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Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 13.813 questões

Q3380924 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão..

    Crianças mimadas ou sem educação?

    Recentemente, durante uma viagem ao Chile, me deparei com uma situação que me fez refletir sobre as diferenças geracionais. Uma criança, aparentemente com cerca de 12 anos, agiu de forma bastante desrespeitosa com seus pais durante o voo, o que me fez lembrar de outras ocasiões semelhantes que já testemunhei. O comportamento dessa criança foi marcado por gritos, exigências e uma atitude que parecia considerar seus pais como servos, a ponto de a aeromoça intervir para pedir que a controlassem. Ao longo do voo, esse padrão de comportamento persistiu, com a criança impondo suas vontades e os pais cedendo a suas demandas após uma série de gritos, lágrimas e chantagem emocional.

[...]

    Se a resiliência é uma competência e habilidade altamente valorizada pelas empresas, como essa criança lidará com situações em que receber um "não" de seu líder ou quando perder o controle da situação? É evidente que a falta de resiliência muitas vezes está associada a um baixo controle emocional.

    Talvez essa criança se torne o próximo chefe narcisista ou tóxico a adentrar as empresas. No entanto, é importante ressaltar que profissionais com esse perfil têm uma vida útil cada vez mais curta nas organizações atualmente, o que levanta questões sobre sua viabilidade a longo prazo. 

    Neste cenário, os pais desempenham um papel fundamental, sendo em sua maioria os responsáveis por moldar esse contexto. Vivemos numa época em que a presença da babá tem ganhado uma importância desproporcional na criação e educação das crianças, enquanto a participação dos pais nos ensinamentos sobre respeito e outras questões básicas das relações humanas é limitada, muitas vezes devido ao foco em suas carreiras ou outros compromissos.

(Fonte: https://www.terra.com.br/economia/geracao-z-queesta-nas-empresas-e-mais-fragil-do-que-seimagina,48f07a3c003cb8d08f8b94bb9ed26f26tiz67kaj.html)
Observe o trecho a seguir:

Se a resiliência é uma competência e habilidade altamente valorizada pelas empresas, como essa criança lidará com situações em que receber um "não" de seu líder ou quando perder o controle da situação?

Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo para a palavra destacada no trecho.
Alternativas
Q3379830 Português

As regras da sensatez


Rui Veloso



Nunca voltes ao lugar


Onde já foste feliz


Por muito que o coração diga


Não faças o que ele diz



Nunca mais voltes à casa


Onde ardeste de paixão


Só encontrarás erva rasa


Por entre as lajes do chão



Nada do que por lá vires


Será como no passado


Não queiras reacender


Um lume já apagado



São as regras da sensatez


Vais sair a dizer que desta, desta é de vez



Por grande a tentação


Que te crie a saudade


Não mates a recordação


Que lembra a felicidade



Nunca voltes ao lugar


Onde o arco-íris se pôs


Só encontrarás a cinza


Que dá na garganta nós



São as regras da sensatez


Vais sair a dizer que desta, desta é de vez

O antônimo de sensatez é:
Alternativas
Q3379792 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Para que a ansiedade climática não seja paralisante

