo,

2 Em paz com a vida e com ele.

3 Um belo dia, entretanto,

4 Resolve escrever um artigo

5 Sobre o Brasil, bem cuidado.

6 Mas Brasil se escreverá

7 Com "s" mesmo, ou com “z”?

8 Ele vai no dicionário:

9 Dá com "s" e dá com "z".

10Telefona à Academia:

11 "Ninguém sabe não senhor,

12 Talvez com "s", ou com "z".

13 Tira dinheiro do bolso,

14 Numas notas vem escrito

15 Com "s" a palavra Brasil,

16 Noutras vem mas é com "z",

17 O homem vai ao vizinho,

18 Sujeito modesto e sábio

19 "Não sei dizer não senhor,

20 Só sei que meu filho Pedro

21 Esteve um ano no Hospício

22 Porque queria saber

23 Justamente o que você

24 Quer saber e não consegue."

25 O homem perde a paciência,

26 Tira uma faca do bolso,

27 Boa faca pernambucana.

28 - Não quero mais me amolar,

29 Aqui deve estar escrito

30 "Fabricado no Brasil."

31 Conforme estiver aqui,

32 D'agora em diante, afinal,

33 Mesmo que seja com "s"

34 (Prefiro que seja com "z")

35 Escreverei a palavra;

36 A faca será juiz. -

37 O homem olha pra faca,

38 Meu Deus! era made in Germany.

39 Segura o homem na faca,

40 A faca enterrou no corpo

41 E o filólogo morreu.

MURILO MENDES

Marque a alternativa cuja oração tem predicado verbo-nominal.
Alternativas
Q2722253 Português

TEXTO I

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

E agora, José?


Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?


E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora?


Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?


Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!


Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

(Carlos Drummond de Andrade; Poesias -1942. Adap)

Observe a oração a seguir, marque a alternativa que represente o sujeito do verbo em destaque:

Com a chave na mão

quer abrir a porta

Alternativas
Q2712315 Português

As questões de 01 a 10 dizem respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-las.


(Texto)


Os benefícios de se ter acesso a todos os dados do paciente


1 Você já passou dos 50 ou 60 e começa a preencher

um questionário com seus dados de saúde. Ou está

na frente do doutor para uma primeira consulta. Já

pensou quantas vezes teve que repetir as mesmas

5 Informações? Não seria multo melhor se houvesse

um único arquivo que, mediante sua autorização,

pudesse ser acessado e disponibilizasse o histórico

de suas doenças, medicamentos de uso continuo,

hospitalizações e cirurgias? O volume de

10 Informações desperdiçadas são gigantescas: se

trocou de médico, deixou para trás anos de

conversas importantes, de resultados de exames —

coisas das quais nem se lembra mais. Se perdeu o

emprego e ficou sem plano de saúde, também corre

15 o risco de ter que buscar outra rede de especialistas

e começar do zero. Até mesmo se foi atendido num

pronto-socorro, aquele episódio provavelmente vai

se perder, embora faça parte do quebra-cabeça da

sua existência.


(Fonte adaptada http://g1.globo.com>acesso em 05 de novembro de 2018)

O verbo “perdeu” (linha 13), no contexto em que está inserido, é:

Alternativas
Q2712313 Português

As questões de 01 a 10 dizem respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-las.


(Texto)


Os benefícios de se ter acesso a todos os dados do paciente


1 Você já passou dos 50 ou 60 e começa a preencher

um questionário com seus dados de saúde. Ou está

na frente do doutor para uma primeira consulta. Já

pensou quantas vezes teve que repetir as mesmas

5 Informações? Não seria multo melhor se houvesse

um único arquivo que, mediante sua autorização,

pudesse ser acessado e disponibilizasse o histórico

de suas doenças, medicamentos de uso continuo,

hospitalizações e cirurgias? O volume de

10 Informações desperdiçadas são gigantescas: se

trocou de médico, deixou para trás anos de

conversas importantes, de resultados de exames —

coisas das quais nem se lembra mais. Se perdeu o

emprego e ficou sem plano de saúde, também corre

15 o risco de ter que buscar outra rede de especialistas

e começar do zero. Até mesmo se foi atendido num

pronto-socorro, aquele episódio provavelmente vai

se perder, embora faça parte do quebra-cabeça da

sua existência.


