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Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 13.796 questões

Q2539161 Português
Guarda Municipal frustra assalto em Curitiba, mata suspeito e prende o outro 

    Um guarda municipal de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, que estava de folga nesta sexta-feira (1°), baleou um homem e prendeu outro na região do Jardim Botânico, em Curitiba. O rapaz suspeito ferido morreu no local. 
    O guarda relatou para a Polícia que estava realizando exercícios na região do Botânico, quando viu dois suspeitos de bicicleta, assaltando um idoso. Ao fazer a abordagem avisou que era da guarda municipal, mas eles não acreditaram, pois ele não estava uniformizado.
    O agente afirmou ainda que um dos suspeitos estavam com uma arma, o que o deixou com receio de ser alvejado. Com isso, o guarda sacou a própria arma e disparou. O outro rapaz foi preso na sequência pela Guarda Municipal de Curitiba.
    O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para recolher o corpo. O segundo suspeito foi levado para a Central de Flagrantes. 

Fonte: Guarda Municipal frustra assalto em Curitiba, mata suspeito e prende o outro (tribunapr.com.br) 
Assinale a alternativa que apresente um sinônimo adequado para o termo em destaque no período no contexto do texto: “O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para recolher o corpo”.
Alternativas
Q2538249 Português
Urubus urbanos

    Por mais curioso que pareça, é cada vez mais comum olhar para o alto de casas e prédios em ambientes urbanos e deparar-se com urubus acomodados nos telhados. Essas aves, frequentemente interpretadas como sinal de mau agouro, desempenham uma função ecológica nesse contexto urbano.
    A primeira questão que deve ficar clara é que se deve evitar pensamentos supersticiosos em relação aos urubus. Ter um urubu sobre o telhado de sua casa não significa mau agouro, mas sim que provavelmente há algum tipo de carcaça nas proximidades.
    Devido à sua natureza necrófaga, alimentando-se de materiais em decomposição, os urubus exercem uma função específica no ecossistema urbano. O aumento na produção de lixo nas grandes cidades se torna um dos principais atrativos para essas aves.
    A partir da observação do crescimento da quantidade de urubus presentes nas grandes cidades, constata-se que essas aves se adaptaram ao ambiente urbano. O fenômeno começou há pouco mais de uma década, com o número de urubus nas cidades aumentando progressivamente. Até certo momento, os moradores mal percebiam esse aumento; as pessoas achavam curioso quando viam um urubu pousado no telhado do vizinho.
    À medida que essas aves foram se tornando mais à vontade, os moradores passaram a se assustar. Trata-se de um animal com um bico curvo e afiado, pronto para o ataque. Contudo, a questão é que devemos entender que o planeta pertence a todas as espécies vivas que o habitam. Dessa forma, não temos o direito de questionar a presença dos urubus, apenas pensar em soluções que tornem a convivência mais tranquila. 

Cultura Mix - “Significado de Urubu no Telhado”. Com adaptações.
“Essas aves, frequentemente interpretadas como sinal de mau agouro, desempenham uma função ecológica nesse contexto urbano.” No trecho, a palavra sublinhada estabelece uma relação de antonímia com: 
Alternativas
Q2538247 Português
Urubus urbanos

    Por mais curioso que pareça, é cada vez mais comum olhar para o alto de casas e prédios em ambientes urbanos e deparar-se com urubus acomodados nos telhados. Essas aves, frequentemente interpretadas como sinal de mau agouro, desempenham uma função ecológica nesse contexto urbano.
    A primeira questão que deve ficar clara é que se deve evitar pensamentos supersticiosos em relação aos urubus. Ter um urubu sobre o telhado de sua casa não significa mau agouro, mas sim que provavelmente há algum tipo de carcaça nas proximidades.
    Devido à sua natureza necrófaga, alimentando-se de materiais em decomposição, os urubus exercem uma função específica no ecossistema urbano. O aumento na produção de lixo nas grandes cidades se torna um dos principais atrativos para essas aves.
    A partir da observação do crescimento da quantidade de urubus presentes nas grandes cidades, constata-se que essas aves se adaptaram ao ambiente urbano. O fenômeno começou há pouco mais de uma década, com o número de urubus nas cidades aumentando progressivamente. Até certo momento, os moradores mal percebiam esse aumento; as pessoas achavam curioso quando viam um urubu pousado no telhado do vizinho.
    À medida que essas aves foram se tornando mais à vontade, os moradores passaram a se assustar. Trata-se de um animal com um bico curvo e afiado, pronto para o ataque. Contudo, a questão é que devemos entender que o planeta pertence a todas as espécies vivas que o habitam. Dessa forma, não temos o direito de questionar a presença dos urubus, apenas pensar em soluções que tornem a convivência mais tranquila. 

Cultura Mix - “Significado de Urubu no Telhado”. Com adaptações.
“O fenômeno começou há pouco mais de uma década, com o número de urubus nas cidades aumentando progressivamente.” No trecho, a palavra sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
Alternativas
Q2537645 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.


Davi sofre racismo no BBB: a “energia” que não bate no reality tem cor e é preta

A forma como alguns dos participantes do reality tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural

POR LINIKER XAVIER

A trajetória de Davi Brito Santos de Oliveira no Big Brother Brasil é um espelho das complexidades sociais e raciais do país. Nascido em 2002, ele é parte de uma geração que viu um aumento significativo no registro de nomes bíblicos, reflexo do crescimento do número de evangélicos no Brasil nos anos 2000. Segundo o IBGE, só em 2023, mais de 17 mil meninos foram registrados com o nome “Davi”. São mais de 250 mil em todo o país. A história de Davi do BBB vai além de seu nome. Jovem negro de 21 anos, nordestino, baiano, trabalhando em condições precárias em um aplicativo de transporte. Sem direitos trabalhistas ou férias, personifica os desafios enfrentados por muitos brasileiros que sofrem com a insegurança da informalidade após quatro anos de um governo empenhado no empobrecimento dos direitos trabalhistas.
A forma como alguns participantes do BBB24 tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural, fenômeno sutil e perigoso. Os ataques sofridos por ele no programa não são marcados por agressões diretas ou menções explícitas à cor de sua pele. Manifestam-se através de uma série de padrões duplos e expectativas desiguais, onde as ações de uma pessoa negra são escrutinizadas e penalizadas de maneira mais severa do que as de uma pessoa branca. É um racismo que opera nas entrelinhas, na forma de microagressões e na aplicação de estereótipos negativos.
Neste cenário, as ações de Davi são constantemente monitoradas e julgadas com um rigor que não é aplicado aos participantes brancos. Se Davi se comporta de uma maneira que é considerada aceitável em outros, em seu caso é visto como problemático. Esse padrão duplo é sintoma de um racismo sistêmico mais amplo, que permeia a sociedade brasileira. A sofisticação é um lembrete de que a discriminação racial no Brasil não se limita a atos de violência física ou verbal explícita, mas se estende a uma gama muito mais ampla e sutil de comportamentos e atitudes que perpetuam a desigualdade e a exclusão.
As justificativas para a aversão direcionada a Davi são um exemplo de como o racismo se disfarça em subjetividades e generalizações nebulosas. Frases como “a energia dele não bate” ou “é uma parada instintiva, dá pra ver” são utilizadas para mascarar preconceitos raciais sob o véu da intuição ou da incompatibilidade de personalidades. Quando uma participante afirma que “ele tem todos os gatilhos”, ou “eu nunca gostei dele, eu sempre tive problema pessoal com ele”, revela-se uma tendência preocupante de atribuir negativamente a Davi características que, quando exibidas por participantes brancos, são ignoradas ou até mesmo valorizadas. Essas expressões são ferramentas de um racismo sutil que opera por meio da perpetuação de estereótipos e da manutenção de padrões duplos.
 O que essas justificativas evidenciam é uma dinâmica de exclusão e marginalização não apenas presente no Big Brother Brasil, mas refletiva de uma sociedade que frequentemente recorre a subterfúgios para disfarçar preconceitos. O caso de Davi não é isolado mas um sintoma de um problema maior: a dificuldade em reconhecer e combater formas de racismo que se ocultam atrás de justificativas aparentemente razoáveis. Este padrão de racismo “velado” é tão prejudicial quanto o racismo explícito, pois ele valida a continuidade de práticas discriminatórias, perpetuando um ciclo de exclusão e injustiça.