Por * Maurício Gonzalez

05/06/2024

    Chegamos ao mês de celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente atravessados pela urgência climática. Entre 2023 e 2024, só no Brasil, acompanhamos uma dura sequência de eventos impactantes pela proporção e devastação, além da alta frequência em ocorrências. Chuvas no litoral de São Paulo, seca no Amazonas, enchentes no Recife e, agora, a tragédia no Rio Grande do Sul. Todos representam o que cientistas sempre alertaram: eventos climáticos, cada vez de maiores proporções, serão ainda mais frequentes.
    Mesmo que tais avisos não sejam recentes, é inegável que estão se materializando para toda a sociedade. Especialmente, com o apoio dos meios de comunicação dispostos a noticiar o assunto com a atenção e cuidado que merece. [...] Se nos meios de comunicação o tema está em prioridade na pauta do dia, as análises de mercado também apontam para um mesmo caminho, sob o ponto de vista do consumidor. Uma pesquisa disponibilizada na Gente, plataforma de conhecimento e insights da Globo, aponta que a ansiedade climática figura em primeiro lugar dentre os temas capazes de impactar nas decisões de consumo e no comportamento da população em 2024. 
    Boa parte da percepção sobre esse tema no Brasil vem de experiências com ondas de calor, chuvas intensas e desastres naturais. Aproximadamente 79% dos brasileiros declararam que sentem os impactos severos de mudanças no clima onde vivem; e 85% acreditam que os efeitos das mudanças climáticas no país serão ainda piores nos próximos 10 anos. Este índice está bem acima da média global, que é de 71% e só foi superado pelos entrevistados na Coreia do Sul (88%). Essa angústia coletiva é plenamente justificada quando nos deparamos com a informação de que 2.797 municípios brasileiros decretaram estado de emergência ou de calamidade por causa de desastres naturais e fenômenos climáticos extremos no último ano, de acordo com a Defesa Civil Nacional.
    “A sensação de impotência e frustração surge com a ação insuficiente dos poderes e a falta de consciência em outros setores da população”, disse a psicoterapeuta britânica Caroline Hickman ao explicar a ansiedade climática ou ecoansiedade.
    Então fica uma provocação: nos falta consciência ou tal ansiedade tem gerado uma inércia limitante? Quando vamos ter um Dia Mundial do Meio Ambiente menos dramático e com avanços concretos nessa pauta? 
    Em tempos em que o Planeta Terra já fecha a conta no ‘cheque especial’ – a demanda da humanidade por recursos naturais supera a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos ao longo de um ano – há uma necessidade urgente de se encarar os riscos associados ao clima. Mas, acima de tudo, precisamos nos cobrar uma postura de resiliência que perpassará toda a sociedade, da iniciativa pública à privada, do individual ao coletivo.
     Entendo que é preciso redobrar a nossa capacidade de se antecipar e lidar com impactos causados pelas mudanças climáticas de maneira oportuna e eficiente. Precisamos construir estruturas e sistemas sustentáveis, flexíveis e duráveis, com a ajuda de colegas, parceiros e outras lideranças. E uma autoanálise, urgente e permanente, se estamos fazendo o suficiente para lidar com o que o aquecimento global representa.
    A ansiedade climática, aqui, é encarada como um motor para a transformação dessa realidade que assusta e acomete, principalmente, os mais vulneráveis. Cabe a nós, sociedade e empresas, estarmos dispostos a promover mudanças num movimento que chegue a todos, de forma democrática, justa e eficaz. E no timing da urgência que nos tem sido exposta, diariamente. 


* Maurício Gonzalez é Diretor do Centro de Serviços Compartilhados da Globo (Adaptadohttps://umsoplaneta.globo.com) 
“Mas, acima de tudo, precisamos nos cobrar uma postura de resiliência [...].” 6º§
É correto afirmar que a palavra destacada significa
Alternativas
Q3375999 Português

Leia o texto:


 UBER AMOR


           O Uber pode ensinar muito sobre o amor. Imagine o motorista como o seu hipotético candidato a romance.


        Se o motorista está terminando uma corrida nas proximidades, cancele de imediato. Está ainda encrencado com outras viagens e relacionamentos. Tem o aval de dar uma volta a lua e você se vê preso a uma pendência.


           É iniciar um compromisso com alguém casado ou recém saindo de uma convivência. Suspenda a chamada. Demora muito tempo até que ele resolva a sua situação – se resolver! Já é difícil um envolvimento com alguém livre, ter que lidar com quem não encerrou experiências é missão dolorosa emocionalmente. Enfrentará gafes, humilhações e o desconforto gratuito da competição com quem nem conhece e não tem culpa de nada.


        Não estabelecerá o início do contato a partir da verdade, como deve ser, mas recebendo desculpas e adiamentos que desgastarão a confiança do desejo.