(Fonte adaptada http://g1.globo.com>acesso em 05 de novembro de 2018)

Já pensou quantas vezes teve que repetir as mesmas informações?” (linhas 3 a 5). O sujeito da oração principal, no contexto em que está inserido, é considerado:

Alternativas
Q2197752 Português
Leia o texto e, a seguir, responda a questão.

De inimigos a aliados

        Estudo português identifica em vírus grande quantidade de segmentos de proteínas com propriedades antimicrobianas. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de fármacos mais eficazes contra bactérias resistentes.

        Tradicionalmente considerados uma ameaça a todos os seres vivos, os vírus agora começam a ser vistos como aliados na medicina. Pesquisa recente mostra que proteínas virais podem dar origem a fármacos inovadores e mais eficazes para combater doenças causadas por bactérias. Essa descoberta surge como uma esperança para resolver o problema do aumento da resistência dos micróbios aos antibióticos convencionais. A pesquisa serviu de base para a criação do projeto Inpact, uma colaboração internacional que tem como objetivo o desenvolvimento pré-clínico de novos fármacos específicos para determinados tipos de câncer e bactérias patogênicas.
No trecho “ A pesquisa serviu de base para a criação do projeto Inpact” é correto afirmar que o sujeito: „A pesquisa‟ é
Alternativas
Q2096028 Português
“Beijou os olhos da amada.”. É correto afirmar que a classificação do sujeito é: 
Alternativas
Q2082443 Português

— A tecnologia não vai substituir o médico e, sim, empoderá-lo. Assim como o paciente, que passa a ser médico dele mesmo. A tecnologia vai resolver as limitações da medicina, que hoje cresce de maneira linear. (ℓ.33-38)

Considere que, no fragmento, a terceira frase fosse reescrita como:


As limitações da medicina, a qual hoje cresce de maneira linear, vão ser resolvidas pela tecnologia.


Comparando-se com a frase do texto (ℓ.35-38), fica  evidenciado que, na nova expressão, ocorreu

Alternativas
Q2053043 Português

TEXTO I 


Retratando...


Somos todos frustrados neste mundo;

uns são mais, outros menos, mas ninguém 

pode gabar-se de não ter no fundo 

recalques, pois, de sobra, todos têm!


Um poço de mistérios, bem profundo, 

possui em seu recesso todo alguém...

Mas a tara só vem à luz, segundo 

o interesse animal que nos convém! 


Embuçado no véu da hipocrisia, 

ou preso a preconceitos, já sem fé, 

todo homem se empenha noite e dia, 


nessa inglória tarefa de querer

insistir em mostrar o que não é, 

e o que deseja, mas não pode ser! 


Rubens de Castro. Disponível em: <http://www.academiadeletrasmt.com.br/revista-aml/obras-digitalizadas/262-antologia-poetica-mato-grossense>


No que diz respeito à função sintática no texto, assinale a alternativa que, respectivamente, associa-se aos substantivos "poço" (2ª estrofe, verso 1), "alguém" (2ª estrofe, verso 2) e "hipocrisia" (3ª estrofe, verso 1). 
Alternativas
Q2052175 Português

Mitos da criminalidade juvenil no Brasil

Marília Rovaron


Propostas de emenda à Constituição que reduzem a maioridade penal e projetos de lei que ampliam o tempo de internação de adolescentes envolvidos em crimes hediondos têm reaparecido nas pautas do Senado brasileiro. A análise dessa complexa questão demanda, porém, um conhecimento mais objetivo da realidade dos atos infracionais praticados por adolescentes em relação ao problema da violência no Brasil. Muitos mitos circundam o debate acerca da autoria de jovens na criminalidade urbana, sendo três deles mais ce ntrais nas discussões.