[...]


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/davi-sofre-racismo-no-bbb-a-energia-que-nao-bate-no-reality-temcor-e-e-preta/
No trecho “As justificativas para a aversão direcionada a Davi são um exemplo de como o racismo se disfarça em subjetividades e generalizações nebulosas.”, a palavra destacada, no contexto, significa:
Alternativas
Q2537644 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.


Davi sofre racismo no BBB: a “energia” que não bate no reality tem cor e é preta

A forma como alguns dos participantes do reality tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural

POR LINIKER XAVIER

A trajetória de Davi Brito Santos de Oliveira no Big Brother Brasil é um espelho das complexidades sociais e raciais do país. Nascido em 2002, ele é parte de uma geração que viu um aumento significativo no registro de nomes bíblicos, reflexo do crescimento do número de evangélicos no Brasil nos anos 2000. Segundo o IBGE, só em 2023, mais de 17 mil meninos foram registrados com o nome “Davi”. São mais de 250 mil em todo o país. A história de Davi do BBB vai além de seu nome. Jovem negro de 21 anos, nordestino, baiano, trabalhando em condições precárias em um aplicativo de transporte. Sem direitos trabalhistas ou férias, personifica os desafios enfrentados por muitos brasileiros que sofrem com a insegurança da informalidade após quatro anos de um governo empenhado no empobrecimento dos direitos trabalhistas.
A forma como alguns participantes do BBB24 tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural, fenômeno sutil e perigoso. Os ataques sofridos por ele no programa não são marcados por agressões diretas ou menções explícitas à cor de sua pele. Manifestam-se através de uma série de padrões duplos e expectativas desiguais, onde as ações de uma pessoa negra são escrutinizadas e penalizadas de maneira mais severa do que as de uma pessoa branca. É um racismo que opera nas entrelinhas, na forma de microagressões e na aplicação de estereótipos negativos.
Neste cenário, as ações de Davi são constantemente monitoradas e julgadas com um rigor que não é aplicado aos participantes brancos. Se Davi se comporta de uma maneira que é considerada aceitável em outros, em seu caso é visto como problemático. Esse padrão duplo é sintoma de um racismo sistêmico mais amplo, que permeia a sociedade brasileira. A sofisticação é um lembrete de que a discriminação racial no Brasil não se limita a atos de violência física ou verbal explícita, mas se estende a uma gama muito mais ampla e sutil de comportamentos e atitudes que perpetuam a desigualdade e a exclusão.
As justificativas para a aversão direcionada a Davi são um exemplo de como o racismo se disfarça em subjetividades e generalizações nebulosas. Frases como “a energia dele não bate” ou “é uma parada instintiva, dá pra ver” são utilizadas para mascarar preconceitos raciais sob o véu da intuição ou da incompatibilidade de personalidades. Quando uma participante afirma que “ele tem todos os gatilhos”, ou “eu nunca gostei dele, eu sempre tive problema pessoal com ele”, revela-se uma tendência preocupante de atribuir negativamente a Davi características que, quando exibidas por participantes brancos, são ignoradas ou até mesmo valorizadas. Essas expressões são ferramentas de um racismo sutil que opera por meio da perpetuação de estereótipos e da manutenção de padrões duplos.
 O que essas justificativas evidenciam é uma dinâmica de exclusão e marginalização não apenas presente no Big Brother Brasil, mas refletiva de uma sociedade que frequentemente recorre a subterfúgios para disfarçar preconceitos. O caso de Davi não é isolado mas um sintoma de um problema maior: a dificuldade em reconhecer e combater formas de racismo que se ocultam atrás de justificativas aparentemente razoáveis. Este padrão de racismo “velado” é tão prejudicial quanto o racismo explícito, pois ele valida a continuidade de práticas discriminatórias, perpetuando um ciclo de exclusão e injustiça.

[...]


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/davi-sofre-racismo-no-bbb-a-energia-que-nao-bate-no-reality-temcor-e-e-preta/
Em “Manifestam-se através de uma série de padrões duplos e expectativas desiguais, onde as ações de uma pessoa negra são escrutinizadas e penalizadas de maneira mais severa do que as de uma pessoa branca.”, os termos destacados podem ser substituídos, sem prejuízo de sentido no contexto, em: 
Alternativas
Q2537643 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.


Davi sofre racismo no BBB: a “energia” que não bate no reality tem cor e é preta

A forma como alguns dos participantes do reality tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural

POR LINIKER XAVIER

A trajetória de Davi Brito Santos de Oliveira no Big Brother Brasil é um espelho das complexidades sociais e raciais do país. Nascido em 2002, ele é parte de uma geração que viu um aumento significativo no registro de nomes bíblicos, reflexo do crescimento do número de evangélicos no Brasil nos anos 2000. Segundo o IBGE, só em 2023, mais de 17 mil meninos foram registrados com o nome “Davi”. São mais de 250 mil em todo o país. A história de Davi do BBB vai além de seu nome. Jovem negro de 21 anos, nordestino, baiano, trabalhando em condições precárias em um aplicativo de transporte. Sem direitos trabalhistas ou férias, personifica os desafios enfrentados por muitos brasileiros que sofrem com a insegurança da informalidade após quatro anos de um governo empenhado no empobrecimento dos direitos trabalhistas.
A forma como alguns participantes do BBB24 tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural, fenômeno sutil e perigoso. Os ataques sofridos por ele no programa não são marcados por agressões diretas ou menções explícitas à cor de sua pele. Manifestam-se através de uma série de padrões duplos e expectativas desiguais, onde as ações de uma pessoa negra são escrutinizadas e penalizadas de maneira mais severa do que as de uma pessoa branca. É um racismo que opera nas entrelinhas, na forma de microagressões e na aplicação de estereótipos negativos.
Neste cenário, as ações de Davi são constantemente monitoradas e julgadas com um rigor que não é aplicado aos participantes brancos. Se Davi se comporta de uma maneira que é considerada aceitável em outros, em seu caso é visto como problemático. Esse padrão duplo é sintoma de um racismo sistêmico mais amplo, que permeia a sociedade brasileira. A sofisticação é um lembrete de que a discriminação racial no Brasil não se limita a atos de violência física ou verbal explícita, mas se estende a uma gama muito mais ampla e sutil de comportamentos e atitudes que perpetuam a desigualdade e a exclusão.
As justificativas para a aversão direcionada a Davi são um exemplo de como o racismo se disfarça em subjetividades e generalizações nebulosas. Frases como “a energia dele não bate” ou “é uma parada instintiva, dá pra ver” são utilizadas para mascarar preconceitos raciais sob o véu da intuição ou da incompatibilidade de personalidades. Quando uma participante afirma que “ele tem todos os gatilhos”, ou “eu nunca gostei dele, eu sempre tive problema pessoal com ele”, revela-se uma tendência preocupante de atribuir negativamente a Davi características que, quando exibidas por participantes brancos, são ignoradas ou até mesmo valorizadas. Essas expressões são ferramentas de um racismo sutil que opera por meio da perpetuação de estereótipos e da manutenção de padrões duplos.
 O que essas justificativas evidenciam é uma dinâmica de exclusão e marginalização não apenas presente no Big Brother Brasil, mas refletiva de uma sociedade que frequentemente recorre a subterfúgios para disfarçar preconceitos. O caso de Davi não é isolado mas um sintoma de um problema maior: a dificuldade em reconhecer e combater formas de racismo que se ocultam atrás de justificativas aparentemente razoáveis. Este padrão de racismo “velado” é tão prejudicial quanto o racismo explícito, pois ele valida a continuidade de práticas discriminatórias, perpetuando um ciclo de exclusão e injustiça.

