🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 13.813 questões

Q3173781 Português
A importância do lazer para nossa saúde e bem−estar


       O lazer é uma área que vem crescendo em estudos e em investimentos também.

     É uma ideia advinda dos fins do século XIX e início do XX, quando momentos de trabalho e de lazer puderam ser aliados. Uma grande indústria em torno das atividades de lazer é construída a cada dia que passa, mas o fato é que ter momentos de lazer contribui para a qualidade de vida e, principalmente, para a saúde.

     A preocupação com o trabalho e com a correria do dia a dia faz com que muitos imaginem que momentos de lazer são somente quando realmente saímos da rotina, viajamos, mas eles podem estar em todos os momentos do dia a dia.

      Para alguns, ele pode ser um descanso, uma mera válvula de escape, e para outros ele pode ser momento de construir boas relações, de adquirir conhecimento, fazer alguma coisa diferente.

    O fato é que combater o estresse físico, mental e psicológico se alia à boa saúde. As atividades de lazer são formas de divertimento, descanso ou desenvolvimento que podem trazer inúmeros benefícios, não só para sua saúde física, como para sua saúde mental e psicológica, que são tão importantes quanto a saúde física.


Temporada Livre. Adaptado.
No texto, a palavra “benefícios” (5º parágrafo) poderia ser substituída, sem alterar o sentido, por:
Alternativas
Q3173780 Português
A importância do lazer para nossa saúde e bem−estar


       O lazer é uma área que vem crescendo em estudos e em investimentos também.

     É uma ideia advinda dos fins do século XIX e início do XX, quando momentos de trabalho e de lazer puderam ser aliados. Uma grande indústria em torno das atividades de lazer é construída a cada dia que passa, mas o fato é que ter momentos de lazer contribui para a qualidade de vida e, principalmente, para a saúde.

     A preocupação com o trabalho e com a correria do dia a dia faz com que muitos imaginem que momentos de lazer são somente quando realmente saímos da rotina, viajamos, mas eles podem estar em todos os momentos do dia a dia.

      Para alguns, ele pode ser um descanso, uma mera válvula de escape, e para outros ele pode ser momento de construir boas relações, de adquirir conhecimento, fazer alguma coisa diferente.

    O fato é que combater o estresse físico, mental e psicológico se alia à boa saúde. As atividades de lazer são formas de divertimento, descanso ou desenvolvimento que podem trazer inúmeros benefícios, não só para sua saúde física, como para sua saúde mental e psicológica, que são tão importantes quanto a saúde física.


Temporada Livre. Adaptado.
Com base no texto, se a palavra “estresse” (5º parágrafo) fosse substituída por “ansiedade” na frase, quantas outras palavras, além dela, também mudariam? 
Alternativas
Q3173721 Português
Adolescentes e a busca pelo corpo perfeito


      Autoestima e autocuidado são atributos significativos para uma vida de bem−estar. No entanto, o equilíbrio é sempre bem−vindo. Dependendo do nível de exigência com a autoimagem, a busca pelo corpo perfeito pode trazer prejuízos e sofrimento.

     Nunca se falou tanto em saúde mental infantil e do adolescente como nos últimos tempos. Isso é positivo, pois abre portas para que as pessoas possam refletir sobre assuntos relevantes, tendo a oportunidade de mudar comportamentos e pensamentos inadequados.

    A adolescência é um momento sensível. A fase marca a despedida da infância e a entrada para um mundo cheio de obrigações e cobranças.

    É nesse estágio que as pessoas dão mais importância para o social, buscando aceitação dos pares e identificação com grupos específicos. É também a época em que despertam os interesses sexuais, aumentando a preocupação com a aparência e o julgamento.

    O uso exagerado de filtros do Instagram é um bom exemplo nesse sentido, já que a motivação por trás é se mostrar interessante para alcançar a aceitação social. No fundo, o jovem altera a própria imagem na tentativa de esconder o “eu real” a fim de se transformar em um “eu idealizado” para os outros.

   A perfeição é impossível de ser atingida. Buscar algo inviável gera frustração, aumento da insatisfação, sofrimento e prejuízos afetivos, sociais e profissionais.


Fonte: Hospital Santa Mônica — Adaptado.
Com base no texto, a palavra “atributos” (1º parágrafo) poderá ser substituída, sem alteração do sentido da frase, por:
Alternativas
Q3173130 Português
Assinale a alternativa que traz um exemplo de antônimos. 
Alternativas
Q3173121 Português
Leia o texto para responder à questão.


Estresse ocupacional é uma doença crônica, caracterizada por reações de desgaste físico e psicológico relacionadas ao trabalho. A causa do estresse ocupacional está na exposição a agentes estressores, que são capazes de provocar respostas negativas na maior parte dos trabalhadores. Características relacionadas à estrutura física, organização e relações de trabalho costumam estar na raiz do problema. Além da autoimagem do funcionário, que pode estar sensibilizado por fatores externos ao trabalho, mas que aumentam o risco de estresse. Por exemplo, luto por um ente querido, adoecimento, divórcio, frustração diante de um projeto que fracassou etc.