O primeiro mito aponta uma criminalidade crescente e descontrolada, praticada por crianças e adolescentes, contrariando as estatísticas oficiais que, na verdade, revelam um hiperdimensionamento na apresentação das violências praticadas por jovens, se comparadas às praticadas por adultos. No ano de 2012, por exemplo, só 8,4% dos homicídios registrados no país foram cometidos por adolescentes. E, no ano de 2010, das 8.686 crianças e adolescentes assassinados no Brasil, 2,5% das mortes foram cometidas por adolescentes, segundo o estudo Porque dizemos não à redução da maioridade penal, de 2013, da Fundação Abrinq. Portanto, ao contrário do que afirma a opinião pública, é baixa a proporção de jovens que cometem atos infracionais graves, como os homicídios. E o mesmo se observa em roubo e tráfico.

O segundo mito associa a pobreza à criminalidade, determinando o risco que as crianças e os adolescentes pobres oferecem à sociedade, como criminosos em potencial. Diversas pesquisas comprovam a participação de jovens de diferentes classes sociais em atos infracionais. O que importa considerar, nesses casos, são os encaminhamentos dados: a diferenciação entre dependente químico e traficante é um exemplo claro dos tipos de tratamento possíveis aos sujeitos a partir de recortes de cor, classe social e região de moradia.

O terceiro mito sustenta que há uma passividade do Estado frente às ações consideradas criminosas praticadas por jovens, reforçando o desejo de grande parte da sociedade por uma menor tolerância no trato com crianças e adolescentes autores de ato infracional, desconsiderando, assim, os índices crescentes das medidas socioeducativas no país, sobretudo das medidas privativas de liberdade.

As simplificações das justificativas normalmente empregadas na defesa por mais punição aos jovens envolvidos (ou em risco de se envolver) em atos criminais parecem sempre mover a atenção para os indivíduos e não para as estruturas sociais. É quando o papel da punição na política criminal contemporânea adquire força e capilaridade no tecido da sociedade, afetando um público-alvo específico e legitimado por uma sociedade conivente com o recrudescimento de um sistema que se mostra seletivo em suas punições. Apesar da gravidade de acontecimentos violentos no país, deve-se ressaltar que, do total de adolescentes em conflito com a lei, apenas 8,4% cometeram homicídios. A maioria dos delitos juvenis é roubo, seguido por tráfico. Sabemos também que a maioria dos adolescentes em conflito com a lei já abandonou a escola ainda no Ensino Fundamental e que é imensa a dificuldade daqueles que estão cumprindo medidas socioeducativas, principalmente em liberdade assistida, em retomar seus estudos.

Ao mesmo tempo, não existem indícios suficientes de que aumentar a repressão e o rigor das medidas socioeducativas em si seja o bastante para reduzir a criminalidade e os homicídios. Ao contrário, dados do Conselho Nacional de Justiça atestam que 70% dos egressos do sistema prisional retornam a ele por reincidirem. Assim, a extensão dessa situação às infrações juvenis 

— ou seja, mais encarceramentos de adolescentes — não amenizará os índices de crimes cometidos por eles no país.

É dever do Estado aprimorar e ampliar as políticas sociais que amparam a juventude vulnerável. E é, sobretudo, a ausência dessas políticas que gera as condições de vulnerabilidade, empurrando os adolescentes para a criminalidade. Desse modo, a simples ausência de universalidade de direitos fundamentais, como o direito à moradia, à educação, à saúde, à inserção produtiva qualificada, já se constitui em violência contra a infância e a adolescência.