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Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/davi-sofre-racismo-no-bbb-a-energia-que-nao-bate-no-reality-temcor-e-e-preta/
No trecho “Este padrão de racismo “velado” é tão prejudicial quanto o racismo explícito, pois ele valida a continuidade de práticas discriminatórias, perpetuando um ciclo de exclusão e injustiça.”, o termo destacado apresenta o valor semântico de: 
Alternativas
Q2537642 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.


Davi sofre racismo no BBB: a “energia” que não bate no reality tem cor e é preta

A forma como alguns dos participantes do reality tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural

POR LINIKER XAVIER

A trajetória de Davi Brito Santos de Oliveira no Big Brother Brasil é um espelho das complexidades sociais e raciais do país. Nascido em 2002, ele é parte de uma geração que viu um aumento significativo no registro de nomes bíblicos, reflexo do crescimento do número de evangélicos no Brasil nos anos 2000. Segundo o IBGE, só em 2023, mais de 17 mil meninos foram registrados com o nome “Davi”. São mais de 250 mil em todo o país. A história de Davi do BBB vai além de seu nome. Jovem negro de 21 anos, nordestino, baiano, trabalhando em condições precárias em um aplicativo de transporte. Sem direitos trabalhistas ou férias, personifica os desafios enfrentados por muitos brasileiros que sofrem com a insegurança da informalidade após quatro anos de um governo empenhado no empobrecimento dos direitos trabalhistas.
A forma como alguns participantes do BBB24 tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural, fenômeno sutil e perigoso. Os ataques sofridos por ele no programa não são marcados por agressões diretas ou menções explícitas à cor de sua pele. Manifestam-se através de uma série de padrões duplos e expectativas desiguais, onde as ações de uma pessoa negra são escrutinizadas e penalizadas de maneira mais severa do que as de uma pessoa branca. É um racismo que opera nas entrelinhas, na forma de microagressões e na aplicação de estereótipos negativos.
Neste cenário, as ações de Davi são constantemente monitoradas e julgadas com um rigor que não é aplicado aos participantes brancos. Se Davi se comporta de uma maneira que é considerada aceitável em outros, em seu caso é visto como problemático. Esse padrão duplo é sintoma de um racismo sistêmico mais amplo, que permeia a sociedade brasileira. A sofisticação é um lembrete de que a discriminação racial no Brasil não se limita a atos de violência física ou verbal explícita, mas se estende a uma gama muito mais ampla e sutil de comportamentos e atitudes que perpetuam a desigualdade e a exclusão.
As justificativas para a aversão direcionada a Davi são um exemplo de como o racismo se disfarça em subjetividades e generalizações nebulosas. Frases como “a energia dele não bate” ou “é uma parada instintiva, dá pra ver” são utilizadas para mascarar preconceitos raciais sob o véu da intuição ou da incompatibilidade de personalidades. Quando uma participante afirma que “ele tem todos os gatilhos”, ou “eu nunca gostei dele, eu sempre tive problema pessoal com ele”, revela-se uma tendência preocupante de atribuir negativamente a Davi características que, quando exibidas por participantes brancos, são ignoradas ou até mesmo valorizadas. Essas expressões são ferramentas de um racismo sutil que opera por meio da perpetuação de estereótipos e da manutenção de padrões duplos.
 O que essas justificativas evidenciam é uma dinâmica de exclusão e marginalização não apenas presente no Big Brother Brasil, mas refletiva de uma sociedade que frequentemente recorre a subterfúgios para disfarçar preconceitos. O caso de Davi não é isolado mas um sintoma de um problema maior: a dificuldade em reconhecer e combater formas de racismo que se ocultam atrás de justificativas aparentemente razoáveis. Este padrão de racismo “velado” é tão prejudicial quanto o racismo explícito, pois ele valida a continuidade de práticas discriminatórias, perpetuando um ciclo de exclusão e injustiça.

[...]


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/davi-sofre-racismo-no-bbb-a-energia-que-nao-bate-no-reality-temcor-e-e-preta/
Podemos inferir que o objetivo do adjetivo destacado presente no subtítulo do texto “A forma como alguns dos participantes do reality tratam Davi ilustra uma forma sofisticada de racismo estrutural” é para:
Alternativas
Q2537404 Português
Para responder a questão considere o texto a seguir.

      
     


Fonte: UNIVERSIDADE TIRADENTES. Os cuidados com a exposição
excessiva nas redes sociais. Publicado em: 26 set. 2022. Disponível em: .
Acesso em: 24 mar. 2024. (Adaptado)
A expressão “pois”, no subtítulo, NÃO pode ser substituída, sem mudança de significação, por
Alternativas
Q2537150 Português

Leia o texto a seguir:


'Ler é mais importante que estudar', Ziraldo repetia como um

bordão eterno


Obras como 'O Menino Maluquinho' do cartunista, morto aos 91 anos neste sábado, integram o inventário simbólico do Brasil



Ziraldo sempre disse que escrever e desenhar um livro são como gerar e criar um filho. Depois da morte, aos 91 anos, do poeta, designer de primeira, também cartunista, jornalista e cronista que ele foi, sua obra, mais do que nunca, pertence a todos os brasileiros, integra o inventário simbólico do país.


O autor do personagem Menino Maluquinho inventou um padrão visual e um estilo de escrever para o público infantil — nisso reside a principal contribuição para a formação da criança que tinha entre cinco e 12 anos entre 1966 a 1980.


O artista mineiro vivia recluso desde 2018, por causa da saúde debilitada. A causa da morte foi uma falência múltipla dos órgãos, segundo sua filha, Daniela Thomas.


Onde atuou, o Ziraldo deixou marca própria e original. O Pasquim é considerado o principal jornal crítico da contemporaneidade. Ziraldo foi preso político pelo conjunto de edições e produção no semanário, publicado durante a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. Entre os intelectuais que o criaram se destacam Paulo Francis, Millôr Fernandes, Jaguar, Luís Carlos Maciel. Nesse momento, o texto vale tanto quanto o cartum, que fala mais alto em tempos de vozes silenciadas, exílios e prisões.


A partir de "A Turma do Pererê", de 1961, e em forma de histórias em quadrinhos, Ziraldo deu início à revisão da literatura infantojuvenil que se produzia na nação. Leitor de Monteiro Lobato, mas fã mesmo de Machado de Assis, o autor cumpriu a fase da releitura dos mitos difundidos às crianças.


Com isso, pôs em xeque o imaginário brasileiro durante pelo menos 50 anos, já que o gibi se transformou em coleções de livros adquiridos pelo governo para escolas públicas. A lenda sincrética do Saci convive com a figura da onça e do indígena brasileiro e com a tartaruga das fábulas herdada do Oriente.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/04/ler-e-mais-importanteque-estudar-ziraldo-repetia-como-um-bordao.shtml?utm_source=facebook&utm_ medium=social&utm_campaign=fbfolha. Excerto. Acesso em 06 abr. 2024.