        Você não é prioridade. Ele acumula opções para nunca escolher uma só – com a justificativa que não pode ficar parado. Deleita-se com a possibilidade de ir experimentando e não decidir.

 

          Seguirá ao seu encontro depois de cumprir itinerários abertos. Promessa não segura ninguém, o que vinga é atitude.


        Pertencerá a uma lista de espera. Sonhava com exclusividade e se acostumará a um segundo escalão. Aquele que começa como coadjuvante jamais assume o papel principal.


         Regra do primeiro encontro: relação com início complicado acaba em loucura.


        Entenda a metáfora. Motorista que finaliza uma corrida nas proximidades mente o horário. De cinco minutos saltará a oito minutos e você que já esperou três minutos pensa que pode esperar mais cinco minutos, para não perder mais tempo de chamar um novo. Só que ele aumenta para nove minutos e, como sacrificou a cota de tolerância, está refém de alguém que não virá. No fim, ele é que vai cancelar a corrida e cobrar a taxa de embarque.


        Substitua os minutos por meses e descobrirá que não é amor, mas enrolação; amor é sempre agora ou nunca.



Fabrício Carpinejar. Disponível em: https://www.fabriciocarpinejar.com.br/uber-amor. Acesso em: 20 maio 2024.


Nos trechos do texto: “Imagine o motorista como o seu hipotético candidato a romance” e “Entenda a metáfora”, os termos destacados são, respectivamente, sinônimos de: 

Alternativas
Q3374696 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Em "mas duram pouco e morrem rápido" (parágrafo 13), a palavra em destaque introduz uma 
Alternativas
Q3374694 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Em "Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida." (sexto parágrafo), a palavra em destaque indica 
Alternativas
Q3374684 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Considere as afirmações sobre o excerto seguinte, marque V, para verdadeiro, ou F, para falso, e depois assinale a alternativa CORRETA.
"Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra." (parágrafo 13)
( ) A palavra "avidamente" modifica o sentido do verbo "crescer".
( ) A palavra "pressa" complementa o sentido do verbo "parecer".
( ) Em "decompondo-se", a ênclise se justifica porque o verbo "decompor" está no gerúndio.
( ) A palavra "nutrientes" é complemento objeto direto do verbo "devolver".
( ) A palavra "terra" é complemento objeto indireto do verbo "devolver". 
Alternativas
Q3374683 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas
(Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros. 

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Considere as afirmações sobre o excerto seguinte e depois assinale a alternativa INCORRETA.
"Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontra-se um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos" (primeiro parágrafo). 
Alternativas
Q3360639 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



As armas psicológicas que os golpistas usam em vítimas despercebidas


Não passa um dia sem que haja uma notícia sobre uma vítima sendo enganada e perdendo dinheiro. Somos constantemente alertados sobre novos golpes e sobre como nos mantermos seguros contra os criminosos cibernéticos.
Então, por que as pessoas ainda são enganadas e, às vezes, de forma dramática?
Os golpistas usam técnicas psicológicas sofisticadas. Eles exploram nossas vulnerabilidades humanas mais profundas e ignoram o pensamento racional para explorar nossas respostas emocionais.
Essa guerra psicológica coage as vítimas a tomar decisões impulsivas. Às vezes, os golpistas espalham seus métodos entre muitas vítimas em potencial para ver quem é vulnerável. Outras vezes, os criminosos se concentram em uma pessoa específica.
Em ligações aleatórias, eles começam com pequenas solicitações para estabelecer um sentimento de compromisso. Depois de concordar com esses pequenos pedidos, é mais provável que atendamos a demandas maiores, motivados por um desejo de agir de forma consistente.
A chamada não virá de um número da sua agenda ou de um número que você reconheça, mas o golpista finge ser alguém que você contratou para trabalhar em sua casa, ou talvez um de seus filhos usando o telefone de um amigo para ligar para você.
Se for um golpista, talvez mantê-lo ao telefone por muito tempo dê a ele a oportunidade de descobrir coisas sobre você ou sobre as pessoas que você conhece.
Os criminosos fabricam cenários que exigem ação imediata, como alegar que uma conta bancária está em risco ou que uma oferta está prestes a expirar.
Essa tática visa impedir que as vítimas avaliem a situação de forma lógica ou busquem aconselhamento, pressionando-as a tomar decisões precipitadas.
Ele cria uma situação artificial na qual você se sente amedrontado e levado a fazer algo que normalmente não faria.
Chamadas de golpes alegando ser da Receita Federal são um exemplo. Aparentemente, você tem uma dívida a pagar e as coisas ficarão ruins se você não pagar agora mesmo.
Eles se aproveitam das emoções para provocar reações que ofuscam o julgamento, podendo ameaçar com problemas na Justiça para colocar medo, prometer altos retornos de investimento para explorar a ganância ou compartilhar histórias angustiantes, mas falsas, para obter simpatia e bens financeiros.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn4nv22p6rlo.adaptado.