Nos sistemas judiciário, executivo e legislativo, ainda está bem presente a “lógica menorista” (visão antiga que ainda considera crianças e adolescentes “objetos do direito”, assujeitados, em situação irregular, e não sujeitos em desenvolvimento, que demandam proteção, respeito e autonomia), e pouco avançamos em leis que permitem saltos nessa visão. Debatemos a ineficácia de um Estatuto da Criança e do Adolescente que nem sequer foi implantado por completo e opinamos sobre a redução da maioridade penal, esquecendo -nos de que as causas da questão social continuam intocáveis em praticamente todas as esferas.

A efetivação da mudança de paradigma no sistema de justiça juvenil exige uma transformação coletiva na mentalidade da sociedade para que a opinião pública aprofunde as reflexões acerca da cultura punitiva e possa, assim, vislumbrar novas formas de sociabilidade, pautadas na liberdade. Da mesma forma que à lei não pode ser atribuído o papel de salvar a humanidade, o cárcere não resolverá as desigualdades sociais que marcam tão profundamente as vidas dos jovens e sua busca por sobrevivência, expressão, visibilidade e ascensão social.


Disponível em: <www.cartaeducacao.com.br>. Acesso em: 14 dez. 2017. [Adaptado]

Considere o período a seguir.
Ao mesmo tempo, não existem indícios suficientes de que aumentar a repressão e o rigor das medidas socioeducativas em si seja o bastante para reduzir a criminalidade e os homicídios.

Considerando somente as orações explícitas, é correto afirmar:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: FAU Órgão: CPS-PR Prova: FAU - 2018 - CPS-PR - Contador |
Q2049722 Português
O problema dos cálculos biliares

    Para uma parte do corpo tão pequena e pouco essencial, a vesícula biliar pode causar muita dor. Mais ou menos do tamanho e formato de uma pera, o órgão fica no lado direito do abdome. Sua função é guardar a bile, líquido produzido pelo fígado que ajuda a digerir a gordura da alimentação. A vesícula libera o líquido no intestino delgado quando necessário. 
    Quando o delicado equilíbrio químico da bile se altera – não sabemos direito como nem por quê -, seus componentes podem se cristalizar. Com o tempo, esses cristais se combinam para formar cálculos (colelitíase), pequenos como grãos de areia ou grandes como bolas de golfe. Em pelo menos 75% dos casos, os cálculos biliares não causam sintomas nem complicações e, portanto, não exigem tratamento. No entanto, caso um cálculo obstrua temporariamente um dos dutos da bile que entram e saem da vesícula, o resultado é um surto súbito e rápido de dor intensa no abdome, na área das costelas e/ou nos ombros. Isso não causa problemas duradouros, mas é bom ir ao médico para confirmar se é mesmo a vesícula, e não outro problema, como uma úlcera.
    A obstrução prolongada ou permanente dos dutos pode provocar complicações graves, como infecções e inflamações. Vá ao médico imediatamente se tiver icterícia, febre, arrepios ou dor incessante.
    Os cálculos biliares são mais comuns em mulheres com mais de 40 anos e em pessoas com histórico familiar da doença. O principal fator de risco passível de correção é a obesidade, diz o Dr. Stephen Ryder, consultor médico do British Liver Trust. Mas ele é contra emagrecer depressa demais, pois isso pode dar início à formação de cálculos ou provocar sintomas; “portanto, é melhor um emagrecimento controlado”, diz ele.
    Se você já tem cálculos biliares sintomáticos, e os ataques são leves, é possível controlar seus efeitos com analgésicos; uma alimentação com baixo teor de gordura também faz uma modesta diferença. Se os sintomas forem graves e frequentes, o único tratamento eficaz é a remoção cirúrgica da vesícula.
     É possível viver sem ela, pois o fígado continua a produzir bile, que passa direto ao intestino delgado em vez de se acumular primeiro na vesícula. Depois da cirurgia, cerca de um em dez pacientes sofre diarreia ocasional enquanto o sistema digestivo se adapta à liberação contínua da bile. Isso pode durar de semanas a anos, mas medicamentos chamados sequestradores de ácidos biliares ajudam a controlar o problema. Mas, para a maioria, a diferença entre ter ou não vesícula é imperceptível.