Em “Com isso, pôs em xeque o imaginário brasileiro durante pelo menos 50 anos” (6º parágrafo), o significado da expressão destacada é:
Alternativas
Q2537148 Português

Leia o texto a seguir:


'Ler é mais importante que estudar', Ziraldo repetia como um

bordão eterno


Obras como 'O Menino Maluquinho' do cartunista, morto aos 91 anos neste sábado, integram o inventário simbólico do Brasil



Ziraldo sempre disse que escrever e desenhar um livro são como gerar e criar um filho. Depois da morte, aos 91 anos, do poeta, designer de primeira, também cartunista, jornalista e cronista que ele foi, sua obra, mais do que nunca, pertence a todos os brasileiros, integra o inventário simbólico do país.


O autor do personagem Menino Maluquinho inventou um padrão visual e um estilo de escrever para o público infantil — nisso reside a principal contribuição para a formação da criança que tinha entre cinco e 12 anos entre 1966 a 1980.


O artista mineiro vivia recluso desde 2018, por causa da saúde debilitada. A causa da morte foi uma falência múltipla dos órgãos, segundo sua filha, Daniela Thomas.


Onde atuou, o Ziraldo deixou marca própria e original. O Pasquim é considerado o principal jornal crítico da contemporaneidade. Ziraldo foi preso político pelo conjunto de edições e produção no semanário, publicado durante a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. Entre os intelectuais que o criaram se destacam Paulo Francis, Millôr Fernandes, Jaguar, Luís Carlos Maciel. Nesse momento, o texto vale tanto quanto o cartum, que fala mais alto em tempos de vozes silenciadas, exílios e prisões.


A partir de "A Turma do Pererê", de 1961, e em forma de histórias em quadrinhos, Ziraldo deu início à revisão da literatura infantojuvenil que se produzia na nação. Leitor de Monteiro Lobato, mas fã mesmo de Machado de Assis, o autor cumpriu a fase da releitura dos mitos difundidos às crianças.


Com isso, pôs em xeque o imaginário brasileiro durante pelo menos 50 anos, já que o gibi se transformou em coleções de livros adquiridos pelo governo para escolas públicas. A lenda sincrética do Saci convive com a figura da onça e do indígena brasileiro e com a tartaruga das fábulas herdada do Oriente.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/04/ler-e-mais-importanteque-estudar-ziraldo-repetia-como-um-bordao.shtml?utm_source=facebook&utm_ medium=social&utm_campaign=fbfolha. Excerto. Acesso em 06 abr. 2024.

Em “Nesse momento, o texto vale tanto quanto o cartum, que fala mais alto em tempos de vozes silenciadas, exílios e prisões” (4º parágrafo), os termos destacados veiculam o sentido de:
Alternativas
Q2537039 Português

      Muito se tem falado e escrito sobre inclusão, que tem como princípio a inserção de pessoas com deficiência no âmbito social. De acordo com a Constituição Federal de 1988, no Art. 205, “a Educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

      Quando se afirma que “a educação é direito de todos”, faz-se necessário compreender que a educação está baseada na aceitação das diferenças e na valorização do indivíduo, independente dos fatores físicos e psíquicos. Nessa perspectiva é que se fala em inclusão, em que todos tenham os mesmos direitos e deveres, construindo um universo que favoreça o crescimento, valorizando as diferenças e o potencial de todos.

      Antigamente, pessoas que nasciam com alguma deficiência eram separadas, afastadas de qualquer convívio social, pois sua diferença era vista como maldição, destino, marca do demônio e de todo tipo de crendice. Mittler (2000 apud Santana, 2003). Daí surgiu a segregação até chegar ao preconceito que se inicia com a jornada da História da Educação das pessoas com deficiência.

      No período anterior ao século XX, que pode ser chamado de “fase da exclusão”, a maioria das pessoas com deficiência era considerada indigna de educação escolar. Foi com as grandes descobertas na área da Medicina, Biologia e Saúde que se começou a estudar os deficientes com a finalidade de dar respostas para os seus problemas; assim as pessoas com deficiência passaram a ser recebidas em instituições filantrópicas de cunho religioso ou asilos, que foram a última morada para muitos.

      A fase chamada de segregação, já no século XX, começou com a inserção de pessoas deficientes em grandes instituições que propiciavam a alfabetização. A partir da década de 1950 e mais intensamente nos anos 60, eclodiu o movimento de pais a quem tinha sido negado o ingresso de seus filhos em escolas comuns; após a Segunda Guerra Mundial, “consistia na crença de que o problema da deficiência era algo restrito à pessoa que a possuía e que, por isso, a solução seria prover a essa pessoa o máximo de habilidades a fim de que ela se tornasse apta a ingressar ou reingressar na sociedade” (Sassaki, 1997). Surgiram então as escolas especiais e, mais tarde, as classes especiais dentro de escolas regulares.

      A década de 1970 constituiu a fase da integração, em que houve mudança filosófica em direção à ideia de educação integrada, ou seja, só era possível essa junção quando o aluno com deficiência se adaptava ao regime da escola, sem modificações ou adaptações do sistema; a partir desse modelo é que famílias e orientadores prepararam essas pessoas para participar de uma comunidade sem modificações substanciais para integrar as pessoas com deficiência. Daí então a educação integrada ou integradora excluía aqueles que não tinham condições de acompanhar os demais alunos. As leis sempre tinham o cuidado de deixar aberta a possibilidade de manter as crianças e adolescentes com alguma deficiência em escolas regulares.

      No final dos anos 1980 surgiu a ideia de adaptar o sistema escolar às necessidades dos alunos, desde que a inclusão propiciasse uma educação de qualidade e igualitária para todos, aceitando as diferenças individuais como atributo e não como obstáculo e valorizando a diversidade para o enriquecimento das pessoas tendo isso declarado em documentos-chave como a Declaração de Salamanca, a Carta para o Terceiro Milênio, a Convenção de Guatemala, a Declaração das Pessoas Deficientes, a Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão e outros que garantem a acessibilidade a pessoas com deficiência. No Brasil, diversos documentos legislativos e administrativos tratam desse assunto, a começar pela Constituição Federal de 1988 e a LDB/96.


(CIRÍACO, Flávia Lima. Inclusão: um direito de todos. Revista Educação Pública, v. 20, nº 29, 4 de agosto de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos./Fragmento.) 

Assinale a alternativa que apresenta a frase em que o termo sublinhado tem o significado corretamente indicado considerando o contexto em que está inserido.
Alternativas
Q2536800 Português
Detalhes. (Roberto Carlos).


Não adianta nem tentar me esquecer,
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver.
Detalhes tão pequenos de nós dois,
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora, vão estar presentes,
Você vai ver.
Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas,
A culpa é sua.
O ronco barulhento do seu carro,
A velha calça desbotada, ou coisa assim,
Imediatamente você vai lembrar de mim.
Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido,
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido,
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim.
À noite, envolvida no silêncio
Do seu quarto,
Antes de dormir, você procura
O meu retrato,
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri,
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso, vai fazer você
Lembrar de mim.
Se alguém tocar seu corpo como eu,
Não diga nada,
Não vá dizer meu nome, sem querer,
À pessoa errada,
Pensando ter amor nesse momento,
Desesperada você tenta até o fim,
E até nesse momento, você
Vai lembrar de mim.
Eu sei que esses detalhes vão sumir
Na longa estrada,
Do tempo que transforma todo amor
Em quase nada,
Mas quase também é mais um detalhe.
Um grande amor, não vai morrer assim,
Por isso, de vez em quando, você vai,
Vai lembrar de mim.
Não adianta nem tentar me esquecer,
Durante muito, muito, muito tempo, em sua vida,
Eu vou viver.
Não, não adianta nem tentar,
Me esquecer. 