Essa guerra psicológica é para 'coagir' as vítimas a tomar decisões impulsivas.
O antônimo do vocábulo destacado é:
Alternativas
Q3357591 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Quando quebrei a Cara.


Quando iniciei a docência no ensino superior, atribuíram-me aulas de Sociologia e de Filosofia. Afastei-me das aulas de História, área em que concluíra o mestrado, mas continuei pensando numa maneira de facilitar a leitura de textos de ciências humanas e sociais. Esbocei projeto de extensão universitária: uma oficina de criação literária que indicaria o caminho da escrita clara, objetiva e coesa aos alunos e, em segundo momento, aos interessados da comunidade.


O projeto naufragou. Com ele, o desejo de apresentar escritores contemporâneos que seriam lidos, analisados, criticados e reescritos pelos eventuais alunos. Joguei os rabiscos na gaveta sem esperança de retomá-los. Até que, recebendo as aulas de Filosofia e de Sociologia no curso de Pedagogia em Presidente Epitácio (S.P), acrescentei nova atividade: seminários.


As alunas escolheriam um dos títulos. Fariam uma leitura superficial (posteriormente complementada de maneira mais profunda por mim), análise sociológica, reflexão filosófica, impressões pessoais. Os autores Luiz Antônio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Cyro dos Anjos, Autran Dourado, Josué Guimarães e Sérgio Faraco. Dezesseis romances resgataram minha paixão de trabalhar com Literatura, aplicando conceitos sociológicos e temas filosóficos discutidos nas aulas.


Os romancistas selecionados escrevem fluentemente. Guardam o máximo de significado na economia das frases. A opção pelos títulos considera a qualidade literária - comprovada por teses e prêmios -, o preço acessível, a diagramação, o convite gráfico, a disponibilidade nas redes de livrarias virtuais e o cuidado de possuir, no máximo, duzentas páginas. Cautelas indispensáveis na tentativa de convencer as alunas a efetivamente lerem os enredos. 


A possibilidade de resumos na internet tirou-me o sono. Preparei-me com unhas, dentes, falas e fúrias para desmontar as expositoras com arguições violentas. Entretanto, as arguições violentas cederam lugar ao espanto: as meninas não apenas leram os livros, mas também recorreram a filmes e críticas literárias, comprovando pormenorizadamente a análise sociológica (grupos sociais, processos de aproximação, de distanciamento e de isolamento, fato Social, Papéis Sociais) e a reflexão filosófica (felicidade de Epicuro, questionamentos socráticos, ideias platônicas, aquisição aristotélica da virtude, interpretações de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino, niilismo de Nietzsche).


Compartilhei minhas intenções malignas e reconheci-lhes a capacidade: uma felicidade indizível me invadiu quando, nas comemorações festivas de encerramento do semestre, confessei que - ainda bem! quebrara a cara em meus objetivos perversos.

(Vicentônio Regis do Nascimento Silva, 66 Conhecimento Prático Literatura)



A expressão “Quebrar a cara” pode ser substituída sem alteração semântica pelo verbo:
Alternativas
Q3357179 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tereza de Benguela: a escrava que virou rainha e liderou um quilombo de negros e indigenas.