Samantha Rideout
Fonte: Revista Seleções, abril de 2018, páginas
16 e 17. 
Assinale a alternativa que apresente um pronome pessoal exercendo a função sintática de sujeito da oração:
Alternativas
Q2044630 Português
Marque a alternativa que indica apenas termos acessórios da oração: 
Alternativas
Q2038991 Português
    Na busca pela melhoria do incentivo à leitura e à escrita no País, há três perspectivas para as quais devemos tornar os nossos olhares: o governo, a escola e o próprio lar. 
Assinale a alternativa INCORRETA sobre os termos do fragmento acima.
Alternativas
Q2013737 Português
Vida e carreira: um equilíbrio possível? (Mário Sérgio Cortella)

12, novembro, 2012. 0Em artigo, Mário Sérgio Cortella introduz o tema que apresentará na Estação de Conhecimento CBN Young Professionals.

      Gosto demais do que um dia escreveu o britânico Beda, o Venerável, lá no século VIII: “Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe; não praticar o que se ensina; não perguntar o que se ignora”.
        Por isso, uma carreira a ser “turbinada” exige a capacidade de “ensinar o que se sabe”, isto é, ter permeabilidade e ser reconhecido como alguém que reparte competências, de modo a fortalecer a equipe e demonstrar ambição (querer mais) em vez de ganância (querer só para si, a qualquer custo).
        É necessário também “praticar o que se ensina”, de forma a deixar clara a coerência de postura, o equilíbrio entre o dito e o feito, e a disposição para assumir com segurança aquilo que adota como correto.
         Por fim, o mais importante, “perguntar o que se ignora”, pois corre perigo aquele ou aquela que não demonstrar que está sempre em estado de atenção (em 4 vez de estado de tensão) para ampliar capacidades e assumir a humildade (sem subserviência) de compreender e viver aquilo que Sócrates, na Grécia clássica, nos advertiu: “Só sei que nada sei”, ou seja, só sei que nada sei por inteiro, só sei que nada sei que só eu saiba, só sei que nada sei que não possa ainda vir a saber.           
     Afinal, os projetos e metas em qualquer organização são apenas um horizonte que funciona especialmente para sinalizar quais são as possibilidades e limites de progressão; no entanto, horizontes não são obstáculos e sim fronteiras.             
       Performance e “fazer” carreira exige atitude e iniciativa e, por isso, é um “fazer” em vez de ser um “receber”. Construir o equilíbrio d'as intenções com as condições é prioritário, sempre lembrando que o equilíbrio precisa ser em movimento (como na bicicleta), sem conformar-se com o sedutor e falso equilíbrio que se imagina atingir ao se ficar imóvel.
          Em 2007, a Brasilprev pediu-me uma pequena reflexão sobre equilíbrio na vida pessoal e profissional; eu o chamei de “Ô balancê, balancê…”. e agora aqui o retomo. Balancê? Por incrível que pareça esse termo francês significa, na dança, ficar apenas alternando um pé com o outro, mexendo o corpo para lá e para cá, mas, sem sair do lugar. Quando, em 1936, Braguinha e Alberto Ribeiro compuseram essa marchinha de carnaval, não poderiam supor que mais de 70 anos depois alguns de nós usaríamos a última estrofe como uma lamentação estagnante do desequilíbrio entre vida profissional e vida pessoal: “Eu levo a vida pensando / Pensando só em você / E o tempo passa e eu vou me acabando / No balancê, balancê”.     
         “Acho que estou precisando colocar as coisas na balança e ver como consigo lidar melhor com a minha vida no trabalho e a minha vida particular.” Tem ouvido muito isso? Tem pensado muito nisso? Ainda bem; é sinal de sanidade. Qualquer perturbação que abale a integridade e autenticidade do que se vive é perniciosa. Todas as vezes nas quais se tem a sensação de se ser “dois”, isto é, de existir de forma dividida, desponta o perigo de se ter de escolher um entre ambos e relegar o outro. A questão vital não é dividir-se, mas, isso sim, repartir-se. Pode parecer óbvio: quando se divide, há uma diminuição; quando se reparte, há uma multiplicação. Em outras palavras: se me divido entre duas atividades, vem sofrimento; se me reparto, vem equilíbrio.
          Não por acaso, a palavra “equilíbrio” está ligada à ideia de pesar, avaliar, aferir e, portanto, colocar na balança. A expressão latina “aequilibrium” tem a sua origem em equ (igual) e libra (balança). Balancear as dimensões vitais favorece uma mente sadia; afinal, a vida profissional é parte da vida pessoal, e não toda  ela. Não deve pesar mais, nem menos. Terá a gravidade (em múltiplos sentidos) que for obtida pelo honesto valor que a ela for atribuído.
          O que não dá é ficar só balançando sem sair do lugar; harmonia é construção planejada e persistente, em vez de pura espera.
         Para que harmonia, então?
      Como um dia desenvolvi no meu livro Qual é a Tua Obra? (Inquietações Propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética) publicado pela Editora Vozes: Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo. A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado.
           O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada. Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental.
           O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar.
          Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem. Coragem não é a ausência de medo. Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. E, para isso, precisamos ter esperança.
               E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.” Isso não é esperança.
              Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. 
             Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha. Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades.
            Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial?