Dentre as causas comuns para o estresse ocupacional, destacam-se: ambiente desestruturado, sobrecarga de trabalho; falta de reconhecimento; cobranças excessivas; clima hostil; cenário de instabilidade. Os efeitos negativos do estresse ocupacional são percebidos tanto em nível individual quanto coletivo. Nesse caso, afetam a empresa como um todo. Portanto, é preciso promover mudanças eficientes, que permitam identificar as diferentes fases da doença e impedir que se chegue à exaustão.


Fonte: Morsch, J. A. Estresse ocupacional: o que é, causas e consequências. Morsch Telemedicina, 2022. Disponível em: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/estresse-ocupacional 
De acordo com o texto, é necessário promover mudanças eficientes, que permitam identificar as diferentes fases da doença e impedir que se chegue à exaustão. Dentro desse contexto, são sinônimos de exaustão, EXCETO: 
Alternativas
Q3173119 Português
Leia o texto para responder à questão.


Estresse ocupacional é uma doença crônica, caracterizada por reações de desgaste físico e psicológico relacionadas ao trabalho. A causa do estresse ocupacional está na exposição a agentes estressores, que são capazes de provocar respostas negativas na maior parte dos trabalhadores. Características relacionadas à estrutura física, organização e relações de trabalho costumam estar na raiz do problema. Além da autoimagem do funcionário, que pode estar sensibilizado por fatores externos ao trabalho, mas que aumentam o risco de estresse. Por exemplo, luto por um ente querido, adoecimento, divórcio, frustração diante de um projeto que fracassou etc.

Dentre as causas comuns para o estresse ocupacional, destacam-se: ambiente desestruturado, sobrecarga de trabalho; falta de reconhecimento; cobranças excessivas; clima hostil; cenário de instabilidade. Os efeitos negativos do estresse ocupacional são percebidos tanto em nível individual quanto coletivo. Nesse caso, afetam a empresa como um todo. Portanto, é preciso promover mudanças eficientes, que permitam identificar as diferentes fases da doença e impedir que se chegue à exaustão.


Fonte: Morsch, J. A. Estresse ocupacional: o que é, causas e consequências. Morsch Telemedicina, 2022. Disponível em: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/estresse-ocupacional 
Uma das possíveis causas do estresse ocupacional é o clima hostil. Destaque a alternativa que traz um sinônimo de hostil
Alternativas
Q3172715 Português
Destaque a alternativa que a relação estabelecida não é de palavras antônimas.
Alternativas
Q3172413 Português
Santinho

(Luiz Fernando Veríssimo)

    Me lembro com clareza de todas as minhas professoras, mas me lembro de uma em particular. Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi “Dona Ilka” e não Ilka? Talvez por medo de que ela se materializasse aqui ao meu lado e exigisse o “Dona”, onde se viu tratar professora pelo primeiro nome, menino? No meu tempo ainda não se usava o “tia”. Elas podiam ser boas e até maternais, mas decididamente não eram nossas tias. A Dona Ilka não era maternal. Era uma mulher pequena com um perfil de passarinho. Um pequeno passarinho loiro. E uma fera.

    Eu era aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isto até hoje faço verdadeiras faxinas na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, mas não consigo lembrar o quê. O fato é que fui posto de castigo. Que consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada para a parede. (Isto tudo, já dá pra ver, foi mais ou menos lá pela Idade Média.) Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me chamado de “santinho do pau oco”.

   Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsificado! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas as vezes em que um passarinho imaginário com perfil de professora pousou no meu ombro e me chamou de fingido. Os santinhos do pau oco passam a vida se questionando.

    Já outra professora quase destruiu para sempre qualquer pretensão minha à originalidade literária. Era para fazer uma redação em aula sobre a ociosidade, e eu não tinha a menor ideia do que era ociosidade. Se a palavra fora mencionada em aula tinha certamente sido num dos meus períodos de devaneio, em que o corpo ficava ali, mas a mente ia passear. E então, me achando formidável, fiz uma redação inteira sobre um aluno que precisa fazer uma redação sobre a ociosidade sem saber o que é isso, sua agonia e finalmente sua decisão de fazer uma redação sobre um aluno que precisa fazer uma redação sobre a ociosidade, etc. a professora chamou a atenção de toda a classe para a minha redação. Eu era um exemplo de quem acha que com esperteza pode-se deixar de estudar e por isto estava ganhando um zero exemplar. Só faltou me chamar de original do pau oco.

    Enfim, sobrevivi. No ginásio, todos os professores eram homens, mas não me lembro de nenhuma marca que algum deles tenha deixado. As relações com as nossas pseudomães, no primário, eram mais profundas. As duas histórias que eu contei não têm nenhuma importância. Mas olha as cicatrizes. 
[Questão inédita] No trecho "Ela se chamava Dona Ilka. Curioso: por que escrevi 'Dona Ilka' e não Ilka?" (1º parágrafo), a palavra "curioso" pode ser substituída por:
Alternativas
Q3172307 Português
Observe o sentido expresso pelo pronome indefinido na oração “Homem nenhum vai me privar de viver os meus sonhos”. As sentenças a seguir empregam outro pronome indefinido, que só exprime o mesmo sentido de “nenhum” em:
Alternativas
Q3172305 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O que é angústia

      Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria – o que também é uma forma de angústia.

       Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai.

      Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda.


LISPECTOR, C. O que é angústia. Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018, p. 535.
O sentido do verbo ‘haver’, empregado em “Há sim”, é o mesmo que ocorre em:
Alternativas
Q3172263 Português
Analise as relações abaixo e destaque a alternativa que NÃO corresponde a termos sinônimos.
Alternativas
Q3172262 Português
Analise o excerto: “Tanto por razões mercadológicas, como éticas, a aplicação de marketing por estes prestadores de serviço é diferenciada na sua forma de comercialização”.

A seguir foram elencados alguns sinônimos da palavra em destaque, EXCETO:
Alternativas
Q3172203 Português
A seguir, foram destacados alguns sinônimos de liame, EXCETO:
Alternativas
Q3172117 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



O conceito de motivação (nível individual) conduz ao de clima organizacional (nível da organização). Os seres humanos estão continuamente engajados no ajustamento a uma variedade de situações, no sentido de satisfazer suas necessidades e manter um equilíbrio emocional. Isto pode ser definido como um estado de ajustamento. Tal ajustamento não se refere somente à satisfação das necessidades fisiológicas e de segurança, mas também à satisfação das necessidades de pertencer a um grupo social, de estima e de autorrealização.


É a frustração dessas necessidades que causa muitos problemas de ajustamento. Como a satisfação dessas necessidades superiores depende muito de outras pessoas, particularmente daquelas que estão em posições de autoridade, torna-se importante para a administração compreender a natureza do ajustamento e do desajustamento das pessoas.


O ajustamento, como a inteligência e as aptidões, varia de uma pessoa para outra e dentro do mesmo indivíduo de um momento para outro. Varia dentro de um continuum e pode ser definido em vários graus, mais do que em tipos. Um bom ajustamento denota saúde mental. Uma das maneiras de se definir saúde mental é descrever as características de pessoas mentalmente sadias. Essas características básicas são: sentem-se bem consigo mesmas; sentem-se bem em relação ao outro; são capazes de enfrentar por si as demandas da vida.


Fonte: Chiavenato, I. Administração de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 2019.

Leia o excerto abaixo:

O ajustamento, como a inteligência e as aptidões, varia de uma pessoa para outra e dentro do mesmo indivíduo de um momento para outro. Varia dentro de um continuum e pode ser definido em vários graus, mais do que em tipos.
A seguir, foram elencados alguns sinônimos da palavra em destaque. No entanto, uma das alternativas traz um sentido que difere do proposto pelo texto, assinale-o: 
Alternativas
Q3171951 Português
Assinale a opção que indica a frase em que houve a troca indevida entre as expressões ao pé, a pé, de pé e em pé.
Alternativas
Q3171950 Português
Todas as frases a seguir mostram dois termos sublinhados que podem ser empregados na frase.
Assinale a opção em que o primeiro termo é o mais adequado.
Alternativas
Q3171682 Português
A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

Por Cláudia Laitano


 (Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova). 
Assinale a alternativa que poderia substituir o vocábulo facínora (l. 28) sem causar incorreção à estrutura ou ao sentido do texto.
Alternativas
Q3170998 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A tarde a multidão


       Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.


       Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar? 


     Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico? 


       Pergunta-me o homem do balcão:


       — Como é que o senhor quer o ferro elétrico?


       Hesito e respondo, na medida do possível:


       — Um que seja bem elétrico. 



      Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos. 


      Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival. 


       Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um. 


      Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. 


MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123. 

A expressão “malgrado”, no contexto “Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival”, significa o mesmo que: 
Alternativas
Q3170997 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A tarde a multidão


       Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.


       Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar? 


     Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico? 


       Pergunta-me o homem do balcão:


       — Como é que o senhor quer o ferro elétrico?


       Hesito e respondo, na medida do possível:


       — Um que seja bem elétrico. 



      Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos. 


      Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival. 


       Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um. 


      Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. 


MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123. 

No trecho “— Um que seja bem elétrico”, o advérbio “bem” exprime: 
Alternativas
Q3170996 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A tarde a multidão


       Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.


       Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar? 


     Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico? 


       Pergunta-me o homem do balcão:


       — Como é que o senhor quer o ferro elétrico?


       Hesito e respondo, na medida do possível:


       — Um que seja bem elétrico. 



      Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos. 


      Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival. 


       Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um. 


      Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. 


MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123. 

Ao dizer “um estágio de lânguido torpor como o do ópio” para tratar da angústia, o narrador se refere: 
Alternativas
Respostas
921: A
922: B
923: A
924: C
925: E
926: C
927: E
928: A
929: B
930: C
931: D
932: C
933: E
934: D
935: E
936: B
937: C
938: E
939: B
940: D