Tereza de Benguela é, assim como outras heroinas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos últimos anos devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e à pesquisa ou ao resgate de documentos até então não devidamente estudados, na busca de recontar a história nacional e multiplicar as narrativas que revelam a formação sociopolitica brasileira. Conheça a história dessa mulher incrivell


O local de nascimento de Tereza de Benguela é desconhecido. Ela pode ter nascido em algum pais do continente africano ou no Brasil, mas sua vida faz parte da história pouco contada do Brasil.


Tereza viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho até ser assassinado por soldado do Estado. O Quilombo do Piolho também era conhecido como Quilombo do Quariteré (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia). Esse Quilombo foi o maior do Mato Grosso.


Com a morte de José Piolho, Tereza se tornou a líder do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas. O Quilombo do Quariteré abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de “Rainha Tereza”.


O Quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana e da venda dos excedentes produzidos.


Tereza comandou a estrutura politica, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho visto que dominavam o uso da forja.


“Governava esse quilombo a modo de parlamento tendo para conselho uma casa destinada para qual em dias assinalados de todas as semanas entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, José Piolho escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais. Isso faziam tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele neural senado se assentava, e se executava à risca, sem apelação nem agravo” – Anal de Vila Bela do ano de 1770.


Não se tem registros de como Tereza morreu. Uma versão é que ela se suicidou depois de ter sido capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabeça exposta no centro do Quilombo.


O Quilombo resistiu até 1770, quando foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho. A população na época era de 78 negros e 30 indígenas.


Em homenagem a Tereza de Benguela, o dia 25 de julho é oficialmente no Brasil o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi instituída pela Lei nº 12.987/2014.


Além da data comemorativa, a rainha Tereza foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, cujo título é Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal.


(Fonte Biblioteca Setorial do CECULT/Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)




O significado da palavra não é adequado em:
Alternativas
Q3355956 Português
Qual das palavras a seguir NÃO é um antônimo para “corajoso”? 
Alternativas
Q3354318 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


    O consumerismo é um movimento social em que os consumidores e outros agentes sociais procuram adargar os direitos dos consumidores, buscando a paridade de forças entre estes últimos e as empresas fornecedoras de produtos e serviços. Três aspectos são fundamentais no consumerismo: (i) trata-se de esforço coletivo planificado; (ii) resulta de dissensão de poder entre vendedores e compradores no mercado e da consequente insatisfação dos compradores; (iii) busca atingir o equilíbrio de forças em prol dos compradores.

    Foi nos Estados Unidos da América que o movimento consumerista assumiu maiores proporções. É curioso que isso tenha acontecido exatamente na pátria do marketing, ou seja, no país onde a disciplina de marketing teve maior importância e desenvolvimento. O próprio conceito de marketing, como hoje reconhecido, é um desenvolvimento teórico norte-americano.

    No Brasil, o movimento consumerista, como ação de cidadania, nunca obteve grande expressão. As primeiras iniciativas consumeristas no Brasil foram associadas a períodos de carestia de alimentos, em função dos condições edafoclimáticas. Apesar da ínfima expressividade da ação dos consumidores na defesa de seus direitos, o Brasil tem legislação avançada neste campo.


Fonte: Adaptado de Rocha, A.; Ferreira, J. b.; Silva, J. F. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 2012.
Observe o excerto abaixo, extraído do texto anterior:

[...] resulta de dissensão de poder entre vendedores e compradores no mercado e da consequente insatisfação dos compradores.

A seguir, foram elencados alguns sinônimos da palavra grifada, afora:
Alternativas
Q3353868 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Considerando-se a amofinação com a perda de peso, característica da sociedade contemporânea, podem-se explorar segmentos em que esta condição ganha contornos atinentes.