De acordo com o texto, pode-se compreender que a expressão “desesperada” significa:  
Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: CELESC Prova: ACAFE - 2024 - CELESC - Administrador |
Q2536556 Português
Ecossistema de aprendizagem on-line: Construções teórico-metodológicas


A cultura digital impacta a relação dicotômica entre ambientes físicos e on-line. O cenário sociotécnico da educação ainda está descompassado em relação às competências digitais e é socialmente segregário. Nesse sentido, desde a revisão sistemática da literatura, identificamos estudos que apontam os ecossistemas de aprendizagem on-line como possíveis estruturas metodológicas congruentes às demandas dessa convergência. A revisão incluiu 206 produções, das quais 14 foram elegíveis a partir do método Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses. Os resultados revelaram que tais ecossistemas impactam e alteram as relações convencionais entre professor e estudante, organização de sala de aula e compreensão dos processos mediados por tecnologias.

FONTE: SANTOS, W. A. C.; MERCADO, L. P. L.; OLIVEIRA, C. A. de. Ecossistema de aprendizagem on-line: Construções teóricometodológicas. Cadernos de Pesquisa, v. 53, p. e10172, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980531410172. Acesso em: 03 jun. 2024.
Assinale a afirmativa CORRETA sobre o uso da palavra “ecossistemas” no Texto 2.
Alternativas
Q2536508 Português
Orfeu no Judiciário moderno: eficiência, ética e humanidade na era da Inteligência Artificial

    
        Orfeu, filho da musa Calíope e do rei Eagro da Trácia, é uma das figuras mais cativantes da mitologia grega. Dotado de um talento musical inigualável, sua lira tinha o poder de comover não apenas os seres humanos e os animais, mas também os objetos inanimados e as divindades. A história mais conhecida de Orfeu é a de seu amor incondicional por Eurídice. Após a morte prematura de sua amada, Orfeu desceu ao Hades, o reino dos mortos, com a esperança de trazê-la de volta ao mundo dos vivos. Encantando o próprio Hades e Perséfone com sua música, ele recebeu permissão para levar Eurídice de volta, sob a condição de que não olhasse para ela até que alcançassem a luz do dia. Infelizmente, tomado pela dúvida, Orfeu olhou para trás momentos antes de saírem da escuridão, perdendo Eurídice para sempre.
        Esta história, rica em simbolismo e emoção, nos fala de amor, perda e as consequências de nossas ações, temas eternos que ressoam até hoje. Ao explorar a adaptação deste mito para discutir os riscos e potenciais da inteligência artificial no judiciário, invocamos a mesma profundidade de sensibilidade humana e ética que define a jornada de Orfeu. O mito, longe de ser uma mera alegoria, nos instiga a refletir sobre o equilíbrio necessário entre os avanços tecnológicos e a essência imutável da condição humana, especialmente no que diz respeito à justiça e à moralidade.
        A Inteligência Artificial (IA) emergiu como um farol de inovação no horizonte tecnológico, prometendo transformações profundas em diversos setores, inclusive no judiciário. Esta promessa abrange desde a otimização dos processos judiciais até a tomada de decisões mais ágeis e fundamentadas. Contudo, sua adoção traz consigo um conjunto de reflexões éticas e desafios regulatórios significativos.
        No núcleo dessa transformação, a IA oferece ao judiciário a possibilidade de processar volumes massivos de dados com uma precisão e velocidade inatingíveis pelo esforço humano isolado. Exemplos práticos disso incluem a triagem automática de processos, análise de precedentes judiciais, e até mesmo na predição de resultados judiciais com base em dados históricos. Essas aplicações não apenas economizam tempo valioso mas também promovem uma uniformidade nas decisões judiciais, potencializando a justiça e a previsibilidade legal. 
        Um exemplo emblemático dessa maximização de resultados é o uso de sistemas de IA para a análise preditiva em cortes dos Estados Unidos e da Europa, onde a tecnologia tem sido empregada para avaliar a probabilidade de reincidência criminal, auxiliando na determinação de sentenças e medidas cautelares. Da mesma forma, a digitalização e a análise de grandes conjuntos de dados judiciais permitem identificar padrões e tendências, facilitando a gestão de recursos e a priorização de casos
        Entretanto, o entusiasmo pela eficiência não deve obscurecer os riscos inerentes à implementação da IA no sistema judiciário. Questões cruciais incluem o risco de viés algorítmico, onde preconceitos existentes nos dados de treinamento podem levar a decisões judiciais discriminatórias, reforçando desigualdades. Além disso, a opacidade de certos algoritmos pode desafiar princípios de transparência e accountability, fundamentais em um estado de direito.
        Para navegar neste cenário complexo, é essencial que o desenvolvimento e a implementação de tecnologias de IA no judiciário sejam guiados por princípios éticos robustos e regulamentações claras. A IA deve ser desenhada de maneira antropocêntrica, assegurando que suas decisões sejam explicáveis, justas, e que possam ser revisadas por humanos. Além disso, é imperativo garantir a proteção de dados e a privacidade dos indivíduos, salvaguardando os direitos e liberdades fundamentais.
        Em síntese, a inteligência artificial detém o potencial de revolucionar o judiciário, promovendo eficiência e justiça. No entanto, para que sua implementação seja bem-sucedida e eticamente responsável, é crucial uma abordagem cuidadosa, que equilibre inovação com respeito aos princípios democráticos e direitos humanos. A era da IA no judiciário não é uma questão de se, mas de como, requerendo uma reflexão contínua e uma adaptação regulatória proativa
        Na fronteira entre a revolução digital e a tradição jurídica, emerge uma questão fundamental: qual é o lugar da sensibilidade e da flexibilidade humanas na tomada de decisões judiciais? À medida que o judiciário começa a se aventurar pelo território da Inteligência Artificial (IA), a importância da capacidade humana de julgar se torna ainda mais pronunciada. Os dados podem oferecer insights valiosos, mas a justiça transcende a mera análise de informações.
        O coração da justiça pulsa ao ritmo da compreensão humana, algo que nenhum algoritmo pode replicar. A capacidade de um juiz de perceber nuances, de se engajar em uma compreensão empática das circunstâncias de cada caso, e de aplicar a lei com um senso de equidade é insubstituível. Os dados, por mais abrangentes que sejam, permanecem frios e distantes da realidade humana complexa que cada processo judicial representa.
        A verdadeira sabedoria judicial reside na habilidade de balancear a objetividade dos dados com a subjetividade da experiência humana. Os juízes são chamados a não se deixarem influenciar cegamente por previsões algorítmicas, mas sim a considerá-las como uma das muitas ferramentas à sua disposição. A intuição, a empatia e o discernimento humano devem guiar a interpretação dos dados, assegurando que as decisões judiciais reflitam a justiça em sua forma mais pura.
        Conforme avançamos na era das máquinas, a necessidade de aprimorar nossas capacidades humanas se torna ainda mais evidente. Devemos cultivar e valorizar a capacidade de julgar com humanidade, reconhecendo que, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, a essência do ser humano é o que nos distingue. O desafio que se apresenta não é simplesmente o de integrar a IA no sistema judicial, mas sim o de fazê-lo de maneira que amplifique, e não substitua, a sensibilidade e a flexibilidade humanas.
        Em suma, na confluência entre o progresso tecnológico e a prática jurídica, a humanidade deve permanecer no centro. Enquanto abraçamos as ferramentas que a IA nos oferece, devemos também aprofundar nosso compromisso com as qualidades que nos tornam humanos. No judiciário, isso significa honrar a complexidade da experiência humana, assegurando que a tecnologia sirva como um complemento à, e não um substituto para, a sabedoria e a sensibilidade humanas.
        A adaptação do mito de Orfeu para discutir os riscos do mau uso da IA no judiciário pode se tornar uma narrativa poderosa, simbolizando a busca por justiça através da tecnologia, mas também os perigos de confiar cegamente nela.
        No conto adaptado, Orfeu, um juiz renomado conhecido por sua sabedoria e justiça, enfrenta o desafio de seu tempo: a implementação da Inteligência Artificial no judiciário. Encantado com a promessa de eficiência e precisão sem precedentes, Orfeu torna-se um defensor fervoroso da IA acreditando que ela pode eliminar os erros humanos e trazer uma era de decisões judiciais infalíveis.
        A IA, nesse contexto, é como a lira mágica de Orfeu, uma ferramenta de poder incomparável, capaz de “encantar” e influenciar todos que a ouvem – neste caso, produzindo resultados judiciais que são tecnicamente perfeitos. Porém, assim como na história original, há uma condição: Orfeu não deve “olhar para trás”, ou seja, não deve duvidar da infalibilidade da IA ou questionar profundamente suas decisões.
        No clímax da história, Orfeu se depara com um caso complexo, em que a justiça técnica sugerida pela IA entra em conflito com sua intuição e compreensão humanas. Movido pela memória de sua antiga confiança na sabedoria humana, Orfeu decide “olhar para trás”. Ele questiona a decisão da IA, investigando mais profundamente e descobrindo que a solução sugerida pelo algoritmo falha em capturar a complexidade humana e a justiça verdadeira.
        Essa revelação leva Orfeu a uma profunda reflexão sobre os riscos de depender inteiramente da IA no judiciário. Ele reconhece que, apesar de suas promessas, a tecnologia não pode substituir o discernimento humano, especialmente em questões de justiça, onde nuances e contextos importam tanto quanto fatos e leis.
        A história termina com Orfeu defendendo um equilíbrio entre a tecnologia e a sabedoria humana. Ele advoga por um sistema judiciário onde a IA é usada como uma ferramenta para auxiliar, mas não para substituir o julgamento humano, destacando a importância da empatia, da ética e da compreensão profunda da condição humana na busca pela verdadeira justiça.
        Assim, a adaptação moderna do conto de Orfeu oferece uma alegoria rica para os riscos do mau uso da IA no judiciário, lembrando-nos de que, na busca por justiça, a sabedoria humana é insubstituível e deve sempre guiar o uso da tecnologia.
        Na jornada para integrar a Inteligência Artificial (IA) no judiciário, encontramos um paralelo profundo com o mito de Orfeu, especialmente na narrativa de sua morte às mãos das mênades. Este desfecho simboliza o eterno conflito entre o racional e o irracional, a ordem e o caos, refletindo a dualidade da condição humana que se manifesta no coração da justiça. Assim como Orfeu, que buscava harmonizar o mundo com sua música, nós buscamos na IA uma forma de trazer ordem e eficiência ao judiciário. No entanto, a história nos lembra da importância de equilibrar nossa fé na tecnologia com o reconhecimento de nossas próprias limitações e da complexidade inerente às questões de justiça.
        O desfecho de Orfeu nos adverte sobre os perigos de uma dependência excessiva em sistemas que podem, inadvertidamente, encorajar o irracional ou o injusto, por meio de vieses e erros não intencionais. A busca por eficiência não pode nos cegar para a necessidade de manter a sensibilidade humana e a compreensão ética no coração do processo judicial. Deve haver um espaço para o questionamento, para a compaixão e para o discernimento que só a mente e o coração humanos podem oferecer.
        Concluímos, portanto, que a IA no judiciário, assim como a lira de Orfeu, é uma ferramenta poderosa, mas não é um substituto para a sabedoria humana. Devemos aprender com o mito de Orfeu e buscar um equilíbrio, garantindo que a tecnologia nos sirva, em vez de nos dominar. Isso significa abraçar a IA como um complemento à justiça humana, não como seu substituto, e garantir que os sistemas de IA sejam desenvolvidos e utilizados com uma consciência profunda de suas limitações e impactos potenciais. Somente assim poderemos evitar o destino de Orfeu e caminhar em direção a um futuro onde a tecnologia e a humanidade coexistam em harmonia, promovendo uma justiça verdadeiramente justa e equitativa.
(Coriolano Aurélio de Almeida Camargo Santos. Em: maio de 2024.)
“Concluímos, portanto, que a IA no judiciário, assim como a lira de Orfeu, é uma ferramenta poderosa, mas não é um substituto para a sabedoria humana.” (24º§) A reescrita do trecho anterior mantém o mesmo sentido em:
Alternativas
Q2535685 Português
Como é grande o meu amor por você!
(Roberto Carlos).



Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você.
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você!



Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito,
Nada é maior que o meu amor
Nem mais bonito,
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar,
Como é grande o meu amor por você.
Nunca se esqueça, nem um segundo,
Que eu tenho o amor maior do mundo,
Como é grande o meu amor por você!



Nunca se esqueça, nem um segundo,
Que eu tenho o amor maior do mundo,
Como é grande o meu amor por você,
Mas como é grande o meu amor por você! 

De acordo com o texto, pode-se compreender que a expressão “infinito” significa: 
Alternativas
Q2535424 Português

Leia o texto abaixo e depois responda à questão.



        Sabidamente, a Polícia é um dos poucos órgãos públicos, talvez o único, que está presente no cotidiano das pessoas, durante 24 horas por dia e que se presta a não só atender às demandas criminais, mas também assistir o cidadão, de forma imediata e emergencial, em seus momentos de dificuldade e angústia. Diariamente, em qualquer lugar e momento, ela é chamada a intervir sempre quando “algo que não deveria estar acontecendo está acontecendo e alguém deve fazer algo a respeito agora” e já! (BITTNER apud PROENÇA JÚNIOR; MUNIZ, 2007, p. 233, grifo dos autores).
        No imaginário social, em função da ampla difusão da mídia, as pessoas acreditam que a polícia lida mais com questões criminais e, sobretudo, com as mais violentas (homicídios, assaltos, tiroteios e sequestros), consideradas de maior gravidade e mais ameaçadoras. Tal concepção, conforme observa Jorge da Silva (2003), muito influencia um maior sentimento de insegurança na sociedade e também reforça na polícia e no policial a ideia de que deve ser priorizado o combate aos crimes, especialmente os de maior potencial ofensivo, em detrimento das questões menores.
        Como consequência desse paradigma repressivo e militar, segundo define Jorge da Silva (2003), temos um policial de rua mais treinado para o enfrentamento e a ação (patrulhamento, abordagem, busca, imobilização, confronto, captura, escolta e custódia) do que para o diálogo, a mediação ou a conciliação.
        Na eclosão de conflitos interpessoais, muito comuns as ocorrências criminais de menor potencial ofensivo e não criminais, verifica-se a dificuldade dos policiais no tratamento dessas questões de forma equilibrada, quando, por inabilidade, fazem uso da força e não do diálogo para solucionar os problemas. Quando a palavra é usada, geralmente, é para advertir, disciplinar, moralizar, informar, orientar, aconselhar, arbitrar ou intimidar. Muitas vezes, qualquer questionamento de alguma das partes é interpretado como um ato de desacato.
        A pesquisa revelou que o maior volume dos casos vivenciados pelo policial de rua é, nesta ordem, de natureza não criminal e criminal de menor potencial ofensivo. Nesse sentido, indaga-se: como os policiais lidam com essas situações que, muitas vezes, demandam mais preparo para tomada de decisão, poder de articulação e capacidade de diálogo? Que procedimentos eles têm adotado para administrá-las? Quais se mostram mais complicadas? Quais os fatores que mais dificultam sua intervenção? (SILVA, Washington França da. Mandato policial na prática: procedimentos policiais no atendimento às ocorrências criminais e não criminais. Revista Brasileira de Segurança Pública - Ano 4 Edição 6 Fev/Mar 2010).
Assinale a alternativa incorreta sobre o texto:
Alternativas
Q2535419 Português
Leia os trechos A, B e C e depois responda à questão.