(Fonte: Portal HSM. Texto completo disponível em http://www.shermarketing.com.br/vidae-carreira-um-equilibrio-possivel-mario-sergio-cortella/. Acesso em 11/01/2018)

Atente para o fragmento destacado e as asserções feitas sobre ele. Anteponha V (verdadeiro) ou F (falso) a cada afirmativa:


O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial.”


( ) A fim de dar maior clareza e legibilidade, o verbo “ser”, na segunda ocorrência, poderia ter sido substituído por “haver” ou “existir”.

( ) O aposto é um termo acessório da oração, para a gramática tradicional. No excerto em foco, o aposto enumerativo é prescindível para a compreensão do argumento exposto pelo autor.

( ) A dupla negativa é uma construção proibida pela norma padrão, visto que impede a correta compreensão do enunciado, como ocorre no caso do fragmento destacado.

( ) O vocábulo “essencial” assume diferentes funções no trecho destacado: na primeira oração, é adjetivo substantivado (por meio de um processo denominado derivação imprópria ou conversiva) e integra o sujeito; na última oração, integra o predicado (é um predicativo).


A ordem CORRETA, de cima para baixo, encontra-se na opção: 

Alternativas
Q2010815 Português
Marque a alternativa em que a função sintática da palavra sublinhada, dada entre parênteses e em itálico, está INCORRETA: 
Alternativas
Q2009225 Português
Leia as frases a seguir, atribuídas ao filósofo francês Voltaire, para responder à questão.

I. “Não estou de acordo com aquilo que dizeis, mas lutarei até o fim para que vos seja possível dizê-lo.”
II. “Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo.”
Analise os termos da frase (II) a seguir e suas respectivas funções sintáticas, e assinale a alternativa que apresenta a CORRETA correlação:
I. Todas as riquezas do mundo II. Valem III. Um bom amigo
 A) Sujeito. B) Verbo. C) Objeto direto
Alternativas
Respostas
2161: E
2162: B
2163: C
2164: D
2165: B
2166: A
2167: C
2168: B
2169: C
2170: A
2171: C
2172: C
2173: A
2174: D
2175: C
2176: C
2177: E
2178: C
2179: A
2180: D