    O problema da obesidade turgesceu-se na sociedade ocidental, e de forma congênere, na brasileira, em que o arquétipo feminino está tácito em imagens de mulheres magras, esguias e sensuais. Observou a pesquisadora Joana Novaes do Núcleo de Doenças da Beleza, da PUC – Rio:

    “Os problemas com a má aparência e, certamente, a gordura figuram entre os piores tipos de incúrias com o corpo. São concebidos como uma quebra das regras e convenções estabelecidas pela sociedade em determinado contexto, traduzindo um modo inadequado de relacionamento com o corpo, no qual estão excluídos exercícios físicos regulares, esforço, disciplina, contumácia e autoestima. Aos poucos, a obesidade assume lugar de discriminação, chegando aos dias atuais como uma das mais radicais formas de exclusão que já não é mais descriminada [...]”.


Fonte: Adaptado de Rocha, A.; Ferreira, J. B.; Silva, J. F. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 2012.
Leia o excerto abaixo:

São concebidos como uma quebra das regras e convenções estabelecidas pela sociedade em determinado contexto, traduzindo um modo inadequado de relacionamento com o corpo, no qual estão excluídos exercícios físicos regulares, esforço, disciplina, contumácia e autoestima.

Todas as alternativas abaixo apresentam sinônimos do termo grifado, exceto:
Alternativas
Q3351781 Português
Qual das palavras abaixo pode ser utilizada como antônimo da palavra “escorregadio”?
Alternativas
Q3351780 Português
O que significa a palavra “layout” na frase: “… que prova que o novo layout colaborou muito para o conforto e segurança nos eventos.”? 
Alternativas
Q3350968 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A arte de andar de ônibus.

O transporte público no Brasil é algo essencial para a maioria da população, que vive verdadeiras aventuras ao usufruir deste meio. Em um ônibus pode acontecer e acontece de quase tudo, senão tudo...!

Eis quem vos escreve também usa este meio para se locomover. Um ônibus é um carro grande com um motorista que gosta dos extremos, tem aquele que é mais lento e vive na vibe do paz e amor, e aquele outro que curte a adrenalina e não tá nem aí "manda" o passageiro pular dentro do ônibus para este mesmo passageiro desenvolver algumas técnicas para se equilibrar.

O motorista paz e amor não liga se o amigão do carro pequeno ao lado tá há meia hora buzinando e xingando ele. Manda os passageiros subirem, não liga se não vai dar mais ninguém, pois acha que ônibus é que nem coração de mãe, cabe sempre mais um. Vale lembrar que alguns deles acham que dois corpos ocupam SIM o mesmo lugar no espaço. Acho que cabe mesmo, é só lembrar daqueles indivíduos que acham que podem ficar atrás apertando você contra a cadeira, quase fazendo você sentar no colo de outro passageiro, que te olha com a cara feia, como se a culpa pelo empurrão fosse sua.

Não existe maior interação social do que andar de coletivo, o próprio nome já diz tudo todos estão no aperto juntos. Tem desde o educado até o totalmente mal educado, desde o grosso até o que cede a cadeira para o idoso, da criança berrando querendo peito da mãe, e as figuras como os DJ's e o pessoal da igreja no ônibus. Sem esquecer os que pedem ajuda, com o discurso praticamente pronto e igual ao do outro que vai subir no ponto seguinte. Quem lembra do "Bom dia desculpem estar aqui atrapalhando a viagem das vossas pessoas"?

Por falar em figuras que aparecem, é quase diário quando vejo três figuras certas: o DJ, o cantor e o pastor. Me diz aí qual é o pior?

O pastor é aquele que vê o diferente classifica-os como perdidos e adjetivos afins e inicia a pregação, os cantores (e cantoras) são os que devem se sentir frustrados, e não satisfeitos, resolvem desbravar e abrir os pulmões dentro dos coletivos que estamos falando aqui. E por último e não menos importante (ou não), eles, os DJ's de ônibus. Figuras esdrúxulas que possuem fortes sintomas de egocentrismo e acham que seu gosto é universal, amplamente aceito e sem características ruins. Estes indivíduos são por muitos odiados, pois simplesmente colocam seus equipamentos nas alturas obrigando todos a partilharem de sua música e esquecem que fone de ouvidos estão aí para serem utilizados.