Trecho A
        “Não dê armas ao seu inimigo, mantenha sempre o autocontrole. Ocupe sua mente com coisas boas e úteis a você, faça planos, dê passos largos, estude, capacite-se, distraia-se com atitudes simples, tire um tempo para você mesmo, ouça boas músicas, veja bons filmes, vá ao cinema, tome um sorvete, veja o pôr do sol, entre nas águas geladas de alguma cachoeira.” (SANTOS, H. In: LUZ, D. C.; TOLEDO, I.; SITA, M. (Coord.). A arte da guerra: desperte o “Sun Tzu” que está dentro de você. São Paulo, Ser Mais, 2015. p. 194).

Trecho B 
        “O nascimento de Simon Arthur Henry Fitzranulph Basset, o conde de Clyvedon, foi recebido com muita alegria. Os sinos da igreja tocaram por horas, serviu-se champanhe à vontade no imenso castelo que o recém-nascido chamaria de lar e toda a aldeia de Clyvedon parou de trabalhar para participar dos festejos organizados pelo pai do jovem conde.
        - Esse não é um bebê comum – disse o padeiro ao ferreiro.
        Falou isso porque Simon Arthur Henry Fitzranulph Basset não passaria a vida como conde de Clyvedon. Esse era apenas um título de cortesia. O bebê – que possuía mais nomes do que qualquer criança de sua idade poderia precisar – era herdeiro de um dos mais antigos e abastados ducados da Inglaterra. E seu pai, o nono duque de Hastings, esperara anos por esse momento.
     No corredor fora do quarto da esposa, ninando o bebê que chorava a plenos pulmões, o duque quase explodia de orgulho. Já beirando os 50 anos, assistira a seus amigos – todos duques e condes – produzirem um herdeiro após o outro. [...] Mas não o duque de Hastings.” (QUINN, J. O duque e eu. São Paulo: Arqueiro, 2020. p. 7).

Trecho C
        “O amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. Pensando bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. As promessas do amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. Assim, a tentação de apaixonarse é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.” BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. p. 23).
Sobre o vocabulário dos trechos acima, assinale a alternativa em que os termos sejam sinônimos:
Alternativas
Q2535321 Português
A dignidade da pessoa humana

A dignidade é intrínseca: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém.


        “Quanto vale o homem / Menos, mais que o peso? / Hoje mais que ontem? / Vale menos velho? / Vale menos morto?”, perguntou Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas. A melhor resposta que podemos dar ao poeta é a de que o homem sempre vale muito. Cada ser humano, independentemente de qualquer atributo ou característica (sexo, idade, raça, religião etc.) ou de qualquer comportamento que tenha adotado ou venha a adotar, tem um valor único, um significado que transcende a sua existência individual e que tem relevância para todos os demais homens. É isso que queremos expressar quando falamos em “dignidade da pessoa humana”
        Dignidade é a especial preeminência de que alguém goza; é seu alto valor, sua nobreza. Quando falamos de dignidade do homem, referimo-nos a algo que é intrínseco: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém: nem pelos que nos rodeiam, nem pelo Estado, nem pela cultura, nem pelo consenso social. E não é coletiva, mas individual: não falamos da dignidade “da humanidade” em geral, mas de cada pessoa. Cada ser humano, único e irrepetível, é digno de respeito. É disso que trata a Declaração Universal dos Direitos do Homem quando afirma, em seu artigo 1º, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” e, em seu preâmbulo, que “o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, justiça e paz no mundo”.
        Mais adiante, no poema, Drummond lançará outra pergunta: “Que milagre é o homem?”. Em outras palavras, o que nos faz tão especiais? Ao longo da história, diversos filósofos deram diferentes respostas a essa questão, mas, no fundo, chegaram a uma conclusão similar. Para Aristóteles, a razão dessa especial dignidade é a capacidade de compreensão e inteligência do homem. O filósofo grego entende que o ser humano é capaz de entrar em sintonia com a totalidade do universo. Para toda a tradição judaico-cristã, a raiz desse especial valor é o fato de ser imagem e semelhança de Deus – e é sintomático que o cristianismo tenha tido um impacto tão grande nas sociedades pagãs ao afirmar a universalidade da dignidade humana entre pessoas que viam, por exemplo, as mulheres como objeto. Na época das Grandes Navegações, o debate sobre a dignidade dos habitantes das novas terras descobertas resolveu-se afirmativamente graças ao trabalho de pensadores como o espanhol Francisco de Vitória.
        O grande teórico moderno da dignidade humana é Immanuel Kant, que no século 18 tratou do ser humano e da sua dignidade como “a coisa que se acha acima de todo o preço, e por isso não admite qualquer equivalência”. A razão especial dessa dignidade, defendia o filósofo prussiano, é a autonomia da vontade do ser humano, a capacidade de o homem se autodeterminar, definir os rumos de sua própria existência. As liberdades individuais são expressões naturais dessa capacidade.
        É difícil apontar para a fonte exata dessa singularidade que se percebe no homem. Há nele uma interioridade, um poder de, por meio da inteligência, da vontade, da capacidade de elaborar os sentimentos, travar contato com diversas realidades e torná-las parte de si mesmo, que o torna muito especial. Mais ainda: ele é capaz de chegar àquilo que está destinado a ser, a desenvolver os seus potenciais, a corrigir seus rumos até o último minuto. E, como se isso não bastasse, o homem é um ser que sempre está em busca de algo mais, de algo que o transcenda, o que o diferencia de todos os outros animais. Esta não é uma diferenciação apenas quantitativa, mas qualitativa. Por mais que reconheçamos nos animais atributos como a inteligência, essas características que mencionamos são únicas do gênero humano. A noção de “pessoa” está diretamente vinculada a essas características: o homem nunca é algo; é sempre alguém – mesmo quando o exercício de sua autonomia não pode ser plenamente exercido; pensemos, por exemplo, em pessoas cuja situação as impede de realizar escolhas, como um paciente em coma ou alguém tão mergulhado nas drogas que já perdeu o controle de si mesmo. Elas não são menos dignas, menos “pessoas”, que ninguém. 
        Mesmo depois de Kant, a humanidade ainda levou tempo para entender totalmente que todo ser humano era portador de uma dignidade intrínseca – os movimentos abolicionistas e dos direitos civis precisaram ensinar isso ao homem dos séculos 19 e 20. E uma das últimas fronteiras foi quebrada quando a dignidade do inimigo foi finalmente reconhecida, por meio de tratados internacionais como as Convenções de Genebra, que pretendiam banir o tratamento desumano a civis e combatentes em tempos de guerra.
        No entanto, diante da simples observação da realidade e dos comportamentos humanos, surge o questionamento: não há, mesmo, pessoas mais ou menos dignas? A dignidade é sempre igual para todos? A essa pergunta podemos responder afirmando que a palavra “dignidade” tem mais de um sentido. A dignidade de que temos tratado aqui é a chamada “dignidade ontológica”; tem este nome justamente por derivar da própria existência como ser humano, e por isso todos a têm em idêntico grau. São as considerações a respeito desta dignidade que continuarão a nos guiar nas reflexões que ofereceremos mais adiante. Mas existe também o que podemos chamar de “dignidade moral” – isto é, o patrimônio moral que cada um construiu com o uso da sua liberdade. É ela que alguém tem em mente quando afirma que uma pessoa pode ser mais digna que outra. A dignidade moral, sim, pode ser perdida (e também recuperada), mas única e exclusivamente pela decisão livre de seu detentor, pelas próprias atitudes. Ou seja, perdida, mas jamais retirada. Os piores facínoras perderam sua dignidade moral porque assim o quiseram, por suas escolhas. Mas sua dignidade ontológica se preserva – nesse sentido, os maiores crápulas são tão dignos quanto os maiores heróis – e é a raiz do incrível poder de redirecionar a própria vida, de voltar a dar sentido a ela, mediante o arrependimento, até o minuto final de sua existência.
        O homem é um ser que esquece. Talvez não se esqueça tão facilmente daquelas questões mais triviais do dia a dia, mas acaba se esquecendo das grandes verdades a respeito de si mesmo. E uma dessas verdades é sua inviolável dignidade.
(Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em: 04/01/2024.)
“É ela que alguém tem em mente quando afirma que uma pessoa pode ser mais digna que outra.” (7º§) A frase cuja palavra sublinhada exerce função sintática diferente de “mais” é:
Alternativas
Q2535320 Português
A dignidade da pessoa humana

A dignidade é intrínseca: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém.


        “Quanto vale o homem / Menos, mais que o peso? / Hoje mais que ontem? / Vale menos velho? / Vale menos morto?”, perguntou Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas. A melhor resposta que podemos dar ao poeta é a de que o homem sempre vale muito. Cada ser humano, independentemente de qualquer atributo ou característica (sexo, idade, raça, religião etc.) ou de qualquer comportamento que tenha adotado ou venha a adotar, tem um valor único, um significado que transcende a sua existência individual e que tem relevância para todos os demais homens. É isso que queremos expressar quando falamos em “dignidade da pessoa humana”
        Dignidade é a especial preeminência de que alguém goza; é seu alto valor, sua nobreza. Quando falamos de dignidade do homem, referimo-nos a algo que é intrínseco: vem do próprio fato de ser humano, vem de dentro. Não é concedida – e nem retirada – por ninguém: nem pelos que nos rodeiam, nem pelo Estado, nem pela cultura, nem pelo consenso social. E não é coletiva, mas individual: não falamos da dignidade “da humanidade” em geral, mas de cada pessoa. Cada ser humano, único e irrepetível, é digno de respeito. É disso que trata a Declaração Universal dos Direitos do Homem quando afirma, em seu artigo 1º, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” e, em seu preâmbulo, que “o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, justiça e paz no mundo”.
        Mais adiante, no poema, Drummond lançará outra pergunta: “Que milagre é o homem?”. Em outras palavras, o que nos faz tão especiais? Ao longo da história, diversos filósofos deram diferentes respostas a essa questão, mas, no fundo, chegaram a uma conclusão similar. Para Aristóteles, a razão dessa especial dignidade é a capacidade de compreensão e inteligência do homem. O filósofo grego entende que o ser humano é capaz de entrar em sintonia com a totalidade do universo. Para toda a tradição judaico-cristã, a raiz desse especial valor é o fato de ser imagem e semelhança de Deus – e é sintomático que o cristianismo tenha tido um impacto tão grande nas sociedades pagãs ao afirmar a universalidade da dignidade humana entre pessoas que viam, por exemplo, as mulheres como objeto. Na época das Grandes Navegações, o debate sobre a dignidade dos habitantes das novas terras descobertas resolveu-se afirmativamente graças ao trabalho de pensadores como o espanhol Francisco de Vitória.
        O grande teórico moderno da dignidade humana é Immanuel Kant, que no século 18 tratou do ser humano e da sua dignidade como “a coisa que se acha acima de todo o preço, e por isso não admite qualquer equivalência”. A razão especial dessa dignidade, defendia o filósofo prussiano, é a autonomia da vontade do ser humano, a capacidade de o homem se autodeterminar, definir os rumos de sua própria existência. As liberdades individuais são expressões naturais dessa capacidade.
        É difícil apontar para a fonte exata dessa singularidade que se percebe no homem. Há nele uma interioridade, um poder de, por meio da inteligência, da vontade, da capacidade de elaborar os sentimentos, travar contato com diversas realidades e torná-las parte de si mesmo, que o torna muito especial. Mais ainda: ele é capaz de chegar àquilo que está destinado a ser, a desenvolver os seus potenciais, a corrigir seus rumos até o último minuto. E, como se isso não bastasse, o homem é um ser que sempre está em busca de algo mais, de algo que o transcenda, o que o diferencia de todos os outros animais. Esta não é uma diferenciação apenas quantitativa, mas qualitativa. Por mais que reconheçamos nos animais atributos como a inteligência, essas características que mencionamos são únicas do gênero humano. A noção de “pessoa” está diretamente vinculada a essas características: o homem nunca é algo; é sempre alguém – mesmo quando o exercício de sua autonomia não pode ser plenamente exercido; pensemos, por exemplo, em pessoas cuja situação as impede de realizar escolhas, como um paciente em coma ou alguém tão mergulhado nas drogas que já perdeu o controle de si mesmo. Elas não são menos dignas, menos “pessoas”, que ninguém. 
        Mesmo depois de Kant, a humanidade ainda levou tempo para entender totalmente que todo ser humano era portador de uma dignidade intrínseca – os movimentos abolicionistas e dos direitos civis precisaram ensinar isso ao homem dos séculos 19 e 20. E uma das últimas fronteiras foi quebrada quando a dignidade do inimigo foi finalmente reconhecida, por meio de tratados internacionais como as Convenções de Genebra, que pretendiam banir o tratamento desumano a civis e combatentes em tempos de guerra.
        No entanto, diante da simples observação da realidade e dos comportamentos humanos, surge o questionamento: não há, mesmo, pessoas mais ou menos dignas? A dignidade é sempre igual para todos? A essa pergunta podemos responder afirmando que a palavra “dignidade” tem mais de um sentido. A dignidade de que temos tratado aqui é a chamada “dignidade ontológica”; tem este nome justamente por derivar da própria existência como ser humano, e por isso todos a têm em idêntico grau. São as considerações a respeito desta dignidade que continuarão a nos guiar nas reflexões que ofereceremos mais adiante. Mas existe também o que podemos chamar de “dignidade moral” – isto é, o patrimônio moral que cada um construiu com o uso da sua liberdade. É ela que alguém tem em mente quando afirma que uma pessoa pode ser mais digna que outra. A dignidade moral, sim, pode ser perdida (e também recuperada), mas única e exclusivamente pela decisão livre de seu detentor, pelas próprias atitudes. Ou seja, perdida, mas jamais retirada. Os piores facínoras perderam sua dignidade moral porque assim o quiseram, por suas escolhas. Mas sua dignidade ontológica se preserva – nesse sentido, os maiores crápulas são tão dignos quanto os maiores heróis – e é a raiz do incrível poder de redirecionar a própria vida, de voltar a dar sentido a ela, mediante o arrependimento, até o minuto final de sua existência.
        O homem é um ser que esquece. Talvez não se esqueça tão facilmente daquelas questões mais triviais do dia a dia, mas acaba se esquecendo das grandes verdades a respeito de si mesmo. E uma dessas verdades é sua inviolável dignidade.
(Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em: 04/01/2024.)
Saber o significado das palavras e a relação que elas estabelecem em determinado contexto é importante para a compreensão da informação. Nesse sentido, assinale a alternativa cujo significado do vocábulo sublinhado está corretamente indicado.
Alternativas
Q2535110 Português

Julgue o item que se segue. 


A palavra "Grama" é um exemplo de homógrafo, pois possui a mesma grafia, tanto quando se refere à unidade de massa quanto à relva, sendo diferenciada apenas pelo contexto de uso.

Alternativas
Respostas
1801: C
1802: D
1803: A
1804: D
1805: A
1806: D
1807: D
1808: C
1809: C
1810: D
1811: D
1812: D
1813: E
1814: D
1815: C
1816: C
1817: A
1818: A
1819: C
1820: C