A universalidade dos protagonistas dos coletivos é grande, isso mesmo, quem aí já tirou aquela soneca gostosa e esqueceu-se da vida por alguns minutos (que na verdade são segundos!)? Não é novidade os engarrafamentos, apesar de muitos odiarem e se estressarem fácil, para os sonecas de coletivos tem uma ótima função, cochilar, cochilar e/ou dormir. Existem os pescadores natos, os sonâmbulos e, pra mim, o mais, vamos dizer, especial: aquele que dorme do momento que sentou até a hora de descer. Detalhe: inexplicavelmente, ele sabe a hora de parar e pedir a parada. Dom de poucos, não?!

Há quem diga que andar de ônibus é uma aventura ou testar a paciência diariamente. A real é que andar de ônibus é uma arte de sentir todas as emoções e situações possíveis, é paquerar sem saber que pode durar até o ponto seguinte, é ser eclético, é ser cantor, é ser filósofo, é saber dividir, saber esperar, esperar mesmo sozinho no ponto, mas esperar e por mais tempo que você espere você sabe que está mais perto do ônibus chegar ou então chegar no ponto e 10 segundos depois seu ônibus chegar ou então ele já ter passado, é sinalizar pro motorista e ele passar direto e, de quebra, sorrir da sua cara. Ou então, correr e na hora não ser o seu ônibus, enfim é aventurar.

O coletivo é uma aventura ímpar, pois proporciona um tour pela cidade, a oportunidade de conversar com aquela pessoa e possivelmente nunca mais ver, é treinar a virtude da paciência é se preocupar, é o momento da leitura, é se desligar do Mundo, é dormir, é acordar, é malhar (sentar e levantar é um ótimo exercício), enfim, andar de ônibus é uma arte.


(Jonas Sakamoto, 8 de junho de 2012)
Na crônica, a palavra "ponto" tem o sentido de:
Alternativas
Q3350409 Português
Os caranguejos que estão vestindo nosso lixo plástico

Estudos indicam que dois terços das espécies de caranguejos eremitas foram registrados em conchas artificiais como objetos descartados pelos humanos.

Os cientistas afirmam estar desolados ao ver até que ponto os animais convivem com nossos resíduos. A pesquisa foi baseada na análise de fotos tiradas por entusiastas da vida selvagem e publicadas em redes sociais e em sites de compartilhamento de fotos.

Marta e Lucas, da Universidade de Varsóvia, identificaram animais utilizando conchas artificiais, principalmente tampas plásticas.

"Começamos a notar algo completamente fora do comum. Em vez de estarem adornados com uma bela concha de caracol, eles tinham uma tampa de garrafa plástica vermelha ou um pedaço de lâmpada em suas costas", diz Lucas.

"De acordo com nossos cálculos, dez das dezesseis espécies de caranguejos eremitas terrestres no mundo utilizam esse tipo de abrigo, e isso foi observado em todas as regiões tropicais da Terra", explicou a professora Marta.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8 8nve55k18o.adaptado.
Em vez de estarem 'adornados' com uma bela concha de caracol, eles tinham uma tampa de garrafa plástica. O sinônimo do vocábulo destacado é:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: SPTrans Prova: VUNESP - 2024 - SPTrans - Arquiteto Pleno |
Q3343648 Português
Leia o texto para responder à questão.


Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade


    Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.

    Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.

    Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?

    Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.

    Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.


(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/ julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)


No trecho – … leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente. (1° parágrafo) –, a palavra destacada pode, em conformidade com a norma-padrão, ser substituída por: 
Alternativas
Q3342933 Português
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o antônimo da palavra “definitivo”.
Alternativas
Respostas
1081: A
1082: D
1083: B
1084: A
1085: E
1086: A
1087: A
1088: A
1089: C
1090: C
1091: D
1092: B
1093: E
1094: E
1095: D
1096: A
1097: C
1098: D
1099: D
1100: B